Notas iniciais
Heey! Demorei mais tempo do que pretendia mas consegui postar, até que enfim. Tava quase com o capítulo completo mas aconteceram algumas coisas que me deixaram chateada e quando melhorei fui abrir o note e o texto tinha sumido. Ai até eu reescrever... mais de uma semana sem postar. Mas o que importa é que aqui está. O começo do capítulo está um pouco estranho porque são outras pessoas falando e que nos próximos capítulos se tornarão mais importantes. Desde já, obrigada pelos comentários do último capítulo e, principalmente obrigada pela paciência. Boa leitura!!

– O que faz aqui?

–Senhor, preciso lhe informar de uma coisa...

–Fale logo o que quer!

–Recebi informações de que duas pessoas foram vistas percorrendo as ruas do centro... E que uma delas claramente não veio daqui.

–Mas isso não é possível! Todos que representam ameaças foram exterminados... você tem certeza de que a informação é confiável?

–Sim, tenho certeza disso. Algo deve ter dado errado e eles devem ter arranjado alguma forma de escapar. E se dois escaparam, garanto que outros também.

–Nada pode dar errado. Rastreie o território e trate de tomar as devidas providências sobre isso.

–O senhor quer que eu chame a nossa tropa?

–Não. Tenho uma ideia melhor...

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Depois de uma noite mal dormida, Gina reparou que finalmente já era de manhã. Não conseguia fechar os olhos porque as lembranças do dia anterior sempre vinham e nas raras vezes que conseguiu, acordava logo em seguida. A pessoa que causou tudo aquilo não estava muito longe e parecia ter dormido muito melhor que ela.

Gina se levantou e percorreu o tronco da árvore. Observou as duas crianças, Serelepe e Pituca e enfim olhou para o engenheiro. Aquele que lhe tinha roubado um beijo. Aquele que não conseguia esquecer. Mas tinha. Prometera a si mesma não se apegar a mais ninguém, não aguentaria se perdesse mais alguém que amasse e se Ferdinando não saísse de sua cabeça, ela mesma tiraria. Voltou para onde estava e fingiu que nunca tinha saído de lá.

Não levou muito tempo para Ferdinando acordar, coisa que não o deixou muito feliz. Sentiu ter tido um sonho muito bom, mas não se lembrava direito do que tratava. Ou tinha medo de se lembrar. Olhou para o lado e viu que sua irmã dormia tranquilamente, depois seus olhos encontraram Serelepe e em seguida, Gina. Se lembrava totalmente do dia anterior, dos beijos e de todas as palavras que disseram durante suas discussões. Não podia deixar de pensar em como teve sorte, quem sabe o que poderia ter acontecido com todo aquele nervosismo dela, ainda mais com a arma que carregava. Porque tinha que ser tão difícil e porque tudo parecia tão difícil quanto ela? Nunca desejara tanto poder voltar a vida que tinha na Vila de Santa Fé, mas agora gostaria de levar uma pessoa com ele. Mas será que poderia? Será que ela deixaria? Todas essas perguntas invadiam a mente de Ferdinando enquanto ele dizia para si mesmo esquecer de toda aquela besteira. Mas de uma coisa ele não podia (e nem queria) se esquecer: do gosto doce do beijo de Gina. Fechou os olhos novamente e se concentrou naquilo, enquanto sorria involuntariamente. Até ser interrompido.

–Você já tá acordado Ferdinando? — Perguntou Gina quando ouviu sons vindos na direção em que ele estava deitado. Viu que ele sorria com os olhos fechados e teve medo do que estaria passando pela sua cabeça.

–Eu to sim Gina. Só tava pensando... — Respondeu, se sentando. Gina acabou sentindo um arrepio vendo seu medo aumentar mas resolveu encerrar logo esse assunto.

–Eu pouco me importo se você estava pensando ou não! Só quero decidir o que iremos fazer hoje.

–Ara Gina, hoje a gente vai continuá a percurá os outros i, provavelmente, a noite já iremos estar todos reunidos. — Disse Ferdinando, acrescentando depois de uma pausa. — Ocê durmiu bem?

–Mas que pergunta é essa agora Ferdinando? Isso não lhe interessa! — Respondeu Gina, confirmando as suspeitas do engenheiro. Não esquecera do que havia acontecido ontem e continuava o tratando assim.

–Pois ieu lhe digo que durmi muito bem.

–Pois eu também! Melhor impossível! — Respondeu, lhe virando a cara. Queria escapar de outras perguntas de Ferdinando, principalmente se ele tocasse no assunto do dia anterior. Quanto menos falasse com ele, melhor. E para seu alívio, ele também encerrou o assunto.

