I Can Only Look At You
13 Capítulo 13
Notas iniciais
E as recomendações? Pois é, realmente fiquei chateado com vocês.
Meus olhos abriam vagarosamente ao sentir aquela brisa fresca de uma manhã de verão se chocando contra meu corpo, e o sol aquecendo o cômodo de forma agradável. O som das ondas se chocando com o casco do navio, porém, me faziam querer passar mais tempo envolvido nos meus lençóis. Apesar de toda monotonia que eu apresentava para despertar, acordei rapidamente ao ser assustado com um peso sobre meu corpo.
- Mas o quê...? – Pestanejei, ao sentir alguém prendendo minhas pernas e braços contra o coxão.
- Demorou a acordar, hein. – Me deparei com aqueles olhos castanhos sobre minha face, encarando-me como se fosse um pedaço de carne a ser servida.
- Yahiko! – Tentei tirá-lo de cima de mim, mas não consegui devido à maneira como me prendia. – É melhor você sair de cima de mim, ou eu juro...
-... Vai fazer o quê? – Merda! Assistir àquele sorriso debochado era quase como provar do próprio veneno. – Não tente me recusar, Sasuke. Eu sei que você não resiste... – Senti sua respiração quente arrepiar-me num toque singelo entre seus lábios e meu pescoço.
Estremeci por inteiro ao sentir alguns beijinhos serem depositados naquela parte tão sensível. Praticamente parei de relutar, esperando para que desse uma continuidade. O canto dos seus lábios já prostrava uma marca positiva, extremamente contente por confirmar sua influência sobre mim. Droga! Mas por que diabos eu não conseguia reagir?
- Eu sabia que você me queria. – Disse, ao roçar levemente nossas bocas. Aquele foi o ápice.
- Chega! – Antes que nos beijássemos, reuni suplicadamente minhas últimas forças, e o empurrei para o outro da cama. – Nunca mais encoste em mim de novo. – Minhas palavras e o olhar esbanjavam ódio.
- Não fique assustado, Uchiha. – Sua risada cínica realmente me enlouquecia de raiva. Como aquela criatura que antes era tão amigável ficou daquela forma? – Você ainda vai ser meu.
Antes que eu me descontrolasse de vez e metesse um murro dos bem merecidos naquela cara ruiva, saí daquele local. Bufando nervosamente, procurei por Naruto e Hikaru ainda, na esperança que algum dos dois ficasse por perto, pra evitar futuros problemas; porém em vão. Rapidamente, antes que Yahiko resolvesse me atacar novamente, troquei a roupa que havia dormido, e subi para o casco do navio.
Embora ventasse muito, o calor ainda era muito maior na parte de cima. Eu apenas usava uma regata justa e uma bermuda mais folgada. Enquanto caminhava atentamente pela área recreativa – abarrotada de pessoas, diga-se de passagem -, procurando avistar alguém conhecido, acabei por encontrar Kiba, conversando com algumas garotas, próximo as cadeiras de praia.
- E aí, Uchiha. Como andam as coisas?
- Não muito bem, embora não seja da sua conta, não é?
- Nossa! Estressado a essas horas manhã...
- Que seja. Enfim, viu Naruto ou Hikaru por aí?
- Hikaru passou mal agora pouco por conta da maresia. Acho que Naruto o acompanhou até a enfermaria.
- Humpf! Era só o que me faltava.
Ainda necessitei pedir algumas informações para saber como se chegava à ala médica naquele lugar tão gigantesco. Depois de algum tempo me perdendo convés adentro, cheguei ao lugar. Encontrei ambos sentados nas cadeiras de espera, onde o loiro usava da sua característica especial para tentar alegrar o ruivo, ligeiramente abatido.
- Mas o senhor é um frouxo mesmo, não é? – Dei-lhe uns tapas nas costas, recebendo um olhar de poucos amigos. – Já estava planejando nossas baladas, bebedeiras e tal. Mas que pena, não é mesmo?
- Não se preocupe, Sasuke. – Falou sarcasticamente. – Eu prometo que fico melhor até mais tarde.
- Boa sorte então.
Após o médico ter receitado apenas alguns remédios para enjôo, deixamos a enfermaria rumando a nossa cabine. Rezei a todos os deuses existentes nos meus conhecimentos para que o desgraçado do Yahiko não estivesse por lá quando chegássemos. Infelizmente não fui agraciado com nenhuma benção divina. O ruivo-laranja estava deitado em sua cama, aparentemente ocupado com um livro.
