Hunters Of The Death
9 Reencontro
Notas iniciais
Até o momento em que eu, Hans e Quirina cruzávamos o estacionamento do shopping, o céu escurecera por completo. Um vento frio percorria por entre os carros entulhados e nos atingia em cheio. Mesmo com jaqueta, senti o frio atravessar minha pele e atingir meus ossos. A cada passo que dava, eu pensava se realmente havia sido uma boa ideia ter tomado a decisão de ir até o shopping. O que eu poderia encontrar lá? Encarando a construção extensa e imponente, e ao mesmo tempo assustadora naquela escuridão, eu pensava se valia a pena procurar por pistas ali.
Mas eu não podia mais recuar nem me dar o luxo de temer o que encontrar lá. As situações recentes na qual eu tinha vivido haviam me privado disso. Eu teria que arriscar.
Hans tirou uma lanterna da mochila e a ligou. A luz me cegou por um instante e demorei algum tempo para me acostumar. Ele ia à frente, e Quirina caminhava ao meu lado. Eu conseguia escutar as mandíbulas dela batendo um pouco por causa do frio. Quirina só usava uma camiseta de manga curta, era de se esperar que estivesse com frio.
Larguei minha mochila no chão e o machado ao lado dela. Quirina parou de caminhar.
–- O que está fazendo? – perguntou quando tirei a jaqueta.
–- Vista, -- joguei a jaqueta pra ela e Quirina agarrou. -- Vai lhe aquecer um pouco mais.
–- Mas você vai ficar com frio – ela empurrou a jaqueta de volta.
–- Não se preocupe, estou bem.
Quirina ficou me encarando por algum tempo, hesitante, mas quando lhe dei um sorriso convincente, ela, por fim, colocou a jaqueta, que ficou um pouco larga nela, mas deveria aquecer bem mais do que apenas a sua camiseta.
Eu, por outro lado, estava com mais frio do que antes, embora não quisesse que Quirina percebesse e devolvesse minha jaqueta. Por isso, passei a caminhar mais rápido em direção ao interior do prédio. Ouvi Hans e Quirina me acompanharem, em silêncio. Nossos passos e respirações cansadas eram o único som do audível do local quando chegamos à porta principal do shopping. Parecia que o vento havia cessado por completo, embora eu ainda sentisse frio mesmo sem nenhuma corrente de ar.
As portas de vidro estavam abertas, e uma delas estava com o vidro quebrado. Lá dentro, algumas pequenas luminosidades davam um ar mais macabro ao local. Aproximei-me da entrada enquanto ouvia Quirina murmurar:
–- Precisamos mesmo vir aqui?
Vire-me para respondê-la, mas ela estava olhando para Hans, aguardando uma resposta dele, os olhos meio arregalados de medo. Aquilo me deu uma pontada de raiva. Por que ela não perguntara a mim em vez dele?
–- Não sei, lindinha, -- ele respondeu e voltou-se para mim. – mas imagino que seja um plano seu.
–- Quem sabe? – falei e rumei para dentro do prédio.
Achei que nunca veria o shopping no qual eu sempre vinha com meus pais e Mark naquele estado. As vitrines de lojas de roupas, antes cheia de vestes bonitas e manequins arrumados, estavam totalmente destruídas. As roupas rasgadas, os manequins sobressaindo da metade do vidro quebrado, a escuridão predominando naquele ambiente. Docerias e lojas de artigos esportivos estavam no mesmo estado, e conforme eu avançava para o interior, percebia que o caos estava instalado em todos os lugares. Em algumas partes do piso, trilhas de sangue se estendiam pelo piso branco. Sacolas, objetos, tudo espalhado no chão, como se um furacão tivesse passado por aquele lugar. Não consegui evitar o choque ao caminhar por aqueles corredores antes cheios de alegria, conversas e pessoas vivas. Agora, aquela alegria, as conversas e as pessoas não passavam de apenas lembranças.
Em cada loja que passávamos, eu observava atentamente a procura de qualquer sinal de movimento, sejam de zumbis ou de pessoas. Ainda acreditava que o que eu vira no estacionamento poderia nos ajudar. Poderia ser desespero de minha parte, isso era algo que eu sentia, mas não queria demonstrar. Diante de problemas, meu pai sempre dizia que tínhamos que permanecer de cabeça fria e seguir adiante. Em outras palavras, ou você acaba com os problemas ou eles acabarão com você.
Ouvi um estampido vindo do andar superior, e Hans pareceu escutar também. Erguemos nossos rostos ao mesmo tempo para o teto e mais estalos foram escutados.
–- Vamos lá para cima. – falei.
–- É uma boa ideia, -- disse Hans ironicamente. – principalmente porque não sabemos o que vamos encontrar lá e nem se vamos dar conta.
–- Se está com medo, fique aqui embaixo. Quirina e eu iremos para lá verificar o que é. – falei impaciente.
