Notas iniciais
Boa leitura!!!

As paredes brancas pareciam a cada dia mais pequenas. O quarto de paredes brancas, apenas com uma janela, devidamente protegida por grades, que dava para o jardim parecia mais pequeno a cada segundo, a cada minuto, a cada hora, a cada dia e cada semana que ele passava lá.

Ouviu-se alguém a bater à porta com determinação. Ele não se mexeu. Continuou a olhar para o jardim, sentado na sua cadeira de ferro fundido branco. A pessoa não desistiu e voltou a bater, mas não obteve resposta, tal como da primeira vez. Então, ouviu-se a porta de madeira a abrir, nem mesmo o ranger da madeira, já velha, o fez mover. Lá estava ele a observar o jardim.

— Jacob? — chamou o enfermeiro. Também ele vestia um uniforme branco, parecia ter saído de uma das paredes dos quartos. — Está na hora da tua consulta.

Jacob deixou de observar o jardim, e virou-se para o homem. O seu olhar era inexpressivo, vazio. Desde que viera para aqui e começara a tomar os medicamentos que não sentia nada. Nem raiva. Nem saudade. Nada. Levantou-se devagar e devagar também marchou até ao enfermeiro. Nenhuma palavra foi dita até que chegaram ao consultório do Dr. Miller. O enfermeiro bateu à porta e do outro lado ouviu-se um suave "entre". Dando a passagem a Jacob que lentamente entrou para o consultório, o enfermeiro deixou-o ali e foi-se embora.

— Senta-te. — disse o Dr. Miller num tom suave.

Jacob assim o fez. Sentou-se no sofá que estava de frente para o sofá onde o médico estava. Este vestia uma bata branca, mas diferente do enfermeiro Jacob conseguia ver a sua camisa azul por baixo e as calças pretas, como se fizessem parte de um fato. Na mão esquerda um caderno e na direita uma caneta azul.

— Hoje vamos conversar? — perguntou o médico. — Que tal falarmos de quando foste para Seattle?

Jacob permaneceu calado, o seu olhar ainda era vago.

— Preciso que fales comigo Jacob. Para te ajudar tens de me dizer o porquê de teres ido para lá? Há alguma razão?

Silêncio mais uma vez. O médico suspirou. Jacob falara até ao dia em que Madison tinha chegado à sua nova casa. O rapaz tinha sido adotado à pouco mais de um ano quando a rapariga chegara. Mas depois disso não falara mais nada. Já há mais de uma semana que o médico insistia, tentando fazê-lo falar neste assunto.

— A Madison gostava da cidade? Foi por isso que foste para lá?

— Maddie. — disse Jacob inexpressivo. — Ela não gostava que a chamassem de Madison. Apenas Maddie.

— Muito bem... a Maddie. Vamos falar sobre ela? Podes dizer-me como é que ela era?

Jacob hesitou e o médico notou. A hesitação era boa, significava que ele estava tentado a falar. A mão direita do médico começou a mexer-se rapidamente enquanto ele apontava aquilo. Jacob engoliu em seco.

— A Maddie era bonita. Ela tinha a minha idade e longos cabelos castanhos. Era tão bonita. Os seus olhos também eram castanhos, mas eram tão bonitos. Ela era simpática. Era boa para mim. — disse Jacob debilmente. Os medicamentos impediam-no de ter um discurso mais fluído.

— Por isso é que gostavas da Maddie? Porque ela era boa para ti?

— Ela também gostava de mim. Nós estávamos juntos, mas...

— Mas...- insistiu o médico.

— Ela morreu. Abandonou-me como todos os outros fizeram.

