Notas iniciais
Olá mais uma vez, pessoas! Desculpe se eu demorei um pouco pra postar, eu ando um pouco ocupado nesses últimos dias!
Quero agradecer aqui a todos que deixaram reviews, isso é lindo, de verdade. Continuem, heim.
Bom, vamos então ao capítulo! ^^

Atchim!” – Maldição!Acabei por pegar um maldito resfriado durante a noite. Como já ficara explicito, sim, não tive coragem suficiente para entrar no quarto de Naruto naquela hora. Por mais que eu tivesse tentado com todas as minhas forças, simplesmente algo me impedia. Droga!Como eu cheguei a ponto de me tornar um covarde?

Ele estava chorando, desolado. E ainda sim eu fui tão insensível. Juro que pude sentir suas lágrimas descendo seu rosto abaixo. E aqueles soluços impregnados em sua garganta, eram somados a um peso gigantesco que já estava sobre a minha consciência.

Mas eu ainda não conseguia entender. Por mais que ele esteja sofrendo, o que eu tenho a ver com isso? Eu não o conheço direito, não somos amigos nem há uma semana. Então por que diabos eu estou me sentindo assim?!

Meus devaneios não duraram muito além desse questionamento, pois logo assim ouvi algumas batidas serem dadas a porta.

– Sasuke, querido, os meninos já estão tomando café. É melhor você descer ou ficará muito tarde. – Era a mãe do ruivo que falava por trás da porta. Só então eu percebi que Hikaru não estava mais no quarto. Resmunguei alguma coisa para ela, e me levantei para arrumar para o pequeno almoço.

Assim que cheguei à cozinha, encontrei os dois sentados à mesa conversando em um tom não muito animador. Resmoneei um cumprimento qualquer e me sentei. De maneira irritante, meu nariz ainda emitia um ruído seco todas as vezes que eu tentava respirar por ele.

– Sasuke, eu disse pra você pra pegar outro cobertor caso sentisse frio durante a noite. – Disse-me Hikaru, me encarando com uma feição preocupada.

– Eu nem senti pra falar a verdade. – Falei, indiferente. – Acordei, e já estava gripado.

–Só que agora a gente vai ter que sair pra comprar algum remédio para você.

– Não fale besteiras, é só um resfriado. Até amanhã eu já estou melhor.

– Humpf! – Bufou. Ele sempre fazia isso quando eu contrariava as ideias dele.

O restante do dia seguiu da mesma maneira como havia começado. Era quase como se pudesse sentir o clima no ar. Não falo de temperatura, óbvio. Mas sim, a tensão que estava entre nós. Mais precisamente entre o loiro e mim.

Mas, como sempre, o ruivo se fazia de desentendido e tentava impor algo pra poder nos animar. Por parte da tarde, fomos a um playgroundque pertencia ao condomínio . Humilhante, eu sei. Jogamos, ou pelo menos tentamos jogar, um pouco de futebol num pequeno campo que havia por lá. Acho que houve até algum vestígio de diversão, mas não passou disso.

Com o dia ainda claro, Hikaru e eu estávamos sentados na varanda da casa, admirando um pouco a maravilhosa paisagem que nos estava à frente. Um mar de montanhas; era tão lindo que podia ficar horas contemplando sem me cansar. Apenas voltei a mim quando percebi que Naruto estava em nossa presença.

– Hikaru, será que nós podemos conversar? – Disse, fitando-me longamente. — A sós.

Estremeci quando ouvi aquela última frase. Seus olhos estavam sérios, nem parecia aquele Naruto abobalhado que eu conheço. Aliás, esse seu jeito já estava há um longo tempo sem dar as caras.

– Claro, vamos até seu quarto.

Depois que ambos saíram, senti certo receio. Admito, fiquei morrendo de curiosidade para saber o que Naruto tinha de tão sério para precisar conversar sozinho com o ruivo. Acabei por ficar um pouco nervoso, e segui para meu quarto, onde pretendia dormir um pouco.

Afundei minha cabeça nos travesseiros, mas nada de sono algum chegar. Não adianta, não sei nem por que ainda tento fazer isso. Sempre quando sinto que algo me incomoda, eu nunca consigo me concentrar para fazer nada, nem para dormir. Simplesmente desisti, e fiquei apenas a encarar o teto.

Ouvi alguns passos ressonando no assoalho, vindo em direção ao quarto. Assustei-me deveras ao assistir a imagem do ruivo adentrar ao quarto batendo os pés de maneira enraivecida.

