Hurricane.

14 A Mess of Feelings


Notas iniciais
Mais um cap, gente muito obrigada pelos reviews! Responderei todos em breve, e por favor, me digam se estou indo certo no caminho desse shipp Nistacia ou Klanya ♥

Encarei novamente minha mão embaixo da água corrente, lavando meus dedos em estado hipnótico como se houvesse alguma área abaixo do meu pulso que eu não tinha limpado.

Meu pescoço estava tenso, e minha respiração pesada, mas, meu peito cheio de algo que eu não sabia catalogar. Era como ter recebido uma dose de medicamento que você sentia que percorria seu sistema nervoso de maneira lenta, como um verme em sua veia.

Tremi sem me conter depois daquele pensamento exagerado, e desliguei a torneira para voltar a me secar.

Meu corpo estava úmido depois de pelo menos três banhos que não resultaram em nada para me acalmar. Eu ainda estava basicamente dolorido depois daquela energia que havia absorvido de Klaus... Só de pensar naquilo sentir minha respiração pesada.

Sentei na tampa da privada, e observei o piso polido do banheiro. Como se eu pudesse ver todos os segredos da minha existência ali, mas não conseguisse entender.

Foi com um sobressalto digno de sair de minha própria pele que acordei dos meus devaneios quando meu celular em cima da bancada da pia começou a vibrar ao mesmo tempo em que Womanizer começava a tocar. Havia me esquecido de colocar novamente no modo vibrar.

Sem muito ânimo mais com presa, liguei a torneira de novo, agora até ela fazer um barulho alto para encobrir aquela conversa.

— Fala Damon. — Minha voz era cortante e seca como um machado velho.

— Uou, vai com calma ruivinha... — O vampiro zombou do outro lado, com uma voz empregada de anseio. — Eu apenas liguei para você me dar as boas notícias.

Eu me inclinei para a frente da bancada, vendo meu reflexo me encarar no espelho á minha frente, eu parecia cansada, mas com um brilho diferente na pele limpa depois que qualquer resquício de maquiagem foi tirada.

— Ah sim, as boas noticias, como eu poderia me esquecer delas? — Disse sarcasticamente olhando a porta que estava fechada, segurei com uma mão o celular no ouvido, e a outra voltei a deixar embaixo d’água. — Sage morreu, assim como Troy um vampiro que ela criou, isso porque vocês mataram Finn que havia os criado...

— Klaus e os demais? — Perguntou ele me cortando com uma urgência na voz que eu nunca tinha ouvido.

Mordi meus lábios antes de responder.

— Klaus, Elijah, Rebekah e Kol eu acho, já que não o conheço pessoalmente, estão vivos, idiota. — Briguei realmente irritada. — Como você pode ter feito um ataque tão aberto aos vampiros mais poderosos da Terra? Com a morte de Finn, Elijah deduziu que qualquer vampiro que veio deles também morrem, e acredite não foi nada bonito ver Sage se esvair em sangue.

Só de me lembrar comecei a sentir que hiper-ventilava novamente. O corpo de Finn queimando, Sage aos berros, e depois ela e seu amigo morrendo como uma planta sem raiz.

— Damon... — Chamei apenas ouvindo uma respiração rápida do outro lado. — Está me ouvindo? Vocês estavam com um plano ousado de uma faca de dois lados, você quase se matou, como seu irmão também.

Damon gruiu um palavrão, e a linha ficou muda.

Ótimo, pensei, era bom que ele ficasse de sobreaviso, porque Elijah e Klaus estavam putos da vida, indo em busca das estacas de carvalho branco que alguém, provavelmente os Salvatore, tinham feito com a placa roubada.

Cansei de ficar ali naquele banheiro, então me vestir rapidamente, colocando meu pijama, que era basicamente regata e shorts, para depois secar meus cabelos, foi saindo do banheiro esfregando meus cabelos com uma toalha, entrando no quarto que era destinado a mim, que vir Klaus entrando pela porta que dava para o corredor, seu olhar era neutro, como um espelho de uma fotografia tirada a muito tempo.

— O que aconteceu agora? — Perguntei nervosa deixando a toalha no meu ombro para me aproximar do híbrido com cautela.

— Encontramos as estacas, ou quase todas elas. — Comentou com a mandíbula apertada, indo em direção a varanda que estava aberta, para ficar de costas para mim. — Rebekah meio que sequestrou Stefan e fez Elena lhe dar as estaca em troca, Elijah está fazendo as honras lá embaixo as destruindo.

