Hunting the Universe
1 After the Hell
Notas iniciais
After the Hell
There's a feeling I get when I look to the west
And my spirit is crying for leaving
In my thoughts I have seen
Rings of smoke through the trees
And the voices of those who stand looking
Por baixo de muita lama, raízes e rochas, jazia um corpo que permanecera enterrado por muitos anos e seus cabelos antes cor de mel, branquearam-se, sua face enrugara-se e em sua boca não havia dentes. Fora enterrada sem coração, com um enorme vazio no peito ridiculamente preenchido por uma bailarina, uma caixinha de música e em cada órbita vazia, um diamante.
Ela era toda esqueleto, com apenas uma fina camada de pele escondendo o branco dos ossos. Quem a visse jamais diria que já fora bonita. Mas antes de ser enterrada ela era uma boneca, uma criação perfeita de um famoso inventor, o mesmo que criou a máquina de lavar roupa, este a achou impecável, a melhor obra, o ápice de qualquer artista. Até que, por descuido, ele lhe dera vida e uma vez que nunca suportara a raça humana, ele a enterrou. E por igual descuido a natureza, ou quem sabe o próprio Deus, lhe dera vida pela segunda vez.
A adormecida acabara de acordar tomando consciência de seus nervos e músculos, estendera os braços à superfície e foi empurrando a lama de cima de si. Raios de luz entraram em contato com seus diamantes e se dividiram e subdividiram, irradiando pelo universo. As árvores lhe pareciam tão altas e soberanas, como se fossem pontes entre o mundo e o reino de Deus. Tudo muito colorido, com o saudável verde predominando. Muitos pássaros cantavam, não em sincronia, mas na ruidosa explosão da natureza.
Ela a tudo admirava e mal sabia que era quem a tudo iluminava, como um sol.
Sabe quando, ao acordar, abrimos as cortinas da janela e ganhamos o mundo? Como se presenciássemos a criação do universo? Como se míopes, nos dessem óculos? Ou, sendo daltônicos, fôssemos curados?
Era essa a visão que ela teve do mundo. Não era preciso palavra alguma pois tudo o que sentia era tão profundo e verdadeiro que a caixinha de música em seu peito começara a tocar, uma melodia quase fúnebre, de quem se sujeitou ao último suspiro para encontrar o paraíso.
II
Um segundo vulto toma forma na negritude das sombras das árvores, avança com um cuidado meticuloso e obsessivo, não com a curiosidade inocente de um cão, mas com o instinto assassino de um caçador. Seus chinelos, ridiculamente desapropriados, escolhiam com incrível rapidez a terra à prensar por debaixo da madeira encardida de seus chinelos, evitando folhas quebradiças, que eram tantas como as gotas de chuva em dias nublados. Como um predador, arqueara-se sobre as costas indefesas, sobre os ombros nus e cadavéricos e as madeixas grisalhas.
Ele a esteve observando se libertar do sufocante caixão de terra, pensara que a criatura ainda estivesse entre os mortos, até ouvir a música que vinha de seu peito e lhe pareceu indubitável que ela estivesse viva. As folhas das árvores já não faziam metáforas com gotas de chuva, no entanto eram comparáveis à ouvidos pois era evidente o desejo que a floresta tinha de dançar. Mas a música apenas serviu para provocá-lo, uma vez que não se interessava pelas presas já mortas, mas somente pelas quais tinham boca para gritar e um motivo para correr: a vida.
O único motivo que o fazia hesitar, imperceptível, sobre as costas da garota, era a dúvida, existem mais de um método de lidar com uma presa. Mas tal questão não persistiu por muito tempo, logo aproximara seus lábios sem cor ao ouvido da menina. Uma brisa quente e aconchegante, percorreu ambos os corpos, brincando com fios loiros e brancos.
“Venhas comigo e lhe mostrarei pelo que almeja teu coração”. Sussurrou-lhe em uma voz cantada, um filete de chama com aroma de lar. A garota não apavorou-se por não saber ainda o que é ter medo. Ela abriu a boca desdentada, fez esforço para encontrar a voz, desenterrá-la e respondeu triste, ainda de costas para seu interlocutor: “Já não tenho coração”. Ao que a bailarina de seu peito parara de bailar, as folhas já não eram ouvidos e as árvores já não dançavam. O silêncio perigoso da depressão assolara o mundo.
Silêncio que só foi rompido pela resposta sussurrada e ensolarada do lobo na pele de cordeiro: “Não tens um coração concreto, mas muitos o tem e não o sentem verdadeiramente. Tu tens uma caixinha em seu peito, se ela toca qualquer nota que seja, é porque tu o sentes”. Seus lábios se curvaram em um sorriso. “Tu vens?”.
Notas finais
"There's a feeling I get when I look to the west, and my spirit is crying for leaving, in my thoughts I have seen rings of smoke through the trees and the voices of those who stand looking". - É um trecho da música Stairway to Heaven.
Tradução: Há algo que sinto quando olho para o oeste e meu espírito chora para partir, em meus pensamentos tenho visto anéis de fumaça atravessando as árvores e as vozes daqueles que ficam parados olhando.
Sei que o capítulo está longe de está perfeito, eu o reescrevi várias e várias vezes e isto foi o mais aceitável que saiu.
Alguma dúvida? Mande sua pergunta!! Críticas? Sempre bem vindas, apenas não me falte com respeito.
Ainda não sei o que vai acontecer AOPSKAPSOK Por isso, estou aberta a sugestões! Comente!
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