I Choose You
1 Único
— Kal... mova-se! — Bruce pronunciou, sua face transparecendo uma dor absurda.
Bruce odiava quando Clark fazia isso. Quando o kriptoniano tinha o controle sobre ele, pois normalmente não era assim.
–
Clark e Bruce mantinham um tipo de relacionamento. Não era nada convencional, pois Bruce nunca disse a Clark o que realmente sentia e o jornalista era noivo de Lois Lane.
Mas precisava dormir com Bruce toda a semana.
Wayne nunca o recusou; pelo contrário. Sempre que Clark queria o corpo do milionário nu, Bruce estava disposto a tirar suas roupas. Porque ele também queria o corpo nu de Clark.
Mas nunca deixou claro, com a exatidão das palavras certas pronunciadas, que queria. Era meio que um jogo para Bruce. Ele insinuava-se para Clark com um olhar, uma frase de duplo sentido, um gesto, até sua própria respiração.
O kriptoniano nem sempre se dava conta das insinuações, acontecia que de repente ele precisava sentir Bruce. O gosto dos seus lábios. O gosto salobro de seu suor quando estavam transando.
Já havia virado um vício para Clark. Aqueles gemidos roucos, aquela voz grave entrando em seus tímpanos e tirando toda a pouca certeza que tinha na vida.
Ninguém, nem sua noiva, fora capaz de fazer isso com Clark Kent.
–
— Diz então, Bruce. — Clark continuava imóvel dentro de Bruce. Passou a ponta dos dedos pela glande do outro, bem de leve, indo e vindo, sem de fato segurar o falo do moreno. — Quero ouvir você dizendo.
— Droga, Kal... você já sabe como... eu gosto. — pronunciou o moreno. Sim, ele odiava quando isso acontecia, desde que aconteceu pela primeira vez.
Clark se moveu dentro dele, uma vez. Seu autocontrole era admirável naquelas ocasiões, porque se dependesse só de Clark, eles já teriam acabado aquilo há algum tempo.
— Você gosta quando eu faço isso, Bruce? — E moveu-se dentro dele mais uma vez. Quando se movia, sua mão acompanhava o mesmo ritmo e intensidade da estocada sobre o membro de Bruce. E depois ele apenas parava.
Clark sabia ser mal, quando queria.
— Kal, por... favor... — implorou Bruce. Sim, isso mesmo, implorou. Não choramingando, não como uma moça. Ela apenas pronunciou o “por favor” mais cheio de desejo que o kriptoniano jamais havia ouvido na vida.
Não houve mais como retardar aquilo, Clark sentia que definharia e perderia a vida se demorasse mais.
Passou a se mover dentro de Bruce com mais intensidade enquanto o masturbava, simultaneamente. O moreno gemia muito rouco e grave, nunca se excedia.
E não precisava.
Porque eram esses gemidos que alimentavam a luxuria de Clark Kent por ele.
Bruce abraçou a cintura de Clark com as pernas, já dando a entender que a dor havia sido substituída pelo deleite e segurou bem firme no pescoço do maior, tentando trazê-lo um pouco mais perto.
— Bruce... eu... hum... — Clark parou de se mover e sentou na cama, puxando o moreno para cima de si mesmo. Bruce, sem perder o contado, sentou sobre o membro de Clark, sentindo-o todo dentro de si.
A sensação, agora, era um choque irradiando de um ponto muito específico do próprio corpo e incendiando todo o resto.
Bruce queria sentir aquilo novamente, então passou a se movimentar sobre o colo de Clark, mais rápido, para não perder nenhum dos choques subsequentes. O jornalista estava num grau de excitação tão elevado que estava com medo de perder as forças.
Olhar para Bruce daquela maneira, tão comprometido com o prazer de Clark e o seu próprio, era demais para o coração de Clark.
O jornalista enterrou as mãos, com força, nos quadris do milionário, que ante ao toque soltou um gemido lamuriento. Fora aplicado com mais força que o necessário.
— Não f-faça nada... Kal — Bruce pegou as mãos de Clark e, forçando o jornalista para trás, o fez deitar do lado oposto da cama. Entrelaçou os dedos e olhou no fundo dos olhos azuis do kriptoniano.
A essa altura do campeonato, Clark achou que morreria de um ataque cardíaco. Seu coração apenas não suportava mais. Estava doendo.
Latejava ver Bruce tão submisso a ele. Doía imaginar uma vida sem ele e Clark não queria separar, nunca mais, suas mãos e todo o seu corpo do dele.
Bruce continuou a se mover sobre o colo de Clark, soltando uma das mãos e levando ao próprio membro. A cada vez que sua próstata era tocada pelo membro de Clark, Bruce ia cada vez mais ladeira abaixo na ribanceira do delírio.
Ele queria.
Bruce queria Clark só para si, todo ele, cada pequena parte daquele corpo perfeito vindo do espaço.
O milionário ouvia os gemidos de Clark, tão agudos, tão necessitados, e isso só impedia a si mesmo de fechar os próprios olhos. Bruce gostava quando via Clark todo entregue ao prazer que podia lhe proporcionar.
Pode sentir o líquido quente do outro escorrendo de sua abertura e nesse momento, só nesse, permitiu-se liberar também o seu.
Observou mais um instante a face de Clark e resolveu se permitir uma coisa, bem pequena.
Respirou fundo e fechou os olhos.
Abraçou o corpo do jornalista e deitou sobre o peito dele.
–
Já passavam das sete horas da manhã de domingo. A luz do sol invadia o grande quarto da mansão do milionário Bruce Wayne. O próprio dormia um sono profundo, como há muito tempo não se via.