Não demorou muito para as crianças acordarem. Gina não viu, estava virada para um lado em que tudo o que podia ver eram árvores e mais árvores. Mas podia ouvir e não deixava de admirar o carinho de irmãos que Ferdinando e Pituca tinham.

–Bom dia procê também Gina. — Ouviu a menina dizer e no mesmo momento se sentiu péssima por não cumprimentar ninguém e ficar daquele jeito. Afinal, ela não tinha culpa nenhuma do que o irmão tinha feito. Resolveu se comportar assim apenas com Ferdinando.

–Bom dia Pituca, bom dia Serelepe! — Respondeu, se voltando para os três. — Bom, hoje a gente vai continuar a procurar todos. Vocês sabem o caminho? -Perguntou.

–Mai é claro que sim, quando ocêis quisé ir nois vai. — Respondeu Serelepe.

–Vamo agora Gina? — Perguntou Ferdinando, olhando para ela, que desviou o olhar no mesmo segundo.

–Vamos. — Disse rápido, se levantando e seguindo em frente, junto das crianças e sendo seguida pelo engenheiro.

Os quatro caminhavam em direção da caverna, sem dizer uma só palavra, até que o silêncio foi quebrado por Ferdinando:

–A gente já falo tudo que aconteceu enquanto nois tava perdido. Mai i co cêis? Tá todo mundo bem? — Gina prestou bem atenção na resposta. Não conseguia deixar de evitar pensamentos negativos, mesmo abominando que algo tivesse acontecido.

–Com a gente não aconteceu nada Nando... Ieu fiquei junto do nosso pai i da minha mãe inté vir procura ocê. Mai... — Respondeu Pituca, tentando não falar da professora.

–Mai o que Pituquinha? — Perguntou Ferdinando. Tanto ele quanto Gina já estavam apreensivos.

–É a professora Juliana. Ela num tá nada bem desde que a gente acho ela. As vezes ela desmaia i recrama muito de dor de cabeça. — Respondeu Serelepe. Gina reconheceu os sintomas no mesmo instante, devia ser a mesma coisa que estava sentindo. Será que tinha sido atacada por algum enxame de abelhas, ou algo pior? Nesses dias, teve provas suficientes de que podia se esperar tudo daquela floresta.

Ferdinando se sentia culpado, pensava que não devia ter deixado Juliana sozinha mas ao mesmo tempo pensava que seria difícil achar Gina se continuasse o outro caminho com a professora. Sua mente estava confusa tão ao pensar nas diversas possibilidades do que teria acontecido que ele nem percebeu quando chegaram a caverna. No mesmo momento, seu coração se apertou ao lembrar que estava a poucos passos de seu pai, sua madrasta e todos da Vila de Santa Fé.

Eles chegaram próximo a entrada e notaram uma pequena diferença: Toda a parede estava repleta de teias de aranha, aparentemente normais. Até para entrar teriam que atravessar uma transparente parte delas. Ferdinando passou na frente e sentiu pequenos arrepios em seu corpo, como leves choques ao tocar aquela teia.

–Ocês esperem pra entrar. -Alertou enquanto deixava um espaço aberto. A última coisa que queria era que corressem algum risco. Depois de entrar na caverna, Serelepe comentou:

–Ara que estranho, eu num mi lembro disso. Ocê se lembra Pituca?

–Eu também num me lembro Lepe. Mai o que importa agora é que nois chegamo.- Completou sorrindo, correndo para o fundo do lugar. Logo todos puderam ouvir a voz estridente de Catarina ao ver a filha novamente.

–Pituca!! Fiaaa!! Mai donde é que ocê tava que me dexo cheia de preocupação?? — Disse ao abraçar a menina. — Lepe!! Que susto que ocêis me dero... Ah Ferdinando!! Que bom que ocê tá bem, mas donde é que ocê...

–É uma longa história Catarina, ieu prefiro contar dispois. — Respondeu ao abraçar a madrasta. — Olá meu pai... — Disse ao ver o coronel Epaminondas ao seu lado.

–Nandinho meu fio... Ocê nunca mais suma da nossa vista, tá me entendendo? — Depois de falar isso, fez uma coisa que a tempos não fazia, o abraçou. Estavam brigados desde que ele chegou com o diploma de Engenheiro Agrônomo, mas pelo que percebera, a distancia acabou amolecendo o coração do coronel, pelo menos um pouco.

Gina via aquele cena de longe e tentou conter as lágrimas. O que mais queria naquele momento era reencontrar sua família e poder abraçá-los como Ferdinando estava fazendo. Enxugou o rosto com uma mão e ouviu uma voz familiar.
–Gina, ocê vorto! Eu e meu marido sentimo sua falta, né pai?

