Notas iniciais
Amores, como prometido... (Não pude postar ontem, mas hoje ele está aqui! ) Mais uma pequena One-Shot, novamente com a Melinda... Eu amo essa mulher! rs Espero que curtam! #BoaLeitura! :)

– Melinda.

Duas da tarde. Prédio de Administração da S.H.I.E.L.D. Muito trabalho.

Maria adentrou a sala lentamente. Poderia jurar que seus pés pesavam uma tonelada cada, tamanha a dificuldade de se locomover. Seus olhos prendiam algumas lágrimas, talvez já tivesse chorado muito antes de pisar naquele prédio novamente. Esta é a pior parte de ser amigo de alguém: precisar dar as más notícias.

– Sinto muito, May. – Hill aproximou-se da sua mesa e entregou-lhe um documento. Mais precisamente, um atestado de óbito. – Não pudemos fazer nada para impedir. Eu... Eu sinto muito.

Hill apenas descansou a mão em seu ombro e saiu da sala, antes que ela pudesse entender o que estava acontecendo ali. Já estava sendo difícil. A comandante da S.H.I.E.L.D. não ficaria para assistir o lamento da amiga, por mais que a amasse. Ela sabia como as coisas funcionavam. May dormiria na casa dela no fim da noite, provavelmente, mas Hill ainda tinha muita coisa para resolver antes de desabar em pranto outra vez.

– Não.

Melinda largou o relatório que estava revisando segundos atrás e folheou aquelas páginas como uma louca. Ela não conseguia acreditar no que aquilo significava. “Philip Coulson foi morto durante a ação” Isso não poderia ser verdade. Não o seu Philip Coulson.

– Não, Phil. Isso não está acontecendo.

Ela sussurrava em sua sala, não havia ninguém por perto e ela poderia explodir se quisesse. Mas ela não conseguia digerir. Simplesmente não conseguia. O choro fora se tornando inevitável. Conforme ela lia o documento, as lágrimas iam tomando conta dos seus olhos, ela lia e relia e não conseguia aceitar.

– Phil está morto.

A ficha caiu.

– Phil está morto! Não! Por que você fez isso comigo, Phil?! – ela deixou o arquivo escorregar por entre seus dedos e levou as mãos à cabeça. – Por que você me deixou?

(...)

– Melinda.

Três da manhã. Casa da Hill. Nada de sono.

Ela vagava pelo casarão, segurando um álbum de fotos. Não queria melhorar, deixar pra lá ou esquecer. Muito pelo contrário. Ela queria lembrar-se dele. Lembrar-se de tudo quanto podia: dos olhos, do sorriso, das piadas bobas. Ela não ia tentar esquecê-lo, mesmo que isso significasse magoar a ferida todos os dias. Ela simplesmente não conseguia esquecer. May poderia estar ao lado dele no campo, mas seu medo foi maior do que ela mesma. Não queria decepcioná-lo, não queria decepcionar a si mesma, então, simplesmente se escondeu. Isso não parecia o estilo dela de lidar com as coisas, mas até os grandes guerreiros passam por momentos de fraqueza. E aquele tinha sido o pior deles: Bahrein.

– Pelos Céus, não torne isso mais difícil – Hill aproximou-se dela ainda sonolenta e tentou confiscar o álbum da agente, sem sucesso.

– Deixe-me apenas vê-lo, Maria. – ela fechou o álbum nas mãos e encarou a mulher. – Explique ao Fury... Eu... Eu preciso vê-lo uma última vez.

– May, eu não acho que isso seja uma boa ideia, eu...

– Por favor, Maria. Eu preciso vê-lo.

– Só se você prometer que vai largar isso e voltar pra cama. – Hill colocou as mãos na cintura e tentou argumentar com a mais velha.

– Okay – May suspirou. – Eu posso tentar.

Aquela não seria uma noite fácil. Na verdade, aquela noite parecia ser pior àquela em Bahrein. Phil não estava do seu lado, agora, e mesmo que Maria fosse seu braço direito, não era a mesma coisa.

(...)

– Melinda.

Onze da manhã. Aeroporta-aviões da S.H.I.E.L.D. Muito movimento.

A voz do diretor ecoava em seus ouvidos como se ele estivesse há quilômetros de distância dela. Não estava muito bem para ouvir as pessoas hoje, talvez. E talvez ficasse assim por muito tempo ainda.