Já Clark, não havia pregado o olho à noite toda.
Não depois de tudo.
Não depois de ter Bruce da maneira que o teve.
O jornalista teve muito que pensar durante todo o tempo que esteve acordado, aquela madrugada.
Cada vez que via a face serena de Bruce contra seu peito, seu coração dava uma pontada.
Ele não sabia se era a culpa por trair sua noiva ou se era outra coisa, mas estava ali. Aquela vontade de nunca mais se separar daquele homem, que dormindo em seus braços, parecia tão indefeso, tão...
Seu coração doeu de novo.
Ele precisava fazer uma escolha.
Trocar a garantia de afeto que tinha com Lois por algo que não sabia onde iria parar.
Sequer tinha ouvido Bruce falar que gostava dele.
Quantas foram as vezes que ouviu dos lábios de Lois o quanto ela o amava? E quantas vezes disse o mesmo para ela?
Mas então, por que essa dor no peito que não ia embora?
Não, aquilo estava errado. O que ele fazia com sua noiva era tão ruim que sequer tinha coragem de se olhar no espelho depois do ocorrido.
O pior é que não tinha coragem de dar um basta naquela situação. Clark, o rapaz tão certo, tão centrado... tinha virado um traidor.
Para estar ali ontem a noite, Clark mentiu para Lois. Como ela tinha conhecimento de sua identidade como Superman, Clark disse que haveria reunião com os membros fundadores da Liga no satélite espacial da mesma.
Mas olha onde ele, de fato, estava.
Estava abraçado a um homem depois de uma noite de sexo como jamais teve na vida.
Esse homem estava deitado sobre seu peito e dormia um sono tranquilo. Bruce jamais permitiu que Clark passasse a noite toda em sua companhia, em todas as outras vezes que esteve junto dele.
Depois que consumiam o ato, Bruce arrumava alguma maneira de despachar Clark. Dizia que tinha trabalho ou qualquer outra coisa.
Clark sabia que tudo era uma desculpa, que isso permitia a Bruce não se apegar a ele.
Mas agora Bruce não só permitiu que Clark passasse a noite toda com ele, como o abraçava de maneira possessiva, impedindo que o kriptoniano pudesse fazer qualquer movimento, como se levantar e sair dali, por exemplo.
O coração de Clark batia tão forte ante esse pensamento que ficou com medo do moreno que dormia pudesse acordar com o som das batidas de seu coração.
Tomou aquele gesto de Bruce como uma declaração. O milionário estava dizendo que queria e fazia questão da companhia de Clark. Que precisava dele, por isso o abraçava tão possessivamente, mesmo dormindo.
Clark não suportou, precisou abraçar Bruce. Queria abraçá-lo com toda a sua força, com tudo o que tinha, mas se conteve. Ele teve vontade de dizer tantas coisas, mas sabia que Bruce jamais iria transmitir seus sentimentos conscientemente.
E Clark se pegou pensando no que ele próprio sentia. E não poderia ser outra coisa.
E então se decidiu.
–
Bruce abriu os olhos. A claridade entrava pela cortina entreaberta do quarto. Mas mesmo com pouca luz pode ver a face de Clark se iluminar ao vê-lo acordado.
Aquilo deixou seu coração inquieto. E sorriu, um pouco sem graça. Gesto esse que fez Clark abrir um largo sorriso no rosto.
— Bom dia, Clark.
— Bom dia, Bruce. — Clark sentou na cama, passando a mão sobre a nuca de Bruce, trazendo ele mais pra perto. Beijou o pescoço dele e respirou fundo.
Esse gesto fez a mão de Bruce tremer um pouco. Ele não estava acostumado a receber tanto carinho. Mas permitiu tudo. E retribuiu, beijando o queixo de Clark.
— Eu... estou apaixonado, Bruce. E eu quero ficar com você.
Bruce ponderou diante daquela afirmação. Ele sabia o que tudo aquilo implicaria para Clark. Seria tudo muito difícil e talvez pouca gente entenderia.
E tinha a sua própria situação. O que ele realmente sentia. Não era tão claro quanto possa parecer. Bruce era uma pessoa que mantinha, por sua própria natureza, todas as outras pessoas longe.
Não deixava ninguém entrar em seu coração, ninguém saber nada sobre si. Porque era justamente isso que enfraquecia as pessoas.
O apego.
Mas ele se pegou pensando em Clark e mais cedo do que podia imaginar percebeu que não conseguia mais ficar sem ele.
Só podia ser toda aquela perfeição que o convidava a jogar todos os seus defeitos sobre ela, para que pudessem desaparecer completamente.
Foi duro admitir que também estava apaixonado.
E que também queria ficar com Clark.
Enterrou a cabeça no ombro de Clark e o abraçou o mais forte que suas forças deixaram.
— Vai ficar tudo bem com você? — Bruce perguntou.
— Só preciso comunicar a minha escolha. Terminar um relacionamento fadado ao fracasso. E o resto, bem, depende de você me querer ou não. — Clark completou — Mas você precisa me dizer se quer ou não.
— Não é mais questão de querer ou não, Clark. A questão é descobrir como viver sem isso. Eu ainda não descobri.
— Então por mim está bem.
Tudo seria resolvido naquela mesma manhã de domingo. Não havia mais motivos para protelar o que havia escolhido.
Clark finalmente estaria livre e Bruce, bem, ele teria tempo para se libertar da solidão.
Suas amarras sobre o milionário já estavam enfraquecidas.
Agora era só uma questão de tempo.
E companhia.
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