I Can Only Look At You
1 Capítulo 1
Notas iniciais
eu particularmente não gostei muito, sei lá
mas de qualquer forma, boa leitura ;)
E aquele barulho irritante voltava a sacolejar minha cabeça como de costume em toda manhã. Maldito despertador, só serve para dizer que chegou à hora de sair da minha inércia e começar a me preparar para outro dia.
Após passar um longo tempo me espreguiçando, levantei-me e fui caminhando em direção a cozinha. Ao chegar, percebi que minha mãe já estava sentada a mesa, fazendo sua refeição matinal.
– Bom dia para você também, Sasuke! – Disse, querendo me provocar.
– Bom dia. – Falei, secamente.
Ela apenas riu e fez um sinal para eu me sentar. Acho que ela já devia estar acostumada comigo, sei lá. Sentei-me ao seu lado e comecei tomar meu café da manhã.
Terminada minha refeição, fui ao banheiro fazer minha higiene matinal. Arrumei-me e desci novamente, percebendo que minha mãe já não estava na cozinha. Fiquei esperando no sofá da sala e acabei por me distrair em pensamentos. Minha mente flutuava tão longe dali, que levei um ligeiro susto quando ela apareceu por trás de mim.
– Está muito distraído, hein.
– Ah, não enche. Vamos indo, se não chego atrasado.
Saímos da casa em direção a garagem e logo estávamos no carro, assistindo o percurso que sou obrigado a assistir todos os dias. O trajeto fora quase todo traçado em silêncio, porém às vezes ela me perguntava como iam as coisas na escola. Na maior parte das vezes eu apenas respondia com um bem.
Despedi-me dela, e já passava pelo portão principal quando a ouvi gritar meu nome. Voltei e me debrucei na janela da porta.
– Que foi?
– Estou com tanta pressa hoje que quase me esqueci disso. Depois que você sair da escola eu quero que pague essa conta para mim. Pode ser nesse banco aqui ao lado mesmo. Você sabe que tenho essa reunião mais tarde e estou com pouco tempo para tudo hoje.
– Pode deixar, eu pago. – Falei, revirando os olhos.
Subi as rampas até o terceiro andar e adentrei minha sala. Sentei-me no canto como de costume e fiquei mexendo no celular até o professor chegar. Começava até a me distrair quando senti alguém me puxar pela gola da camisa. Olhei para trás e me deparei com Hikaru.
– Ei Sasuke, conhece o aluno novo?
– Que aluno novo?
– Aquele ali.- Disse apontando para um garoto sentado no fundo da sala.
Era um rapaz novo, aparentando ter nossa idade. Sua pele era bem clara, porém com uma forte cor bronzeada se fazendo presente nela. Seus cabelos loiros, tão dourados como ouro, e seus olhos tão límpidos quando um oceano cristalino. Fiquei até um pouco hipnotizado por sua beleza irradiante, mas como sempre, me fiz de indiferente.
– Não conheço. Para falar a verdade, nunca o tinha visto antes.
– Eu também não. Provavelmente deve ser estrangeiro.
Nesse instante o professor entra sala adentro, pedindo silêncio a todos. Não tardou muito a começar a explicar a matéria nova e a copiar alguns textos no quadro.
“Odeio literatura.”
Esses textos e poemas me enlouquecem. Prefiro algo que realmente te faça pensar, como ciências exatas. Depois de uma hora e meia agoniando dentro daquela maldita sala, minha cabeça já estava a ponto de explodir. Posso jurar que ouvi um coro de anjos cantando quando ele disse que por hoje é só.
– Bem, aqui lista consta que temos um aluno novo. — Comentou o professor. – Supostamente é você meu rapaz. – Falou, direcionando-se para o loiro.
– Sou eu sim.- Disse ele abrindo um sorriso. E que sorriso, cativante eu diria.
– Naruto, não é? Então, você é daqui mesmo?
– Sou. Acho que o senhor deve estar perguntando isso por causa do cabelo, não é? – Disse ele abrindo um sorriso mais largo ainda. Nossa! Achei que fosse impossível, mas o garoto fica ainda mais lindo quando sorri. Ok, é melhor parar com isso.
– É claro, é muito difícil achar loiros, e ainda por cima com esses olhos, aqui no Japão. – Disse em meio às gargalhadas.
– É que meus pais são europeus. Eu nasci aqui, mas minha descendência é toda de lá.
– Está explicado então. Bom, de qualquer forma, seja bem vindo a nossa escola.
