Hurricane

1 Like a Fucking Hurricane


Notas iniciais
Essa one é minha xodó, então decidi passar pra cá.

Ace olhou pela janela da cafeteria tediosamente, observando algumas pessoas com seus amigos ou namoradas conversando animadamente, voltou sua atenção para frente e logo voltou a andar calmamente. Tudo estava tão calmo, que nem ao menos parecia que um furacão havia passado e destruído tudo. Há quem diga que agora tudo estaria bem e melhoraria, mas sabia melhor que ninguém que preferia mil vezes estar entre a tempestade e provando-a.

Pois, nada fora tão belo e catastrófico como aquele furacão que o cativou com cada tempestade violenta, às vezes parecia que havia sido um sonho, mas os rastros de caos e violência em seu corpo deixavam clara a passagem do furacão. Olhava a multidão ao seu redor, procurando-a, desejando-a e querendo a volta do caos mais uma vez, querendo estar no olho do furacão mais uma vez, por mais traiçoeiro que fosse.

Mas, nada além de expressões desinteressantes lhe rondava, o mundo naquele momento era cinzento por mais ensolarado que estivesse. Aquele era a prova de que havia sido destruído do jeito mais belo possível e isso não o fazia odiar aquelas emoções ou a causadora deles, muito pelo contrário, daria tudo para ter a violência da tempestade mais uma vez, mesmo sabendo que no dia seguinte não haveria rastros físicos dela. Se havia aprendido algo é que não deveria prender-se a coisas matérias se estivesse falando dela, furacões não deixam nada além de sentimentos incompletos e sufocantes.

Não sabia o nome, muito menos onde morava o caos, apenas sabia que deveria procura-lo, embora haja quem diga que não se deve ir atrás de um furacão se não quiser morrer, mas se morrer significará provar de seus lábios mais uma vez, então valeria apena cada vez em que pensou na mesma e sonhou secretamente em estar dentro de seu corpo, se assim fosse não se importaria de dar sua vida.

Estava em um parque que era bastante movimentado e já havia estado ali várias vezes com seus amigos, mas nenhuns desses momentos eram mais valiosos do que as lembranças de estar lado a lado com o desastre enquanto conversavam sobre coisas banais e sem sentido, que agora lhe eram estranhamente preciosas, sorriu ao lembrar-se de uma das frases da encarnação do caos.

— Se você quer algo, basta conquista-lo, certo? Sabe, como um pirata, se diz que é seu, basta ir pega-lo — E de fundo ainda havia o som de chuva que caia gentilmente sob eles.

Essa frase martelava em sua mente, mas não sabia se era por causa da voz rouca ou pela mensagem interessante que havia nela, contudo sabia que era uma boa combinação. Talvez devesse colocar a lição da frase em prática? Mas, furacões pertencem a alguém além deles mesmo? Obviamente, não. Se você sequer pensa em prendê-los, logo somem e nunca mais voltam. Talvez, seja por isso que a tempestade nunca mais retornou.

Olhando para o céu azulado, que embora tivesse nuvens não parecia que ia chover isso o deixava apreensivo. Ela tendia a aparecer em dias chuvosos, e mesmo se estivesse sol, ao aparecer o clima logo se transformava e a chuva cairia sob ele, mas não se importava. Beijos na chuva eram bons, ainda mais se você beijava a própria tempestade, o gosto de sua boca ainda estava impregnado em si e não queria esquecer, essa era uma das lembranças de que ela existia.

Sentou em um banco e reviveu as lembranças de seus momentos, esperando secretamente o furacão chegar e devastar tudo por dentro e por fora. Os olhos vasculhavam quase que desesperadamente o parque a procura do caos e saber se ele lhe daria a honra de prova-lo mais uma vez.

— Procurando a bolinha, é? — Os ombros pularam e o coração disparou junto de um trovão. A tempestade havia chegado e não havia nada que pudesse para-la, também não haveria o porquê disso.

— Não, apenas estou... — "Procurando-lhe"... Não iria dizer isso... — Estou aproveitando o bom clima — Novamente o céu trovejou e não pode deixar de sorrir.

— Mas, parece que vai chover.

