I Choose to be happy
7 Chapter VII.
Notas iniciais
O corpo esbelto se remexia na cama lentamente enquanto que os primeiros raios de sol adentravam pela varanda do quarto. Devagar a garota sentava sobre o colchão e coçava levemente os olhos que ainda estavam pesados devido ao sono. Apesar de toda a confusão da noite passada e mesmo com a cabeça cheia com tantos pensamentos sobre Hakuryuu e o seu ódio ela havia conseguido dormir bem. Isso se devia ao fato de que quando estava com Alibaba tudo parecia ser mais fácil e ela rapidamente conseguia ficar mais calma e tranquila.
Estranhou ao rolar os orbes pela cama e não ver os fios dourados por lá. Apenas viu uma cabeleira azul espalhada pela cama. Aladdin também havia dormido com eles. A conversa tinha ficado tão boa que mal perceberam quando haviam dormido. De qualquer forma estava mais interessada em saber aonde o loiro fora tão cedo. Rapidamente seus olhos foram de encontro ao lindo anel que havia ganhado do rapaz no dia anterior, era o melhor presente que já havia ganhado em toda sua vida. Passou os dedos sobre o objeto com delicadeza, o melhor de tudo era saber que aquela linda joia havia sido muito importante na vida de outra pessoa por isso iria cuidar dela com todo carinho que podia dar.
[...]
O Saruja caminhava calmamente pelos corredores do castelo enquanto imaginava o motivo de ter sido chamado tão repentinamente por Sinbad. O que será que ele queria? Bom, de qualquer forma só iria descobrir quando se encontrasse com o mesmo.
Não demorou muito para chegar na sala do Rei e logo se deparar com o homem sentado em uma grande cadeira. Em sua frente havia uma mesa onde continha vários papéis jogados e fora de ordem. Uma verdadeira bagunça pensou o loiro. Mas estava ali para saber o que Sinbad tinha de tão importante para lhe dizer.
– Bom dia, Sinbad-san. Me chamou? – Alibaba o cumprimentou e logo fora convidado a se sentar pelo Rei que o olhava com uma expressão séria estampada no rosto, coisa que fez com que o loiro ficasse um pouco preocupado e ao mesmo tempo mais curioso ainda para saber do que se tratava o assunto.
– Alibaba-kun, tenho más notícias pra te dar. – Começou Sinbad deixando Alibaba apreensivo para saber que notícias seriam aquelas.
– Parece que outra nação está interessada em Balbadd, e temo dizer que nem mesmo eu tenho poder suficiente para resistir contra a vontade desse reino. – O Rei continuou não poupando nenhuma informação. Iria contar tudo o que sabia para Alibaba, pois temia pelo futuro daquela pobre cidade.
– O Império de Amistradt quer inserir Balbadd em sua posse, porém disseram que respeitariam o novo governo da cidade. No entanto, temo que isso vá causar uma guerra entre Amistradt e Kou. Se isso acontecer haverá muitas mortes inclusive do inocente povo de Balbadd. – Realmente, se aqueles dois grandes Impérios viessem a se confrontar iria ser o pior dos pesadelos para o mundo.
– O quê?! – Alibaba levantou-se da cadeira em um impulso. Não podia acreditar no que estava escutando.
– Como isso foi acontecer tão de repente? Amistradt nunca se mostrou interessado nos negócios de Balbadd, nem mesmo com o governo do meu pai no passado! Por que eles estariam tão interessados agora?! – Aquilo o deixava intrigado. Queria saber os motivos de Amistradt para querer tornar Balbadd parte de suas posses.
– Realmente Alibaba-kun, isso é muito estranho. Mas de qualquer forma o que temos de nos preocupar agora é em como vamos resolver isso. Mesmo Balbadd estando na aliança dos Sete Mares não temos como ignorar Amistradt, pois é o maior e mais forte Império de todos os tempos.