Após isso, tivemos ainda mais duas aulas de história, que também foram de um tédio extremo, e duas de física. Não tardou muito e o último sinal ressonou, alertando que o turno da manhã havia acabado. Amém!Já no portão principal, me despedi de Hikaru e fui pagar a conta que minha mãe havia me pedido. Ao chegar ao tal banco, quase perdi o fôlego. Uma fila imensa.
“Ela me paga!”
Saí do local e já se passavam de uma hora da tarde. Enquanto caminhava em direção ao ponto de táxi mais próximo, senti meu estômago esbravejar num gemido, implorando por uma refeição. Embora morresse de fome, ainda teria de esperar um bom tempo até estar em casa. Penso que se amanhã não fosse sexta-feira, já teria cometido suicídio.
Cheguei a casa e nem quis saber de almoçar, fui à cozinha e preparei o maior sanduíche que já vira e o devorei. Logo após, passei o resto da tarde assistindo televisão no meu quarto.
A noite não tardou muito a cair. Minha mãe geralmente chega a casa por volta das sete, mas como hoje ela tinha essa maldita reunião, avisou-me para eu nem esperá-la acordado. Noutro dia, arrumei-me e fui tomar o café. Impressionantemente, dessa vez meu senso de humor permitiu-me lhe dizer um bom dia. Chegando a escola, encontrei-me com Hikaru logo na entrada.
– Ei, Sasuke. Ouvi dizer que a professora de Geografia vai dar um trabalho hoje em dupla.
– Faz comigo?
– Então, exatamente por isso eu vim te falar. O Kiba já me pediu para fazer consigo, eu não pude recusar. – Muito bem, filho da puta! Agora vou fazer com quem? Claro, poderia até fazer com uma das meninas, mas elas são demasiadamente irritantes e burras, principalmente a Sakura.
– Pode deixar, eu arrumo outra pessoa. Se precisar... – Soltei um suspiro. — Faço com alguma das meninas.
– Falando no diabo! – Disse Hikaru, enquanto uma garota de cabelos incrivelmente escandalosos vinha ao nosso encontro.
– Sasuke, ouvi dizer que o teste de geografia vai ser em dupla. Faz comigo? – Disse ela praticamente se jogando em cima de mim.
– Sakura, que eu saiba é trabalho. – Disse Hikaru.
– Ai, to nem aí. Desde que seja com o Sasuke, está ótimo.
Nessa hora, nem pensei duas vezes, pois avistei o loirinho passando por trás de mim. Agarrei-o pelo braço e o coloquei ao meu lado. Ele ficou meio perdido a princípio, tentando descobrir o que estava acontecendo.
– Não vai dar Sakura, eu vou fazer com o Naruto. – Disse, dando-lhe um apertão em seu braço. — Não é, Naruto?
– É sim. O Sasuke ficou sabendo ontem e me ligou para me pedir. – Disse ele, assustado. Nossa, ele fica lindo nervoso. Ei, pode parando por aí.
– Essa historia está muito estranha. Eu nem vi vocês dois conversando ontem, como o Sasuke tem o seu número? – Inquiriu Sakura, num tom sarcástico.
– É que... – Gaguejou. – O Sasuke...
– Pois é Sakura, você não viu, mas não quer dizer que não tenha acontecido. Por acaso fica tomando conta da minha vida o dia inteiro? – Disse ao interromper Naruto, tentando parecer o mais agressivo possível.
– Ok, Sasuke. Dá próxima vez eu não vou dar tempo para ninguém te escolher primeiro. – Falou, saindo dali logo em seguida.
– Ai, mulheres são tão problemáticas. – Comentou Hikaru.
– Eu sei. Não quero nem ver quando a gente se casar com uma. – Disse Naruto, rindo. Senti uma funda pontada nesse momento.
– Bom, de qualquer jeito, valeu mesmo Naruto. Se você não aparecesse aqui, eu teria que dar um fora tão sinistro nela, que até eu sentiria pena. – Todos riram. – Ah, já ia me esquecendo, esse é Hikaru e eu sou...
– Uchiha Sasuke. – Disse ele, interrompendo-me e deixando-me sem graça.
– Não precisa fazer essa cara. Eu apenas prestei atenção na chamada ontem. – Disse, abrindo um largo sorriso. Ele realmente é muito carismático. Até pensei que fosse tímido, mas apenas não conhece muito bem as pessoas. – De qualquer jeito, prazer em conhecê-los.
– Caramba gente! Vamos subir, já estamos atrasados. – Alertou Hikaru.
Chegamos à sala e todas as mesas já estavam arrumadas para as duplas. Hikaru foi se sentar com Kiba, e nesse momento, lembrei-me de algo de suma importância.