O médico continuava a apontar. Era claro que Jacob era traumatizado por ter sido abandonado pelos pais tão novo. Ele chegou a conviver com eles até aos 10 anos, mas nessa altura o pai dele fora preso por tráfico de drogas e a mãe não conseguiu aguentar a casa, abandonando Jacob por não lhe conseguir dar uma boa vida. Assim, Jacob fora parar a uma casa de acolhimento onde Billy Black e a sua mulher, Sue, o tinham encontrado. Os dois não conseguiam ter filhos de modo "natural" e recorreram à adoção. Jacob, embora já com 10 anos e fugisse à escala de idades que as pessoas queriam adotar, foi o escolhido. Era um menino lindo, moreno de cabelos pretos os seus olhos eram verdes e ele era tímido, simpático, mas sempre se mostrou amável para com Billy e Sue. Foi muito bem tratado na sua nova casa. Madison chegou um ano depois, os dois deram.se muito bem desde o primeiro dia e acabaram por se apaixonar quando mais velhos. Mesmo assim o trauma do abandono continuava lá.

— Ela não teve culpa Jacob. Ela também não devia querer abandonar-te.

Jacob não fez qualquer comentário àquilo.

— Porque é que foste para Seattle Jacob? Porque é que deixaste a tua família?

— A Maddie queria ir para Seattle. Ela viu uma vez na televisão e quis ir para lá. Eu...eu... só queria não me esquecer dela.

— E a Isabella? Onde é que a Isabella entra?

— Ela era como a Maddie. Exatamente como a Maddie. Tinha cabelos castanhos, olhos castanhos, mas era tão linda. Tão Maddie. Eu tinha saudades da Maddie e ela era como ela.

— Se a Isabella era como a Maddie, porque é que começaste a bater nela? Fazias isso à Maddie?

— Não! A Maddie gostava de mim e a Isabella também. Mas..., mas... ela queria outras pessoas. A Maddie não faria isso, a Maddie ficaria sempre comigo. Apenas comigo.

— Porque é que não contaste à Isabella sobre a Maddie ou a tua família?

— Ela não podia saber. Ia achar que eu era maluco.

— Jacob... sabes que foi errado bater nela não sabes?

— Eu...eu não queria. — disse Jacob. — Eu...eu... não queria, mas quando notava já lhe tinha batido. Eu juro que não lhe queria bater, só queria que ela ficasse comigo.

— Querias que ela ficasse porque era parecida com a Maddie?

— Sim. Assim nunca me esquecia da Maddie. Mas ela foi-se embora...

— Sabes o que é que aconteceu?

— Quando cheguei a casa ela não estava. Fiquei chateado. Ela não podia sair de casa.

— Porquê?

— Porque ela ia atrás de outras pessoas. E não podia. Ela era só minha... a minha nova Maddie.

— Ela era a Isabella não a Maddie. Ela já era uma pessoa não podia ser outra.

Jacob não disse nada e o médico temeu que com esta afirmação ele não falasse mais. Era a verdade e Jacob precisava de ser confrontado pela verdade.

— O que é que aconteceu depois? Depois de teres chegado a casa e ela não estar lá?

— Eu fiquei à espera dela. Passado algum tempo a policia veio buscar-me e levou-me, fechou-me numa sala e começou a fazer perguntas, a dizer coisas... e eu só queria saber onde a Isabella estava. Eles disseram-me que ela estava longe de mim e eu...

— E tu ficaste com raiva porque ela te abandonou e começaste a bater em tudo o que apareceu a tua frente. — completou o médico.

— Eu não queria..., mas tinha tanta raiva. Eu só queria a Isabella de volta, mas ninguém me dizia onde ela estava.

— Tens de aprender a controlar a tua raiva... sabes que é por isso que tomas os medicamentos não sabes?

— Eu não gosto. Eles não me deixam pensar.

— E em que é que queres pensar? Na Maddie? Ou na Isabella?

— Eu quero pensar em ir ter com a Maddie e em ficar com ela para sempre.- disse Jacob.

— E a Isabella? — perguntou o médico.

— Eu quero a Maddie. A Isabella não pode ir comigo, a Maddie não vai gostar.