O loiro apertava os punhos e fitava um ponto qualquer do chão. O pior de tudo era que Sinbad tinha razão. O Império de Amistradt era o mais antigo e o mais bem visto de todos os reinos do mundo. Tinha uma riqueza imensa de bens naturais e uma infindável aliança com vários outros países tornando o mesmo um dos Impérios mais bem governados do mundo. A situação realmente estava precária para Balbadd.
– A única opção que vejo é você tomar o governo de Balbadd e ir tentar formar um tipo de acordo com eles. Aliás, parece que os cidadãos de Balbadd querem você no poder. Mas depois de tudo o que você fez por eles não era de se estranhar. – Um sorriso se formou nos lábios do rei enquanto ele falava. Alibaba por sua vez ficou surpreso com aquilo, na verdade estava feliz pelas pessoas confiarem tanto assim nele, mas ainda não se sentia a melhor pessoa para governar o País.
– Acho que não estou pronto pra isso. Fiz muitas coisas erradas no passado, e não me sinto no direito de ter o poder de Balbadd em minhas mãos. – Explicou desviando o olhar para o lado enquanto se lembrava de que aquela cidade só havia decaído por sua culpa. Sinbad então se levantou de onde estava e seguiu em direção ao rapaz ficando agora de frente para o mesmo.
– Alibaba-kun, você precisa colocar uma pedra em cima desse passado. Não vê o que fez pelas pessoas? Não vê o que fez pela cidade? Agora eles possuem o direito de escolher quem será o líder deles. E não tem pessoa melhor para governar Balbadd que você, pois você é o Herói daquele povo. – Os orbes âmbar fitavam o garoto de modo confiante. Queria que o mesmo visse o quanto merecia governar Balbadd, ou melhor, o quanto Balbadd merecia ser governada por aquele jovem promissor.
Os orbes dourados antes confusos agora encaravam o Rei de forma mais calma, e logo um leve sorriso de desenhava no rosto do rapaz. Talvez pudesse tentar começar de novo, começar do zero.
– Obrigado Sinbad-san. Vou fazer o melhor que eu puder por Balbadd. – Disse dessa vez mais confiante. Faria de tudo para que sua cidade natal viesse a ser um lugar de paz, sem desigualdades, sem fome, sem miséria... Um País bom para todos os seus habitantes. Ao ouvir a resposta do garoto Sinbad ficou feliz, porém ainda não tinha dito a pior das notícias.
– Fico feliz por isso, Alibaba-kun. Mas ainda não te disse o pior. O Imperador de Amistradt está à procura de um casamento político, e resolveu casar sua filha com a pessoa que tomar posse do governo de Balbadd, ou seja, você. – Informou enquanto fitava atentamente o garoto que não pareceu ficar surpreso com aquilo.
– Eu imaginei que ele iria propôr isso. Casamentos políticos parecem ser a melhor opção quando se quer ter posse de alguma coisa. De qualquer forma, não irei aceitar isso. Vou pensar e tentar fazer um outro tipo de acordo com o Imperador. – Lembrava-se de quando a princesa Kougyoku fora ofertada para seu irmão que tinha sido o último rei de Balbadd. Odiava aquele tipo de coisa, para eles as princesas não eram nada além de peças para tornar o Império mais forte.
– Entendo. Também fui convidado, Já’Far e Masrur irão me acompanhar. Vamos estar lá para te apoiar, Alibaba-kun. – Sorriu tentando deixar o jovem mais confortável com aquela situação. O loiro agradeceu pela ajuda do Rei. Sabia que seria difícil, mas iria achar uma solução para aquele problema.
[...]
