I Can Only Look At You
14 Capítulo 14
Notas iniciais
Mas a estória se encontra aí!
Boa leitura. ^^
O tic-tac de um relógio clássico, pendurado há alguns palmos acima da minha cabeça, já me irritava profundamente. Seus ponteiros já marcavam uma hora tardia, ultrapassando as duas da madrugada. O cheiro de hospital que agora era inalado pela minha respiração me deixava minimante enjoado, enquanto meus pés batiam incessantemente ao chão, deixando frisado meu nervosismo.
Embora eu exigisse a minha mente que esquecesse todos os fatos ocorridos durante a noite, era praticamente impossível olvidar o que acontecera. E essa incapacidade de se livrar de tais pensamentos era o que estava me remoendo por dentro. Pesava demais na consciência apenas em ter certeza que se não fossem minhas atitudes imaturas e irresponsáveis, absolutamente nada disso estaria em pauta.
Lancei um olhar cabisbaixo ao rapaz ruivo de estatura mediana e olhos esverdeados que se encontrava ao meu lado, e apenas encontrei um Hikaru em estado pensativo, provavelmente me crucificando pelos meus feitos. Sendo assim, eu não tinha coragem o suficiente para lhe dirigir qualquer palavra, pois tivera sido ele que sempre me alertava para não esconder um simples fato do loiro. E como sempre, não dei a mínima atenção.
– Senhores? – Uma voz quebrou o silêncio que se instaurava na sala – deserta- de espera da ala médica do cruzeiro. O timbre rouco e pouco sonoro pertencia ao médico que se encontrava de plantão naquela madrugada.
– O Naruto? Como ele está? – Perguntei apressadamente, sem esperar uma provável continuação por parte do doutor.
– Não se preocupe. O rapaz irá ficar bem. – Falou por fim, nos tirando um peso colossal das costas. – Ele apenas teve uma pancada muito forte na parte inferior da nuca, sequenciando em um corte não muito profundo, porém precisará passar o resto da noite em observação.
– Mas sabe, ainda há algum risco dele... – Foi a vez de o ruivo demonstrar sua preocupação.
– Felizmente não. Os exames comprovaram que não há nenhuma extensão dos danos, então podem ficar tranquilos. Se algum dos dois quiser passar a noite com seu amigo, está liberado. Mas apenas um.
Hikaru olhou para mim com uma expressão meiga, da qual eu confesso que já sentia muita falta, e acenou com a cabeça, respondendo assim uma pergunta que eu apenas havia imaginado. O abracei fortemente, e sussurrei um obrigado para si. Despedimos-nos então, e o aquele senhor senil e calvo, trajando um jaleco branco me guiou até o quarto onde Naruto se encontrava em leito temporário.
O médico apenas me acompanhou até porta, e se retirou, deixando apenas a mim, e Naruto sozinhos naquele aposento. O cômodo não era deveras grande, mas era confortável e devidamente asseado. Encontravam-se apenas uma cama, na qual repousava o loiro, uma cadeira ao lado e algumas estantes no canto esquerdo da parede.
Acomodei-me ao lado do seu corpo adormecido, sentindo meus olhos lacrimejarem enquanto tocava sutilmente àquelas listrinhas marcadas em suas bochechas. Seu cenho cerrava involuntariamente, reagindo instintivamente aos meus toques. A pele já voltava para a cor original, um branco bronzeado de maneira incomum. O fato de estar dormindo tão calmamente me deixava mais sossegado, permitindo-me assim conseguir adormecer um pouco. Mas o que viria depois ainda era de extrema preocupação.
(x-x-x)
Despertei espantado, ouvindo alguns toques serem dados à porta. Levantei-me da cadeira sentindo minha coluna estalar de forma dolorosa. Pela forma que havia dormido, minhas costas latejariam durante todo o dia. Não ousei pronunciar sequer um xingamento, pois Naruto ainda se encontrava adormecido. Caminhei até a porta proferindo alguns resmungos, e uma enfermeira jovem e com um sorriso gentil estampando em sua face adentrou o cômodo com uma bandeja de café sendo carregada.
Após ter realizado algumas sondagens nos loiro, a mulher de cabelos negros e olhos castanhos se retirara. Lembro-me de ter ordenado para fazer o possível para não acordar Naruto agora, para que o deixasse descansar o máximo que fosse necessário. Curiosamente ela mesma fora responsável por descumprir o que havia dito. Ao sair, o estalo que porta ecoou ao ser fechada, fizera aqueles orbes azuis-celeste se abrirem assustados.
