Notas iniciais
Postei rápido porque...bom, Jared me obrigou.
Boa leitura.

Acordei sendo sacudida, com Emma gritando meu nome, aos poucos eu tomava consciência, mas tal voltou de uma vez quando Em deu-me um tapa.

"Ai..." gemi.

"Ah," suspirtou. "Graças a Deus!" ela me abraçou apertando-me, fazendo com que eu gemesse de dor mais ainda, eu parecia ter sido espancada

Quando ela me soltou tomei um pouco mais de nitidez na minha visão. Eu ainda estava no quarto, as fotos dos meus pais estava a poucos cm de mim, mas o vidro estava intacto.No meu outro lado, também á poucos centímetros de mim havia uma caixa de remédios vazia. Eu estava ficando louca?

"Kate, o que você fez?" perguntou Emma.

"Ah..." olhei ao meu redor ainda confusa "Não sei..."

"Claro que sabe! Você tentou se matar?"

"Acho que sim, eu... não consigo me lembrar."

Pamela e Ravi conversaram comigo, a partir dai fiquei sob constante vigia, quiseram me levar para casa deles,mas ainda preferia a minha.

Uma semana havia passado e meu humor ainda era inexistente. Alguns agentes foram lá em casa conversar sobre herança e tudo mais.

"Sua mãe não trabalhava em nenhuma empresa de Marketing, na verdade ela estava fora do mercado de trabalho há dez anos. Fomos informados que ela tinha um advogado, Sr.Jackson, mas ele também estava no acidente e não era advogado, e também estava fora do mercado de trabalho há dez anos. Mas encontramos um registro da sua mãe com uma advogada lá do Canadá, um testamento, entregando tudo a você." disse um rapaz aparentemente jovem por baixo daquele terno, embora sua expressão fosse cansada, seus olhos cor de mel pareciam tristes, e vi dois fios de cabelo branco em meio á sua juba encaracolada tom caju.

"Como assim minha mãe nunca trabalhou?" perguntei.

"Não há registro dela em empresas, nem de dispensas, nada. Há uma década."

"Mas..."tentei processar aquilo tudo, nada ali era possível.

"O que exatamente Emily deixou para ela?" perguntou Pamela.

"Casas, carros, jóias, o dinheiro do pai dela, e uma conta aparentemente de um" o agente engoliu seco "milhão de dólares.

Abri a boca.

Eu e minha mãe sempre tivemos uma vida simples, tudo conquistado aos poucos,roupas compradas na liquidação, eu nunca nem tive um tênis de rodinha que era moda na minha infância!Agora várias casas, carros e um milhão de dólares. Como?

"E quando minha mãe atestou que deixaria essas coisas pra mim?" perguntei.

"Um dia antes de sua morte."

Respirei fundo e fechei minha boca que estava aberta até aquele momento.

"E preciso saber mais o que?" perguntei

"Sua guarda." falou.

"Minha... Guarda." repeti, tentando saber aonde ele queria chegar.

"Foi entregue á sua tia, Jenna Petit, mora no interior do Texas."

"Vou ter que ir morar com ela?" falei olhando discretamente para Emma, que já estava com os olhos cheios d’água, e os meus começavam a arder.

"Sim. Tem um mês para resolver sua situação aqui, eu irei ajudá-la com isso.Assim que tudo estiver pronto, ou não, irá para o Texas.

O agente James Calton explicou-me mais algumas coisas, como iríamos resolver as questões necessárias, como e quando, e foi embora.

Todos ficaram me encarando na sala.

"Eu vou... vou subir." levantei-me e saí correndo para meu quarto, onde me tranquei, jogando-me na cama aos prantos.

A minha vida estava desmoronando aos poucos, e eu não tinha forças para me manter de pé.

No dia seguinte, após horas chorando com Emma sobre minha mudança, decidimos enfim sair.

Saí da banheira e enquanto penteava meus cabelos, encarei-me.

Olhos violetas mortos, olheiras profundos pendiam, minha pele muito branca, seca, minha boca sem cor, meu rosto mais fino, eu estava mais magra.

Vesti-me e saí com Emma por sair.Fomos ao parque, á uma sorveteria, ao shopping, e pela primeira vez em dias, soltei algumas risadas com Emma, cantamos, gritamos... como eu poderia sobreviver longe da amizade dela?

De novo estava em depressão só de pensar, mais uma mudança, talvez a pior de todas em minha vida, pois agora não tinha mais minha mãe, estava indo morar como uma parente qual nem me lembrava, tinha pequenos alvitres sobre ela mas não sabia como ela era, como agia, se tinha uma família, como me receberiam...na verdade Calton falou que ela ainda teria de me aceitar, ou ficaria num abrigo.