Bateram à porta. O médico sabia que isso significava que o tempo deles tinha acabado. Ele tinha mais pacientes para ver, mas estava preocupado com Jacob. Ir ter com a Maddie significava que Jacob queria morrer. Ele voltava a demonstrar as tendências suicidas que tinha demostrado logo depois de Maddie ter sofrido o acidente de carro e ter falecido. Tinha sido Isabella que o afastara destas tendências. Mesmo tendo saído da clinica, Jacob precisava de ter mantido as consultas psiquiátricas. Mas ele desapareceu. A policia tinha tentado encontrá-lo, mas ele era maior de idade e embora apresentasse problemas psicológicos a clinica tinha lhe dado a carta branca para ele viver uma vida normal. Os policias não podiam fazer mais nada...

— Jacob amanhã vamos falar mais sobre isso pode ser?

Jacob assentiu.

— Dr.? — chamou quando já se encaminhava para a porta.

— Sim?

— Pode dizer à Isabella que eu peço desculpa? Eu não a queria aleijar, só queria que ela não me deixasse.

— Claro — disse o médico. — Até amanhã Jacob.

Jacob não se despediu do médico. Tal como acontecera no caminho para o consultório, também o caminho de volta para o quarto foi silencioso. O enfermeiro deixou Jacob no quarto branco onde ele se voltou a sentar na cadeira. Poderia ter ido até a área comum, mas Jacob não gostava de conviver com os outros pacientes.

Ficou a olhar para o jardim até que escureceu. Saiu apenas para ir jantar e tomar banho e depois voltou para o quarto. Já não conseguia ver o jardim. A janela estava fechada e ele não a conseguia abrir. Deitou-se na cama. Sabia que daqui a alguns minutos bateriam a porta para lhe dar os medicamentes. Ele não gostava deles não o deixavam pensar. Ele queria pensar em Maddie. Desde que começara a namorar com Isabella que não falava nela. Era bom falar sobre Maddie. Mas ele também ficava triste. Isabella podia ser muito parecida com Maddie o que fazia com que ele não sentisse saudades dela nem necessidade de falar nela. Mas agora não havia mais Isabella e ele queria falar e pensar em Maddie. Ele queria ir ter com ela.

Olhou em volta observando o quarto branco. Era tão branco. Maddie não gostava de branco. Olhou para o teto e para o candeeiro que estava lá pendurado. De ferro bem forte. Ninguém o conseguia partir, assim ninguém se conseguia aleijar. Nada naquele quarto podia fazer com que ele fosse ter com Maddie. As suas mãos percorreram o lençol e foi aí que a ideia lhe veio à cabeça. Sim ele podia fazer isso ... como é que não se tinha lembrado antes. Bateram à porta e uma enfermeira entrou. Sorriu-lhe e deu-lhe um pequeno copo transparente com os medicamentos e outro com água. Jacob tomou sem reclamar. Sabia o que ia fazer e nem os medicamentos o iam impedir. O teto era alto, mas em cima da cama Jacob conseguia-lhe chegar bem. Amarrou o lençol bem ao candeeiro que estava por cima da cama. Com cuidado enrolou o lençol à volta do pescoço e deu-lhe um nó bem firme.
Fechou os olhos e com a imagem de Maddie na cabeça, andou para a frente, caindo no vazio.

"Maddie, finalmente, vou estar contigo" foi a última coisa em que pensou.

Notas finais
Espero que tenham gostado! Este capítulo é diferente de todos os outros e por incrível que pareça foi um dos que tive mais facilidade em escrever. Sei que não têm haver com a Bella nem com o Edward, mas o Jacob também faz parte da história. Provavelmente não era disto que estavam à espera mas espero que tenham gostado na mesma! Digam-me as vossas opiniões, são muito importantes para mim! O próximo capítulo é o último... mas calma... ainda temos o epílogo!! Até ao próximo, Princess Of Forks ❤ P.S. Desculpem qualquer erro!!