I Blame Myself
1 Pray the Lord my soul to take
Notas iniciais
É da música Sad Dream, da Sky Ferreira.
Todo capítulo vai ter uma música.Recomendo que escute, mas não ligue toda a tradução á fic, uso mais mesmo é só uma frase pro título.
Boa leitura, espero que gostem. ^-^
Era verão, eu sempre odiei o verão.
Mas não era por isso que eu estava chorando.
Ás vezes, mas apenas ás vezes as pessoas são realmente sinceras com você. A sinceridade pode machucar, e embora muitos digam que preferem se sentir tristes com a verdade do que felizes com a mentira, todos nos arrependemos de pedir a verdade, principalmente quando você sabe que ela é cruel.
Era por isso que eu estava ali debaixo daquela mesa aos prantos.
Toda minha vida eu ouvi: As drogas não são boas, elas matam e tudo mais.
Mas ás vezes você esquece, por que sua vida tá uma droga ou apenas por ser jovem, aquela coisa intitulada “liberdade”.
Eu não optei por cocaína ou crack por que dessas vocês dificilmente cai fora. Eu também podia tentar cheirar cola ou tinta, mas só de pensar eu já sentia aquele cheiro forte subindo pelas minhas narinas e isso me deu enjoos, então peguei o LSD.
Péssima escolha.
Os primeiros minutos foram de euforia, tudo estava girando, mas era de um jeito legal. Estava incrível, mas logo eu comecei a me sentir tonta e mal, e pra melhorar vieram às alucinações, e que alucinações eram essas.
Então eu estava ali debaixo da minha mesa de estudos chorando por ter alucinações, eu podia jurar que havia alguém ali, e não era nada normal eu sentia um aperto no coração. Meu plano tinha ido pelo ralo. Era um plano simples, mas bem veja, ninguém gosta de ter seus planos frustrados ainda mais por si mesmo.
Eu não tinha usado LSD pra ser rebelde, eu queria ter uma falsa coragem pra fazer uma covardia, por que eu não conseguiria sóbria e creio que beber não me ajudaria em nada.
O efeito estava passando, eu não tinha usado uma dose muito grande era pra ser rápido, então me lembrei “Banheiro”.
Eu ainda estava meio tonta, acho que tropecei algumas vezes, mas logo cheguei ao banheiro o principal cenário de meu plano.
Não foi fácil.
Perdi cinco minutos sentada no chão chorando.
Mais cinco tomando coragem pra entrar na banheira.
Entrei calmamente ainda com as roupas, não queria ser vista nua. Encostei minha cabeça no mármore branco e tentei relaxar.
Não é fácil quando você sabe o que vai fazer e não está drogada.
Devem ter se passado mais cinco minutos. Me sobraram quinze.
Respirei fundo.
E a coragem se esvaiu quando ouvi o barulho de uma porta sendo aberta. Minha mãe havia chegado mais cedo, eu ficaria feliz.
Era para eu estar feliz, pronto acabou você apenas estava mal e decidiu tomar um banho usando roupas.
Mas, eu tinha que fazer não é?
Por que eu sabia que ela não ia engolir essa, e eu não precisava ver sua cara de indignação.
Num impulso mergulhei para baixo da espuma, não ousei abrir os olhos eu sabia que iriam arder, tentei relaxar.
Logo meu cérebro deu a ordem “Respire”, ou “saia dai e respire.”.
Que idiota.
Eu simplesmente puxei uma boa quantia de água pelo nariz e pela boca. Tinha uma falha no meu plano, chamada ‘sabonete’. Era de se esperar que eu começasse á tossir que nem uma louca.
Que idiota põe sabonete na banheira em que vai se afogar?
A porta se abriu.
Que idiota se esquece de trancar a porta quando vai se matar?
Eu, eu era essa idiota.
Aliás, que idiota tenta se matar?
E novamente, culpada.
Olhei para mamãe, e lá estava àquela cara acho que eu ainda tossia, mas forcei um sorriso.
Agora eu teria que dar um jeito.
Passei a mão desesperadamente pela borda da banheira derrubando os produtos na mesma, minha mão passou por algo gelado, e Bingo!
Sorri pegando a gilete eu não me cortava, mas eu sabia que iria doer. Mamãe logo percebeu o que estava prestes á vir e tentou me impedir, mas antes que ela chegasse passei a gilete profundamente em forma vertical pelo meu pulso esquerdo.
Soltei um grito. Aquilo realmente doía.
Eu estava prestes á fazer o mesmo em meu pulso direito quando mamãe me alcançou e tentou tirar a gilete da minha mão, tivemos uma pequena briga pelo objeto, o que resultou em um corte perto do meu queixo, no fim ela jogou a gilete longe.
Mamãe venceu a primeira rodada.
E então ali estava ela me olhando, fechei os olhos eu não queria ver nada.
Nenhuma palavra foi dita.
Mamãe pressionou meu corte tentando estancar o sangue, ela ofegava devia estar nervosa. Pegou minha mão livre e pressionou sobre o corte e saiu, acredito que tenha ido chamar uma ambulância.
Ela não sabia que era um grande erro deixar uma pessoa que acabou de tentar se suicidar sozinha? Provavelmente, não.
Abri os olhos novamente, tinha tanto sangue, com certeza o corte foi profundo.
Parei de pressionar.
Ainda tinha uma chance, enfiei meu dedo dentro do corte tentando o abrir mais, devo ter dado alguns urros já que minha mãe apareceu desesperada ali ainda falando ao telefone.
Eu não consegui decifrar o que ela estava falando, eu me sentia tonta.
Tomei a iniciativa de olhar para ela, estava como imaginei, desesperada.
Ouvi alguns ruídos que não consegui decifrar.
Ela pegou meu pulso e amarrou alguma coisa, não pude protestar.
Agora ela estava falando alguma coisa, era comigo eu sabia, mas não conseguia entender minha visão estava embaçada e eu me sentia cansada.
Eu sabia que a água estava vermelha, respirei fundo observando o cenário, meu plano havia sido todo falhado, era uma coisa tão simples.
Estava difícil pensar, estava difícil deixar os olhos abertos.
Deixei-me levar, fechei os olhos.
Esperava desesperadamente que ainda desse certo.
E Orei para o Senhor levar minha alma.
Notas finais
Opinies?Criticas?
XOXO
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