– Você dorme tanto que poderia facilmente hibernar com os ursos. – Comentei, enquanto colocava o café da manhã ao seu lado. Recebi apenas uma tentativa de sorriso, seguida por uma expressão nada animadora.
– O que houve comigo? Depois de eu ter... Você sabe... – Seus olhos se mantinham firmes aos meus, procurando minuciosamente algum sinal de veracidade.
– Pelo que disseram você escorregou em uma pedra de gelo e acertou com nuca na borda da piscina. – Respondi de cabeça e voz baixa, envergonhado ao receber seu olhar. – Mas o médico já disse que foi apenas a pancada, e hoje você possivelmente já terá alta.
– Hum, isso é bom... – Suspirou aliviado, para depois voltar a me encarar seriamente. – Sasuke, nós já passamos por tantos problemas, mesmo estando juntos há tão pouco tempo. E ainda me pergunto como continuamos juntos. Mas eu acho melhor a gente dar um tempo.
O que dissera não fora um choque tão grande assim, pois eu já levava em consideração essa hipótese há algumas horas. – Eu só queria que você soubesse que, eu sinto muito por tudo que aconteceu. – Minha pose se mantinha entristecida, desiludida. Eu já não tinha orgulho mais, pois sabia perfeitamente que a culpa era minha.
– Olha, eu ainda estou um bem cansado, e to sentindo uma dor de cabeça que está me matando. Acho que a gente pode adiar essa conversa, não é?
– Também acho que seja melhor. – Levantei-me da cadeira com certa monotonia, e lhe aderi um olhar de até logo. – Vou deixar você descansar então.
– Obrigado. – Despedi-nos com um singelo aperto de mãos, e assim deixei o local, com o coração mais apertado que qualquer momento em minha vida.
(x-x-x)
Enquanto o dia decorria, eu procurava sempre deixar meus pensamentos longe do que mais me afligia no momento. Óbvio, era muito mais fácil Bill Gates declarar falência, do que eu esquecer sobre Naruto. Mesmo tendo quase certeza que ele não daria mais seguimento nessa história, alguma fagulha de esperança ainda queimava no meu interior. Infelizmente, essas míseras faíscas doem bem mais do que o imaginado quando apagadas sem qualquer consideração.
Sentado em um banco mais afastado daquela multidão aglomerada de turistas, meus pensamentos fluíam tão alto que mal percebi a companhia que viera a se sentar ao meu lado. Quando notei de quem se tratava, não me surpreendi tanto, pois imaginava que uma hora ou outra ele viria falar comigo. Seu olhar também era vago, apreensivo; mas não perdia miseramente aquela beleza travessa.
– Você já não causou problemas demais para uma viagem só? – Perguntei àquele ruivo, com seus cabelos sendo esvoaçados pelo uivo do vento marítimo. Ao contrário do que possa aparentar, eu não me encontrava nervoso, muito menos irritado. Minha mente já se ocupava com tantas outras coisas, que não sobrara tempo nem para me estressar com Yahiko.
– Eu sei. E é por isso que venho aqui. Quero que você me desculpe pelas coisas ridículas que eu fiz durante esse tempo todo. Eu agi feito uma criança... – Ele por sua vez, exalava ares de arrependimento.
– Hum, digamos que você luta pelo que quer, não é? – Fiz uma ligeira pausa, continuando logo em seguida. — Enfim, o que aconteceu, aconteceu. Não podemos fazer mais nada.
– Então, quer dizer que você perdoa? – Olhou-me de forma atônita.
– Claro. Por que não? Aliás, a culpa não foi inteiramente sua. Quando um não quer, dois não brincam, certo?
– É, por um lado você tem razão. – E finalmente ele resolvera parar de olhar daquela forma para mim, e apenas esboçara uma feição contente em seu semblante. – Nós podemos continuar sendo só amigos?
– Não vejo mal nenhum nisso.
– Ótimo. Acho melhor eu ir então. Não quero mais importunar você. – Apenas sorri com o canto dos lábios, e me despedi dele.
– Até mais...
(x-x-x)
O sol aos poucos mergulhava seu gigantismo majestoso na linha do horizonte. Enquanto emergia oceano adentro, refletia para o mundo exterior aquele jogo de luzes alaranjadas – do qual me lembrava de muito o cabelo do Yahiko – típicas de um fenômeno nada raro como o pôr do sol. Aos poucos, os ventos deixavam de conter a brisa suave da tarde, e se prostravam a carregar os ares gélidos do anoitecer.
