Notas iniciais
Dessa vez eu juro que nao tive culpa pelo atraso. O capitulo estava praticamente feito no meu notebook, e de repente a porcaria dá um problema e perde toda a memória. Sorry for this...
Mudando de assunto, fico muito feliz por ter tanta gente nova deixando reviews por aqui. Obrigado leitores, vcs são minha alegria.
Enfim, boa leitura! ^^

É impressionante como a vida pode ser tão irônica. Na maior parte das vezes, nós só percebemos o quanto realmente éramos felizes ao ter essa tal felicidade corrompida. E infelizmente o arrependimento que domina nossa consciência, por ter falhado ao receber a tarefa de cultivar e alimentar um sentimento que nos fazia tão bem, é assustador. Por mais que procuremos uma saída para esquecer do erro que ocorreu por causa da nossa inteiramente culpa, nada pode apagar tal fato. E essa culpa, talvez, seja a responsável por nos deixar sentindo muito pior do que merecemos; mas sem ela não aprenderíamos a crescer sobre tais erros.

Hoje completam exatas duas semanas que eu deslumbrei àqueles orbes azulados, porém ligeiramente entristecidos, pela ultima vez. Desde o fim da nossa excursão pelo Oceano Pacífico, mais precisamente ao desembarcar na capital japonesa, que eu não sou felizardo a receber em minha presença certo loiro. E está de uma agonia cruel, quase insuportável, passar tanto tempo distante de uma pessoa que simplesmente me fazia ir às nuvens e voltar. A insegurança, por apenas em cogitar estar perdendo Naruto para outra pessoa, era só mais um dos fatores que estavam prestes a me levar ao fim da minha reserva de lágrimas.

Após tanto tempo sem tirar aquele loiro dos meus pensamentos, quase não sobrara espaço para o meu tão grandioso orgulho. Então já não é de vergonha mais alguma para mim confessar as noites que passei chorando ao relembrar de todos os momentos felizes por quais já passamos. Por mais que eu fizesse um esforço colossal para não deixar transparecer, doía demais não ter mais quem eu amo por perto. Se não existisse uma amizade tão nobre, e uma preocupação tão melosa quanto a de um ruivo, admito que estaria com um emocional mais agitado que de uma panela de pressão ao fogo.

Hikaru se mostrou um exemplo de amigo verdadeiro ao ter me apoiado, mesmo sabendo que o culpado pelo fim do relacionamento tivera sido eu. Sua habilidade de levantar o auto astral de uma pessoa, mesmo em situações de tantas tribulações, era algo incrível. E mesmo que eu não goste de admitir, por parecer algo meio estúpido, mas se não fosse esse ruivo, talvez eu não me recuperasse da primeira semana infernal após nosso rompimento.

Contudo, era inevitável eu me desviar de uma depressão já garantida. Por mais que eu recebesse toda ajuda possível do meu colega, eu ainda sofria demais por estar sendo ignorado por Naruto. Peguei-me dezenas de vezes com o número do seu celular no visor do meu telefone, porém sem coragem alguma para prosseguir com a ligação. No fundo, meu maior medo era que ele realmente não estivesse levando em consideração em nos dar uma segunda chance. E essa insegurança toda me faziam recuar como uma covarde; mesmo não querendo ser um.

Como se já não bastasse todos os outros fatores, ainda tinha que suportar os inquéritos e questionamentos dia e noite, por parte da minha mãe, sobre o porquê dessa monotonia toda. Por mais que fosse irritante esse apego materno, entendo que ela, assim como Hikaru, estava apenas demonstrando sua preocupação. E também não era para menos. Como estávamos em época de férias ainda, eu não me encontrava com obrigação nenhuma de sair do meu quarto. Tanto tempo parado, me atarefando apenas a encarar o teto azulado daquele cômodo na maior parte do tempo, me fizeram inclusive perder uma quantia considerável de peso.

E para não perder o habitual costume, era exatamente com o que eu estava me ocupando naquele momento. Mas como já deveria fazer parte da minha rotina, meus momentos de desânimo quase nunca duravam muito tempo. Por mais incomodativo que fosse de início, era de uma sorte tremenda ter aquele ruivo perto de mim em certos momentos.