– O que houve Hikaru? Aconteceu alguma coisa? – Perguntei receoso.

– Não. – Respondeu secamente, enquanto revirava sua mala, em busca de algo.

– Como assim? Olha só como você está!

– Quer saber Sasuke – me lançou o olhar com desdém. – Vá você mesmo ao Naruto e pergunte a ele.

Ao dizer essa última frase, ele saiu do quarto. Nunca na minha vida eu tinha visto Hikaru agir de tal forma. Por essa razão, fiquei longos minutos olhando para o vazio da parede, enquanto tentava entender o que estava acontecendo. Mas que merda tinha acabado de acontecer?

Lembrei por último que ele havia falado algo sobre Naruto, e ir perguntá-lo. Naquele momento eu nem me amedontrei mais, estava demasiadamente curioso. Sem delongar mais, segui para o quarto do loiro. Infelizmente, a resposta para a minha pergunta já havia sido respondida em apenas entrar no cômodo.

– Você está indo embora?! – Perguntei exaltado, ao avistar suas malas arrumadas.

– É, infelizmente meus pais me ligaram agora pouco pedindo para eu voltar.

– Como assim? Por quê?

– Eles não disseram ao certo. Apenas falaram que eu precisava voltar.

– E você vai de que forma?

–Vou apanhar um táxi até a rodoviária. Depois, é só pegar um ônibus para casa. Não se preocupe, acho que já sei me virar – foi uma das poucas vezes que o vi sorri nesses últimos dias. Entretanto, ainda não foi aquele mesmo sorriso de quando o conheci.

–Você não pode ir assim! – Falei em um tom mais alto, sem perceber. O loiro apenas me fitou sério. – Quer dizer... Você nem aproveitou nada. – Céus!Eu sou a criatura mais imbecil que existe.

– Ah. – Suspirou de forma tristonha. – Não ligue para isso, sei que haverá outras chances. Bem, se você puder me dar licença, eu preciso troncar de roupa.

– Claro.

Segui para meu quarto novamente, e urrei da maneira mais descontrolada possível, abafando o meu grito com um travesseiro. Eu não consegui mais uma vez. De novo, eu estou deixando ele passar por entre meus dedos sem ao menos me esforçar para tentar mantê-lo ao meu lado.

Eu queria por tudo ir até seu quarto e dizer que ele não podia ir, porque eu o amo. Exatamente, por mais que eu não quisesse admitir, desde o primeiro dia de aula eu havia me apaixonado por aquele sorriso que me deixa tão irritado e, mesmo tempo fascinado. Aqueles olhos que me fazem viajar tão fundo em sua essência. Tudo nele era tão perfeito e radiante. E ainda assim eu não tinha coragem de dizer o que sinto.

Acabei por resolver ficar na minha cama até ele partir. Eu não queria vê-lo, não dessa forma. Com aqueles olhares cabisbaixos, sem aquela aura que sempre ficava ao seu redor. Isso me machucava demais.

Quando já se fazia noite, tentei sair um pouco da cama, pensando que o loiro já teria partido. Porém, quando seguia caminhando em direção a porta, me deparei com Hikaru, entrando no cômodo.

– Por que você tem que ser tão difícil, hein Sasuke? – Perguntou-me ao se sentar na cama.

– Como assim? – Fingi-me de desentendido.

–Ah, não é nada. Pelo visto você ainda não confia em mim.

– Qual é Karu. – Apenas chamo-o pelo apelido quando estou irritado. E naquele momento, acredite, eu estava bastante. – Chega desse joguinho. Fala logo o que tá havendo.

– Sasuke, eu te conheço desde quando você usava fraldas. – Disse, rindo cinicamente. – Por que você ainda insisti em mentir para mim desse jeito?

– Eu... Hikaru, para de falar besteiras. – Ruivo maldito, conseguiu me deixar nervoso. – Do que você tá falando?

– E lá vamos nós outra vez. – Disse, revirando os olhos. – Pois bem, por onde vou começar? Ah, já sei... Você gosta do Naruto!

– Como?!? – Ele disse essa última parte da maneira mais normal do mundo. Se não estivesse sentado, eu teria caído. – Da onde você tirou essa besteira?

– Como assim da onde? Tá na cara! O modo que vocês dois ficam se olhando, você sempre fica corado quando está perto dele, sem falar quando...