Sentia tanta falta da minha mãe, embora nos mudássemos, seja onde íamos morar, estando com ela, eu tinha um lar, mas agora, eu me sentia sozinha e abandonada mesmo com varias pessoas em volta de mim, me amando, dando-me carinho, e no fundo me sinto mal agradecida por isso, mas o sentimento de vazio vem e fica, não consigo mudar.Digo á mim mesma “Olhe, eles estão te dando amor!”, mas meu coração fala “Me sinto esquartejado, quase inexistente, é tanta dor...”.

"Kate." cutucou-me Emma.

"Oi." pisquei enquanto caminhávamos de volta para a casa de Emma, após ter passado no Starbucks.

"Você estava viajando legal. Está tudo bem?"

"Não vou mentir. Estou péssima.Dói toda vez que dou-me conta disso tudo, minha realidade está trágica, sinto-me patética... Vamos mudar de assunto para não estragar esse dia."

"Ok. Você dorme lá em casa hoje."

"Ah não amiga, se importa se eu quiser ficar sozinha hoje?"

Ela me olhou receosa.

"Não vou tentar me matar.Juro. Amanhã de manhã te ligo, vamos nos manter ativas."

"Kate..."

"Por favor, vá para sua casa, dorme na sua cama, não se preocupe comigo."

Emma me deu um abraço de supetão apertando-me forte.

"Por favor, não faça nenhuma besteira.Se cuida Kate." soltou-me e então começou á caminhar virando na esquina da sua casa.

Tomei meu rumo tomando o resto do meu chocolate quente com canela e gotas de caramelo, o preferido.

A noite estava fria, sorte que eu usava uma jaqueta de couro e um cachecol. O barulho do vento me acalmava um pouco, mesmo que estivesse avisando vir tempestade.

Faltavam quatro quarteirões para minha casa, o vento estava mais forte, e começara as trovoadas, ótimo, levaria chuva na mente, quem sabem tirassem de mim um pouco de tanta tristeza. Ouvi murmúrios atrás de mim, e olhei para trás, haviam quatro garotos, altos e fortes.

"Ei gatinha, deixe com que eu me apresente." disse um deles.

Virei-me para frente e acelerei o passo.

"Não adianta correr." falou o outro.

Merda!

Peguei meu celular,e com a mão trêmula deixei o número de Emma na tela.As ruas estavam vazias, e começava á chuviscar.Senti puxarem meu cabelo e corri, ou pelo menos tentei.

Tacaram-me contra a parede e me rodearam.

"O que vocês querem?" perguntei rouca, quase que a voz não saíra.

"Você." falou um menino de cabelos cor de areia, olhos aparentemente claros e perversos, passando seu indicador em minha bochecha.

Engoli seco, ele estava muito próximo, era arriscado pois eu teria que ser o Jack Chan para poder me safar daquela.Subi meu joelho á toda velocidade força possível que consegui reunir de meu corpo fraco e trêmulo, dando-lhe um golpe no meio das pernas.O menino se curvou, então dei-lhe uma joelhada na cara, o garoto que estava á minha direita veio em minha direção, dei-lhe um soco, mas meu cabelo foi puxado,e logo agarrada com os braços presos atrás das costas.

O garoto qual tinha chutado, se recompôs, riu malicioso para mim.

"Esquentadinha você." falou sorrindo.

Ia protestar, mas ele foi mais rápido dando-me um soco no estômago, fazendo com que eu procurasse todo o ar gelado á minha volta.

Puxaram-me pelo o cabelo fazendo minha cabeça latejar, deparei-me com aqueles olhos claros furiosos.

"Se você ajudar temos um plano para você, se não" fez uma pausa. "Morte."

"O que querem?"

"Jared! Onde ele está?" perguntou com uma calma sinistra.

"Não sei." falei, logo puxaram mais ainda meu cabelo. Trinquei os dentes.

"Não minta!" gritou.

"Não estou mentindo!"

"Como não sabe onde seu amigo está?"

"Ele não é meu amigo!" gritei "Não sei onde aquele infeliz está! Deixem-me ir, por favor! Não tenho como ajudar vocês!"

O menino me avaliou pegando-me pelo rosto colando sua boca na minha orelha.

"Sabe, você é muito bonita para morrer agora, tão jovem... vamos ficar de olho em você. Espero que não esteja mentindo, senão terá um trágico fim." falou soltando-me bruto.

O garoto que prendia meus braços me soltou e se juntou aos outros três á minha frente.

"Que isso sirva de aviso!" falou e logo se virou indo embora.

Corri para casa o mais rápido possível.Tranquei a porta, janelas, fechei as cortinas e tranquei-me em meu quarto. O que diabos fora aquilo?

Porque eles estavam atrás de Jared? Seriam amigos daqueles do beco? Tremi com a lembrança da ameaça de morte.Por causa daquele infeliz eu estava sob vigia, por pessoas estranhas que querem me matar, minha vida poderia ficar pior?

Olhei para o teto do meu quarto desconfiada, geralmente quando nos perguntamos isso, as coisas pioram, já no meu caso, estava achando que iriam mesmo, e muito.

Notas finais
Eai? hahahah