- Adivinha quem conseguiu ingressos para o show da nossa banda favorita nesse final de semana? — Sentou-se animado ao meu lado na cama, enquanto me encarava sorridente, na esperança de animar-me.

- Seja lá quem for, fique sabendo que eu não vou. — Respondi seco, sem desviar meu olhar da parede.

- Como assim Sasuke? Nós sempre fomos a todos os shows do Bon Jovi. — Era quase impossível me manter tão frio quando o ruivo me implorava algo com seu costumeiro semblante choroso.

- Sinto muito amigo, ainda não me sinto na capacidade de abandonar meu quarto aqui. — Deixei-me levar pelo seu jogo psicológico, e acabei desabafando.

- Hum... — Olhou-me seriamente agora, para logo após coçar a cabeça com um sorriso embaraçado em sua face. — E se eu te falar que não comprei esses ingressos apenas por causa do show?

- O que quer dizer com isso? — Questionei-o, mesmo já imaginando qual seria sua resposta.

- Segundo algumas bocas, o Naruto vai também... Seria um lugar ótimo para você se encontrar com ele.

- Eu não sei, Hikaru. — Abaixei minha cabeça, sentindo uma pontada forte ao me recordar do loiro. — E se ele não quiser mais falar comigo? Já faz quase três semanas....

- Você não pode pensar assim, Sasuke! — Fiquei impressionado como ruivo ainda se mostrava confiante. — Eu sei que ele ainda te ama. Você não pode jogar a toalha dessa forma.

- Como você tem tanta certeza assim?

- Eu não sei... Simplesmente tenho. Acho que convivi bastante tempo com o Naru também. Por isso compreendo o que deve estar passando na cabeça dele. Entenda, ele também está confuso. Mas vocês só irão saber mesmo se podem continuar, se vocês se encontrarem.

- Muito bem! — Falei numa firmeza que há algum tempo eu mesmo não ouvia. — Se está tão certo assim, acho que vou confiar em você.

- Caramba! Até que enfim você levantou esse estral.

- Eu sei. Não posso mais ficar chorando pelos erros que cometi. Vou conversar com Naruto nem que seja a ultima coisa que eu faça.

- É assim que se fala, moleque!

Hikaru estava certo, eu não podia mais passar horas trancado dentro do quarto me depressiando com algo que eu nem tinha certeza ao certo. Precisava tirar essa duvida com Naruto de uma vez por todas, nem que isso levasse ao fim definito do envolvimento que nós tivemos. Eu estava com medo; mas eu não seria humano se não estivesse.

(X-X-X)

O final de semana havia chegado, e o show de uma das bandas de rock estadunidenses mais famosas do mundo movimentava a grande Tóquio como uma tourada nas terras espanholas. Graças aos céus Hikaru havia conseguido comprar aqueles ingressos com alguns dias de antecedência, pois a carga total do estádio, onde se realizaria o evento, se esgotara poucas horas antes de a apresentação começar. Por mais que eu estivesse com minha cabeça navegando em outros mares, era praticamente impossível não ficar ansioso também com o espetáculo. Como o ruivo propriamente havia dito, Bon Jovi sempre fora minha banda preferida desde o inicio da minha adolescência.

Enquanto as horas se encaminhavam, e a minha aflição crescia gradativamente, ambos nos preparávamos juntos para a saidera. Por ser bem mais perto do local, combinamos de nos arrumar na casa do ruivo. Passaríamos também na casa do Kiba para o acompanhar, mas este desmarcara de última hora, alegando que iria com a namorada.

- Então, como estou? — Questionou-me Hikaru sobre seu visual. Vestia algo bem simples, como uma bermuda escura e uma camisa polo cor de rosa.

- Se quer saber, se você fosse gay eu te pegava. — Falei provocante, me divertindo ao ver suas bochechas corarem subitamente de vergonha.