Passei reto, sem ao menos olhar em sua cara. Dirigi-me até a varanda do cômodo, sentando numa das cadeiras e ficando a encarar aquela imensidão azul. Embora odiasse admitir, eu estava com medo. Medo de o loiro acabar descobrindo esse enrolo todo, culminando em outra besteira minha. Mas depois de der dito nos seus olhos que eu não havia me envolvido com alguém, eu não podia simplesmente desmentir tudo agora. A bola de neve já tinha crescido o suficiente para não me permitir voltar atrás.
- Por que está tão pensativo, hein? – Assustei-me ao notar Naruto sentando-se ao meu lado, beijando levemente minha bochecha.
- Não é nada. – Falei naturalmente, sério. – Apenas refletindo a vida.
- Hum, e que conclusões nós tiramos dela? – Perguntou sorridente.
- Que é simplesmente uma grande merda.
- Você é um moreno muito resmungão, sabia? – Puxou-me pela gola da camisa até seus lábios encontrarem com os meus. – E isso te deixa muito fofo.
- A próxima vez que você me chamar de fofo, Uzumaki... – Falei emburrado, e corando ao mesmo tempo. – Eu juro que te castro!
Ele fez uma careta embaraçada, e voltou a me beijar, certificando-se antes que Yahiko estava bem ocupado. Uma de suas mãos me segurava pela minha cintura, e a outra afagava minha franja da maneira que apenas ele fazia. Simplesmente me enlouquecia. Quando senti que o beijo já estava tomando proporções maiores, nos separei rapidamente, deixando um estalo ecoar pelo ambiente. Por sorte apenas nós ouvimos.
- É melhor irmos até aqui, senão daqui a pouco você não vai aguentar segurar esse volume aí embaixo. – Ainda frisei a palavra volume, apertando-o levemente por cima da calça.
- Sasuke! – Protestou, enrubescido.
- Desculpe! – Sorri de canto.
Antes que o loiro me desse alguns cascudos, resolvemos dar um passeio pelo navio, e talvez encontrar alguém da turma. O ruivo ainda não se sentia muito bem das náuseas, então resolvera ficar. Naruto ainda tivera a brilhante ideia de chamar Yahiko, mas por sorte este se encontrava cochilando sobre o seu tão interessante livro.
Andando lado a lado, por onde passávamos era notória a maneira como chamávamos a atenção alheia. Ao contrário de mim, Naruto usava uma camisa mais larga e uma bermuda comum, o que não lhe deixava tão chamativo quanto eu, usando uma camiseta mais apertada. Mesmo sendo tão disperso como era aquele loiro, até ele não deixara de reparar. Seu semblante passou de sorridente-como-sempre para um pouco enfezado.
- Tanta camisa pra você vestir, e tinha que ser uma tão justa. Agora metade do navio está te comendo com os olhos.
- Isso são ciúmes, Naruto? – Ele apenas fez um bico manhoso, e virou a cara. – E pelo visto não são só eles querendo me comer por aqui.
- Bastardo!
- Ah, console-se ao saber que eu não sou o único a ser desejado por aqui. A outra metade está babando por você. – Eu não transparecia, mas também estava me roendo de ciúmes. Queria poder mostrar a todos naquele convés que ele era só meu, e de mais ninguém.
Apesar de toda minha obsessão possessiva, tive que me conter. Não demorou muito e já estava na hora do almoço ser servido nos diversos restaurantes espalhados pelo saguão. A turma havia combinado de se encontrar novamente, e mais uma vez Naruto insistiu para que fossemos. Voltamos ainda ao quarto para tomarmos um banho e trocar de roupas. Apenas o nosso ruivo ainda se encontrava por lá, pois o de cor laranja havia saído – Amém.
Como Hikaru ainda se encontrava indisposto a sair dos seus aposentos, fomos apenas nós mesmos. Encontramos como pessoal por lá, rolou aqueles típicos cumprimentos irritantes, assuntos nada interessantes, e essa baboseira toda. Era preferível estar lendo alguma coisa. Pelo menos isso incrementava alguma produtividade.
- Vou levar algo pro Hikaru comer. – Sussurrou para mim, enquanto ainda estávamos à mesa. Apenas consenti. Naruto não demorara muito, havia voltado alguns minutos depois. Porém comentou que o ruivo estava um pouco estranho.
- Estranho de que forma? – Inquiri-o.
- Eu não sei. Ele estava meio nervoso, parecia que tinha algo incomodando ele.
- Ah, deve ser a maresia de novo. Sabe como ele é complexado com esse tipo de coisa. – Falei apenas para não preocupar o loiro.
— É, talvez seja.
Pelo resto da tarde permanecemos com a turma. Variamos as atividades entre os salões de jogos à área da piscina. Mas acima de tudo, todos se encontravam apreensivos e ansiosos para a primeira noite em que a boate do cruzeiro funcionaria. Pensei até em inventar alguma desculpa para não precisar comparecer, mas o loiro foi ágil ao dizer que eu não conseguiria enganá-lo tão facilmente.
