I Can Feel

28 Capítulo 28 - Essa Música


Notas iniciais
Oiii gente! Primeiro, como sempre, gostaria de agradece à Carina Darlly e BellaZuuh pelos comentários. Obrigada! É, esse capítulo ficou muito fofo na minha opinião e espero que vocês gostem também. Boa leitura e beijinhos.

E os seus desejos me deixe saber

Eu vou tentar

Garota eu vou tentar te fazer feliz

(This Song)

POV Isa

No outro fim de semana levei Thomas para o prédio onde ficava a agência de modelos. Havia levado Luke alguns dias antes naquela semana, e eles me disseram que estavam fazendo uma campanha especial de casais de verdade. Fiquei animada para levar Thomas até lá.

—O que viemos fazer aqui? –Ele pergunta quando me despeço da recepcionista e entramos no elevador.

—Você vai ver. –Seguro a mão dele e saímos do elevador juntos. Encontro Pietra, a mulher na casa dos trinta anos que cuida de tudo por ali.

—Oi, Pi. –Eu falo. Os cabelos loiros dela estão presos em um coque firme e ela usa um terninho preto com calças combinando. Está segurando um tablet nos braços quando chegamos.

—Oi, Isa. –Ela diz com um sorriso. Depois olha para Thomas e o examina em alguns segundos. –Vocês vieram fotografar?

—Sim. –Eu falo e Thomas me olha com cara de interrogação. Sorrio para ele.

—Sorte a de vocês. Hoje é o último dia do evento especial dos casais. –Ela diz e começa a andar. Vamos atrás dela.

—Alguém pode me explicar o que está acontecendo? –Thomas pergunta e Pi olha para ele.

—É um concurso. Bem, abrimos para o público em geral como uma diversão. Os casais vem até aqui, tiram algumas fotos e podem levá-las para casa como recordação. Nós ficamos com as cópias e será realizada uma votação interna e com os patrocinadores, os ganhadores farão a campanha. E ganharão o cachê, claro.

—Campanha do que? –Thomas pergunta, tentando digerir as informações. Bem, eu queria fazer uma surpresa.

—Roupa de praia. –Ela diz, pegando um chapéu grande e colocando na cabeça de Thomas. –As roupas estão para lá. Podem escolher o que quiserem a apareçam aqui para as fotos serem tiradas. Tem mais três casais na fila, mas é rápido. –Ela continua andando e seus saltos fazem barulho contra o chão. Ainda segurando a mão de Thomas levo ele até uma sala com diversos maiôs, biquínis, saídas de praias, sungas e bermudas. Tudo do patrocinador.

—E aí? Gostou? –Pergunto enquanto passo as araras, examinando as roupas.

—Não sei se levo jeito para isso. –Ele diz, ficando nervoso. Pego uma bermuda preta e verde, que combina com ele, e coloco em frente à sua calça jeans.

—É apenas por diversão. Uma recordação, como Pi disse. Vai ser legal, prometo. –Eu digo, entregando a bermuda para ele e me volto para ver as roupas femininas. –Você vai querer roupas combinando? Eu peguei um bronzeado na praia na semana passada, então acho que verde ficaria bem em mim também.

Thomas suspira e bagunça o cabelo. –Tudo fica bem em você. Mas... E se eu cagar tudo?

—Pelo menos a gente vai se divertir um pouco. Me ajude a escolher as roupas. Venha!

No fim Thomas ficou com a bermuda que eu tinha indicado e eu coloquei um biquíni verde com detalhes em dourado. Também peguei óculos escuro grandes com armação escura e Thomas virou um boné verde escuro para trás e o colocou na cabeça. Quando chegamos onde o cenário estava montado, um casal estava tirando fotos e duas outras garotas vagamente conhecidas estavam lá assistindo. Pi, que estava olhando tudo, se virou para mim.

—Achei que aquele garoto que veio com você na quarta era seu namorado.

—Luke? Ele é meu melhor amigo. –Falo, sorrindo. Thomas, um pouco afastado, olha para nós, como se tivesse ouvido o nome de Luke.

—E esse é seu namorado? –Ela pergunta baixinho. Concordo com a cabeça.

—Os dois são muito bonitos. Gosto dos olhos dele. –Ela diz, indicando Thomas. –Vocês combinam.

—Obrigada. –Agradeço e ela sorri em resposta, depois olha para o casal tirando fotos. A garota está com um chapéu grande, parecido com o que Pi tinha colocado na cabeça de Thomas mais cedo, tem cabelos platinados curtos e está usando um maiô roxo. Não possui muitas curvas, mas é bonita. O garoto é magro e usa óculos de grau, e está usando uma sunga preta com riscas azuis. Pi suspira e ouço vozes atrás de mim.

—Oi. –Uma das garotas da agência diz para Thomas. A outra sorri para ele e acena com a mão.

