I Can Feel

11 Capítulo 11 - Brócolis


Notas iniciais
Mais um capítulo, minha gente. Eu vou começar a me esforçar mais para escrever capítulos maiores, mas tenho medo de ficar muito cansativo. Comentem suas opiniões e sugestões. Ah, obrigada à leitora Isadora Maria Petinatti pelo comentário (realmente um nome bonito hahah) :D Beijinhos e boa leitura.

Eu deveria saber muito melhor

Mas é tão difícil, eu não consigo esquecê-la

Ela continua me paquerando

Mas eu estou tentando demais impressioná-la

(Broccoli)

POV Alex

Sentado em um banco na praça de alimentação do shopping do centro da cidade, encaro Thomas, que me encara de volta.

—Certo. E agora? –Pergunto, me referindo ao encontro que ele tem com a garota que precisa conquista em... aproximadamente quinze minutos. –É uma chance única, você sabe. Acho que ela nunca aceitou sair com ninguém da escola. Você é maldito sortudo! –Falo brincando, mas falando sério. Se é que isso é possível. Não achei que seria tão fácil. Mas também não achei que alguém conseguisse resistir a essa carinha bonita de Thomas. Ele coça o queixo, como se estivesse pensando.

—Vou levá-la para comer naquele restaurante que abriu semana passada. O que acha? –Ele se refere a uma hamburgueria, que eu já tinha provado quando fui para a capital. O lugar é aconchegante e a comida é boa...

—Mas é caro. –Eu falo, desviando o olhar. Sei que Thomas se esforça pra pagar as contas de casa com sua mãe, apesar da fortuna de seu pai. Sinceramente, eu tive a oportunidade de conhecer o velho e ele me pareceu bem gente boa, ligeiramente empenhado em conquistar o filho depois de todos esses anos que ele esteve fora. Mas eu também entendo Thomas, afinal, o cara sumiu por mais de dez anos, deixando ele e a mãe em uma situação econômica e emocional terrível. Por isso que, apesar de ele ganhar o próprio dinheiro trabalhando, não gosta de ficar gastando ele assim, principalmente em encontros com garotas que ele nunca mais vai ver na vida.

—Tudo bem. Eu tenho grana ainda. Daqui a pouco eu recebo meu salário. –Ele dá de ombros e arruma o cabelo. De repente sinto uma tristeza e prendo a cabeça entre as mãos. –Que foi cara?

—Estou sofrendo. –Falo, fazendo um pouco de drama. Só um pouco mesmo.

—Por causa de Evey de novo? Pare com isso, por favor. Me deixa enjoado. –Ele diz, segurando o estômago.

—Não dá. Nós não podemos ficar juntos.... Ela nem falou comigo hoje, sabia?

—Que drama. Pelo menos a garota que você quer não tem um cavaleiro de armadura branca chamado Mateus. –Ele diz, bufando. Aparentemente Thomas não gostou nem um pouco do incidente de terça feira. Depois daquele dia, ele e Isa não tiveram muito tempo para conversar, esse garotinho Mateus sempre estava lá para impedir o diálogo.

—Saiba que entre você e ele eu prefiro muito mais você. –Falo com voz de garota e mando um beijo. Ele faz uma careta.

—Eu preciso que ela tenha essa preferência também. Porque senão além de eu perder a aposta, eu ainda perco a garota pra um nerd qualquer. –Ele olha no relógio em seu pulso e aponta para mim. –Faltam cinco minutos para as sete. Melhor você ir embora.

Aceno com a cabeça, concordando e me levanto do banco. Quando saio da praça de alimentação, vejo Isadora ao longe, bem arrumada e parecendo nervosa. Desvio o olhar dela e me dirijo para o cinema. Enquanto compro o ingresso, torço para não me arrepender depois de ter feito essa aposta.

*****

POV Thomas

Vou mexendo no celular, dando uma olhada na minha caixa de mensagens. Algumas garotas que eu não me recordo mais e várias mensagens de Vanessa... Sempre a mesma coisa. Paro para ler uma mensagem mandada a pouco tempo, de Nath

'Boa sorte no encontro. Ela é uma garota legal, tente não magoá-la'

Paro um pouco para pensar sobre isso. Nath não sabe que tudo isso não passa de uma aposta. Ela foi ao banheiro quando decidimos tudo, e aparentemente Marcos não contou nada para ela. Espero que ela não fique muito furiosa quando descobrir, ela parece gostar de Isadora. Já estão amigas. Isso vai ser muito pior do que eu imaginava.

Guardo o celular no bolso traseiro da calça e passo a mão mais uma vez pelo cabelo. Estou me sentido estranhamente nervoso. Acalme-se Thomas, é só uma garota! Vejo Isadora parada no início da praça de alimentação, vestindo uma saia preta e uma camiseta branca, com botas altas. Está bonita. Levanto o braço para atrair sua atenção.

—Oi. –Ela diz quando chega perto de mim. Indico o lugar ao meu lado no banco, para ela se sentar. Ela me ignora e se senta em minha frente.

—Oi. Você está bonita. –Falo, dando meu melhor sorriso. Ela estreita os olhos para mim.

—Obrigada. Aonde vamos comer? –Pergunta, mudando de assunto.

—Tem uma hamburgueria nova por ali. Tem mesa lá.