— Por isso mesmo é um bom tempo — A mulher riu e sentou-se ao lado dele, sorridente.

Ao inspirar sentiu o cheio de perfume invadir lhe as narinas, o caos cheirava terrivelmente bem, quase como cerejas.

— E o que você faz por aqui? — Perguntou. Seu foco ainda estava no céu que começava a nublar rapidamente.

— Fazendo o que eu faço de melhor — Agora foi a vez dele de rir, ela era uma pessoa muito ciente de seus próprios feitos, não? E seu coração apenas implorava por mais destruição.

Virou-se para a mulher e encontrou um olhar brilhante e um sorriso travesso, como se estivesse armando um jeito novo e belo de destruí-lo, os olhos por dois segundos desceram para os lábios, o batom vermelho formava um coração vermelho sob os finos lábios, talvez um pedido discreto para que ele toma-se o coração para si? Sorriu levemente com o pensamento, podia achar que aquele estilo de usar o batom era brega ou algo do gênero, mas nela era algo incrivelmente charmoso. É provável até que qualquer roupa fique boa nela, mas sabia muito bem que ela era muito mais bela sem vestimenta alguma.

Quando abriu a boca para proferir algo, a chuva começou a cair forte sob eles, mas não se importavam. Podia escutar algo a fundo, gritos? Podia jurar que apenas havia os dois ali, mas não era importante, apenas ela importava naquele momento. O rosto da garota aproximou lentamente do seu e as mãos fecharam-se numa tentativa de controlar o coração que batia contra o peito, esperava que ela não conseguisse escuta-lo.

Os lábios tocaram levemente enquanto a chuva gélida acariciava seus rostos quentes, de início um simples roçar de lábios, mas não era o suficiente para si e nem para a rosada. Ela pediu passagem com a língua e não hesitou antes de dar-lhe o que havia pedido, sua língua procurava avida pela dela, querendo relembrar o gosto de menta de sua boca, causado pelo chiclete que constantemente mascava, sentiu as delicadas — porém, fortes — mãos da menor irem para sua nuca na intenção de aprofundar o beijo e provar melhor de si, nunca que negaria algo ao caos, não seria tolo a tal ponto.

Separaram-se por falta de ar, embora a única coisa que sentisse falta era dos lábios da rosada, que não estavam muito longe de si, pelo menos por enquanto...

— Acho que você leva seu trabalho a serio — Comentou, estava lentamente sendo sugado pela imensidão ametista de seu olhar e estava adorando.

— O prazer e o trabalho andam junto, como não levar a sério? — O sorriso travesso cruzou os lábios, ela estava saboreando o momento, ela estava adorando vê-lo desnorteado.

Contudo, o momento fora interrompido, pelo telefone da rosada que tocava no bolso da calça. Ela o pegou e olhou para a tela, fazendo uma careta nada contente.

— Que porra de timing — Revirou os olhos e atendeu ainda brava, e dando respostas curtas e grossas. Observava cada movimento e expressão querendo gravar cada frame em sua mente, logo ela desligou e voltou-se para si, sorridente.

Furacões são inconstantes, não? Sabia muito bem o que aquele sorriso significava.

— O dever me chama – Ela levantou-se e piscou para ele, o piercing abaixo do olho direito reluziu por alguns segundos. Ace sorriu, sabendo que não havia nada a ser feito.

— Me encontre no hotel Red Line as nove – E sem ao menos esperar uma resposta, saiu andando a passos confiantes, o barulho de suas botas batendo contra o chão evidenciavam isso. Ela sabia que não precisava esperar, pois ela sabia que ele viria para o olho do furacão independente da circunstância.

O moreno fitou o céu que começava a se abrir dando mais espaço para a calmaria enquanto a tempestade ia embora, consequentemente a chuva parava. Novamente ela havia passado e destruído a si de um jeito maravilhoso e mal se importava. Seus olhos voltaram-se para o caminho que a rosada seguiu e já não era mais possível vê-la, como se nunca houvesse existido. Mas, os rastros de caos eram evidentes em seu coração.

Toda vez que ela ia embora, entendia o porquê de furacões terem nomes de pessoas.

Notas finais
Gostei do resultado final.
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!