– Que merda! – sussurrei, deixando apenas Naruto ouvir. – Acabei me esquecendo que ainda não arrumei uma dupla. Se a Sakura me vir sozinho, eu to ferrado.
– Tudo bem, eu também estou sem dupla. Aquela encenação toda serviu para alguma coisa. – Naquela hora nem pensei que ele realmente iria ser minha dupla, achei que alguma garota já houvesse lhe pedido . Convenhamos, ele não do tipo que fica sozinho em um trabalho.
– Que bom. Obrigado outra vez. – Respondi, aliviado.
Não estava muito difícil, aliás, podíamos usar o livro como consulta. Estávamos a fazer tranquilamente, quando puxei a folha do trabalho para o meu lado. Naruto, não conseguindo enxergar o papel de longe, aproximou-se de mim e para tentar ler, precisou por sua cabeça por cima de meu ombro, não chegando a encostar-se a mim, claro.
Nessa hora pude sentir alguns pelos dos meus braços se eriçarem quando senti sua respiração quente se chocando contra minha gélida nuca. Nunca, mas nunquinha, tinha sentido algo tão bom. Segundos após, com nossa aproximação, comecei a sentir seu cheiro, e que cheiro. O seu aroma invadia minhas narinas, e sua respiração estava cada vez mais profunda, quase como se estivesse fazendo de propósito.
– Sasuke, está tudo bem?. – Perguntou ele.
– Ah, to sim. — Nessa hora eu acordei. — Eu só distraí-me um pouco.
Terminado o trabalho, entreguei-o. Sentei-me ao seu lado novamente e fiquei esperando à hora passar.
– Atenção aqui! Quem estiver fazendo ainda, pare e olhe para cá. – Falou a professora, e ao conseguir a atenção de todos, continuou. – Para segunda-feira que vem, eu quero os exercícios das páginas 209, 210, 214, 219, 220, 221, 222, 225, 227 e 230. – No exato instante, a sala encheu-se de murmúrios e reclamações. Ótimo! Acabo de perder meu final de semana. – Não se esqueçam e nem tentem virem com gracinhas, vai valer ponto e verei caderno um por um.
– Poxa professora! Alivia aí. – Gritou alguém, no fundo da sala.
Nessa hora a sala explodiu em reclamações.
– Silêncio! – Vociferou. – Vocês estão no segundo ano do ensino médio, por favor.
– Professora, coloca pelo menos em dupla.
– Tudo bem, façam em dupla. Mas vocês são muito barulhentos escolhendo pares. Então façam com a mesma dupla do trabalho. E bem, quem tiver terminado o trabalho, pode sair.
– E aí Sasuke, quanto anos você tem? – Perguntou-me enquanto descíamos as rampas.
– Dezesseis, e você?
– Igualmente.
– Então, vamos fazer o trabalho na minha ou na sua casa?
– Dá para ser na sua?
– Por mim tudo bem.
– Que bom. — Disse abrindo um sorriso. – É que meus pais e eu acabamos de nos mudar da Europa para cá e nossa casa tá uma bagunça.
– Tranquilo. – Caminhamos até o pátio e nos sentamos num banco vazio. Escrevi o endereço da minha casa em um papel, além do meu celular, e lhe entreguei.
– Valeu. Deixa eu te passar o meu também, às vezes a gente precisa se falar e não consegue.
Esperamos o tempo vago passar, para logo subirmos para aula de matemática. As próximas seriam de informática, porém a coordenadora foi a nossa sala avisar que o professor havia faltado. Continuamos conversando, enquanto caminhávamos pelo pátio da escola, rumo ao portão principal.
– Éh... Você precisa ir para casa agora? – Perguntou, meio envergonhado.
– Na verdade não. Minha mãe está trabalhando agora.
– Se não for muita curiosidade, ela trabalha em que?
–Ela é executiva de uma empresa. – Disse rindo.
–Entendo.
– Então, o que você queria?
– Bem, queria que você fosse comigo nesse shopping perto daqui. Não lembro muito bem o nome. – Agora fiquei nervoso, ele ta me chamando sair.
– Claro que vou.
– Sério?! Que bom, eu tava querendo mesmo conhecer um pouco a cidade.
– Achei que você fosse daqui. – Questionei-o, enquanto andávamos pela calçada.
– Eu nasci aqui, mas quando tinha uns sete anos, meus pais me levaram para morar na Alemanha. Desde então nunca mais voltei.
– Nossa! Mas por que tantas mudanças?
– Meu pai é empresário. Estava com grandes negócios aqui no Japão, então ele e minha mãe optaram por morar aqui. Mas quando surgiu uma proposta muito boa na Alemanha ele não pode recusar.