- Bastardo! — Acertou-me em cheio com um travesseiro, e logo mais me fitou de uma forma esquisita. — Sasuke, como foi que você descobriu que você era.... Sabe, gostava de homens?

- Ah, acho que no fundo sempre soube. Só não tinha coragem de admitir para mi mesmo. Não foi uma grande um choque, mas eu passei por grandes mudanças.

- Hum...

- Por que a pergunta?

- Não é nada... — Gaguejou — Apenas curiosidade.

Foi um pouco estranho a forma que ele tocara no assunto; parecia que estava com medo de alguma coisa. Mas no fim, eu me encontrava com outras preocupações para ficar dando atenção as maluquices do ruivo. Quando o relógio marcara por volta das 10h:30min da noite, nós resolvemos partir. O show estava marcado para quarenta minutos mais tarde.

Como sua casa se encontrava realmente muito próxima ao estádio, nem ao menos precisamos arrumar condução para chegar ao local. Com várias ruas fechadas pela polícia, para que o trânsito de pedestres pudesse fluir melhor, o acesso tivera ficado ainda mais fácil. Quando chegamos aos portões de entrada, uma grande quantidade de pessoas já estavam na espera. Encontramos, aliás, muita gente conhecida pelos cantos do lugar, inclusive aquele povaréu da nossa turma.

- E aí rapaziada?! — Encontramos Kiba e sua namorada logo de vista. Ambos — Obviamente — já tendo em mãos seu copos com substancias repletas de teor alcoólico. — Querem beber alguma coisa?

- Eu quero! — Revelou logo de súbito o ruivo, obrigando-me a lhe lançar um olhar de reprovação, que fora ignorado no final das contas. Não que eu tenha alguma coisa a ver com o que ele faz ou não. Só não gosto de o ver enchendo a cara até cair.

Quando os portões foram abertos ao público, que já esperava ansioso do lado de fora, fora um verdadeiro tsunami humano. Não sei como a maioria das pessoas não morrera esmagadas pela quantidade de empurra-empurra que houve durante os primeiros minutos. Graças a Buda não fomos obrigados a passar por um tumulto tão volumoso como aquele. Sempre que havia shows como aquele, nós sempre optávamos por ficar nas arquibancadas VIP's ao redor do palco, e não no gramado. Por ser uma área mais reservada, a entrada ficava em outro setor. Os ingressos poderiam até ser ligeiramente mais caros, mas podia se ter a absoluta certeza que valiam apena.

Por fim, nós quatro resolvemos seguir para a nossa zona de uma vez. Era uma ambiente completamente diferente do que se encontrava a multidão abaixo de nós. Podíamos transitar de um local para o outro com tranqüilidade, tendo íntegro acesso aos banheiros, bufê, e uma visão panorâmica de todo o espetáculo.

Contudo, infelizmente quase não pude aproveitar as musicas iniciais tamanho era o nervosismo que me cercava. Naruto ainda não havia dado as caras, e isso estava me forçando a descer algumas rodadas de vodka esôfago abaixo. Enquanto me ocupava em beber mais um daqueles drinques transparentes, de gosto incrivelmente ruim, me hipnotizei ao notar uma pessoa em especial vir ao meu encontro. Por pouco não me engasguei com a bebida tamanha foi minha surpresa ao me encontrar com loiro tão de repente. Após tantos dias sem vê-lo, parecia até que ficara mais bonito do que já era. Precisei me manter mais firme do que nunca para não me desesperar logo de inicio.

- Oi. — Ele iniciou a conversa, sempre com seu sorriso galanteador estampando no rosto.

- E aí, como vai?

- Não como gostaria, mas fazendo o possível para levar adiante. — O clima entre nós dois era tão sereno e calmo, quase como se tivéssemos nos conhecendo pela primeira vez.

- E como você gostaria que estivesse? — Também fiz questão de usar a minha maneira de conquistas; despojando dos meus sorrisos cínicos, com o canto dos lábios.

- Com apenas alguns detalhes acertados. — Coçou a cabeça de forma abobalhada, como de costume.

