Eu me apresentava em um lugar escuro, como se fosse um quarto, com paredes negras, porém havia um espaço onde saia luz de lá, não posso dizer janela, pois estava o piso. Me levantei, olhando para aquela luz, o único lugar branco dali, não me lembro que roupa estava, mas acho que não estava, pois não sentia nenhum tecido. Fui para mais perto daquela luz e olhei para baixo e só tinha branco, nada mais, sem nuvens nem nada. Então “pulei”, ou melhor, me ajeitei e fui. Eu esperava cair, cair e cair até chegar no solo. Mas quando vi estava em um lugar onde as paredes tinham um efeito diferente, como se fosse ondas, e o piso era banco e brilhante, como o que eu vi “lá em cima”. Eu não tinha caído, apenas pulei mas acabei ficando de pé, não consigo explicar.

Enfim, segui para frente, onde havia novamente uma luz, as ondas negras nas paredes me hipnotizavam, na verdade, tudo estava me hipnotizando. Quando passei por aquela “porta” brilhante, e então só aquela hora eu senti um baque no solo, como se estivesse caindo enquanto andava, foi um susto, pois de repente um piso redondo cheio de cores estava na minha visão e eu cai.

Me levantei, e olhei para os lados, mas não via nada, como se estivesse dentro de uma nuvem e vi que onde eu estava era redondo, com vários circulos coloridos e me deixava zonza.

Não demorou muito até eu desligar. E quando voltei a consciência, ainda com os olhos fechados, uma luz verde parecia estar brilhando no canto esquerdo da minha visão. Abri os olhos e era o semáforo, e eu estava dentro de um carro, olhei para o motorista mas apenas vi um vulto negro e perdi a consciência. Quando voltei novamente, era dia, e olhei para a janela, foi a primeira coisa que eu fiz, e vi uma paisagem correndo: várias árvores, muitas, uma plantação de... coqueiros. Coqueiros? Quem iria plantar tanto coqueiro? Pensei que era uma plantação de cana-de-açúcar, mas não eram. Eram coqueiros.

Nada fazia sentido, pois depois daquilo, eu estava em um campo, com a visão fraca mas consegui ver uma mesa, era onde minha visão se focava, e então alguém colocou um pote, aqueles de colocar bolachas, e então colocaram cookies dentro. Ok, tudo bem, eu acho. E então alguém pescou uma bolacha – com vara mesmo. E logo depois, de novo. Então parei de me focar no pote e vi que as bolachas estavam sendo pescadas por um homem, que as pegavas e engoli-as. Ele estava sentando numa cadeira de pesca, com as pernas cruzadas, estava com boné mas era um homem bonito. Ele me viu e disse algo, não tinha entendido, mas levantou e me levou para uma garagem, onde tinha outro homem, sentando em uma cadeira de pesca também, ele falou comigo e estendeu a mão, e desta vez entendi.

Oi. — foi o que pude lembrar.

Ele tinha olhos verdes, cabelos um pouco longo, mas bonito. E logo depois lembro de alguém passando por uma cortina rosa, que na verdade era uma entrada para a sala, e formato deste lugar era um coração.

Logo depois, me lembro de estar em uma mesa de jantar, com os homens que havia conhecido, apenas eu de mulher. Foi um ótimo jantar, a comida estava ótima, e aquele homem de olhos verdes me encarava profundamente.

Depois do jantar, eles me ofereceram um quarto, e enquanto eles arrumavam a cozinha subi as escadas, estilo americana, e entrei no quarto. Tomei um banho quente, e quando sai do banho aquele homem estava lá, em um momento muito rápido, já estávamos na cama e já sabia o que havíamos feito. Sim, foi muito rápido, e também foi rápido o modo que meu corpo mudou e meu cérebro mudou. De repente lembrei de algo, ou algo estava me fazendo ficar mais agitada, coloquei a roupa muito rapidamente e o homem havia mudado também, estava diferente e indo atrás de mim. Eu sai correndo, quase tropecei nas escadas e o homem me seguia, fui para a direção do cara dos biscoitos e, sem nenhum motivo, peguei o pote e joguei, os biscoitos sairam correndo e vi que não eram normais.

Não vi nada atrás de mim, apenas sai correndo, e percebi que havia um muro por volta da casa, mas tinha um lugar escuro onde se podia passar, e fui em direção disto, e tudo ficou escuro no meio e quando sai do outro lado, já era bem diferente.

Uma feira, e era noite, a lua estava tão grande e em uma coloração amarelada. Nas ruas haviam árias barraquinhas, e eu comecei a andar entre elas, olhando as barraquinhas, lá estava uma com o mesmo pote e as mesmas bolachas, e estavam escritos: bolachas flutuantes. Não tinha entendido mais segui em frente.

Entrei em uma casa, e me arrependi, havia um casal lá... Enfim, segui em frente e chegou em uma parte que havia vários casais em seus amassos, não entendia, mas continuei, alguns minutos depois, parei. Os homens estavam na minha frente, e estavam preparados para correrem atrás de mim e eu sai correndo, de novo.

Corri muito, mas com a sorte entrei em um beco sem saída mas tinha uma escada, e começei a subir, subir, até chegar no topo do prédio. Parei para respirar e quando vi, eles já haviam me alcançado. E continuei a correr, e fiz a locura de pular entre os prédios, com o coração a mil, pulei e olhei para trás, não resisti, e foi uma sensação única. Quando meus pés tocaram o outro prédio, um sorriso me veio ao rosto. E fui pular o outro, confiante, mas algo não deu certo...E cai, como se tivesse perdido algo, estava correndo, mas não tocava o chão, pulei mas não cheguei até o outro prédio. Só fazia algo: cair.

Tudo ficou branco, novamente, e negro. E voltei para aquela sala...

Foi o que lembro, e vivo repetindo o mesmo... Na verdade, vivo fazendo coisas diferentes, sempre de um jeito “normal” e o outro sombrio. E sempre algo acontece e volto para aquele quarto. Se é sonho? Não sei, mas queria acordar dele. Não sei quem eu sou, como eu sou, minha hitória. Só sei que no final do dia vou voltar para um quarto negro.

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