O fato de estar num ambiente sozinho contribuía ainda mais para sentir meu corpo estremecer com o cair da temperatura. Mas era melhor dessa maneira. Naquele momento eu procurava ficar sozinho o máximo de tempo possível. Precisava por os pensamentos em ordem, e tentar refletir um pouco sobre tudo o que ocorrera na minha vida durante os últimos meses.
– Você sempre me assusta quando fica pensativo desse jeito, sabia? – Arrepiei-me quando senti aquela voz tão peculiar alcançar meus tímpanos.
– Não se preocupe. Não estou planejando assassinar ninguém por hora.
– Desde que não seja eu a ser morto, tudo bem. – Tentara novamente sorrir. – Sasuke, Yahiko esteve comigo hoje, e me contou sobre o que vinha acontecendo entre vocês dois.
– Eu não sei que ele te disse, Naruto. Mas eu só quero deixar bem claro que nós dois tivemos culpa nisso tudo, e não apenas ele.
– Entendo. Eu fiquei muito impressionado ao saber que Yahiko curtia caras também. Sabe, nós vivemos nossa vida inteira juntos, e eu nunca sequer suspeitei de nada.
– Existem pessoas que simplesmente conseguem disfarçar isso de todos a sua volta.
– Enfim, Sasuke. Eu passei praticamente a tarde toda inteira pensando, e acho que mantenho a mesma opinião que conversamos hoje cedo.
– Então, quer dizer que a gente acaba por aqui? – Não suportei segurar uma lágrima que insistia em rolar há muito tempo.
– Não exatamente. – Senti-o limpando a gotícula que descia pelo meu rosto com seu dedo polegar. – A gente só precisa de um tempo. Pra crescer, amadurecer um pouco mais... E talvez conhecer outras pessoas.
– Naruto... – Suas últimas palavras; essas sim me abateram mais do que imaginei. Não resisti em ficar apenas observando-o, e necessitei tê-lo em meus braços pelo menos uma última vez. – Eu só queria que você me perdoasse por tudo.
– Não fala assim. – Disse meigamente, enquanto afagava meu cabelo. – Essas coisas acontecem, fazem parte da vida. – Quanto mais ele dizia, mais partido sentia meu coração ficar.
– Uma vida que eu consegui estragar. Essa parte da nossa vida.
– Não é um final, Sasuke. Às vezes é apenas um começo. — Me desprendi dos seus braços, e voltei a encará-lo mesmo com olhos cheios d’água.
– Tem razão. É hora de cada um seguir em frente. Simplesmente não deu certo.
– Talvez um dia a gente possa... Tentar outra vez.
De início, pensei estar vendo coisas, mas depois realmente me dei conta que o loiro também estava se segurando demasiadamente para segurar suas lágrimas. Ele também estava sofrendo, pois ainda gostava de mim acima de tudo. Só que era pedir demais outra chance. Eu não era merecedor disso.
– Acho melhor eu ir agora. – Sugeriu, tendo em mente que não suportaria mais muito tempo.
– Tudo bem. A gente se vê por aí, não é?
– Claro...
(X-X-X)
– Você não perdeu ele, Sasuke... – Falou pausadamente. – Não ainda.
– Se ele não quiser me dar outra chance?
– Se ele te ama ainda, você pode ter certeza que ele vai te querer de novo.
– Eu não sei...
Hikaru novamente me abraçou, mostrando sua fidelidade como amigo ao ficar ao meu lado em situações como aquela. Mesmo com meu emocional completamente desestruturado, sua capacidade de animar os outros era inteiramente fundamental para mim. A pouca esperança que havia em mim ainda, poderia vingar novamente.
– Vocês só precisam dar um tempo.
– É, talvez tenha razão.
– Mas há um porém. Esse estágio frágil que a pessoa se encontra após terminar um relacionamento é crítico.
– O que quer dizer? – Inquiri já sabendo qual seria sua resposta.
– Se ele conhecer outra pessoa agora é fatal.
– Tenho noção disso.
– Sasuke, só quero te dizer duas coisas.
– Diga.
– Primeira: O Naruto não irá te esquecer da noite pro dia. – Sua expressão era séria agora, o que me assustava um pouco. — Segunda: eu não vou te perdoar se você perder aquele loiro.
– Eu sei Hikaru... Eu sei.
Notas finais
Thank you, e continuem deixando, por favor.
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