I Can Feel

49 Capítulo 49 - Lar é Onde o Coração Está


Notas iniciais
Oi minha gente! Como vocês estão? Espero que bem. Obrigada às lindas almas que comentaram no último capítulo e chegamos no capítulo 49! A primeira parte do capítulo eu dei uma mudada e é uma narração do Max, mas nada demais. Espero que vocês gostem e até o próximo capítulo.

Lar é onde o coração está,

É aonde começamos,

Aonde pertencemos, cantando

(Home Is Where The Heart Is)

POV Max

—Cara, esse ano nós vamos nos formar. -Alex diz bebendo um grande gole de cerveja.

—Vocês são uns bebês. -Falo zombando enquanto passo um pano úmido pela mesa.

—Cale a boca, velhote. -Alex diz com uma careta. –Ei. -Ele diz após uma pausa. -Eu consegui uns caras para tocar comigo na minha banda. Na audição encontrei um monstro na guitarra e um vocalista um pouquinho desafinado. Mas só um pouquinho mesmo. Em compensação, ele consegue fazer um beatbox irado. Você acha que consegue arrumar algum lugar pra gente tocar?

Jogo o pano úmido por cima do ombro e paro para pensar um pouco. -Talvez. Quando eu for para São Paulo eu resolvo isso. Vocês têm pressa? -A minha situação no trabalho é um pouco complicada. Sou um simples garçom, mas o ex-chefe parecia confiar muito em mim e agora me chamou para ter uma conversa na nova sede do restaurante em São Paulo. Aparentemente uma nova vaga de emprego vai surgir aí, uma melhor, espero, com um salário mais alto para que eu e Miranda possamos viver bem.

—Não. Demore o tempo que você precisar. Na verdade a gente ainda precisa de muito treino. E ainda nem achei um tecladista. –Ele diz coçando a nuca.

—Você precisa de um?

—Com certeza. De preferência para fazendo backing vocal. Cara, onde está Thomas? E a sua namorada maluca?

—Da última vez que eu chequei ele estava tentando falar com Isa no banheiro. Miranda deve estar se aventurando por aí. –Sorrio pensando na garota curiosa.

—Como vocês acabaram juntos? Até agora eu não entendi.

—Tem coisas que a gente não entende, meu amigo. -Dou tapinhas nas costas de Alex e pego o copo vazio em sua mão. Vou até o balcão e encho o copo com cerveja mais uma vez, levando-o para Alex em seguida. Quando chego, Thomas voltou a se sentar ao lado do amigo parecendo aborrecido. -O que foi, garoto?

—Isa disse que só vai chegar no fim de Janeiro. Já faz dez dias que eu voltei e parece que vou morrer. -Ele diz bebendo do copo de Alex.

—Pare com o drama. Nem parece que foi você quem ficou dois meses sem ela. E pare de beber minha cerveja! Peça para Max trazer um copo para você. É assim que você quer comemorar o seu aniversário, cara? Você já é maior de idade agora. Devia estar pulando de felicidade.

—Quem liga pra esse troço? Eu só estou mais próximo de morrer. -Ele resmunga e continua bebendo do copo de Alex.

—Você vai, sei lá, dar uma festa? –Alex pergunta interessado. Thomas franze o cenho.

—Não mesmo. Quem dá festas aqui é você. Cara, cadê os outros clientes desse lugar?

—Esse horário não é muito movimentado. -Falo enquanto arrumo as cadeiras das outras mesas do estabelecimento. Meu celular no bolso começa a tocar, e apesar de eu estar em horário de trabalho, atendo. -Fala, Miranda. Onde você tá?

—Fala baixo Max! E seja discreto. Thomas está com você?

—Sim. -Olho com o canto do olho para Thomas, que parece estar discutindo com Alex a respeito do copo de cerveja babado.

—Olha, Isa está no aeroporto agora.

—Que? Achei que...

—Ela quer fazer uma surpresa para Thomas. A gente precisa pegar ela lá agora.

—Agora não dá. Eu tô trabalhando.

—Seu turno não acaba daqui a pouco? São quinze para as quatro.

—Tá. Me dê quinze minutos então. O que eu falo para ele? -Pergunto baixinho.

—Sei lá. Fala que eu me perdi e que preciso da sua ajuda. Inventa alguma coisa.

—Fala sério, ele não é tão idiota pra acreditar nisso.

—Tente.