Quando o relógio já marcava apenas alguns minutos depois das nove da noite, comecei me aprontar, junto ao loiro. Observei que o ruivo se encontrava deitado ainda, sinalizando que não abandonaria sua cama nem tão cedo. Já o outro ruivo também se arrumava para sua noite. Que seja bem longe da minha!
- Hikaru, tá esperando seus serviçais virem te arrumar, por acaso? – Perguntei.
- Podem ir se divertir. Eu não vou.
- Qual é, ruivo? Não é possível que ainda esteja mal.
- Não é isso. – Tentara disfarçar sua feição com um sorriso amarelado. – Eu apenas estou desanimado.
- Escute, é melhor você se levantar dessa cama e ir tomar um banho, antes que eu mesmo faça isso.
- Sasuke, eu já disse que...
- Ele tem razão Hikaru. – Dessa vez foi Naruto quem argumentou. – Acredite, não vai querer ter o Sasuke esfoliando suas costas, vai?
- Vocês não vão me deixar em paz enquanto eu não for, não é?
- Exatamente. – Falamos ambos juntos.
Hikaru apenas suspirou, se dando por vencido. Enquanto esperávamos pelo seu banho, Yahiko já se encontrava de saída. Cumprimentou a nós dois, novamente me olhando daquela forma tão incomodativa. Céus, mas que problema fui arrumar. Vivi minha vida inteira sem nenhum cara se interessar por mim, e de repente me aparecem dois de uma só vez. Ironia do destino? Não, de irônico já basta a mim.
- Vamos então? – Apareceu Hikaru, vestido impecavelmente, assim como Naruto.
- Caprichou ruivo. A mulherada vai cair aos seus pés.
- A intenção é essa, não? – Por uns instantes pensei que houvesse um nó em sua garganta, de tão esquisita a forma que soou essa frase. Ficara nervoso tão subitamente!
- Enfim, vamos. Todos já devem estar por lá. – Apressou-nos o loiro, desconectando-me dos meus pensamentos.
O local não era como aquelas tradicionais boates, com um único cubículo apertado, completamente lotado de pessoas se esfregando por todos os cantos. Era bem mais civilizado que isso. Havia, obviamente, todos aqueles jogos de luzes frenéticos, mas apenas na pista de dança. Mais um pouco afastado, havia algumas mesas disponíveis e alguns bares espalhados pelos cantos. São nesses lugares que começam a preparação para a noite.
- E aí, estão a fim de dançar muito essa noite?! – Kiba praticamente gritava, pois era a única maneira de se falar naquele local. O som da música chegava a ser doloroso aos ouvidos.
- Eles dois vão dançar. – Apontei para o ruivo e o loiro. – Eu apenas fico observando.
Com o passar do tempo, os conhecidos mais próximos iam chegando e se sentando a mesa. À medida que o álcool descia pelos seus esôfagos e alterava as percepções de comunicação dos seus cérebros, vulgarmente falando, ficando mais soltas, as pessoas se encaminhavam para pista de dança, onde liberavam para o público toda aquela extroversão encoberta por algumas camadas de vergonha ou orgulho. Era exatamente o que acontecia comigo; por tal fato, eu não bebia.
Eu o ruivo despojamos do máximo que nossa paciência compreendia para evitar que loiro passasse da conta. Nobre esforço, mas não que tenha adiantado deveras muito. Naruto sempre fora muito fraco para bebidas, e por se tratar de um cabeça de noz – duro por fora, e quase oco por dentro – caía facilmente nas pilhas que a rapaziada assentava. Volte e meia eu fuzilava algum dos meninos com olhos, exigindo que maneirassem, porém pouco funcionava quando todos já estavam com a cabeça alta.
- Vamos dançar, Sasuke. – Aquele hálito de vodka misturada com limão me dava enjôo.
- Só se for na sua cabeça.
- Qual é? Só uma dança, por favor. – Embora ele implorasse com aqueles olhos de cão que caiu da mudança, essa ideia estava fora de cogitação.
- Já disse que não!
Ele fez novamente aquela cara manhosa, mas nem obteve de tempo para protestar mais. Kiba e mais alguns outros caras arrastaram-no para o meio da pista. Hikaru me aconselhava a ficar o tempo inteiro de olho, já que nesses tipos de lugares os caras mais bonitos eram um banquete a ser servido a uma multidão faminta; e alguns simplesmente não tinham vergonha de cair – literalmente - com a boca no prato. Mas eu já tinha essa noção. Por mais que minhas emoções não mostrassem, eu vigiava aquele loiro como um leão observava sua presa.
