Hydrangea
1 Único
Notas iniciais
Sentei-me na varanda de madeira, olhando o lago que existia no quintal, fornecendo-me um agradável som da água se chocando nas pedras da pequena cachoeira. Olhei para o céu que estava azul, o sol fraco de quatro horas da tarde batia em apenas parte das flores, o resto era coberto pela sombra fornecida pelas árvores. Já era primavera, já se viam flores por todos os cantos da pequena cidade japonesa; Um dos poucos lugares que nós podíamos descansar do agitado ritmo da banda. Ou melhor, eu, pois agora você não fazia questão da minha presença.
Respirei fundo, passando as mãos pelos meus fios claros, tentando me controlar; Já estava cansado de chorar por sua causa, meus olhos já estavam avermelhados, inchados e olheiras enormes já estavam aparecendo. Deitei-me no chão, puxei sua blusa e, lamentavelmente, cedi a minha vontade de chorar permitindo as lágrimas voltarem a rolar. Respirava seu aroma para tentar esquecer a dor, mas eu agia apenas como um masoquista doente que gosta de cutucar suas feridas. Algumas pétalas de hortênsias se soltaram das flores, voando junto com o vento, tocando minha pele; Pareciam seda, assim como seu toque em mim, tentando acalmar-me do buraco que existia em meu peito.
Afoguei-me nos meus pensamentos e logo não conseguia mais ouvir o farfalhar provocado pelo vento nas folhas das árvores, nem mesmo o barulho das cigarras ou o pio dos pássaros.
Rolei meu corpo para o lado contrário do jardim, ficando de frente para o pedaço da sala possível de enxergar, fornecido pelo pequeno espaço aberto da porta de correr. Fiquei a observar o sofá e o tapete, lembrando-me de todos os sussurros e promessas feitas dentro daquele cômodo, mostrando-se tão frágeis que agora podiam ser esquecidas e levadas embora pelo vento, encontrando uma hora a água dos riachos e se afogando no esquecimento, assim como as delicadas pétalas das pequenas hortênsias.
Os segredos, os sonhos, os toques, as lembranças e as leves esperanças, tudo isso deveria ir embora junto com a primavera, para que pudesse ser enterrado, pois eu já não tinha seu doce sorriso para me tirar da amarga escuradão que eu me encontrava, e sabia que você não voltaria. Talvez no verão eu encontrasse algo que pudesse me manter aquecido como seus braços constantemente faziam. Ou talvez simplesmente guardasse tudo trancado no meu coração, e cutucaria aquilo sempre, pois era uma ferida que eu não queria somente como cicatriz, e sim aberta e viva em todos os meus momentos. Por mais que fosse uma ação doente, eu queria aquilo; Ou melhor, eu precisava daquilo para poder aguentar agora, sem você.
Notas finais
Reviews são sempre bem vindos, e eu queria que falassem em quem vocês pensaram. (inicialmente, somente por diverção).
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