Assentir, mesmo que ele não pudesse ver, sentindo meu estômago se contorcer em nervosismo.

— Falta alguma? — Perguntei não sabendo se Damon já sabia daquelas informações, ou, se estava sabendo naquele exato momento.

— Uma. — Contou se virando, para me encarar como uma estatua faria. — Está com seu tio, mas especificamente alter ego dele.

Assentir com a cabeça, e dei alguns passos para trás, até sentir o final da cama em meus joelhos, me deixei cair até esta completamente sentada, e suspirei novamente, apertando minhas coxas com as palmas abertas.

— Um alter ego que odeia vampiros, e pessoas perto a vampiros. — Sussurrei baixinho como um segredo sentindo meus olhos arderem. — Eu posso ajudá-lo... — Disse mais firme, levantando os olhos para encará-lo, sua sobrancelha se levantou em espera. — Se prometer que vai me ajudar a cuidar de Rick sem feri-lo.

Perfeito, eu tinha realmente falado aquilo, suposto que Klaus ou seus irmãos machucariam Rick pela estaca de carvalho branco, deixando claro que eu sabia do que eles seriam capaz para se livrarem da morte. E não me arrependia.

Klaus pendeu sua cabeça para o lado minimamente, e balançou-a em um aceno sutil, selando aquele acordo.

Ficamos em silencio naquele quarto, cada um preso em seus pensamentos e problemas. Quando me lembrei de algo que queria falar.

— Sinto muito pelo seu irmão Finn. — Disse docemente, ficando de pé, para tirar aquela toalha molhada do meu ombro, e colocá-la no encosto da cadeira em frente a penteadeira.

Depois me virei para Klaus, e esperei alguma reação dele, a que tive, me assustou.

— Finn queria mesmo morrer. — Ele deu de ombros, e sorriu minimamente sarcástico, uma sombra escura ficou em seus olhos.

— Isso não significa que ele não tenha machucado você, ou mesmo Rebekah, Elijah... — Gesticulei com as mãos um pouco confusa. — Vocês vão pelo menos enterrá-lo?

Foi à vez de Klaus me olhar confuso, para depois com malicia. Dizendo sem palavras que eu não sabia o que ele sentia, nem como era realmente a vida. Aquilo me aborreceu.

— Esqueça Finn... — Ele voltou-se para a varanda, fechando as portas, e puxando as cortinas. — Vamos falar como você é uma bruxa.

Instintivamente olhei para minha mão direita, e deu um bufo irritado.

— Eu não sou uma bruxa, não sei do que está falando...

— Quem é seu pai? — Klaus indagou me cortando a medida que eu caminhava em direção a cama para me sentar na beirada de pernas cruzadas como se fosse uma criança esperando por uma conversa séria.

— O biológico? — Rebati, e ele concordou com um aceno. — Não faço ideia, e não me preocupo. — Dei de ombros. — Escute, eu acho que tem uma explicação extremamente lógica para o que houve, talvez uma que não envolva acabar com minha vida. — Pedi de modo emburrada, mas também assustado.

Klaus crispou os lábios um pouco impaciente, e colocou as mãos na costa, ficando mais ereto.

— Quando eu morei em New Orleans, há muito tempo... Havia um Coven de bruxas que não possuía magia própria, mas, possuíam a habilidade de sugar magia alheia... Ou de qualquer objeto, ou maldição em que tocasse, como uma esponja anti-magia, que se tornava mágica... Uma bateria. — Explicou lentamente, com os olhos afiados em minha direção. — Bruxas Feye.

Pendi a cabeça para o lado, e depois dei uma risadinha sem graça.

— Acha que eu sou como elas? — Perguntei tentando soar inocente, como se ele estivesse me acusando de algo que eu não sabia, e nem tinha idéia do que era.

— Não... — Ele deu um passo para frente, ainda sem desfazer da posse soberba. — Eu tenho certeza que é. — Decretou como ferro quente na madeira. — Assim que tenho certeza que salvou minha vida, e a vida dos meus irmãos quando absorveu com seu toque a magia de ligação que nos unia a Finn.

O encarei surpresa, apertando meus lábios com força entre meus caninos, sentindo que eu não estava gostando daquela idéia, como se eu estivesse em um beco sem saída, quando fugia de algo que não podia ver.