Caminhava tranquilamente pelos corredores do castelo carregando uma cesta de variadas flores. Havia colhido as mesmas para levá-las até Alibaba, pois o mesmo havia dito que um dia iria ensiná-la a fazer coroas de flores. As lindas coroas de flores que só ele sabia fazer. Sem perceber, um pequeno sorriso já estava desenhado em seu rosto, mas logo o mesmo se dissipava dando lugar a uma expressão de surpresa misturada com susto ao sentir alguém segurar em seu braço e puxá-la rapidamente para dentro de uma sala qualquer. Estava a ponto de acertar a cesta bem no meio da cara do individuo, mas ao ver os cabelos dourados e o topete que conhecia bem parou seu pensamento no último instante.
– A-Alibaba-kun?! – Estava surpresa e ainda um pouco assustada por ter sido pega assim tão de repente.
– Desculpe, te assustei? — Ele sorriu torto, não fora sua intenção assustá-la. Só estava apressado para falar com a mesma a sós. Logo sua expressão tomava uma forma mais séria e ao mesmo tempo preocupada, queria contar tudo o que havia conversado com Sinbad.
– Aconteceu alguma coisa? — A Fanalis perguntou observando atentamente o rosto do rapaz.
– Sim. Preciso conversar com você. – Informou mantendo a mesma expressão de antes.
– Entendo. Então vamos conversar no jardim. – Segurou na mão dele firmemente e logo o levou em direção ao jardim. Estava curiosa para saber o que o mesmo tinha para lhe dizer, apesar de estar um pouco apreensiva também.
Ao chegarem no local rapidamente sentaram-se na grama. Lá era mais calmo e ninguém iria atrapalhá-los. Alibaba estava muito quieto o que deixava Morgiana mais preocupada do que já estava.
– Alibaba-kun, o que houve? — Começou esperando ansiosa pela resposta do mesmo.
– O Império de Amistradt está interessado em Balbadd. Parece que se não formarmos um acordo com eles vai haver consequências graves. – Começou cabisbaixo enquanto que os orbes de Morgiana arregalaram-se com a notícia.
– Amistradt? Mas eu soube que esse é um dos Impérios mais poderosos do mundo. Por que eles estariam interessados em Balbadd? — Estava surpresa por ver que aquela nação também queria tomar posse da cidade.
– Sim. Ainda não sei o porquê desse interesse repentino, mas vou descobrir e achar uma solução pra essa situação. – A fitava com orbes determinados.
– Eu vou ser o novo governador de Balbadd. Apesar de não me achar apto pra isso ainda, Sinbad-san disse que as pessoas me queriam como líder. Fiquei feliz por isso, mas ainda assim não me sinto no direito de ter esse poder. – Agora os orbes desviaram para um ponto qualquer do chão enquanto ele falava. Aquele dia terrível ainda perturbava sua mente. Nada iria tirar de sua cabeça que fora por sua culpa, apenas sua, que o reino de seu pai fora destruído.
– Tenho certeza de que Alibaba-kun vai ser um ótimo líder! Balbadd não estaria em melhores mãos! – A Fanalis sorriu enquanto desferia tais palavras. Alibaba por sua vez sorriu ao ouvir aquilo.
– Obrigado Morgiana. – Era bom ver que podia contar com ela para tudo.
– Aliás, você vai me ajudar a ser um bom governador, não é? Vai estar lá ao meu lado? — Um sorriso singelo desenhou-se nos lábios do rapaz. Ele apenas viu a jovem corar, mas logo confirmar suas palavras.
– Sim! Sempre estarei ao seu lado Alibaba-kun. Eu sou as suas asas, lembra? – Disse por fim deixando claro que nunca, absolutamente nunca o deixaria sozinho. Lutaria e estaria a ao lado dele sempre que precisasse.
– Você é incrível, Morgiana. – Levou uma das mãos até o rosto dela acariciando o mesmo de forma delicada. Queria contar a ela sobre o tal casamento político que Amistradt queria fazer, porém não tinha coragem. Na verdade não achou necessário dizer, pois não queria deixar Morgiana preocupada com uma coisa que iria resolver. Nunca se casaria com outra mulher que não fosse ela, sua bela e guerreira Fanalis.