- E esses detalhes podem ser acertados ainda?

- Talvez, acho que nós podemos...
Maldição! Por que todas as vezes que uma conversa começa a fluir tão bem, sempre há alguns estragas prazeres para arruinar tudo? É impressionante como aquelas garotas sentem o faro de homem bonito circulando pelo local; provavelmente são ultra sensíveis aos feromônios masculinos. De qualquer forma, foi excelente eu não ter levado nenhuma arma de fogo para o local, senão eu provavelmente estaria numa prisão de contenção máxima agora, por ter assassinado duas mulheres que vieram cantar nós dois. Felizmente ninguém sabia como dar foras nada elegantes em pessoas assim como eu.

- Você é terrível, sabia? — Apoiou-se em meu ombro para tentar contar as gargalhadas. — Elas devem estar odiando a gente agora.

- Não irá fazer muita diferença, não é mesmo?

- É, acho que não iriam mesmo. Enfim, se você me der licença, vou falar com o resto do pessoal.

- Claro, a gente se vê depois.
Fiquei o assistindo de longe, sempre cumprimentando um por um, como se fosse um político em época de eleições. Mas não era nenhum interesse em depravar votos dos pobres e alienáveis eleitores; era puramente simpatia. Enquanto me ocupava em ficar observando aquele ser que tanto me encantava, mal percebi quando uma das musicas lentas mais famosas começara a ser tocada.

- Sasuke, eu não queria te dizer isso. Mas o peixe está para ser fisgado... — Comentou o ruivo ao chegar ao meu lado, logo após uma das garotas da nossa turma tê-lo tirado para dançar, digamos, bem próximos.

- Eu não acredito que ele vai fazer isso comigo. Na minha frente não....

Eu pude sentir que Naruto não queria ter feito. Pois um pouco antes ele me olhara de forma apreensiva, como se estivesse pedindo desculpas. E logo depois, como num filme de romance, eles se beijaram. Mais propriamente dito, ela o forçou a um beijo. Mas mesmo assim ele correspondera, e ainda por cima na minha presença. Eu não suportei ficar olhando, tive que sair dali antes que meu estômago embrulhado resolvesse ficar pior do que já estava. Pouco me importa mais show, Hikaru ou qualquer outra coisa. Eu só precisava sair dali.

Senti como se a ponta final da espada finalmente tivesse penetrado meu coração. E a dor era pior do que eu imaginara.

- Você não vai! — Senti uma mão forte segurar meu braço, impedindo-me de chegar a saída. — Não vou deixar você partir de novo.

- Você não pode dizer nada! Aquilo foi uma vingança, não foi? Se era isso que você queria, parabéns, conseguiu pagar na mesma moeda. — Eu já não conseguia mais falar normalmente. Algumas lágrimas insistiam em cair, mesmo na presença de tantas pessoas. Ao ter percebido que ele viera atrás de mim senti uma felicidade gigantesca, mas ao mesmo tempo meu ego urrava para deixá-lo para trás.

- Você sabe muito bem que não foi isso! — Senti meu corpo ser comprimido contra uma parede pelo o seu. — Me perdoa por favor... Me perdoa por ter beijado ela. Eu juro que não queria. — Seu nariz deslizava-se pelo meu rosto, fazendo-me sentir sua respiração. Ele me dominara de uma maneira tão sensual, no meio de tantas pessoas nos assistindo, que eu praticamente perdi toda a sanidade ao sentir seu toques e mim novamente. — Eu senti muito a sua falta Sasuke. Eu quero você de volta!

Aquele foi o ápice. E pouco me importei mais se algum conhecido estava nos vendo ou não. Eu precisava beijá-lo, sentir aqueles lábios tão macios e tenros, aquela boca tão lasciva e quente.

Então nos beijamos, com uma paixão e uma ardência que eu nunca havia sentido. Era de longe, o melhor beijo que eu já havia recebido.

- Não quero me separar de você nunca mais. — Falou, enquanto me abraçava com força.

- A gente não vai. Eu prometo.


Notas finais
E aí, será que mereço mais reviews??