—Onde você tá?

—Eu tô na entrada do shopping.

—Por que ela ligou pra você?

—Pra eu falar com você, provavelmente. Quer dizer, você tem um carro.

—Tá, ok. Depois a gente se fala. Se cuida. -Desligo o celular e vou até Thomas e Alex.

—Quem era? -Thomas pergunta olhando feio para Alex uma última vez.

—Miranda. Ela está com problemas.

—Que tipo de problema? -Thomas pergunta com uma sobrancelha erguida.

—Problemas de Miranda. Aparentemente ela resolveu explorar fora do shopping e se perdeu.

Alex solta uma gargalhada. -Como ela conseguiu se perder nessa cidade minúscula?

—Típica atitude de Miranda. Quer ajuda? -Thomas pergunta. Bem, aparentemente Miranda adivinhou que ele iria cair nessa desculpa.

—Relaxa. Vou tentar achá-la e depois a gente se encontra. Podem ficar de olho aqui por mim até o outro funcionário chegar? Ele não vai demorar mais que dez minutos.

—Pode deixar cara. Ah, Max, cuide bem de Miranda em São Paulo, porque ela vai pirar. -Thomas diz terminando de tomar a cerveja do copo de Alex.

—Tô ligado. Mas tenho fé de que vai dar tudo certo. Você vão pra onde depois?

—Sei lá. -Alex diz pegando o copo vazio com cara de triste. -Não tô afim de ir pra casa.

—Onde está Evey? -Pergunto tirando o avental preto e colocando-o em cima da mesa.

—Aula de karatê. -Ele diz carrancudo. -Ei, Thomas, por que não vamos para sua casa?

—Tô na casa do meu pai. Minha mãe pegou uma tarefa fudida no trabalho pra entregar na segunda e me expulsou de casa durante o fim de semana.

—E daí? Não podemos ir para lá?

—Poder pode né. Eu não posso te impedir.

—Então fechou.

—Eu passo lá com Miranda depois, ok? Só me passa o endereço.

—Tá beleza. Boa sorte. -Thomas diz girando o copo do dedo.

—Tchau! -Alex se despede e eu corro para fora do restaurante segurando a chave do carro.

*****

POV Isa

A verdade é que os dias depois que Thomas foi embora foram bem chatos. Luke chegou e fizemos uma série de coisas, mas não foram coisas realmente divertidas. Eu queria apenas me certificar de que o que eu sentia por Thomas havia voltado realmente. E tudo voltou com muita força. Por isso, eu estava muito ansiosa para revê-lo e achei que uma surpresa seria uma ótima ideia. Chamei Max e Miranda, afinal, também queria conhecer a nova namorada de Max. E o melhor de tudo: eu iria me encontrar com Thomas no dia do seu aniversário. Quer presente melhor que este?

Sento-me apoiada na mala enquanto espero. Thomas havia me ligado assim que eu cheguei ao Brasil perguntando como eu estava e se já tinha alguma data para voltar. Obviamente, tive que mentir. Ele pareceu arrasado com a mentira, o que partiu meu coração. Mas era por uma boa causa.

—Isa! -Max grita a alguns metros de mim. Aceno para o garoto todo vestido de preto, cujo cabelo ainda está aparado rente à cabeça e um dos braços está se tornando quase totalmente coberto por tatuagens. Ao lado dele uma garota pequena corre para tentar acompanhá-lo com suas pernas pequenas. Bem, uma garota pequena bem estranha. Ela veste um vestido preto com detalhes verde-água nos babados e no busto, além de exibir um pequeno chapéu preto e sapatos pequenos com brilhos.

—Max! Que bom te ver! -Falo abraçando-o assim que ele chega perto. Ele dá batidinhas em minhas costas enquanto a garota, provavelmente Miranda, se apoia nos joelhos, ofegante.

—Ah! Isa, essa é Miranda. Tenho certeza de que você já ouviu falar bastante dela. -Max diz assim que eu o solto. Ele aperta a mão enluvada de Miranda que, já recuperada, também me envolve em um abraço repentino.

—É muito bom te conhecer. Eu estava superanimada para isso. -Ela diz dando pulinhos. Olho de soslaio para Max, que sorri. -Tipo, sério, Thomas e Max sempre falam de você então acho que você é demais! Na verdade, Thomas não parava de falar o quanto você era linda, divertida, inteligente e perfeita. Aposto que você é tudo isso! Podemos ser amigas? -Ela me olha com ansiedade e Max a puxa para perto dele.