Rapidamente os rostos já estavam tão próximos que o beijo fora inevitável. Os lábios dela eram convidativos, tão macios e quentes que Alibaba não resistia em possuí-los. À medida que os segundos passavam o beijo ia se tornando mais profundo e um pouco desajeitado por parte dela, pois a mesma ainda não sabia direito como fazer aquilo, mas a cada dia ia aprendendo aos poucos com ele.
Não demorou muito para que os lábios se afastassem um pouco devido à falta de ar que ambos sentiam, porém os rostos continuavam bem próximos. Os dois apenas ficaram se fitando por um momento, antes do loiro avançar contra ela lhe roubando os lábios novamente, e dessa vez fora algo mais instintivo. Sentir a respiração dela tão próxima de sua pele fazia com que ele perdesse um pouco a sanidade, coisa que não queria que acontecesse.
Sem perceber o mesmo já estava por cima do corpo da Fanalis, segurando firme o rosto dela enquanto a beijava. Ela por sua vez retribuía o beijo na mesma intensidade. Nunca havia experimentado coisa do tipo, aquela era uma sensação nova. Os toques dele eram tão únicos e carinhosos, seu corpo apenas reagia automaticamente, pois já havia perdido a noção do tempo e espaço naquele momento. Era algo tão prazeroso que nada parecia existir envolta deles. Soltou um longo suspiro ao sentir a língua do garoto vasculhar cada canto de sua boca fazendo com que ela descobrisse as várias sensações que só ele podia lhe proporcionar. Inconscientemente ela chamou o nome dele em meio a um suspiro coisa que fez o rapaz acordar do transe e se distanciar percebendo o quanto havia passado dos limites.
– D-Desculpe! Acho que passei um pouco dos limites.. – Disse um tanto nervoso enquanto suas bochechas ficavam coradas. Quase que não havia conseguido se controlar. Morgiana não sabia nem o que dizer, pois estava tão extasiada e envergonhada que as palavras não saiam. Ela apenas ficava quieta com as mãos juntas sobre as coxas enquanto seus olhos eram cobertos pela franja rosa avermelhada. Alibaba coçava uma das bochechas se martirizando por ter perdido a cabeça por um instante. Tentava controlar a respiração, apesar dos batimentos cardíacos estarem a mil. E o pior era saber que estava cada vez mais difícil de se controlar quando estava perto dela.
– Morgiana, você está bem? Está brava comigo? Por favor me desculpe, eu não tive a intenção! – Se desesperava mais ainda ao ver que ela ficava imóvel sem dizer uma palavra.
– Não.. Não estou brava com você. – Finalmente ela havia dito alguma coisa fazendo com que Alibaba viesse a se acalmar um pouco.
– Se vou ser a esposa do Alibaba-kun, preciso me acostumar.. Além disso, eu gostei... – As últimas palavras saíram bem baixas, estava com tanta vergonha que podia sair correndo naquele mesmo instante. Alibaba ficou um pouco surpreso e mais corado ainda com aquilo. Permaneceu em silêncio por alguns segundos enquanto olhava para cima e coçava a bochecha.
– Err..Bem.. Err.. Vamos..Vamos.. – Procurava alguma coisa para mudar de assunto e ao rolar os olhos pelo chão viu a cesta cheia de flores.
– Ahh! Vamos fazer coroas de flores. Eu disse que ia te ensinar, não disse? — Ele sorriu torto tentando espantar o nervosismo e aquela situação constrangedora. Logo ela finalmente olhava para o jovem que pegava algumas das flores. Apesar de ainda estar envergonhada com tudo aquilo ela rapidamente assentiu com a cabeça e pegava algumas sendo instruída pelo mesmo em seguida.
[...]