—Ah, acho que fui lá no meio da semana. Vamos sim. –Ela diz, animada. Ela fica mais bonita assim, com as bochechas coradas. Enquanto nos dirigimos até lá percebo o quanto ficamos estranhos juntos. Quer dizer, eu não tenho coragem de segurar mão dela ou de passar meu braço por seus ombros ou cintura, acho que ainda não tenho a intimidade. Não quer ela fosse deixar, de qualquer modo. Normalmente eu faço isso com as outras garotas, mas ela é diferente. Quando chegamos, um garçom que parece ter nossa idade nos mostra uma mesa vazia mais ao fundo do estabelecimento. Reparo que ele olha nada discretamente para a garota ao meu lado. Lambo os lábios, começando a ficar irritado.

—Com licença, mas você veio aqui na quarta né? Eu me lembro de você. –O garçom fala para Isadora, que olha surpresa para ele.

Olho direito para o garoto. Ele é menor que eu, mas tem uma cara de delinquente que me dá nos nervos. Os cabelos são curtos, praticamente raspados, e o maxilar é bem marcado. Além disso, tem um piercing na sobrancelha e uma tatuagem pequena no pescoço.

—É, eu vim. –Isadora parece pensativa enquanto se senta.

—Mas você estava com outro garoto. –O garçom olha de relance para mim, como se quisesse me provocar. Continue com isso que vou dar um soco na sua cara de delinquente, maldito.

—É, com Matt. –Ela me lança um olhar estranho, como se achasse a situação engraçada. –Sou Isadora. Gostei daqui, a música é boa. –Ela diz, apontando para a caixa de som.

—Só a música? –O garçom sorri. –Sou Max. Vou servir vocês. –Ele nos entrega dois cardápios.

Escolhemos nossos pedidos, comigo sempre lançando um olhar perigoso para ‘Max’. Ele não repara, ou finge não reparar. Quando ele vai embora pra fazer seu trabalho em vez de dar em cima das clientes, Isadora dá uma risadinha ao olhar para mim.

Fecho a cara. –Pare com isso. Você está em um encontro comigo. E eu com certeza sou mais bonito que esse cara. –Falo baixinho.

—Eu não disse nada. –Ela fala, mordendo o lábio. –Você é mesmo mais bonito, se quer saber.

Tento não ficar feliz com o comentário, sem sucesso. –Mas você está seduzindo ele. –Digo em um tom de brincadeira.

—Você é mais bonito. E daí? Beleza não significa muita coisa. –Ela diz, ficando quieta quando Max chega com as bebidas. Ele sorri ao entregar o suco de laranja para Isa, que olha para mim. Fecho o punho por baixo da mesa, ficando tenso. Ela repara e arregala os olhos, me alertando a ficar calmo. Por que eu estou bravo? Nós não estamos namorando nem nada. Mas eu que tenho que conquistar essa garota! De novo, impulsivamente, seguro sua mão por cima da mesa e dou um gole em seu suco. Faço uma careta pra o garçom. –Falta açúcar.

Termino minha comida rapidamente e apresso Isadora para terminar a dela (sério, ela come muito pouco e muito devagar, e isso dá mais tempo para o garçom sem vergonha dar em cima dela). Eu pedi um hambúrguer grande e gorduroso e ela pediu uma salada estranha com muitas folhas, brócolis, cenouras e rúculas, com um molho nojento jogado por cima. Será que eu convidei uma vegetariana para jantar em uma hamburgueria? Quando pagamos, o cara ainda diz para nós virmos com mais frequência, com uma expressão que me deu vontade de dar um murro em sua cara.

Isadora ri logo que pisamos fora do restaurante. –Meu Deus, Thomas.

—Nós não vamos mais voltar aqui. Da próxima vez a gente vai para outro lugar, entendeu? –Falo, ainda levemente irritado. Ela ri ainda mais.

—Ah, então vai ter uma próxima vez?

—Claro. Se eu não te perder pra um certo garçom aí..

—Não garanto nada.

—Ei.

—Ele é charmoso.

Sei que ela está brincando comigo, mas franzo a testa mesmo assim. –Não achei.

—Você trabalha aqui? –Ela pergunta, enquanto andamos lado a lado. O shopping está lentamente ficando mais vazio.

—É. Em uma loja no segundo andar. Se nós passarmos por lá eu te mostro. –Penso um pouco se foi uma boa ideia falar sobre meu trabalho para ela.

—No que está pensando?

—É que eu nunca falei para nenhuma outra garota onde eu trabalho. Ficava com medo de elas virem me encher o saco aqui no shopping.

—E eu?

—Você pode vir me encher o saco o quanto quiser.- Sorrio para ela, que dá uma risada.

—É, vou sim. E de quebra ainda passo pra comer um hambúrguer.

—Não, não passa. –Mostro a língua para ela. –Você quer que eu te leve para a casa?

—Eu agradeceria.

Nós descemos para o estacionamento e entramos no carro. No caminho para a casa dela, conversamos um pouco sobre a escola e o trabalho. Ela me diz que pretende fazer faculdade de jornalismo (que nem minha mãe), mas não nos aprofundamos muito em nenhum outro assunto. Como eu disse, bem difícil de ultrapassar uma determinada barreira nesse relacionamento. Ao chegar em frente a casa dela, vejo uma mulher loira, que eu suponho que seja a mãe dela nos observando pela janela de vidro. Sorrio para Isadora ao abrir sua porta e digo que ligo para ela depois. Quando ela entra em casa eu fico alguns instantes parado em frente a casa, pensando que esse provavelmente foi um dos encontros mais interessantes que eu já fui. E acredite, eu já fui em vários.