—Você a está assustando. -Ele diz baixinho. -Já disse para você tentar falar mais devagar.

—Ah, desculpe. -Ela se vira de novo para mim e abre um sorriso mais controlado, como se tivesse treinado isso. -Podemos ser amigas?

—Claro. -Falo sorrindo também. Ela parece divertida apesar de tudo. Ela dá um gritinho de animação e Max tenta contê-la, o que chega a ser bem cômico. Pego a mala grande. -Onde está Thomas?

—Na casa de Christopher. Estamos indo para lá agora mesmo. -Miranda diz puxando Max para a saída do aeroporto.

—Vamos então.

Aguardo do lado de fora do apartamento enquanto Max e Miranda entram.

—Chegamos! -Miranda exclama.

—Boa tarde! Olá Miranda, é um prazer revê-la. -Ouço Christopher dizer.

—Meu Deus! Por que vocês demoraram tanto? Onde você estava Miranda? No Japão? -Thomas pergunta e eu abro um sorriso involuntariamente.

—Quase. -Max diz.

—Mas olha, compramos essa torta de limão no caminho. Pra comemorar seu aniversário! -Miranda diz.

—Parece deliciosa. -Ouço Marissa dizer. -Vamos cortar? Onde está Alex?

—Aqui, aqui! -Alex diz. -Eu estava no banheiro.

—Como vocês sabiam que eu gosto de torta de limão? -Thomas pergunta.

—Bem... Isso não é importante. Temos outra surpresa pra você Thomas. -Max diz. -Está preparado?

Thomas não responde nada e Max abre a porta do apartamento. Entro devagar e abro um sorriso.

—Feliz aniversário! -Exclamo. Thomas olha para mim com se eu não estivesse ali de verdade, depois abre a boca em um “O” e corre até mim. Me jogo em seus braços apoiando a cabeça na curva de seu pescoço enquanto ele me aperta contra seu corpo.

—Você veio. Você realmente está aqui. -Ele murmura perto do meu ouvido sem me soltar.

—Claro que vim. Eu não ia perder o seu aniversário por nada.

Thomas me dá diversos beijos e Alex trás minha mala para dentro do apartamento. Assim que Thomas me solta, trato de cumprimentar Christopher, Marissa e Alex, que também me dá um abraço caloroso.

—Ei, Evey vai surtar quando te ver. Todo mundo achou que você só fosse voltar no fim do mês.

—Mudança de planos. –Falo sorridente.

Miranda corre para ajudar Marissa a colocar e entregar os pedaços de torta em pratinhos decorados. –Olha, parece muito gostoso! Vamos, coma só um pedaço. Aposto que você vai gostar. É, eu e Isa escolhemos a melhor torta de todas. –Ela dizia animadamente enquanto entregava os pratinhos.

Thomas para atrás de mim e me abraça. –Você totalmente escondeu de mim que estava vindo para cá, né?

—Nossa, você me ligou assim que eu desembarquei do avião. Fiquei com medo de que você fosse descobrir e estragar minha surpresa.

Ele beija o alto da minha cabeça. –Que bom que você veio.

—Isa, acabei de ligar para Evey. –Alex diz enfiando um pedaço de torta na boca. –Ela está maluca e disse que assim que tomar um banho vai vir correndo para cá com Nath.

—Ótimo! Estou louca para revê-las. –Eu falo e ele dá uma piscadinha para mim antes de ir pegar mais um pedaço do doce. Miranda conversa animadamente com Marissa enquanto Christopher e Max tem uma conversa contida.

—Quais são os seus planos para o resto do mês? –Thomas sussurra perto do meu ouvido e sinto minha pele se arrepiar. Estava com saudade disso.

—Ainda não tenho nada marcado. E você?

—Estava pensando em viajar...

—De novo?

—Dessa vez só nós dois. Sem nenhuma preocupação. Vamos só aproveitar as férias. O que acha?

Me viro para ele. –Acho ótimo! –Lhe dou um beijo demorado aproveitando cada momento. Quando Miranda colocou uma música para tocar e praticamente fez todos começarem a dançar, Evey chegou com Nath e a 'festa' de verdade enfim começou.

Tudo está bem quando se está no lugar certo com as pessoas certas. E era exatamente isso o que eu estava vivendo.