Notas iniciais
Essa fic é antiga, postada em outro site por mim. Ela foi um presente pra minha PP. Continua sendo mesmo em outro site.

James Wilson era o tipo de pessoa que não gostava das coisas erradas. Acordava pontualmente as seis, calçava os chinelos milimetricamente colocados ao lado da cama, preparava o café da manhã e fazia boas ações. Muito boas ações, diga-se de passagem. Era um ótimo oncologista, envolvia-se com seus pacientes de uma maneira emocional que talvez – e apenas talvez – Cameron fizesse e, é claro, o mais importante de tudo: era amigo de Gregory House.

Não apenas amigo de Gregory House, mas seu melhor – e único – amigo. E morava com ele. Por algum tempo, é claro, pois havia sido enxotado de sua casa pela própria esposa e como o bom samaritano que era, não sabia dizer não às pessoas. Poucas coisas eram capazes de incomodá-lo e isso fazia dele quase um santo. Quase. Incontestavelmente, algo que James Evan Wilson odiava era a preguiça.

Seguindo a linha de raciocínio, deveria odiar pessoas preguiçosas. E Gregory House era preguiçoso. Uma vez mais, seguindo a linha de raciocínio, Wilson deveria odiar House. Mas não odiava – e se odiava, era extremamente masoquista ou simplesmente péssimo em expressar isso, uma vez que agora Greg House estava deitado na cama, usando cobertores quentinhos e macios enquanto o encarava.

– Você não vai levantar? Vai acabar se atrasando pro trabalho e Cuddy lhe dará uma bronca. – ralhou com ele, ajeitando a gola da camisa social na frente do espelho.

– Uhn.. não. – respondeu como uma criança mimada e rolou na cama. – Além disso, eu sou o chefe e posso chegar a hora que desejar, Wilson.

– Deixe de ser preguiçoso. – varreu o quarto com os olhos até encontrar o casaco e vestiu-o.

– Nah, estou muito bem nessas condições. – engoliu dois comprimidos, virando-se para o lado e fechou os olhos.

Wilson revirou os olhos, indisposto a continuar com aquele diálogo. A voz sonolenta de House sempre o incomodava naquelas manhãs.

– Wilson... – ouviu-o chamar quando estava na porta.

– Sim?

– Apague a luz quando sair.

Milhares de imagens vieram à mente de Wilson naquele momento e nenhuma delas envolvia flores ou coelhinhos fofinhos. Limitou-se a desligar a luz e saiu do quarto sem ver que House sorria.

X

Chase, Cameron e Foreman se entreolhavam em silêncio. Já haviam se acostumado com os atrasos de seu chefe, mas a falta do que dizer era sempre incômoda. Haviam contado pelo menos três visitas de Cuddy até a sala, trazendo novos casos e tantos xingamentos – novos – a House que se pegavam imaginando como estariam as orelhas de seu chefe naquele momento.

Entretanto, quando ele entrou arrastando os pés (e a bengala) na sala e sentou-se em sua cadeira, sem nem sequer dar-se ao trabalho de dar um bom-dia, pensaram que a praga que Lisa Cuddy havia lançado sobre ele talvez tivesse sido um pouco forte demais.

– Pretendo dormir pelo menos mais três horas em algum consultório. Se Cuddy perguntar, digam que estou na clínica. – disse, antes de erguer-se. Os olhos vermelhos delatando o cansaço e os músculos contraídos dando-lhe uma aparência muito mais velha do que o médico deveria possuir.

Assim que deixou a sala, os três voltaram a se encarar tendo entre eles aquele silêncio incômodo.

– O que acham que anda acontecendo com House? Quer dizer, ele sempre foi inclinado a atrasos, mas ultimamente... – Cameron manifestou-se.

– Talvez seja alguma praga que a Dra. Cuddy lançou nele para que aprendesse quem manda por aqui. – Chase, entretido com suas anotações, sequer deu-se ao trabalho de erguer os olhos para os colegas.

– Pode ser apenas preguiça matinal. – Foreman deu de ombros.

– Você acha mesmo? Mas o que o deixaria tão cansado assim? – questionou Cameron.

– Não sei, mas ouvi dizer que Wilson está passando uns tempos por lá. – concluiu Foreman. E quando o oncologista passou pela sala de House perguntando pelo médico, deram o assunto por encerrado.

X

– Seus empregados estão começando a desconfiar desses seus atrasos. Não devia dar alguma explicação a eles?

– São empregados, Wilson, e no dia que tiver que me explicar para eles, atenderei meu primeiro caso de Lúpus naquele hospital. – o médico respondeu categoricamente, ao que o outro apenas suspirou, remexendo-se na cama.

– Você é extremamente irritante, House.

House, erguendo-se da cama, sorriu.

– Eu sei.

– Onde você vai? – perguntou, olhando-o por cima do ombro enquanto ele vestia as roupas.

– Para onde mais? Para minha cama. – abriu um sorriso sacana. – Ou você prefere que eu passe a noite aqui com você?

– Nem nos seus melhores sonhos, Greg. – revirou os olhos, acomodando-se na cama.

– Wilson?

– Sim?

– Talvez eu volte mais tarde.

Embora não se olhassem, cada um sabia o que o outro pensava naquele momento. E enquanto House deixava o quarto, batendo a bengala contra o piso da casa, Wilson deixou um suspiro escapar de seus lábios. E quando, três horas mais tarde, ele voltava trazendo consigo uma lata de chantilly e alguns doces, Wilson arqueou as sobrancelhas, incapaz de articular alguma frase compreensível. Aquela preguiça matinal de House tinha uma explicação muito lógica afinal. Wilson que o diga.

Notas finais
Essa fic é meio antiga mas decidi repostar aqui. Ela é leve e divertida, pequena. Mas acho que era algo totalmente cannon. Gente, não dá pra negar como eles são cannon. Até no fim da série mostra kkkEnfim, espero que gostem, tenho outras de House guardadas.Comentem por favor.
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!