Alguns dias se passaram, e em meio a esse tempo Alibaba já havia estado novamente em Balbadd e sido eleito pelo povo como o novo líder da República de Balbadd. Dessa vez não tinha como voltar atrás, agora iria fazer de tudo para que aquele País crescesse saudável e acima de tudo em paz. Para isso contava com Sinbad que havia prometido que iria ajudá-lo no que precisasse, coisa que deixava o loiro bem mais tranquilo. Nesse momento o mesmo estava no navio que o levaria ao continente onde o Império ficava localizado. Mas havia uma coisa que estava tirando seu sossego que era a bendita festa de apresentação que haveria em Amistradt, e o pior era saber que o Imperador queria que ele se casasse com sua única filha. Além de ter que se preocupar com Hakuryuu ainda tinha de arrumar uma forma de resolver esse problema com Amistradt, ou Balbadd estaria em apuros de novo. Suspirou pesadamente massageando as têmporas doídas, os problemas pareciam vir todos ao mesmo tempo. Logo ouviu batidas na porta do cômodo onde havia se instalado.
– Alibaba-kun? Posso entrar? — O Rei de Sindria perguntou antes de ser convidado a entrar no local.
– Não me parece muito bem. Imagino que seja por estar indo a esse banquete em Amistradt. – O homem supôs vendo a inquietação do loiro.
– Sim. Não sei como vou dizer isso ao Imperador, mas não vou aceitar me casar com a filha dele. – O jovem dizia com uma expressão séria, apesar de estar nervoso por dentro.
– Você contou isso a Morgiana? — A pergunta fez com que Alibaba desviasse os olhos para o canto.
– Não contei. Não queria que ela ficasse preocupada com uma coisa dessas. – Respondeu enquanto que a imagem da Fanalis se mantinha em sua mente. O Rei por sua vez soltou um breve suspiro.
– Alibaba-kun, as coisas podem ficar fora de controle em Amistradt e temo que a única solução seja aceitar a oferta do Imperador. – Não gostava de ter que dizer aquelas coisas, mas era necessário levar tudo em consideração.
– De jeito nenhum! – Dessa vez Alibaba levantou-se da cama em um impulso. Jamais se casaria com outra mulher, pois já estava comprometido com Morgiana e nunca a abandonaria.
– Não creio que ele vá causar uma guerra por causa disso. Se ele se mostrou tão interessado em Babaldd a última coisa que ele iria querer era fazer algo que viesse a prejudicar o País. De qualquer forma irei conversar com ele e tentar propôr um acordo.
– Bom, estarei lá com você. Irei ajudá-lo no que eu puder, Alibaba-kun. – Reforçou sorrindo levemente para o jovem.
– Desde que nos conhecemos você tem me ajudado muito Sinbad-san, por isso obrigado. – O loiro se curvou em respeito. Não teria conseguido chegar onde estava se o mesmo não estivesse ao seu lado em muitas situações. Devia muito a ele.
– Não precisa agradecer! Gosto de gente como você. Por isso pode contar sempre comigo. Agora preciso ir, Já’Far está me esperando no convés do navio. Devia descansar até chegarmos, vai ser uma longa viagem. – Sugeriu em seguida saindo do aposento.
Talvez ele tivesse razão. Iria dormir um pouco, quem sabe assim sua cabeça pudesse ficar um tanto mais leve. Rapidamente deitou no colchão macio colocando a mão sobre a testa enquanto observava o teto do quarto que balançava um pouco devido às ondas do mar. O que será que Morgiana estaria fazendo naquele momento? Infelizmente teve de mentir e dizer para ela que iria ficar fora por um tempo para resolver algumas coisas sobre Balbadd. Na verdade não era bem uma mentira, apenas estava ocultando a informação principal. De qualquer forma esperava que ela ficasse bem em sua ausência, pois Hakuryuu ainda o preocupava bastante. De todo modo quando acabasse de resolver aquele problema se juntaria novamente com Morgiana e Aladdin para que pudessem ir de encontro ao príncipe e assim salvar o mesmo da escuridão de seu próprio coração. Logo não demorou muito para que o loiro dormisse em meio a seus pensamentos.