– Agente May! – Fury chamou mais uma vez.

Ela olhou na direção de Nicholas sem esboçar muita reação e nem mesmo notou que ele estava de óculos escuros ao invés do seu tapa olho convencional. Ele tinha mais um leque de documentos nas mãos e ela sinceramente não estava com cabeça para revisar nenhum relatório de operação.

– Sim, senhor – ela respondeu com semblante abatido depois de alguns segundos inerte.

– Tenho uma missão para você.

– Pode falar, senhor.

– Não, aqui não. Isso é altamente confidencial. – Melinda olhou nos olhos dele com uma leve expressão de dúvida. – Por isso, você está sendo promovida a agente nível 7.

– O-que, mas...

Ela ia tentar falar algo, mas simplesmente engoliu suas dúvidas e acenou com a cabeça, concordando com o superior. Seguiu para sua sala em silêncio, acreditando que Fury sabia o que estava fazendo. Ele sabia que ela não queria ir para campo de novo, então, provavelmente a missão se trataria de algo menos agitado.

– Agente May – ele pediu que ela se sentasse à sua frente. – Nós sabemos o quanto você e Phil eram ligados, o quanto eram próximos um do outro, o quanto... Vocês conseguiam lidar bem com as ações em campo...

Ela abaixou a cabeça. “Não, Fury... Não faz isso...”

– Então, eu e a Hill achamos mais do que justo coloca-la à frente desta tarefa.

– Que tarefa, senhor? Ainda não compreendi o que está me propondo.

– Olha... Nós incluímos Phil no projeto – ele parou de falar um momento e aproximou-se dela sobre a mesa. – T.A.H.I.T.I, May. Coulson voltará para a agência muito em breve.

– O quê?! – ela pareceu não acreditar no que ouvira – Mas isso não... Eu o vi hoje mais cedo! Pálido, frio... Sem vida... Como ele...

– É um tratamento muito peculiar, May. Mas é cem por cento garantido. Ele voltará saudável e pronto para a ação novamente.

Os olhos dela se encheram de lágrimas, mas ela as conteve. Não poderia chorar na sala do diretor.

– Então, você ficará responsável por ele. O tratamento precisará de um acompanhamento, precisaremos saber como ele está reagindo, se não estão ocorrendo efeitos colaterais... Resumindo, você ficará responsável por me atualizar sobre qualquer mudança física ou comportamental do Phil.

– Sim, senhor.

– No entanto, algumas memórias dele precisarão ser apagadas. E ao invés da lembrança da dor, precisaremos substituir por uma lembrança de harmonia e paz. É crucial que Philip nunca descubra sobre o projeto T.A.H.I.T.I, agente May. Isso pode causar transtornos inimagináveis para ele e pode constituir num perigo para nós também.

Ela engoliu em seco. Óbvio que queria tê-lo de volta, mas não sabia se queria mesmo esconder algo tão importante assim. E se ele a questionasse? Como ela mentiria na cara dele? As perguntas bombardeavam sua mente naquele momento, mas a única coisa que pesou no fim foi a segurança de Coulson. Ela preferia ser desprezada por ter escondido isso do que ter de enterrá-lo para sempre.

– Sim, senhor, compreendi.

– Ótimo.

Fury levantou-se e Melinda fez o mesmo. Ambos dirigiam-se à porta.

– Agora, depois que ele voltar, agente May, haverá um posto móvel de comando aerotransportado esperando vocês. Phil será designado para novos casos, tem acontecido muita coisa estranha depois da Batalha de Nova York. Como você sabe, o mundo não é mais o mesmo.

– Entendo...

– E Phil com certeza vai querer você na equipe.

– Mas senhor – seus olhos ficaram atônitos. – Eu não queria voltar à ação...

– Você faria isso por ele, May?

Claro que ela faria.

– Sim, senhor. Pode deixar comigo. – ela respondeu séria, sabendo que aquilo não seria fácil.

– Avalie o que será necessário. Se existe alguém que conhece Phil Coulson, este alguém é você – ele disse, olhando fixamente nos olhos dela. – Além disso, você é a melhor que eu conheço. Não tenho ninguém melhor preparado taticamente e que possa coordenar esta operação com ele. Você e Phil... São uma equipe. – ele disse, estendendo a mão para ela.