- Sasuke, meu gatinho! – Aquela garota de cabelos escandalosos sempre aparecia nos piores momentos, e ainda com aquela mania irritante de ficar me agarrando. – Me beijou e me abandonou completamente, não é? – E pelo cheiro, também não estava sóbria.
- É, digamos que aquele dia eu só precisava repor o tempo perdido. A primeira escolha foi você, então se sinta lisonjeada.
- Você é um maldito de um cachorro, sabia disso? – Apenas dei com os ombros, e a deixei de lado, que saiu batendo os pés, nada satisfeita. Precisava jogar Sakura pra escanteio de uma vez, por mais cruel que tivesse que ser.
Endureci o cenho e a apertei os olhos, procurando atentamente onde aquele loiro desavisado poderia estar. Infelizmente, mal percebi que sua presença estava há certo tempo por trás de mim, como se procurasse atentamente observar-me também. Encarei aqueles orbes azulados olhando de forma séria para mim. Alguma coisa certamente não o havia agradado, e algo me dizia que tinha a ver com a rosada.
- Isso que você fez foi maldoso, Sasuke.
- Como assim? – Sorri sinicamente. – Eu só dei um fora nela. Queria que eu a continuasse iludido, por um acaso?
- Não, não queria. Mas você bem que podia ser um pouco mais sensível com as pessoas.
- Me poupe, Naruto. – Apanhei meu celular que estava em cima da mesa, e me levantei. – Me procure quando estiver mais sóbrio, ou se cansar de dançar com seus amigos.
Abandonei a boate de uma vez, antes que me estressasse mais ainda com Naruto. Convidaria até Hikaru para se retirar comigo, mas este havia ido ao banheiro e não voltara desde então. Caminhei um pouco pela parte exterior do convés, assistindo aquela movimentação gigantesca de pessoas, indo de festa a festa.
Não estava tarde quando resolvi voltar para a cabine; meu relógio de pulso acabara de apitar meia noite. Minha cabeça estava tão compactada com outros pensamentos, que praticamente me esqueci de algo que, definitivamente não era para ser esquecido.
- Sasu... – Olhei para trás, e praticamente não tive tempo de reagir àquelas mãos fortes me segurando contra a parede do quarto. – Como você tá lindo essa noite!
- Yahiko. – Minha voz era quase implorante. Embora eu sacudisse bruscamente meus braços, tentando me afastar do seu abraço, sabia perfeitamente que não conseguiria me desvencilhar dele.
Contudo, me imobilizei novamente ao sentir aquela boca deslizando suavemente pelos meus lábios. Vamos Sasu, não diga que não me quer. – Sussurrou sensualmente no meu ouvido, em seguida mordendo provocativamente meu lóbulo. Como da última vez, eu subitamente parara de relutar contra ele. Diabos! Por que estar perto dele assim era tão bom?! Eu sei, Yahiko também mexia comigo, mas eu não podia deixar isso acontecer.
Senti sua boca colando a minha vagarosamente. Meu lábio superior foi capturado primeiro, para logo mais sentir ambos pedirem apressadamente passagem para que nossas línguas se encontrassem. Suas mãos não estavam passeando pelo meu corpo como imaginei que seria, mas se encontravam entrelaçadas as minhas. Meu coração bateu mais forte; e isso era um problema inimaginável.
- Sasuke, não! – A voz do outro ruivo ecoou pelos meus canais auditivos, me fazendo arremessar Yahiko o mais distante possível de mim. Hikaru ainda se encontrava parado na porta, olhando para mim de forma incrédula. Mas não era ele que me preocupava... Naruto também havia presenciado a cena.
Apenas lancei um olhar choroso aos dois que ainda estavam no cômodo, e me lancei a correr atrás de Naruto. Céus, o que eu fui fazer? Procurei por cada corredor dos andares inferiores, e nada. Eu já me sentia a beira das lágrimas, apenas por imaginar na besteira que havia deixado acontecer. Resolvi sondar pelas partes externas do cruzeiro, e enquanto olhava desesperadamente para cada pessoa que vinha a minha a frente, ouvi um berro histérico ser dado por uma mulher próxima à área da piscina.
Um amontoado de pessoas formava um circulo em torno de algo que eu ainda não havia conseguido identificar. Infiltrei-me naquela fortaleza humana e, sinceramente, preferi que não tivesse feito isso. Assistir o corpo de Naruto estirado ao chão e desacordado, fora o suficiente para me derrubar por dentro. Empurrando todos que se encontravam a minha frente, me ajoelhei ao seu lado, com lágrima em demasia descendo pelo rosto, implorando para que alguém fosse chamar algum médico.
- Por favor, Naruto, não... –Implorei, ao sentir um líquido viscoso e quente na minha mão, ao segurá-lo pela nuca. Beijei sua cabeça, e abracei com força seu corpo inconsciente.
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