—E aí? –Thomas diz, mantendo uma distância respeitável. As duas estão usando biquínis e olham de maneira nada respeitosa em direção a ele. Sério isso?

—Qual é o seu nome? –A morena pergunta. Ela tem a pele escura e os cabelos cacheados são volumosos. Os fios são escuros, mas há mechas mais claras entre eles. A outra garota é branca e tem cabelos avermelhados, quase alaranjados, e franjinha.

—Thomas.

—Nunca te vimos por aqui. Você é modelo? –A ruiva pergunta.

—Não, eu... Estou com minha namorada. Ela trabalha aqui. –Ele aponta para mim, ao lado de Pi. Eu não estou exatamente olhando para eles, estou levemente virada para o lado, de frente para Pi, e consigo ver vagamente o que eles estão fazendo. E ouço tudo claramente. As duas garotas olham para mim.

—Não sabia que ela tinha namorado. –A morena diz. Parece ter me reconhecido.

—Não sabia que ela tinha um namorado que nem você. –A ruiva diz, sorrindo e fazendo os cílios baterem. A morena dá um tapa no braço dela.

—Pare com isso.

—Ai! Por que?

—Olhe para ela. –A outra garota diz, irritada e aponta para mim.

—Eu não sei quem ela é! –A ruiva diz baixinho. Thomas as olha, confuso.

—Desculpe. Nós já vamos indo. –A morena diz e puxa a amiga para longe de Thomas. Ele começa a vir até mim, mas continuo ouvindo a conversa delas.

—Ela é Isadora Ferrarz.

—Ah! A filha daqueles caras. Eu não sabia que ela era modelo.

—Bem, ela é linda. Acho que ela pode fazer seu pai ser demitido se mexer com o namorado dela.

As duas se afastam e eu me viro para Thomas.

—Já fez amigas? –Pergunto cruzando os braços. Ele sorri para mim e me dá um beijo na bochecha.

—Eu não. Está com ciúmes? Só tenho olhos para você.

—Bom mesmo. –Falo.

—Como eu poderia ter olhos para outra garota senão você? Principalmente você vestida assim... –Ele puxa a lateral da calcinha do meu biquíni e a solta, e passa o braço ao redor da minha cintura.

—Quem são os próximos? –O fotógrafo pergunta. O casal que estava lá antes sai do cenário e se cobrem com toalhas brancas dispostas em uma pilha de toalhas em uma mesinha.

—Somos nós. –Eu falo, me soltando de Thomas.

—Podem entrar. –Ele diz, arrumando a câmera nas mãos. O cenário é uma paisagem realista e areia abundante no chão. O fotógrafo, que parece ter uns quarenta anos, olha para nós e sorri. -Vamos começar.

Tiramos várias fotos. Thomas foi bem profissional e seguiu as instruções do fotógrafo, além de ser espontâneo. Ele parecia estar gostando.

—Certo. Vocês podem se abraçar agora? –Ele diz e Thomas sorri para mim. Ele passa os braços ao redor da minha cintura e eu ao redor de seu pescoço. E ele sorri com o sorriso que eu mais gosto. O meu preferido. Prendo os óculos escuros acima de cabeça e olho em seus lindos olhos verdes.

—Tudo bem. Ficou ótimo. –O fotógrafo diz. Thomas ainda se aproxima de mim e se inclina para me dar um beijo antes de me soltar.

—Tirei foto disso. –O homem diz, mexendo em sua câmera. –As duas últimas fotos ficaram lindas. Vamos imprimi-las e entregá-las para vocês. Podem se trocar.

*****

POV Thomas

Deitado na cama, observo a foto em minhas mãos. Eles nos deram algumas fotos e Isa me deu a penúltima que tiramos, a que eu ela me olha de modo tão apaixonado que chega a doer. E eu devolvo o olhar na mesma intensidade. Isso está me incomodando. É desse jeito que eu olho para ela? Na foto, eu estou com um sorriso travesso no rosto, mas tudo indica que eu estava feliz para caralho naquele momento. E é assim que eu me sinto com Isa. Mas... É verdadeiramente assim que eu me sinto? Ouço uma batida na porta e minha mãe entra, vestindo uma camisa branca e calças pretas. O cabelo ondulado está solto e ela sorri para mim.

—Boa noite. –Ela diz, se sentando na cama.

—Boa noite. Já fiz o jantar. Estava te esperando para comermos. –Eu digo.

—Eu sei. Vi as coisas na mesa quando passei por lá. O que é isso? –Ela pergunta indicando a foto em minhas mãos. Eu a entrego para ela.

—Isa é modelo. Ela me levou até a agência dela para tirarmos umas fotos de recordação.

Minha mãe examina a foto detalhadamente e uma lágrima sai de seus olhos e pousa no meu cobertor.

—Por que você está chorando, mãe? –Pergunto, alarmado.