–Ié verdade mãe. — Respondeu Pedro Falcão. — Nois se preocupamo com o seu sumiço mais o doutor Ferdinando, mai o que importa agora é que ocêis tão tudo bem. Dá cá um abraço fia! — Gina abraçou seu Pedro e logo em seguida, dona Tê. Percebia que também tinha sentido falta dos dois e quando os abraçou teve uma sensação de carinho e conforto que não tinha a tempos. Não se apegar a mais ninguém seria uma tarefa mais difícil do que ela tinha imaginado.

–Eu também senti falta de vocês. — Comentou e sorriu ao olhar para os dois, logo ouvindo dona Tê falar:

–I sabe quem falou do cê também? A dona Juliana. Ocê já...

–Sim, eu já sei do estado dela... Onde ela tá? — Respondeu Gina, ansiando saber como estava. Não a tinha visto em nenhum momento desde que chegara.

–Vamos lá. — Respondeu, mostrando o caminho que levava a uma parte isolada da caverna. Ela reparou a presença de uma poça de água no canto e Juliana sentada, encostada na parede. Estava realmente muito pálida e podia jurar que até seus cabelos estavam um pouco menos rosados. Perto dela estava Zelão, com um olhar preocupado e um pouco ao lado estava doutor Renato. Gina se aproximou e viu a surpresa de Juliana ao vê-la.

–Gina! Minha amiga, como você está? — Perguntou alegre, se esforçando para levantar e abraçar a ruiva.

–Eu estou bem sim Juliana. — Não iria contar nada sobre o que lhe atacara, por enquanto. Agora queria saber exatamente o que tinha acontecido com a professora. Viu todos se afastarem e pode conversar tranquila. - Eu fiquei sabendo que você desmaiou, o que aconteceu? — Perguntou, se sentando ao lado dela e encostando na parede.

–Ah Gina... Depois de me separar do Ferdinando, eu continuei até encontrar essa caverna. Estava morrendo de sede e acabei bebendo daquela água– Respondeu, apontando para a pequena poça.Na mesma hora comecei a sentir uma dor muito forte na cabeça que não passava, até eu desmaiar.

–Espera... deixa eu olhar mais de perto. — Disse Gina, ao se levantar e ir verificar aquela água suspeita. No mesmo momento reconheceu o cheiro forte que também sentira ao ser picada e quando tirara o sapo do pescoço de Pituca. — Juliana, eu tenho quase certeza de que isso é veneno! Cheira como quando eu fui atingida por aquelas abelhas.

–Meu Deus Gina, será? — A professora respondeu colocando a mão na boca, em uma expressão de susto– Mas se fosse realmente veneno a minha dor não passaria. Geralmente ela vem mas acaba sumindo. Do nada. Não acha que eu já estaria morta?

– Olha isso... — Gina mostrou as pequenas marcas que tinha– Quando eu eu o Ferdinando estávamos na floresta a gente acabou sendo atacado por um enxame de abelhas. Com ele não aconteceu nada, mas eu acabei passando a sentir a mesma dor que você me descreveu e também cheguei a desmaiar.

–Mas Gina, o doutor Renato que é médico formado acha que o que eu tenho mesmo é estresse e canseira... E eu também acho, porque só volto ao normal quando estou com o Zel... com quem gosta de mim. — Respondeu a professora, corrigindo no momento. No fundo sabia que se sentia melhor sempre que conversava com Zelão mas não queria admitir para si mesma. — Quando converso com a dona Tê, com o seu Pedro...

–Tudo bem Juliana... — Disse Gina, concordando pois a última coisa que queria naquele momento era discutir.– E você também sente muita sede, não é?

–Não Gina, não sinto. Por que?

–Porque eu só melhoro quando tomo água. Estranho isso... — A resposta da professora deixou Gina pensativa. Estava certa de que aquilo era veneno mas porque Juliana não chegava a sentir tanta sede como ela? Será que era mesmo cansaço? Não podia ser, ela não desmaiaria no mesmo instante. A única coisa que a tirou de seus pensamentos foi a voz da professora.

–Ou pode ter sido a companhia do doutor Ferdinando. - Disse Juliana, sorridente.

–Mas de jeito nenhum! Companhia daquele um? Até parece! — Respondeu irritada.

–Ora essa Gina, mas porque todo esse nervosismo? Eu já te contei o que aconteceu comigo, agora é sua vez.

Ela começou a contar tudo o que acontecera, tentando desviar de todas as insinuações da professora em relação ao engenheiro ter ficado sozinho com ela.