— Ta... — Me rendi. — Mas mesmo se isso for verdade, então, não significa nada, okay? — Joguei minhas mãos para o alto, e fiquei em pé com um salto. — Eu não vou sair fazendo magia, ou mesmo nada extraordinário! — Coloquei a mão na minha nuca, e comecei a andar lentamente pelo quarto, longe o suficiente de Klaus para não me sentir tentada a ficar em seus braços para ele ser meu apoio naquele momento. — Minha família é completamente humana, ou a que eu conheço, meus avós vivem em New Hampshire, em beira mar, minha mãe não faço ideia, mas ela nunca fez nada extraordinário... Deus... — Parei de andar, e fiquei olhando sem ver a parede. — Isso realmente não está acontecendo.

— Eu vou ajudá-la. — Prometeu Klaus me fazendo virar o pescoço para olhá-lo por sobre o ombro.

Apertei minhas mãos com força, e me aproximei dele com lentidão.

— Não quero isso, sem saber da onde vem. — Informei não sabendo exatamente quando havia tomado aquela decisão. — Talvez Rick tenha alguma idéia de quem seja o meu pai. — Cocei entre minhas sobrancelhas. — Estou com fome. — Disse mais para mim mesma, sentindo meu estômago novamente doer. — Ótimo, não como há horas e nem notei. — Comentei sarcasticamente comigo mesma.

Klaus soltou um risinho, e tocou em meu queixo com o polegar, se aproximando de mim com cautela, como se esperasse que eu me afastasse. Eu não o faria, nem fiz, apenas ansiei.

Seus lábios se abriram minimante quando ele se aproximou mais, suas mãos indo direto a minha nuca, me trazendo mais para encontro seu, como se eu fosse algo precioso e delicado. Minhas mãos tocaram seu peito e eu sentir dentro de mim que nada mais era importante naquele momento. Ele estava próximo, ao meu alcance, sua boca se moldando a minha enquanto sua língua tocava a minha como uma labareda incendiaria, como se eu fosse feita de gasolina e alguém, ele, houvesse acendido o fósforo.

Eu abrir mais minha boca, tentando absorvê-lo mais, e dar mais de mim mesma. Então, suas mãos desceram para minha cintura, enquanto ainda me beijava apaixonante mente, me fazendo derreter, e adorar cada segundo.

Sentir quando ele recuou, me puxando para cima com facilidade, me fazendo ficar na ponta dos pés, uma quentura então anormal me levou a apertar minhas pernas uma nas outras, me fazendo sem consciência morder seus lábios, ele rosnou baixinho, não de dor, mas de pura tensão sexual. De modo assustado e envergonhado parei o beijo.

Suas mãos ainda estavam em minha cintura, não me deixando afastar completamente.

Seu dedão quente fazendo pequenos círculos na base das minhas costas, na pele crua que formigava no contado da dele.

— Desculpe-me, ainda não estou... — Engoli em seco, tentando respirar normalmente, minha respiração era alta e estava falhada tentando voltar encontrar o caminho de novo para os pulmões, assim como a dele, como se tivéssemos corrido uma maratona e adorado cada segundo. — Preparada para isso.

Sentir minhas bochechas corarem na hora, e abaixei meus braços para colocar minhas mãos em cima das mãos dele, fazendo um esforço para ele me soltar, ele não o fez. Apenas ficou ali, me olhando debaixo, como se eu estivesse sendo engraçada, invés de inconveniente.

— Acho que deveríamos alimentá-la. — Disse mudando de assunto para meu alívio.

Suspirei sorrindo sem graça.

XxxX

Acordei de madrugada girando na cama, sentindo aquele incomodo no corpo quando me virei de barriga para baixo. O quarto estava silencioso, e apenas uma luz da lua entrava pelas frestas da janela da varanda.

Me sentei olhando ao redor, como se espera-se encontrar mais alguém ali, e não vendo, fiquei em pé com cuidado, afastando as cobertas, temendo fazer qualquer ruído até que estivesse no andar de baixo. Peguei um roupão que estava esticado em uma poltrona, e o vestir ao mesmo tempo que saia de fininho. Meus pés descalços aceitaram bem o piso gelado na sola, que enviava ondas relaxantes para a quentura que eu estava passando.

A cozinha da mansão Mikaelson era bem moderna, tanto que os refrigerados não faziam barulho, como seria no Looft ou mesmo na mansão Mikaelson, por isso levei um susto quando assim que apertei o interruptor, e a escuridão ganhou luz,vir Elijah sentado na bancada da cozinha.

As mangas da sua camisa estavam dobradas á cima dos cotovelas, alguns botões abertos, e nenhum sinal de uma gravata. Em sua frente havia um copo com gelo, e uma garrafa de Tequila.

