I Can Love You More Than This
2 Capítulo 2: Praia
Notas iniciais
Terminei de tomar o café da manhã, tomei um longo banho (incluindo o pacote de show particular e dor de cabeça para os meus vizinhos), vesti um biquíni e coloquei um vestido por cima. Eu estava pegando a minha bolsa, no meu quarto, quando ouvi o som de buzinas – “Bryan.” – pensei, automaticamente, sorrindo. Desci, peguei as chaves reservas que estavam em cima da geladeira e saí, trancando a porta da frente.
— Carro novo? – perguntei, olhando para o carro sem teto preto.
— É, sabe como é... – Bryan sorriu, saindo do carro, abrindo a porta para mim.
— É o terceiro desse ano. – comentei, entrando no carro e fechando a porta em seguida.
— Você sabe, né... – ele comentou, sorrindo, entrando novamente no carro, fechando a porta. Parou por um instante e me olhou. – Eu sou louco por carros.
— Aí sua mãe e seu pai bancam isso tudo. Você é daora. – ri, colocando o cinto de segurança.
— Eu sei. – ele sorriu, colocando o cinto de segurança, dando a partida. – Mas não vim te buscar à toa. Que história é essa de ir para Londres e não me contar?
Respirei fundo e encarei Bryan.
— Eu juro que ia te contar...
— Ah, sim... E quando? Né, porque você e a Lu vão depois de amanhã e se não fosse por aquela fofoqueira, eu não saberia de nada. – ele me olhou de esguelha, enquanto dirigia. Bryan parecia estar chateado.
— Bryan, não quero brigar, ok? Então, por favor, vamos trocar de assunto? – falei, secamente, evitando olhar para o garoto.
— Ok... – ele respondeu, respirando fundo, batucando nervosamente no volante. – Mas enfim, né... O que você tem feito?
— Bryan, a gente se viu anteontem... – comentei.
— Eu sei... Você não percebe que eu estou tentando puxar assunto? – Bryan sorriu, dirigindo.
— Se eu falar o que eu tenho feito, vamos voltar ao assunto anterior e acabaremos discutindo. – respondi, respirando fundo.
— Ok, então... – pairou um silêncio incômodo dentro do carro. Lançávamos olhares de esguelha um para o outro e não falamos mais nada pelo resto do caminho até a praia de Copacabana.
O sol estava forte. Eu e Bryan estávamos sentados na areia, olhando o mar. O garoto ainda parecia estar chateado. Nenhum de nós falou nada. Apenas admirávamos o mar e suas ondas. A brisa da tarde batia levemente em nossos rostos.
— Vou sentir saudades... – por fim, Bryan quebrou o silêncio. O olhei, sorrindo.
— Eu também...
— Cê jura que vai me ligar ou tentar se comunicar comigo? – ele fez biquinho, sorrindo. – Não vou aguentar de tanta saudade.
— Eu juro. Bobo... – sorri. Eu e Bryan éramos amigos desde a quinta série. O garoto havia repetido o ano e, graças a um trabalho de Ciências, viramos amigos. Já a Lu, eu conheço desde os oito anos, quando eu havia me mudado para o Rio.
Mais uma vez nos encontrávamos em absoluto silêncio, apenas ouvindo as outras pessoas falando e o barulho das ondas.
— O que você fará com a escola? – ele perguntou, respirando fundo.
— Intercâmbio... De um mês. – deixei escapar a última frase. Bryan me olhou, incrédulo.
— Um mês, Gabriela Ribeiro de Sousa?
— Você achava mesmo que eu só ia pra lá pra conhecer o elenco de Harry Potter? – perguntei, indignada. – Meus pais acharam uma boa alternativa para eu tentar reforçar algo na escola.
— Bom saber que você e a Lu vão me deixar aqui. Muito bom mesmo... – ele se levantou, irritado.
— A gente não vai te deixar aqui, besta. É por um mês! – exclamei, me levantando também.
— Olha, não esquenta mais a cabeça com isso, tá? Vai pra lá logo e vê se me deixa em paz... – ele se virou e saiu andando.
— Bryan, para com isso. Deixa de ser criança. – gritei, indo atrás de Bryan. — Volta aqui, filho duma mãe. – segurei o braço dele, apertando o mesmo.
— Me solta, merda. – ele resmungou, virando-se para mim.
— Só se você parar com esse showzinho. Chega ok? Eu te falei que volto. Quantas vezes você me viu descumprir uma promessa? – o encarei, irritada.
— Nunca... – ele murmurou, se soltando.
— Então para, ok? É só um mês. Um mês passa rápido... Acho. – murmurei a última palavra.
— Olha que se não passar rápido, eu vou até lá pra te buscar, feiosa. – ele me abraçou.
— Avá que seus pais vão bancar viagem pra Londres. Seu bipolar viciado em carros. – sorri, passando o dedo indicador na ponta de seu nariz.
— Ué, eles bancam os meus carros. Por que não uma viagem para Londres? – Bryan sorriu, divertido.
— Vá com um dos seus milhões de carros. – retorqui, sorrindo.
— Eu não. Aí eu que vou ter que bancar, enchendo o tanque toda hora. Não mesmo...
— Você é um bobo mesmo... Não se enxerga. Dezoito anos na cara e tá querendo ser bancado pelos pais... Vê se pode, malandro... – ri, bagunçando o cabelo do garoto.
— Não mexa no meu cabelo sexy. – Bryan fingiu irritamento, arrepiando novamente seus cabelos.
— Ele não é sexy... – impliquei, olhando para os cabelos de Bryan. – Ele é tenso.
— Tenso é o caralho. O meu cabelo é sexy. – ele riu, bagunçando meus cabelos. – E se você quer saber, seu cabelo é que tá tenso.
— Claro, né. Você acabou com ele, palhaço. – ri, pulando nas costas de Bryan. O mesmo me segurou firme e saiu correndo pela praia, até quase cair em cima de mim.
— Correr cansa. – ele comentou, levantando da areia, rindo. – Pior ainda com uma baleia nas suas costas.
— Daqui a pouco você vai ver quem é a baleia, filho duma quenga. – eu ri, fazendo uma careta enquanto me levantava.
— Você me ama, eu sei. – ele sorriu, tirando a areia da roupa. – Não vive sem mim.
— Você é um convencido, eu sei. Não vive sem se elogiar. – sorri ironicamente.
— Eu também sei elogiar os outros, sabe... – Bryan sorria. – Por exemplo... Esse seu vestido aí, ficou legal.
— Vá se foder, Fletcher. – fiz um gesto obsceno com a mão direita, rindo.
— Nunca mais faço elogios, feiosa. – ele fez biquinho. – Agora vamos para o mar porque não viemos para ficarmos um xingando o outro.
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