Híbrido
58 Uncover
Notas iniciais
Jared o chutou longe, mas outro veio, mordendo seu braço, ele grunhiu e logo seu braço pegou fogo, cambaleei para trás e me afastei. Algo mordeu minha perna então a criatura, mas logo outros vieram atrás de mim, encurralando-me, prontos para atacar, como parasitas. Jared pegava fogo por todo seu braço, seus olhos estavam negros e sua pele avermelhada, como se corresse lava dentro de suas veias sob sua pele pálida.
Os demônios me rodeavam com uma lentidão ameaçadora, minha perna latejava com a dor da mordida. Por dentro era como se um leve ácido me corroesse até os ossos. A única coisa que eu tinha de vantagem era minha altura, eles curvados batiam em minha barriga.
Um saltou em mim e eu o chutei. Pulei sobre a cabeça de outro caindo um pouco distante e senti minha perna doer. Tentei ignorar a dor por um momento e procurei uma pedra, mas achei algo melhor, um galho grosso, que funcionaria para mim como um taco de baseball.
O primeiro veio em cima de mim então o rebati para longe, e assim fui fazendo, mas eles só pareciam sofrer ao fogo de Jared, e ainda sim por pouco tempo, já que depois se reintegravam. Minha única defesa era meu taco improvisado, mas um ousado demônio o arrancou de minha mão, dois saltaram sobre mim. Defendi-me pondo meus braços sobre o rosto, eles me mordiam, rasgavam-me com suas garras super afiadas, e a cada mordida, a sensação de ácido aumentava em meu corpo, de dentro para fora.
Um grito agudo e irritante ecoou, assim como o tintilar de metal roçando em metal. Sentia menos dentes e garras sobre mim, até que já não havia mais nenhuma, eu estava rodeada por aqueles corpos negros e estranhos que aos poucos se derretiam, apodrecendo a mata a sua volta. Arrastei-me grogue para ver Jared, mas ele não estava sozinho.
Uma figura loira lutava com ele, afastando os demônios, as facas brilhavam quando as enterrava nos demônios. Outros mais vinham em minha direção, a figura loira se virou pra mim e eu vi, não querendo acreditar, era Emma. Senti uma forte mordia em minha panturrilha, que me fez gritar de dor, sacolejava minha perna como um cão sacode seu osso. Emma se aproximara de mim matando tudo o que havia em seu caminho, aos poucos minha visão ia ficando turva, sentia o ácido arder em meu sangue, em todo meu corpo. A luz da lâmina fez traços lentos e ligados no ar, e essa fora a última coisa que eu vi antes de apagar.
Acordei minutos depois com muita dor de cabeça, por sorte, o quarto estava escuro, mas pelas brechas do blecaute, pude ver que já era de manhã, que eu já não estava mais floresta, e que eu não havia apagado por minutos. Tentei me movimentar, mas todo meu corpo doía, estava pesado, uma sensação de que estava anestesiada por todo meu corpo.
"Jared!" gritei. "Em!"
A porta abriu deixando luz entrar, fazendo meus olhos doerem.
"Kate." falou Emma e o lado da cama desceu com seu peso "Amiga, você esta bem?"
"Meu corpo, ele parece estar anestesiado, não consigo mexer, mas sinto dor." Grunhi. "Em, o que foi aquilo ontem a noite?"
"Jared!" ela chamou por cima do ombro.
"Em!" falei.
"Kate, agora não é hora para isso." acariciou minha testa, mas não senti seu toque. "Depois que você melhorar nós conversaremos sobre isso." Jared apareceu na porta e Emma saiu.
Ele parou em pé ao meu lado da cama, avaliando-me de cima, depois se sentou ao meu lado, puxando-me para seu colo, diferente de Emma, eu sentia todos os seus toques. Alisou meus braços, deixando uma mão ali, outra na minha nuca. Sentia sua respiração quente em meu pescoço, eriçando meus cabelos da nuca.
"O que aconteceu ontem?" perguntei, com medo de ouvir a resposta.
"Você virou o lanchinho dos demônios." Senti algo frio tomar meu corpo, um resfriamento, Jared estava me curando.
Minutos depois voltei á minha temperatura normal, e já me sentia menos anestesiada.
"Por que estou me sentindo assim?" perguntei.
"Veneno, os dentes deles lançam um tipo de ácido paralisante no sangue para que não se defendam quando forem comer. Mas ao mesmo tempo não mata, porque é mais gostoso quando a presa está viva." Ele sorriu. Não achei graça. "Muita quantidade, enfraquece seu sangue, e naturalmente você morreria. Você foi muito afetada e tinha uma boa quantidade de veneno em você. Por sorte sua você tem a mim e também tem um pouco do meu sangue dentro de você." seus lábios não estavam colados em meu pescoço, mas podia quase senti-los, e esse quase, eriçava meus cabelos da nuca.
"Você pegou fogo ontem." Comentei sentindo meu corpo se aquecer, mas somente na memória. Fui tomada por arrepios com a lembrança
"É, eu faço essas coisas... Mas não achei que você fosse ficar surpresa. Não é a primeira vez que eu faço você pegar fogo." Zombou.
"Não, você literalmente pegou fogo." tentei me virar para olhar em seus olhos "por que você faz isso? Os outros Nephilim fazem?"
"Faço porque não sou como eles..." sua voz ficou grave de repente e ele desviou seus olhos dos meus, por um momento.
"Como assim?"
"Sou filho de um dem... anjo, bem importante. Ele esta nas historias e tudo mais, mas isso não vem ao caso. A questão é que quanto menos souber, melhor."