— Sempre achei que você fosse mais o estilo Bourbon, ou vinho branco. — Comentei suavemente, me aproximando da geladeira para abri-la e tirar uma garrafa d’água de lá.

Quando me voltei para o vampiro, ao mesmo tempo que girava a tampa da garrafa, encontrei seus olhos cansados, e frios. A expressão de um homem sem esperanças.

— Alerta de pergunta estúpida... — Comentei me aproximando devagar, e hesitantemente, era como se o vampiro fosse um anti-imã e sua postura me expulsasse a cada passo em sua direção, não foi fácil me aproximar. — Você está bem?

Elijah voltou-se para o copo da bebida clara, e tomou um longo gole, como se minha pergunta não pudesse ser respondida, ou merecesse, eu ficava com a segunda.

— Você deveria voltar para seu quarto, Anastácia. — Mandou com uma voz firme que não dava brechas para discussão.

Prendi minha respiração para depois soltá-la como também soltasse algum peso nos meus ombros.

— Você realmente não gosta de mim, não é?! — Era mais uma reclamação do que uma queixa, mas soou como ambas, juntamente com uma pergunta.

— Nem tudo tem haver com você. — Comentou Elijah distante, olhando seu copo de bebida antes de deixar o líquido entrar em seu organismo pelo longo gole que ele deu.

— Assim como nem tudo tem haver com sua família. — Rebati compelida a falar algo que estava me deixando paranoica, Elijah apertou sua mandíbula, e deixou seu olhar volta-se para mim. — Eu perguntei se estava bem, não para houver uma resposta social, ou para me dar bem com seu irmão, mas para realmente saber como você está. Não podemos ser amigos?

Elijah se virou no banco, com uma das mãos ainda segurando seu copo, e me olhou com curiosidade.

— Amigos...— Ele pareceu degustar as palavras, sinceramente porque achei que ele não as falava a muito tempo. — Klaus não gostará. — Avisou relaxando-se novamente no banco.

Dei de ombros, e me aproximei um pouco mais tranquilha.

— Sinto muito mesmo pelo seu irmão Finn, e por todos os vampiros que morreram no processo, quero dizer...— Parei ao seu lado, deixando minha garrafa d'água em cima da bancada de granito. — Imagina morrer sem nem poder se despedir, ou mesmo ter sabido que era seu último dia.

Minha voz era triste, e talvez por aquilo tomei um gole da água, sentindo a sensação gloriosa de matar minha sede.

— Morrer é um processo natural. — Concluiu o vampiro com os olhos desfocados.

— Sim, mas...— Molhei meus lábios antes de continuar. — Se você soubesse que hoje, o agora, é seu último dia, sua última chance de simplesmente respirar...— Deixei meu peso em um dos pés, e ergui o outro para me inclinar para na bancada. — Não iria aproveitar mais? Fazer o que sempre deixa para depois?

Encarei Elijah como se ele pudesse ter todas as respostas para aquelas perguntas, então, o clima ficou estranho quando ele me encarou fixamente como se realmente olhasse para mim.

— O que faria se esse fosse seu último dia? Sua última hora? — Perguntou interessado, de modo intenso.

Pensei na resposta, e me encolhi quando ela apareceu mais rápido do que poderia ter imaginado.

— Perdoaria minha mãe. — Respondi abrindo as palmas das minhas mãos no granito. — Quando ela se entregou a sua depressão, ou mesmo antes para sua covardia, eu a odiei com tudo que eu possuía, nunca cheguei a perdoá-la por me... Deixar.

Terminei minhas próprias indagações, notando que expunha meus pensamentos. Corando me virei para ver a reação de Elijah pelas minhas palavras, eram apenas reflexivas, o que foi um alívio, odiava dó, preocupação.

— Os Egípcios acreditam que para se entrar no paraíso você precisa responder a duas questões...— Elijah falou sério, se inclinando em minha direção como se estivesse prestes a me contar um segredo. — A primeira, se alguém tocou sua vida, e a segunda, se você tocou a vida de alguém. — Inclinei a cabeça em sua direção não entendendo até ele continuar. — Acho que você sempre vai ser aqueles um por cento que responde sim a segunda questão.

Demorou uns cinco segundos para entender que aquilo era um elogio, e para meu sorriso brotar como se eu finalmente sentisse que Elijah pudesse realmente ser meu amigo. Ele me deu um olhar brando, e suave, desistindo finalmente daquela muralha ao redor.

A sensação foi reconfortante.