– Chega! Eu vou fingir que não estou ouvindo meu amigo me dizer que eu sou gay.

– Sasuke, larga de ser orgulhoso, cara! Não há problema algum nisso, nem razão pra você ficar envergonhado. É uma coisa natural, você não escolhe nascer assim. – Disse, esbravejando.

– Desde quando você sabe? – Muito bem, o poderoso orgulho Uchiha finalmente está cedendo. Merda! Acabei de admitir que sou gay.

– Desde sempre, pra falar a verdade.

– Tá tão na cara assim? – Perguntei, assustado.

– Não, claro que não. – Respondeu, rindo do meu comportamento. – É que eu te conheço há muito tempo, sabe. Sempre reparei o jeito que você olha para as pessoas.

– E você não liga? Sabe, ficar perto de mim?

– Larga de ser estúpido, bastardo. Eu sou seu melhor amigo, não vou te abandonar por uma coisa tão insignificante como essa. -Disse-me sorrindo. – Além do mais, eu sei que você gosta do Naruto.

– Naruto! – Falei seu nome por instinto. Havia me esquecido dele.

– Engole esse orgulho de vez Sasuke, e vá atrás dele. Tá na cara que ele também gosta de você.

– Mas e se...

E se o caramba. Se eu to mandando você ir agora, você vai.

– Moleque, você é convencido demais, sabia? – Disse, lhe dando um abraço. – Valeu por ser meu amigo.

– Ah, eu também te amo... Bom, vamos lá. Naruto já saiu daqui têm uns quinze minutos. A gente vai precisar correr um bocado para alcançá-lo.

– Alcançá-lo, como assim? Ele não disse que precisava voltar por causa dos pais.

– Meu Deus, como você é lerdo! – Disse, me puxando pelo braço, para fora do quarto. – Meus pais quiseram levar Naruto até a rodoviária, para depois irem em algum restaurante para jantar. A gente vai ter que chamar um táxi.

Ligamos para o primeiro número que apareceu na lista. Esperamos mais alguns minutos, que estavam me agoniando tremendamente, até a condução chegar a nossa porta. Por sorte, o trânsito estava fluindo muito bem até o centro da cidade, embora em alguns lugares ainda houvesse alguma lentidão. Acho que nem preciso comentar como estavam meus ânimos naquela hora. Por fora, mais sereno que bebê dormindo; por dentro, uma bomba relógio no lugar do coração.

Por sorte eu ainda tinha o ruivo do meu lado. Ele realmente me conhece mais que qualquer um, chegando até saber como eu estava. A todo o momento ele me alçava um largo sorriso, querendo dizer que tudo terminaria bem. Até poucos minutos, eu nem fazia ideia do amigo que eu tinha. Agradeço aos céus agora, por tê-lo perto de mim.

Quando descemos em frente ao terminal principal, seguimos até encontrar algum funcionário que pudesse nos ajudar. Felizmente descobrimos de onde partiria o ônibus rumos à Tóquio, entretanto, ele já deveria ter partido há dez minutos. Deus, diga que ele se atrasou, por favor.

Enquanto caminhávamos da maneira mais rápida possível, sem precisar correr, meus olhos acabaram por cair em cima de uma criaturinha loira que esperava em pé, esperando sua condução chegar ao terminal.

Ao mesmo tempo em que o avistei, corri em sua direção, sem me importar com mais nada. Abracei-lhe fortemente pelas costas, sentindo mais uma vez aquele cheiro entorpecente me invadir. Não havia quase ninguém no local naquele momento, por isso pouco me importei se estavam ou não vendo-nos.

Ele se virou de maneira brusca, assustado, quase me deferindo um soco. Ao perceber que se tratava de mim, suas bochechas se ruborizaram instantaneamente.

– Sassukee! – Gaguejou. – O que você está... – Antes que pudesse terminar a frase, calei-o, selando os nossos lábios em beijo. Muito bem, acabei de mandar todo meu orgulho a merda; pelo menos por hora.

– Mee deess... – Droga! Por que é tão difícil assim pedir desculpas?! Vamos, eu preciso fazer isso. – Me desculpa?! – Acho que soou até engraçado, de tão rápido que eu falei.

Vi apenas aquele sorriso que eu tanto amo nascer novamente em seus lábios. Era tudo que eu precisava. “Claro que sim”. –Sussurrou em meus ouvidos.


Notas finais
então, mereço mais reviews??