– Deve ser chato se mudar tantas vezes, não?
– Um pouco, mas você se acostuma. Bom, já falei um pouco da minha família e ainda não sei nada da sua.
– Bem, não tem nada demais na minha família. Eu moro com a minha mãe, e como eu já te falei ela é empresaria. Somos os dois daqui mesmo.
– Seus pais são divorciados?
– Meu pai morreu já faz um tempo.
– Ah, desculpa, eu não sabia. Sinto muito .
–Tudo bem. Já faz sete anos; era chefe de um departamento de polícia. Acabou sendo baleado num tiroteio.
– Nossa! Que horrível. Deve sentir falta dele, não é?
– Às vezes eu penso o que teria acontecido se ele estivesse aqui ainda.
– Não pense assim, não é bom, sabe. Apenas pense que quer onde ele esteja, ele estará olhando por você. – Nessa hora senti vontade de chorar, mas me contive.
Ainda caminhamos um pouco, em silêncio, até que ele quebrou o gelo.
– Éh... A que horas posso ir a sua casa amanhã?
– Pode ser à tarde, depois do almoço. Tudo bem?
– Ótimo.
Chegamos ao shopping e ficamos rodando um bom tempo. Conferimos algumas roupas, tênis, etc. Ficamos um longo tempo jogando conversa fora, até que o alertei que teríamos voltar, pois minha mãe logo viria me apanhar. Em alguns minutos chegamos à escola, e ela já estava a minha espera.
– Bom, eu já vou indo então. Até amanhã.
–Até amanhã e valeu por hoje, gostei muito.
Entrei no carro e cumprimentei minha mãe.
– Colega novo?
– É sim. Vai fazer trabalho lá em casa amanhã.
– Logo amanhã? Não vou estar em casa.
– Outra reunião?
–Infelizmente sim.
– Poxa, tão te chamando pra trabalhar até no sábado?
–Sasuke, você sabe muito bem que todo fim de semestre é assim. A empresa precisa inovar as idéias.
–Ah... É verdade. Tinha até me esquecido que junho está perto do fim.
– Pois é. E seu aniversário também está chegando. Já pensou em algo?
– Ainda não. E talvez nem pensarei, sabe que não gosto de fazer festas.
Passei praticamente a tarde inteira assistindo televisão, aliás, não há coisa melhor do que isso para passar à tarde. Durante a noite, implorava aos céus para ter um pouco de paz e harmonia. Em vão, pois quando minha mãe fica atacada de certo modo, nenhuma ajuda divina é suficiente. Dessa vez, ela insistia em dizer que eu era muito sozinho e antissocial. Que merda! E daí que sou sozinho, prefiro assim, gosto de ser assim.
Por volta das oito horas, ela avisou que precisaria sair e tardaria a voltar.
– Filho, está precisando de algo?
– Precisava uma camisa nova. Na próxima quarta é o aniversario do Hikaru.
Finalmente, após sua saída, eu pude desfrutar de uma calmaria maravilhosa. Consegui escutar um pouco de música, o que tanto queria. Continuava a sentir o ritmo quente daquele som envolvente, quando senti o celular vibrar ao meu lado. Apanhei-o e vi que tinha que havia uma mensagem de Naruto. A princípio fique meio receoso, pois nessas horas a imaginação flui de maneira inacreditável. Mas logo criei coragem para ler, aliás, o que poderia ser demais. Mas a partir do momento em que li a mensagem, fiquei completamente estático, paralisado.
“Te amo.”
Como assim, e por que agora? Além de tudo pelo celular. Pensei em responder alguma coisa, mas logo desisti, pois continuava sem reação nenhuma. Após uns dois minutos, outra mensagem. Pude sentir meu coração descompassar quando ouvi o celular vibrando outra vez. E agora, não hesitei nem um segundo. Peguei-o rapidamente e a li. Porém, dessa vez meu coração apertou:
“Sasuke, foi mal pela mensagem anterior. Eu ia mandar para minha namorada e acabei errando o número. Desculpa.”
Nessa hora senti uma enorme vontade enorme de chorar, mas não me contive igual à hoje cedo. Deixei rolar. Não estava acreditando nem um pouco na maior idiotice que eu havia feito. Apaixonar-me por aquele loiro. Sentia-me tão frágil e desamparado, sem saber o que pensar. Uma pontada vinha fundo no peito, me estremecendo, fazendo-me chorar ainda mais.
Apanhei o celular e lhe respondi a mensagem:
“Tudo bem, eu já sabia que deveria ser algo assim.”