—Estou tão feliz. Olhe isso. –Ela me mostra a foto. –Olhe o jeito que você olha para ela.

—Mãe! –Exclamo e reviro os olhos.

—Sério, vocês ficam tão bem juntos. Ela é tão linda.

—Eu sei disso. –Eu digo e pego a foto das mãos dela.

—Pegue um porta retrato e deixe essa foto na sua cabeceira. –Ela diz se levantando e prendendo o cabelo em um rabo de cavalo baixo. –Vamos jantar. –Ela limpa uma lágrima que ameaça cair e sai do quarto.

Isso realmente está me matando. Quando eu estou com Isa... Eu estou por causa dela ou por causa da aposta? Provavelmente por causa dela. Se ela me chamasse nesse exato momento para fazer compras no shopping com ela eu iria, e isso não acrescentaria em nada à aposta. Então... Estou tão confuso. Deixo a foto em cima da cama e saio do quarto em direção à cozinha. Melhor comer para esquecer os problemas.

No dia seguinte, domingo, algo inusitado aconteceu. Bem, Isa tinha me dito que a mãe dela ainda não confiava em mim, apesar de eu ter ido jantar com eles na semana passada. Não esperava realmente que isso acontecesse, mas ela me disse que a mãe ainda não gostava de mim porque eu não era futuro CEO de alguma empresa grande. Bem, estava na hora de usar a minha carta na manga. Meu pai. Nunca pensei que iria precisar dele para alguma coisa importante, mas ter aprovação dos pais da minha namorada para que o nosso namoro corresse bem no futuro era importante para mim (importante para mim ou importante para a aposta? Tudo bem, foda-se, importante para mim). Deitado no sofá enquanto bebericava um copo de café quentinho, meu telefone começa a tocar. Normalmente, nesses momentos, eu iria simplesmente não atender, ou atender e desligar na cara dele. Mas eu tinha dito à Isa que iria tentar dar uma chance de verdade para ele, por isso clico no botão para atender.

—Oi.

—Oi, Thomas. Há quanto tempo, hein?

—É. Onde você tá? Minha mãe disse que estava viajando.

—Fui para a Suíça, mas foi uma viagem rápida. Estou no aeroporto agora. Mas eu queria lhe contar um negócio: Nathaniel, o pai de Isa, me convidou para ir tomar um café na casa dele hoje. Estou ligando para perguntar se eu devo ir ou não. Claro, vamos apenas discutir sobre coisas triviais e negócios, mas eu ainda não sei se Isa contou a eles que vocês estão namorando, e eu não quero dar essa notícia.

Penso por um instante. Essa é a minha chance! –Eles sabem que eu estou namorando com ela. Mas não sabem que sou seu filho.

—Como assim?

—Eu... Omiti esse fato. Mas não quero guardar esse segredo. Posso ir com você?

—Ir comigo? Tem certeza?

—Hã, ligue para ele. Pergunte se o café pode ser em família e que você quer apresentar seu filho a eles.

—Mas, Thomas...

—Por favor.

—Tudo bem. Vou ligar para Nathaniel. Qualquer coisa eu te ligo.

Ele desliga o celular e eu suspiro. Fiquei impressionado pelo fato de meu pai ter se lembrado de tudo isso. De que Isa era filha dos Ferrarz e que eles não sabiam que nós estávamos namorando. E ainda mais surpreso por ele ter se importado o suficiente para ligar 'pedindo permissão' para ir a um café na casa deles. Claro, ele deve ter pensado que, por ser na casa, existe a chance de ele trombar com Isa e acabar tudo em uma situação extremamente constrangedora para todos. Mas agora tudo poderia se resolver, apesar de eu ter que passar mais tempo na companhia do meu pai por causa disso. Mas valeria a pena. O celular volta a tocar e eu o atendo rapidamente.

—Ele adorou a ideia. Disse que está ansioso para conhecer você.

—Me conhecer?

—Conhecer meu filho. Não falei o seu nome. Eu entendi. Você não queria que fosse reconhecido como meu filho.

—Olha, eu...

—Tudo bem, Thomas. Eu sinto muito por tudo que aconteceu no passado. Nada do que eu fizer vai recompensar os anos que eu não estive presente na sua vida, mas vou fazer o possível para fazer parte e melhorar a sua a partir de agora. Conte comigo para o que precisar, filho. Eu vou passar em casa e me trocar. O café está marcado para às quatro e meia. Passo aí meia hora antes.

Ele desliga antes que eu possa responder. Franzo a testa e engulo em seco. Para que eu perdoe meu pai, eu preciso estar disposto a isso. Estar disposto a atender quando ele ligar, aceitar a ajuda quando ele oferecer e tentar não ficar desconfortável estando no mesmo cômodo que ele. E é isso que eu vou fazer. Vou tentar.