"Já te falei que estamos nessa juntos, não precisamos ter segredos."
"Precisamos sim. Devemos. Isso se quisermos proteger um ao outro."
Virei-me um pouco para olhá-lo sobre o ombro.
"Me protegeria?" minha voz saiu quase como um sussurro.
"O que eu estava querendo dizer é que se te pegarem, mesmo que te torturem, não terá o que dizer á eles, porque não sabe."
Com muito esforço e dor me virei, apoiando-me em suas coxas.
"Deixaria que me pegassem? Não iria atrás de mim?" o olhei nos olhos que brilhavam confusos.
Ficamos em silêncio apenas nos encarando, seu silêncio era torturante, mas seus olhos me davam um pouco de esperança, ele cogitava um sim, eu sabia. Seus olhos fitavam meus lábios.
"Jared?"
"Hmm?"
"Você iria atrás de mim?"
"Não crie falsas esperanças, Kate." sua voz saiu rouca e baixa. Ele engoliu em seco. "Você está diferente." Mudou de assunto.
"Diferente como?"
"Diferente tipo, está mais... fria." Deu de ombros.
O avaliei, ele estava sendo sincero e buscando mais palavras.
"Às vezes é preciso ser."
"Gosto disso. Prefiro assim." falou olhando-me nos olhos, um tom sem deboche, mas com certo humor.
Aos poucos nos inclinávamos em direção ao outro para nos beijarmos, mas grunhi de dor quando senti uma pontada em minhas costas. Fizemos mais duas sessões de cura e logo já estava melhor.
Emma estava na sala agarrada com seu ruivo. Pigarreei.
"Vamos para o quarto." falou saindo do sofá puxando-me para o quarto, Jared foi atrás.
Sentei-me na cama e a avaliei.
"Então?" perguntei.
"Sou sua nova protetora." Declarou rapidamente, como se tirasse um curativo.
"Protetora? " perguntei, confusa. "De que?"
"Calma, vou explicar." Respirou fundou. "Não pense que nossa amizade foi forçada, até porque eu conheci você antes de conhecer sua mãe."
"Minha..."
"Shh... vou falar tudo." Pausou. "Viramos amigas, então comecei a frequentar sua casa, sua mãe depois de um tempo percebeu que eu pertencia ao Sero, uma seita de ‘ajudantes’ ao Verus, o mundo real. Sou uma Muixilua, são famílias humanas que sabem da existência de demônios, anjos, Nephilins, Baalihans, bruxas, e ajudam á combater quando preciso. Existem clãs, sempre liderados por alguém do Verus, como sua mãe."
"Fazemos o que ela pede," prosseguiu ela. "Ela ou qualquer outro líder há gerações, como por exemplo, proteger seus filhos. Raymond era um Nephilim que participava do Sero, assim como sua vizinha que ás vezes tomava conta de você, e qualquer outra pessoa que já tenha ficado muito próximo de você. Menos ele." apontou pra Jared e suspirou. "Vim para Dallas, pois soube que Ray havia morrido e você estava sem um protetor. Antes que pergunte, não foi sua mãe, apenas recebi uma mensagem por sonho, e vim."
"Sabe do que me protege?" perguntei, sentindo um calafrio.
"Apenas te protegemos, nosso dever é estar sempre de olho em você." Fez uma pausa significativa. "Sempre."
"Minha mãe nunca comentou? Nada?..." bufei. "Vocês devem ter um treinamento, um treinamento específico, certo?"
"Treinamos para tudo, demônios, Nephilins, bruxos... Recebemos armas e aprendizado para cada coisa." tirou de baixo do colchão a adaga, a adaga que brilhava quando tocava o demônio. "Sua mãe pôs um feitiço nessa adaga para que eu pudesse matar demônios, ou qualquer outra coisa. Foi assim que te salvei, salvei vocês dois." olhou para Jared que revirava os olhos.
"Minha mãe está viva não está?" perguntei.
"Eu não sei, Kate." Balançou a cabeça, me olhando com pesar. "O Sero não anda mantendo muito contato, mas minha mãe foi convocada para uma missão, como muitos outros integrantes mais experientes. Desde então não se tem mais notícia de ninguém."
"Por que nunca me contou nada?" perguntei incrédula.
"Não posso desacatar a líder, e meu dever era apenas protegê-la, não tinha permissão de te contar os segredos do Verus."
Olhei para Jared que me encarava, e depois olhei para Emma.
"É comum filhos de líderes de Seros, serem tão bem protegidos assim?" perguntei.
"Ah... Não. Mas vou tentar descobrir do que te protejo Katherine, eu juro por nossa amizade."
Levantei-me para abraçá-la.
"Embora você tenha omitido várias coisas, ainda sim é a única família que tenho agora. Obrigada por me proteger Em." Ela me abraçou de volta, e ficamos assim por um tempo. Ouvi Jared bufar.
"Bom," disse ela afastando-se de mim. "Agora que meu ‘disfarce’ foi revelado, posso deixar você e Jared sozinhos. Gayle e eu vamos dividir um ap. com um amigo dele." Sorriu maliciosamente para mim e saiu do quarto saltitante.
Olhei para Jared que encarava o nada, totalmente perdido nos próprios pensamentos, os braços cruzados firmemente contra o peito.
"Ei." o chamei e ele me olhou piscando duas vezes "Em que está pensando?"
"No porque você precisa de tanta proteção..." falou indo até a cama e pegando a adaga, estudando-a.
Era simples, bonita apenas quando brilhava, quando cortava ou matava um demônio. Jared pegou a lâmina e a passou na mão, fazendo-a brilhar, escorrendo sangue negro.
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