I Am Whatsername
3 Good Riddance [Time Of Your Life]
Acordei, e encontrei um bilhete da minha mãe: “Fui trabalhar. Tem comida na geladeira, e cereal no armário. A propósito, esse CD já repetiu milhões de vezes!” oras, é Green Day, não enjoa nunca. Enquanto tomava meu café da manhã, abri o msn e uma janela abriu.
Guilherme: Bom diaaaa, andou faltando aula hoje? Rayssa: Bom... Estava muito cansada pra acordar. Guilherme: Como anda a vida? E aquele colégio chato? E o Green Day? Rayssa: Vix, quantas perguntas. A vida continua sem graça, o colégio como você já disse, uma porra de chato. E o Green Day continua uma fucking band. Guilherme: Eu soube do que aconteceu no festival, o Billie tá na rehab né?Rayssa: Sim, eu vou sair agora, ok? Guilherme: Certo, até depois! Rayssa: Até. Aquele assunto realmente não me agradava. O Billie não tinha dado mais notícias satisfatórias. O Mike e o Tré viviam dizendo que estava indo tudo bem, só que isso não é suficiente. Enquanto pensava, digitei “Green Day” no Google pra ver as notícias mais recentes e paralisei quando vi essa: “Green Day gravará clipe com fãs, porém eles tem que residir em LA.” Droga. Porque não moro em LA? Eu nunca vi o Green Day pessoalmente, são muito difíceis MESMO shows por aqui... Passei o dia inteiro pensando nisso, eu precisava tanto ver eles, principalmente o Billie que não anda bem. Já estava tarde quando ouvi passos. – Cheguei do trabalho, Rayssa. Mas eu vou ao aeroporto com seu tio, ele tem que comprar uma passagem. Vai fazer uma viagem para a Montebello na Califórnia. – O QUE ELE VAI FAZER LÁ?– Disse quase gritando de surpresa.– Vai à trabalho. Porque esse escândalo? – Posso ir no aeroporto com vocês? – Você? Que milagre, você querendo sair de casa? Jura isso? — Se assustou minha mãe. — Então vamos né.Fomos pra o Aeroporto. A única coisa que eu pensava era em ir pra Califórnia também. Eu precisava arrumar um jeito de falar com meu tio, mais minha mãe ficava na cola o tempo todo! Até que ela resolveu ir no banheiro. – TIO É AGORA OU NUNCA! — Falei rápido enquanto via ela se afastando. – É agora ou nunca o quê menina, ficou doida? — Ele disse sem entender direito a situação. – Me leva pra Califórnia com você! — Essa era a hora de fazer cara de cachorro sem dono. – Hein? Você nem ao menos sai comigo, e agora quer ir pra Califórnia comigo? Que milagre é esse? Sua mãe anda te dando algum remédio controlado? Eu até levaria, se você me prometesse não andar pixando as paredes por lá. Até porque vou por questões de trabalho... Acho difícil também sua mãe deixar. Porque essa crise agora?– É que o Green D– Voltei — Interrompeu minha mãe. Era engraçada e desesperadora a cara que eu fazia pra meu tio enquanto íamos comprar a passagem. – Sabe, Ana... Bem que a Rayssa podia ir pra Califórnia comigo, não acha? – Como é?! A Rayssa? Ela está em época de aulas! E dá muito trabalho, que ideia é essa agora? — Argumentou minha mãe. — E ela mal sai com você, porque não gosta de estar andando, prefere ficar em casa.– É por isso mesmo, seria bom um tempo junto com ela, conheço ela tão pouco. E além do mais, só tem aula pra ela na quarta, quinta e sexta! As outras duas semanas não terão, e é exatamente na semana que vou viajar. Eu pago a passagem dela. — Convencia meu tio– Certo. Mas se ela começar a fazer besteira, deporte ela, ouviu Roger? Que loucura que vocês dois estão hoje. — Disse minha mãe.Finalmente compramos as passagens. Eu parecia a pessoa mais feliz do mundo, e realmente estava, não era pra menos. Eu ia atrás do Green Day! Bom, essa parte meu tio não sabia ainda, e só precisaria saber quando estivéssemos no avião. A partir de então, não existiam mais problemas pra mim. Afinal eu ia atrás dos verdes e foda-se o mundo... Era quarta-feira, tive que acordar bem cedo pra ir ao colégio, mas quem se importa? Eu mesmo não tava nem aí pra nada, saí na rua ouvindo Castaway bem alto e praticamente dançando. Eu tinha que contar essa novidade pra Lia, e apesar de eu ter conhecido ela a um dia só não era difícil de saber que eu era fã de Green Day por causa do meu casaco do 21st Century Breakdown. Esses últimos 3 dias no colégio, eu não conseguia parar de falar. A Lia ria e dizia que se brincasse, eu estava parecendo um hippie de tão “paz e amor” que eu fiquei, e também não sei como ela não se cansou de me ouvir contando as mesmas coisas todo dia. A cada dia que passava, eu fica pior! Falava mais ainda, e na sexta feira eu tava enlouquecida. Quando acabou a aula eu saí gritando nos corredores “EU VOU CONHECER O GREEN DAY, ESTOU FUGINDO PRA L.A, TCHAU SEUS BASTARDOS” enquanto a Lia só ria... Ela era uma ótima amiga, eu me sentia bem em contar as coisas pra ela. Cheguei em casa, e talvez nem se tivesse tomado 5 litros de RedBull estaria daquele jeito. Minha mãe já tava pensando até em sedativo, isso era porque ela não sabia o motivo real da felicidade toda. Meu fim de semana foi basicamente comendo coisas leves, obviamente não queria passar mal, vai que eu ficava doente e não podia viajar? Já era domingo e eu tava pior do que todos os outros dias juntos. Não dormi direito, até porque me lembro que de 3h da manhã eu ainda tava pulando de um sofá pra outro enrolada em uma capa vermelha, ouvindo King For A Day no repeat. Depois só lembro que caí e dormi ali mesmo no sofá.
– ACORDA RAYSSA, É AGORA OU NUNCA! — Era a voz do meu tio, que a propósito também já tava com todas as malas possíveis e imaginárias. – TO PRONTA, TO PRONTAAAAA — Sim, eu já dormi com a roupa de viajar no outro dia. Eu tava quase tendo um surto no caminho do aeroporto, e quando entramos lá, não via a hora de pegar o vôo. Fiquei observando as luzes espalhadas por todo lugar ali dentro, enquanto olhava também por um grande vidro os aviões alçando o vôo... “Vôo número 237, Destino: Califórnia” Era o meu vôo. Era o tempo da minha vida.
Notas finais
Comentem aí o que acharam, e se tiverem sugestões pra o próximo capítulo, fiquem a vontade para falar! Obrigada por lerem (:
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