Fiquei esperando uma possível resposta, mas nada. Então sem perceber, acabei por pegar no sono. Acordei um pouco tonto, ainda desnorteado. Busquei meu celular em cima do criado mundo e percebi que já era tarde, quase hora do almoço. Merda!Nem lembro de ter dormido tão tarde ontem. Naruto estaria aqui logo, logo.
Desci, e fui até a conzinha. Percebi que o almoço que já estava preparado e a empregada já havia ido embora. Minha mãe provavelmente já deveria ter saído para a reunião, então estarei sozinho até o fim da tarde.
Fiz minha refeição o mais rápido que pude, e subi para tomar um banho. Enquanto mudava a roupa, ouvi a campainha ressonar. Desci correndo e atendi; era ele.
–To muito informal? – Perguntou rindo, sobre a bermuda e os chinelos que usava.
– Claro que não, está perfeito. – Nem acredito que falei isso. Que merda! Senti meu rosto passar de branco para vermelho.
– Valeu.
Passamos a tarde inteira fazendo os exercícios. Já se passavam das quatro quando terminamos, e juro que se eu ver mais alguma coisa relacionada à geografia, eu explodiria.
– Sasuke, me dá um pouco d’água?
– Claro. Vem comigo. – Disse, o levando até a cozinha.
Após isso, estávamos sentados na sala, esperando sua carona chegar. Conversávamos sobre algo, quando ouvi meu celular tocar no andar de cima. Subi ligeiramente as escadas, apanhei-o e percebi que o número pertencia a minha mãe.
– Alô?
– Sasuke, sou eu. Estou ligando para avisar que vai haver um jantar mais a noite, então não vou chegar cedo em casa.
– Pode deixar mãe.
– Se sentir fome, liga para alguma pizzaria.
– Tudo bem.
Percebi que havia deixado o loiro esperando sozinho no andar de baixo. Deixei meu quarto e segui caminhando em passos rápidos até a escada. Seguia cruzando o corredor quando de súbito, senti um baque violento me levar ao chão. Quando me dei conta, ainda estava caído, com meu corpo sobre Naruto.
Tentei me levantar, mas ao fazer, senti uma mão me puxando, impedindo-me. Olhei para seu rosto e percebi que ainda estava a me encarar, com uma expressão séria no semblante. Perdi-me por alguns momentos naquela imensidão azul, e mal percebi quando ele erguera uma de suas mãos e começara carinhosamente a afagar minha franja. Nessa hora eu não suportei mais, fechei meus olhos e levei minha boca em encontro com a sua. E beijei-o com a toda a paixão e amor que estavam reprimidos em mim. E para minha surpresa, ele me correspondeu, concedendo passagem para nossas línguas se encontrassem. Minha mente ainda estava confusa, passando naquele momento, por um turbilhão de pensamentos.
Mas por extinto, esqueci completamente o que meu consciente dizia. Queria sentir o momento, a complexidade de um beijo, e as sensações maravilhosas que ele nos proporciona. Era extremamente sensual sentir nossas línguas travando um duelo, sem vencedores. Estavam praticamente a dançar em nossas bocas, em movimentos de sincronia perfeita, gracioso e ferozmente ao mesmo tempo. Eu tentava explorar cada canto de sua boca, tentando sentir mais aquele gosto maravilhoso, que em poucos instantes já me viciara.
Sua mão ainda se mantinha no meu rosto, proporcionando-me carícias, e isso estava me fazendo enlouquecer. Sentia os arrepios vindos da espinha cada vez mais freqüentes quando ele colocou senti sua outra mão por baixo da minha camisa, começando a alisar minhas costas. Estava tudo perfeito, maravilhoso, gostoso. Logo meus pulmões já imploravam por mais oxigênio. Soltei sua boca e tentei respirar o máximo de ar possível para iniciarmos outro beijo, quando num susto, ouço seu celular tocar.
Levantamo-nos do chão completamente envergonhados e ruborizados. Sentei-me no sofá e fiquei a esperar até o termino da ligação.
– Meu pai está aqui na frente esperando. – Disse, indiferente.
Vi-o se aproximando de mim, e por um segundo eu pensei que fosse me dar um beijo de despedida, mas não. Ele apenas ergueu o braço, pedindo-me um aperto de mãos. Senti meu coração apertar violentamente, mas mesmo assim retribui o gesto.
–Até segunda. – Disse ele.
– Até...
O levei até a porta e ele se foi. Fiquei ainda um tempo na porta, mesmo depois que partira, pensando em tudo o que tinha acabado de ocorrer.
Notas finais
mandem reviews, pleasee :)
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