Huracán
2 Capítulo 2 - Más de ti
— Tia, conheça minha nova colega. – Bárbara falou eufórica puxando a tia pela mão. – Amélie Dossett.
— Dossett? Você é filha da Cecília Dossett? – Perguntou imediatamente e me surpreendi por ela conhecer minha mãe.
— Sim, mas como você a conhece?
— Só ouvi dizer que ela é dona do novo café da cidade. – Não sei se foi impressão minha, mas percebi que ela havia ficado um pouco nervosa.
— Sério? Por que não me contou? – Barbara Perguntou e quando eu ia responder ela me cortou e falou: — Vamos lá então!
— Eu não posso! – Tânia disse rapidamente. – É que eu tenho uma cirurgia em... – Olhou em seu relógio no pulso e completou: — Cinco minutos. Preciso ir, mas divirtam-se meninas. – E saiu dali em passos largos. Achei estranho, mas dei de ombros e fomos para o café.
Quando entramos no lugar, o ambiente estava calmo e agradável. Quase não tinha mesas disponíveis.
— Então, como foram as coisas? Escola, amigos... Tudo em paz? – Minha mãe perguntou assim que me viu entrando na cozinha.
— Tudo em paz. – Confirmei. – Essa é a Bárbara, é minha colega de escola.
Minha mãe acabou entrando em uma longa conversa com minha nova colega e eu só pensava na linda ruiva que a cada segundo ganhava mais meus pensamentos.
—
No outro dia cheguei mais cedo no colégio e fui explorar algumas partes. Acabei entrando um lugar que dava abertura para o pátio do hospital e dava pra ver nitidamente a entrada. Mas como sou bastante desastrada acabei derrubando minha apostila e espalhou papel por todos os lados.
Quando cheguei à sala percebi rostos novos, era uma menina e um menino e estavam falando com a Bárbara. Aproximei-me timidamente e sem saber qual reação deveria ter.
— Ah, olha ela aí. – Bárbara falou assim que me aproximei, agradeci por ela ter falado primeiro. – Essa é a aluna nova, Amélie Dossett.
— Olá, Amélie. Seja bem-vinda! – A garota disse e logo após o garoto também disse o mesmo. – Eu sou a Nanda e esse é o Igor. – Falou apontando para o garoto ao lado.
— Peguem suas anotações e me sigam até o laboratório de ciências. – A voz do professor retumbou pela sala de aula, pegando-nos de surpresa.
—.
Eu acabei criando mais afinidade com a Nanda e logo parecia que havíamos nos conhecido há anos, a personalidade ela me lembrava de uma antiga amiga. Descobri que a Bárbara estava em um rolo com o Igor e resolvemos deixa-los sozinhos.
Acabei indo para meu lugar “secreto” com a Nanda e ficamos lá almoçando, eu odiava aquele movimento todo na sala de refeição. E sem eu menos esperar, a Tânia apareceu no estacionamento, ela estava acompanhada de uma mulher.
— Você me ouviu? — Nanda perguntou ao notar minha distração, eu não queria demonstrar que eu estava perdidamente apaixonada pela ruiva maravilhosa, mas vamos combinar que eu era péssima em esconder meus sentimentos. – Ah, claro... – Ela deu uma risadinha e voltou a comer seu hambúrguer.
— O que foi?
— Ela é realmente linda. – E não faz essa cara, eu conheço um olhar de paixão. – Ela falou assim que eu neguei com a cabeça.
— Eu não estou apaixonada por ela. – Falei com a voz tremula e pedindo aos céus para ela não perceber, mas a Nanda era esperta demais.
— Tânia! – Nanda gritou o nome da ruiva e se não tivesse uma grande de proteção eu iria cair no pátio do estacionamento. – Amélie! – Nanda segurou a gola do meu uniforme quando minhas pernas passaram pelas brechas da grade.
— Vocês estão bem? – Ouvi a voz da ruiva se aproximando e senti meu rosto arder, com certeza eu estava igual um pimentão. Retirei minhas pernas dos espaços e evitei fazer contato visual com ela.
— Sim, só a Amélie que se desiquilibrou e acabou deixando o lanche dela cair.
Para minha sorte o sinal tocou indicando o fim do intervalo. Sai o mais rápido dali antes que eu passasse outra vergonha.
— Ainda vai continuar negando que você está apaixonada por ela?
— Ok, eu confesso! Mas fica quieta, não quero que a Bárbara saiba.
Fomos para a aula e nem assistimos direito, eu a Nanda ficamos conversando sobre a Tânia e descobri várias coisas sobre ela.
— Ela tem um amante? – Perguntei perplexa depois do que a Nanda disse.
— Sim, todos aqui sabem. Tânia tem uma filha, mas se divorciou do ex-marido.
— O que é que tá rolando, Nanda? – Bárbara se aproximou no exato instante em que Nanda ia falar quem era o tal amante.
— Não é nada. – Nanda mentiu e olhou rapidamente pra mim, dei um meio sorriso agradecendo por ela não ter contado.
O rosto de Bárbara se fechou e seus lábios se uniram em uma linha bem fina.
— O que foi? – Perguntei. Eu não queria excluir a Bárbara, ela foi bem legal comigo, mas eu não queria que ela descobrisse que eu estava apaixonada pela tia dela.
— Tem certeza de que é só isso mesmo? – Ela perguntou e balancei a cabeça positivamente. – Ok, vamos para o café da sua mãe? Preciso de um café urgentemente.
—
Naquela noite fiquei assistindo um filme de terror com meus pais, fazia tempo que não nos reuníamos para fazer algo em família. O trabalho dos dois impossibilitava de estar sempre com eles. Passei o resto da noite assombrada com o filme, mas logo consegui dormir e nem preciso dizer com quem sonhei naquela noite.
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