–Então ele te carregou até o lago? - Disse Juliana, sorrindo maliciosamente. — Depois fala que a companhia dele não te fez bem. Garanto que não foi a água e sim o carinho que ele teve com você.

–Juliana deixa de falar bobagem! Senão eu paro de falar com você!

–Continua a contar, eu já parei. Mas ainda acho que não é nenhuma besteira.

Gina continuou e chegou a parte que não queria nem lembrar. A parte do beijo.

–Ah Juliana, depois tudo seguiu normal. — Disse, tentando escapar do assunto.

–Você tem certeza Gina? Eu estou percebendo um certo nervosismo em sua voz, aconteceu alguma coisa.

–Não aconteceu nada!

–Gina, você pode contar tudo pra mim, a gente se conhece a pouco tempo mas eu te considero uma amiga, você não confia em mim?

–Confiar eu confio Juliana. Mas é que... Promete não contar pra ninguém?

–Claro que eu prometo minha amiga.

–Então... Eu e o Ferdinando começamos a brigar. Ai eu ameacei deixar ele e ir embora sozinha. Então... ah Juliana, ele segurou meu braço e me deu um beijo.

–Gina! Eu não acredito!! — Respondeu surpresa a professora.

–Fala baixo Juliana! — Disse Gina, repreendendo a pequena comemoração da amiga.

–Me desculpa mas... Gina ele te beijou! — Juliana continuava alegre com a confissão da ruiva. - E você gostou?

–Juliana isso é pergunta que se faça? — Disse Gina, ficando vermelha. — Eu fiquei com raiva, isso sim!

–Mas você não pode dizer que não gostou nem um pouco. — Juliana ainda queria uma resposta.

–Juliana! Vamos mudar de assunto que eu to cansada de falar disso. — Gina não conseguia desmentir, mas também não podia afirmar.

–Tá bom Gina.– Juliana ainda ria mas acabou deixando o assunto de lado pois não queria irritar a ruiva ainda mais.

O dia passou e após todos se alimentarem de frutas que todo dia Seu Giácomo, Milita ou até mesmo Viramundo procuravam na floresta, todos dormiram pensando no que fariam no dia seguinte.

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Ferdinando abriu os olhos e encontrou sua família dormindo próximo de si. Se lembrou do dia anterior e se sentiu aliviado por ver todos bem. A segunda coisa que fez foi procurar Gina. Acabou sentindo falta de encontrá-la no mesmo instante em que acordava. Mas se lembrou que tinham se separado quando encontrara sua madrasta e resolveu se levantar para procurá-la, mesmo estando brigado com a ruiva. Também precisava ver Juliana e usaria isso como desculpa. As encontrou dormindo tranquilamente no fundo da caverna, perto de Pedro Falcão e Dona Tê.

– Bom dia Gina, como vai? - Disse a acordando.

–Ferdinando! Saia já daqui! Eu já disse que não quero falar com você. — Respondeu a ruiva, nervosa com a insistência do engenheiro de cumprimentá-la.

–Ara Gina, eu num vim lhe dá bom dia, apenas o fiz por educação. Vim vê como a Juliana tá. — Disse, se sentando no chão.

–Ela tá dormindo. Agora que você viu já pode ir embora. — Mas o engenheiro não prestou atenção. Estava olhando para a professora. Gina começou a ficar ainda mais nervosa, mas quando viu o motivo dele olhar compreendeu. Juliana estava aparentemente perturbada, respirava rápido mas por mais que tentassem, ela não acordava.

–Ela tá quase como ocê tava quando desmaio.

–Ferdinando, ela bebeu daquela água. Ela diz que não mas eu tenho quase certeza de que aquilo é veneno. — Gina resolveu parar com as provocações, pelo menos por um momento. — O que a gente vai fazer?

–Ieu num sei Gina... — Ferdinando pensava até ter uma ideia.– I se a gente procurá argum antídoto, tem que tê em argum lugar.

–Mas se eles realmente existirem, estariam guardados com toda a segurança do mundo.

–Ara a gente tem que tentar achá pelo menos. Num podemos dexá ela nesse estado. I seria bom procê também.

–Eu to bem Ferdinando! Mas eu aceito procurar. Pela Juliana.

–Ieu também quero procurá. O quanto antes... Ara! Mai o que é isso? — Ferdinando foi interrompido por um grito alto vindo da entrada da caverna e correu com Gina para ver o que tinha acontecido.

Notas finais
Espero que tenham gostado!! Comentem o que acharam. Obrigada por acompanharem a fic!! Beijooooos e até o próximo s2