I Closed My Eyes

1 Capítulo Único


Notas iniciais
Mesmo sendo triste, espero que gostem.

Talvez a vida seja mesmo para ser levada a sério. Talvez a morte seja algo tão profundo e sem intenção que não é responsabilidade de ninguém responder por que ela atinge os que mais a temem.

Infelizmente, eu a temia mais que tudo.

Era mais um dia quente de verão em Los Angeles. Sol, piscina e muita bebida gelada. Esse era o plano que Demi tinha para nós duas. Entrei numa discussão com ela por causa disso. Tinha uma semana que nós fazíamos aquilo todos os dias. Fazer outra coisa ajudaria um pouco.

Como eu queria avisar a mim mesma antes.

— Vamos ao shopping — eu disse para ela.

Estávamos no quarto de Demi. Ela estava deitada em sua cama king-size, que me dava inveja, e eu rodando na confortável cadeira giratória da escrivaninha do computador.

— Selena, somos famosas — ela respondeu. — Ninguém vai nos deixar fazer compras.

Observei ela girar de um lado para o outro na cama. Sorri. Sabe, acho que ninguém nunca me entendeu tão bem quanto Demi. E vice-versa. Quer dizer, eu sabia tanto dela que chamá-la de irmã seria quase um insulto. Ela era muito mais que uma irmã, mas, para meu azar, ainda não foi inventada a palavra que descrevia o que eu sentia por ela.

— Ah, qual é! — reclamei. — É sempre bom ir ver os fãs.

— Então eu deva inventar um acontecimento que façam todos virem me ver. — Ela sentou e me fitou. — Espera aí, isso se chama show!

Bufei, cruzando os braços. Demi mordeu o lábio superior, ainda me fitando. Continuei a olhá-la na mesma intensidade. Um sorriso perpassou pela minha boca. Daqui a pouco, ela diria sim.

— Tudo bem. — Ela se levantou e foi ao guarda-roupa e começou a jogar peças de roupa para fora. — Se tiver papparazzi em cada esquina, eu vou bater em você.

Ela não bateria em mim, mas, mesmo assim, um arrepio percorreu minha espinha e uma sensação ruim tomou conta do meu corpo. Me dizia para não sair da casa de Demi. Resolvi por ignorá-la.

Talvez, se eu não a deixasse de lado, hoje Demi estaria feliz.

Dissemos tchau para Dianna e, por sorte, nenhum papparazzi estava nos esperando na porta da casa. Andamos por três quarteirões. Sem fã. Sem fotógrafos. Sem perseguição.

Demi sorriu para mim.

— O que houve com as pessoas deste bairro?

— Vai ver foram sequestradas — respondi, dando de ombros.

Começamos a caminhar mais lentamente, temendo por algo que sabíamos que não aconteceria. Quando Demi parou para amarrar o cadarço de seu All Star, um homem vestido num sobretudo preto apareceu do meu lado.

— Olá — ele disse sorrindo. Porém, seu sorriso não se estendia aos seus olhos frios. — Você é Selena Gomez, não é?

Confirmei com a cabeça. Olhei para ele desconfiada. Demi levantou num salto e notou o homem de preto.

— Demi Lovato — o homem disse com frieza. Demi o observou de cima a baixo, parando na cintura dele. Não notei no começo, mas havia um volume a mais perto do peito.

Do tamanho exato de uma arma.

— Vamos embora — falou Demi decidida. Ela me puxou para frente, mas o homem a segurou.

— Não por hoje, garota — disse o homem com um sorriso malvado.

— O que você quer, cara? — perguntei irritada.

Ele deu uma risada que fez os pelos do meu braço arrepiar.

— Que deselegância, Demi — ele disse, usando um tom deprimido. — Não falar do próprio pai para sua melhor amiga.

Pisquei duas vezes. Demi arfou. Então era ele. O pai que ela nunca mencionava para mim. O pai que abandonou Dianna, Dallas e ela. O pai que voltara alguns meses atrás, falando que eles eram muito próximos, quando na verdade não eram.

Aquele era Patrick Lovato.

Patrick mostrou a arma que estava escondida sob seu sobretudo. Engoli em seco. Ele mataria Demi. A razão ninguém dizia, mas todos sabiam; fora por que ela falara que não queria nada com o pai biológico.