A mansão ainda estava sem ruídos de nenhuma alma viva, ou ser imortal por ela quando eu voltei para o meu quarto, ou apenas para o segundo andar de início.

Eu sabia que ainda não havia amanhecido, e com o amanhecer viria a tarefa dolorida de achar Alaric e fazê-lo entregar a estaca que sua mente perturbada havia escondida. Eu precisava de toda a energia que conseguisse guardar para ser usada depois, mesmo assim me vir esquecendo aquele quarto destinado a mim, e indo em direção ao último e maior.

Eu não deveria bater, pensei, não era uma garotinha completamente inocente que não sabia o que estava fazendo, mas mesmo assim a sensação de que deveria bater me invadiu quando girei a maçaneta e entrei lentamente no quarto do híbrido. O cheiro de Whisky e um perfume completamente masculino inundou meu olfado, assim como meus sentidos.

Ele estava na cama, a qual eu havia me deitado na noite passada, mas naquele momento, ele estava em casa, e confortavelmente em paz. Seus lábios bem desenhados levemente entreabertos e corados. O rosto alvo parecia tão sereno, mostrando que realmente estava dormindo e se entregando aos sonhos.

E, eu o encarei, parada ali no meio daquele quarto, me aproximando com uma lentidão de minutos paradas, para depois apenas dar um passo.

Vendo como seu peito subia levemente, se inflando, e então descansando ao soltar o ar. O abdômen bem desenhado, esguio e a pele macia que mais parecia implorar para ser tocada. Em seu braço havia uma tatuagem bem feita e minuciosa nos detalhes, uma pena se quebrando em pássaros em direção ao seu pescoço.

Não me lembro exatamente se gostava de tatuagens, ou se havia desejado fazer alguma antes, mas nele, parecia perfeito.

Sentir certa vergonha dos meus pensamentos, e voltei a encará-lo apenas por seu rosto, seus longos cílios dourados refletindo a luz da janela da varanda que vinha através das cortinas translúcidas.

Eu estava me tornando uma glutona, percebi em pânico. Havíamos jantados juntos, e depois nos separado quando ele precisou ver sua irmã, e mesmo assim, só de vê-lo eu sentia que estava com saudades.

— Deus...— Resmunguei baixinho, dando-me conta do que realmente estava acontecendo.

Só aquelas minhas palavras foram o suficiente para ele se levantar e rosnar em busca da ameça, seu rosto calmo dando lugar a uma máscara para seus inimigos.

— Oh, eu sinto muito, sou apenas eu! — Exclamei com as palmas das mãos abertas, vendo-o picar lentamente para me encarar com surpresa e desconfiança. — Sinto muito, eu só queria vê-lo. —Contei sincera.

Ele demorou para abaixar a guarda, então relaxou suspirando fundo.

— Aconteceu alguma coisa? —Perguntou rouco pela voz grogue de sono.

Balancei negativamente a cabeça.

— Estou sem sono. — Comentei envergonhada. —Posso? —Perguntei apontando para seu lado na cama, achando sinceramente que seria demais eu bancar uma garotinha e sair correndo de volta para o meu quarto, mesmo sendo claro que era isso que eu queria fazer.

Klaus não disse nem que sim nem que não, mas achei que podia pela forma como ele voltou a se deitar, olhando para o teto como se estivesse tentando voltar a se concentrar em algo que não fosse eu tirando meu roupão, e subindo em sua cama.

Afastei o edredom, e me deitei de barriga para baixo, com o rosto virado para ele, a quentura do seu corpo como um bálsamo agradável chegando até mim como uma fogueira em meio ao inverno.

— Quando fez essa tatuagem? — Indaguei em um sussurro, vendo melhor agora que estava mais perto.

— Logo depois de quebrar a maldição que prendia meu lado lobo. — Contou jogando as mãos para o alto, assim como os braços.

Ele tinha o pescoço tenso, notei por uma veia em seu pescoço.

— Estou te incomodando? — Perguntei me sentindo desconfortável, me içando para cima, para sair do quarto e me jogar pela minha varanda se minha vergonha não me matasse antes.

— Não, apenas sua falta de proximidade. — Comunicou como algo sério, e não uma cantada que fez sinos brotarem.

Segurei um sorriso besta, e me aproximei deitando com a cabeça em seu ombro, sentindo a maciez de sua pele quando coloquei minha mão em seu peito, assim como sua respiração em minha boca, me contentei com a proximidade apenas, e fechei os olhos enquanto minha mão acariciava lentamente sua pele.

Não sei quando dormi, mas sei que finalmente estava segura.

Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.