Melinda sorriu. “Sim, nós somos.

– Sim, senhor. Começarei isto imediatamente.

– Obrigada, May. Cuide dele.

– Serei seu braço direito, senhor. Como sempre fui.

Saiu da sala, sem saber se ria ou se chorava. “Nunca vou sair do seu lado, Phil. Por nada nessa vida.” Ela prometeu silenciosamente, enquanto dirigia-se a passos largos ao gabinete da Hill.

(...)

– Melinda.

Dois dias depois. Sala do Diretor Fury. Muita papelada.

– Vejo que andou ocupada – ele sorriu levantando-se para receber os arquivos das mãos de May. – Já são os nomes?

– Sim, senhor.

Fury pediu que ela se sentasse e começou a folhear o histórico dos candidatos. Muito bom.

– Leopold Fitz é um engenheiro. Segundo a agente Weaver da Divisão de Ciências e Tecnologia, ele é a mente mais brilhante que passou pela academia, ao lado de Jemma Simmons. – May descrevia os possíveis agentes.

– Esta aqui? – Fury virou uma página e a foto de Jemma estava estampada no documento.

– Sim. Ela é bioquímica. Os dois cientistas se formaram muito cedo, na academia. Nível 5.

– E você pretende levar os dois para a operação? – ele calculava.

– Sim, senhor. Precisaremos da agente Simmons para trabalhar na recuperação do corpo dele, caso haja algum problema, e do agente Fitz, caso seja preciso uma – ela meio que tropeçou nas palavras pra pronunciar aquilo. – reprogramação de seu cérebro.

– Ótimo. Mandarei que façam as avaliações. Quando eles forem liberados, você receberá o anúncio oficial da missão...

– Diretor Fury – ela o interrompeu. – Ainda temos outro agente.

Ele olhou meio desleixado para o arquivo e notou que havia esquecido de um deles.

– Ah! Sim, sim. Agente... “Grant Ward”, é isso? – Disse, olhando para seu currículo. – Um especialista de nível 6...

– Caso eu precise...

– Eu entendi, agente May – ele a poupou de explicar aquela parte. – Está fazendo um ótimo trabalho. Eu garanto a você que estou fazendo isso pelo Phil. Ele é o agente em que eu mais confio para estar à frente disso. – ele disse, afastando-se um pouco dela e saindo da sala. – É uma ótima equipe. Assim que Philip retornar, passarei os seus parâmetros para ele, assim ele não desconfiará que mais alguém sabe disso.

May se sentia uma traíra. Antes mesmo de mentir para ele.

– Hey, não pense que está o traindo. – ele disse, como se tivesse lido os pensamentos da asiática. – Eu sou seu superior. Você está seguindo ordens. Phil entenderá. Ele conhece a cadeia hierárquica da agência. Além do mais, só estamos fazendo isso para protege-lo, agente May.

– Tudo bem, senhor. Entendi.

– Uma última informação – ele aproximou-se mais dela e falou baixo, mesmo que só houvesse os dois na sala – Na cabine do Bus, haverá uma linha direta criptografada. Será por lá que você me manterá atualizado – May ouvia com atenção – Disque sozinha, discretamente e em segredo. Isto é altamente confidencial.

– Mas Coulson não saberá quando ler as especificações do avião?

– Eu orientei os técnicos que excluíssem esse item das especificações. Só você saberá que aquilo está lá. Mais uma vez, agente May... Isso é para o bem de Phil. Okay?

– Sim, senhor. Entendido.

– Está dispensada, agente May. Espere o aviso oficial da missão.

“Mas sou eu quem emite os avisos oficiais, senhor Diretor.” Ela pensou consigo mesma e sorriu. Na verdade, qualquer coisa a faria sorrir naquele momento. Ele estava de volta. Mesmo que ainda não o tivesse visto, Phil Coulson estava de volta e era tudo que interessava a ela.

(...)

– Melinda.

Alguns dias depois. Sala de Administração. Muita urgência.

– Está mesmo me pedindo para dirigir o Ônibus? – ela o encarou como se não esperasse por aquilo.

– Eu não estou pedindo – no fundo ele sabia que ela iria segui-lo até o túmulo. – Mas é um Ônibus bem bacana.

Notas finais
- E a, gostaram? #Itsallconnected #StandWithSHIELD :)
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!