[...]
A noite já havia caído e nada estava diante do navio a não ser o oceano. Àquela hora todos já estavam no refeitório jantando e descansando do longo dia que tiveram. Alibaba ainda se encontrava dormindo encolhido na cama, o cansaço mental realmente tinha o vencido. Mas logo o mesmo se remexia sobre o colchão ficando agora de barriga para cima. Pôs a mão sobre os cabelos e lentamente ia abrindo os olhos sonolentos. Logo pôde ver algo preso ao teto do quarto, mas não soube identificar o que era, pois seus olhos ainda estavam meio embaçados. Além disso, o quarto estava um tanto escuro. Esfregou um dos olhos de forma lenta e notou que o que estava preso ao teto era uma pessoa. Seus olhos arregalaram-se e quando ia soltar um grito de susto o indivíduo voou para cima de seu corpo tampando rapidamente sua boca.
– Shhh.. Sou eu, Alibaba-kun. – Avisou, retirando a mão da boca dele devagar.
– Mo-Morgiana? O que está fazendo aqui? — Perguntou surpreso tentando de acalmar devido ao susto que ela havia lhe dado. Aliás, ela tinha que parar de assustá-lo daquele jeito sempre que acordava. Rapidamente ela se ajoelhou sobre a cama e o fitou séria.
– Eu queria ir com você. Queria me certificar de que estaria bem protegido. – Respondeu enquanto observava o rapaz que a fitava um tanto surpreso com sua resposta.
– Mas Morgiana, eu disse que não precisava vir. – Isso não seria nada bom. Como iria resolver o problema do casamento com ela presente?
– Mesmo assim, eu tinha que vir. Alibaba-kun não gostou de me ver aqui? — Perguntou meio cabisbaixa, talvez ele estivesse bravo por ela ter desobedecido. Mas tinha medo de não conseguir dormir e ter mais daqueles pesadelos. E o mais importante era o fato de Hakuryuu querer machucar Alibaba de novo, por isso queria estar sempre ao lado dele garantindo sua segurança.
– Não Mor. Não é isso. – Agora teria de contar tudo a ela, mas como faria isso? Não queria dar mais essa preocupação para a garota. Talvez pudesse deixá-la esperando no navio ou em algum outro lugar enquanto resolvia as coisas no banquete do palácio. É, isso seria o melhor a fazer.
– Está tudo bem. Estou feliz por ter vindo. – Sorriu gentilmente segurando no queixo dela fazendo com que a mesma o fitasse nos olhos, em seguida viu um doce sorriso se formar nos lábios dela.
– Então, como você entrou no navio sem ninguém te ver? — Perguntou curioso, apesar de saber que aquilo não devia ser nada difícil por ela ter uma agilidade incrível.
– Eu me escondi em uma das cargas, e depois esperei a noite cair para poder andar livremente pelo navio. Dai segui o seu cheiro até aqui. – Respondeu calmamente explicando de forma simples o que havia feito.
– Ahh.. Entendo. – Sorriu torto enquanto que uma gota escorria de sua testa. Morgiana era bem engenhosa às vezes.
– Está com fome? Vou buscar algo pra gente comer. – Se levantava da cama, mas fora impedido de dar o primeiro passo, pois ela segurava sua mão com firmeza.
– Volta logo..? — A pergunta fez com que Alibaba ficasse um tanto surpreso e confuso, mas ele logo sorriu passando a mão sobre os cabelos dela como se fosse uma garotinha.
– Sim. Não vou demorar. – Afirmou e logo ela o soltou deixando o mesmo sair do cômodo. Não sabia o porquê, mas estava com uma sensação estranha. Como se a qualquer momento pudesse perdê-lo de alguma forma. Levou a mão até o peito esquerdo apertando o tecido do vestido com certa urgência. Queria que aquela sensação passasse logo.
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