Hurricane

1 E eu ainda estou presa no olho da tempestade


Notas iniciais
Oi gente! A fanfic foi inspirada na música Hurricane da Bridgit Mendler para o Desafio de Songfics do grupo no facebook. Socorr, sou horrível com notas. Boa leitura!

Bridgit Mendler — Hurricane

Lágrimas escorriam pelo seu rosto, impiedosas, lhe cortavam a pele.

As bochechas vermelhas, assim como a ponta de seu nariz.

Mas não podia fazer nada. Não mais.

Fora sua decisão, deveria arcar com as consequências. Nem que tivesse que chorar e beber todas as noites, mas sorriria todos os dias. Até acabar.

Não. Não acabaria. No fundo no fundo, não queria que acabasse.

Porque tudo ficaria bem quando ele sorrisse e dissesse que lhe amava. As coisas sempre ficavam bem, independente do que acontecesse.

Lembrava-se de alguns meses atrás, enquanto sonhava com príncipes encantados e voava alto. Não tinha medo de machucar suas asas e cair. Despencar do céu não era uma preocupação real. Não naquela época.

Encontrou-o parado no meio de seus devaneios. Contrariando todas as suas imaginações, ele era um choque de realidade.

E a realidade havia quebrado suas asas, por isso, tornou-se presa ao chão. Quase podia ver seus pés fincando raízes na terra.

Ela era pássaro, não fora feita para permanecer presa em terra firme. Seu lugar era as alturas.

Mas ele era o vento. E a fazia flutuar.

Ela não precisava mais de suas asas, porque o próprio vento a conduzia. Juntos, iam tão alto, voavam tão além.

Comparando tudo, quando estavam juntos, ela era Dorothy e ele seus bonitos e lustrosos sapatos vermelhos.

Ele a levava para Oz, e ela sentia-se completa.

Mas as noites eram frias, e ela não voava. A noite não tinha vento, a noite não viajava para Oz.

Em algumas noites, estava tão entorpecida que nem sentia o que acontecia a sua volta. Noites como aquela, faziam-na pensar que estava em Oz e não no mundo real.

As vezes parecia que as coisas tinham mais cores, estava em Oz.

As vezes o efeito era contrário, e todas as poucas cores existentes que conhecia, perdiam a vida, deixando tudo ainda mais sem graça do que já era. Estava em uma realidade pior que o mundo real.

Estava em sua mente.

Era como se todas as nuvens que costumavam contar no céu, tivessem entupido seu cérebro.

A chuva lá fora caia tempestuosa, entrando pela janela do seu quarto e molhando sua cama.

Aquilo não importava. Não ligava para aquele pequeno detalhe.

Estava tão torpe, que nada mais importava.

Sua cama molhada não importava, suas roupas sujas não importavam, seu cabelo desgrenhado ou a até mesmo a falta de bebida. Não eram coisas que mereciam sua atenção naquele momento.

Dopada de nuvens. Como sempre deveria ter sido, antes de ter suas asas arrancadas a força.

E passava todas as suas noites assim. Alheia a tudo, sem se importar com nada a sua volta.

E em todas essas noites frias, colocava tábuas nas janelas do seu coração. Estava fechado, mas tinha hora para abrir.

Nas manhãs, o vento soprava em seu coração também. E tirava todas aquelas tábuas cravadas com prego.

E após isso, estava viva de novo.

Não tinha mais nenhuma nuvem entupindo seu cérebro, nenhum efeito contrário, tudo ganhava mais cor.

A chuva parava, o sol aparecia, ele lhe sorria de maneira cálida e acariciava seus cabelos.

Ela chorava em sua camiseta, mas ele parecia não se importar. E na verdade, não se importava mesmo. Então todo o choro cessava, para dar lugar aos muitos sorrisos que apareceriam ao longo do dia.

Vai ficar tudo bem. ” Era o que ele lhe dizia todas as manhãs.

E tudo realmente ficava bem.

Ele a levava para Oz novamente, ele a fazia flutuar pelos céus. Mas sem devaneios, não queria mais um príncipe encantado. Queria apenas aquela pessoa que era um choque de realidade, mas que trazia consigo um pedaço do paraíso.

E ela se sentia do meio de um furacão.

De manhã, era visitada pelo sol. A noite, quem marcava presença era a chuva.

Mas não fazia muita diferença, afinal. No fim, todos estavam no olho do furacão juntamente consigo.

Diziam que não há lugar melhor que o nosso lar. Ela concordava. Seu lar era ali, no centro do furacão. Não havia lugar melhor que aquele. Nunca haveria.

Agora ela estava deitada em sua cama de manhã. O colchão não estava mais molhado, mas os lençóis e as fronhas dos travesseiros nunca ficariam secos.

No fim de tudo, era só mais uma garotinha que havia sido ferida pelo grande e cruel mundo.

E esse sentimento a consumia por dentro, e ela não conseguia esconder isso por fora.

Então ele chegava e a abraçava.

Eu conheço seu coração como ninguém. Está tudo bem. ” Era o que ele dizia naquele momento.

E ele nunca mentia.

Ainda permaneceremos vivos após a tempestade.

Sim, permaneceriam vivos. Mas ela nunca deixaria de tomar precaução.

O ar estava ficando frio novamente, porque o inverno estava entrando naquele quarto também.

Assim como toda tristeza começava com uma aparente felicidade, toda felicidade começava com uma aparente tristeza.

I think I'm fine like

I'm in the eye of the hurricane.”

Notas finais
Gostaram? Espero que sim! Beijinhos :33
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!