Olhei para os lados, mas não havia nenhuma alma na rua, totalmente silenciosa. Por que diabos quando você queria os papparazzi eles não apareciam?

Só restava fitar Patrick com uma questionável coragem e esperar o pior.

— Então, Demetria, vou lhe explicar o que vai acontecer — ele disse, nos forçando a andar. — Nós vamos entrar naquela van e você vai ligar para sua mãe e dizer que está tudo bem. Depois, eu decido se você irá morrer ou não.

A raiva percorreu todo meu corpo. Eu tremia de fúria. Aquele cara que se julgava o pai dela não iria matá-la. Eu não deixaria que nada acontecesse com a minha melhor amiga.

Sem pensar duas vezes, chutei as partes íntimas de Patrick com uma força que não era minha.

Ele se dobrou de dor. Dei um empurrão em Demi, que parecia estar paralisada de medo. Antes que ela entendesse o que estava acontecendo, eu já a puxava pela calçada, não querendo olhar para trás.

— Selena... — Demi gemeu, lançando um olhar para seu pai.

Patrick já estava levantando e, se era possível, com mais ódio estampado no rosto que antes. Ele tirou a pistola por completo da roupa e mirou em nós duas.

O som do tiro perfurou meus tímpanos. Demi me empurrou para o chão, enquanto ela encarava Patrick com firmeza. Sentei na calçada, arriscando olhares entre o pai e a filha.

— Porque você não vai embora? — ela perguntou, sua voz embargada. — É só dizer o que você quer que eu lhe dou! Só me deixe em paz!

O rosto do homem se contorceu. Ele mirou a arma no rosto de Demi.

— Sabe o que eu quero, Demetria? Eu quero que as pessoas da minha cidade não fiquem tirando sarro de mim todo santo dia por ter uma filha famosa que não me dá atenção!

Abri a boca, chocada. Demi não percebera, mas eu estava em pé do lado dela. Ela respirou fundo antes de continuar.

— Você me abandonou primeiro! — exclamou.

Patrick estralou o pescoço, desconfortável. Algumas cortinas se abriram e, quando notavam que era Selena Gomez e Demi Lovato, começaram a tirar fotos como loucos.

— Estamos atraindo audiência — eu disse em voz baixa.

— Ótimo, então sua morte será mais aplaudida. — O pai de Demi sorriu.

Ele apertou o gatilho mais uma vez. Não deu tempo para abaixar ou correr ou pular para o lado. Patrick estava perto demais. Ele havia avançado em passos lentos e atirado.

Foi quando algo me empurrou para trás, me fazendo cair. Não era Demi. Ela ainda estava de pé, com uma expressão de choque no rosto. Minha respiração começou a ficar fraca. Eu estava arquejando antes que percebesse.

Demi ajoelhou perto de mim. Ouvi portas sendo destrancadas. Minha visão estava ficando turva. Patrick gritou algo em espanhol. Lágrimas copiosas saíam dos olhos de Demi.

— Ajuda! — ela gritou. — Alguém me ajude!

Apalpei minha blusa e entendi o desespero de minha melhor amiga.

Um pouco abaixo do meu peito estava empapado de sangue. A blusa estava molhada e mais sangue parecia sair. Meus olhos distinguiam Demi, porém eu não a via inteiramente. Apenas um esboço de seu rosto perfeito.

A multidão nos rodeava. Demi gritava desesperada. Eu mal conseguia respirar. Minha hora estava chegando. Não podia lutar contra o destino, muito menos contra a Morte.

Fechei os olhos e torci para que, quando os abrisse, voltasse a ver Demi, perfeita como ela sempre fora.

Aconteceu.

— Demi... — arquejei.

Ela parou de gritar e abaixou seus olhos para mim. Sua maquiagem não existia mais. Por um instante, tudo o que fizemos juntas passou por minha mente. Aquele dia quente de anos atrás, quando ela me emprestou sua blusa para que eu sentasse. Na primeira vez que ouvi Two Worlds Collide, que escrevera para mim. E quando comemoramos quando ela passou no teste de Camp Rock.

Uma lágrima dela caiu no meu rosto. Demi me abraçou.

— Além da vida, minha amiga — eu disse.

Com os braços delas envoltos no meu pescoço, fechei os olhos para sempre.

Você chegou ao fim do livro. Parabéns!