Ao ouvir menção de ir para o andar superior, Quirina se encolheu e colocou as mãos no rosto, em gesto de negação. Suas pernas tremiam, mas não dava para saber se era de medo ou frio.
–- Não vou pra lá. Vamos ficar aqui, Luna. – pediu.
Olhei para ela, surpresa com o que acabara de ouvir.
–- Agora é assim? Se Hans diz que não vai fazer isso, você também não faz; se você não sabe de algo, vai perguntar pra ele?
–- Está com ciúmes, Luna? – Hans parecia incrédulo.
–- É claro que não, idiota. Não tenho motivos para isso.
–- Parece que tem sim...
–- Não tenho, e não vou discutir com você.
–- Então, só me responda uma coisa – Hans apoiou a arma sobre um vaso de planta e me encarou seriamente. -- Por que desviamos nossa rota de sua casa e viemos para cá? Porque, até agora, estou apenas seguindo você, mas se acha que deixarei nos levar para cairmos em uma armadilha, pode esquecer.
Aquilo foi a gota d’água para mim.
–- O quê? Acha mesmo que estou aqui para nos prejudicar, para nos matar? Você é um idiota mesmo por pensar assim!
–- Então me esclareça!
–- Gente, calma – Quirina falou se intervindo entre eu e Hans. Eu não tinha percebido, mas estávamos a dois palmos de distância, nos fuzilando com os olhos. – Vocês estão gritando, e isso vai chamar atenção deles.
Respirei fundo, e assenti. Hans esfregou a testa e suspirou pesadamente, ao mesmo tempo em que nos afastávamos um do outro. Quirina olhava de mim para ele, pronta para intervir novamente caso necessário.
–- Ela tem razão – falei. – Não vai adiantar nada se ficarmos brigando. Somos uma equipe, temos que trabalhar juntos.
–- Desculpe por ter gritado com você, Luna. – disse Hans. -- Eu não pretendia...
–- Quer saber, deixa pra lá. E, respondendo à sua pergunta inicial, eu resolvi vir para cá porque quando nós estávamos ainda dentro do carro, vi dois vultos se dirigirem pra cá e, pelo modo como andavam, não pareciam ser zumbis.
–- Poderiam ser Retalhadores – sugeriu Quirina.
Hans concordou.
–- E você resolveu aproveitar a situação do carro para nos trazer aqui.
–- Sim, foi uma forma de lhes trazer sem levantar suspeita. Bom, pelo menos achei que não levantaria suspeita. Queria verificar o interior do prédio, eles me chamaram a atenção. Talvez sejam Retalhadores, mas também podem ser humanos, até Refugiados se depender de nossa sorte. – eu disse.
–- Não é questão de levantar suspeita ou não, só gostaria de sabe por que tanto mistério, Luna? Os planos que tiver, as ideias que tiver e que nos envolver, tem que ser compartilhados entre nós. Somos uma equipe, lembra?
Assenti. Algumas lâmpadas de emergência estouraram atrás de nós e o barulho dos cacos de vidro caindo no chão pareciam ecoar pelos corredores em grande amplitude. Agora todo o corredor esquerdo mergulhara na escuridão. Hans e eu ligamos as lanternas novamente, mas a iluminação delas era praticamente precária em relação à luz que tínhamos antes. Pelos contornos dos feixes de luz das lanternas, os objetos, as vitrines e o ambiente em si parecia mais ameaçador.
Eles estão te observando.
Mais uma vez, a voz de Mark ecoava em meus ouvidos, mas dessa vez o alerta parecia ainda mais urgente. A última vez que eu escutara essa mesma frase dele, Quirina e eu fomos encurraladas por Retalhadores. Que dessa vez, fosse apenas minha mente assustada ouvindo coisas. Esperava apenas não estar ficando maluca também.
–- Vamos para o segundo andar, então? – perguntou Hans, virando-se para Quirina e eu. Ela deu de ombros e me encarou, esperando por minha decisão.
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O segundo andar estava igualmente escuro, talvez um pouco pior do que o primeiro. Nós três havíamos subido pelas escadas rolantes – que, naquela situação, não eram nada mais que escadas estáticas – e demos de cara com um chão coberto por cacos de vidro e corpos estirados sobre poças de sangue. Assim que dei o primeiro passo para além da escada, senti algo pegajoso sob meus coturnos. Focalizando com a luz da lanterna, percebi que havia acabado de pisar em uma poça de sangue com algo que lembrava terrivelmente tripas. Senti meu estômago embrulhar e escutei Quirina tampar a boca imediatamente.
Enquanto caminhávamos por entra cadáveres e cacos de vidro, eu ficava cada vez mais impaciente por não encontrar nada e nem ninguém ali. Cada corredor ou loja que contornávamos, mantínhamos o alerta, mas nada havia ali além de escuridão. Em uma das vezes que passamos por uma loja, eu jurava ter visto um movimento por trás de um balcão de uma farmácia, mas quando parei para encarar novamente, não escutei som algum vindo de lá e nada surgiu por detrás do balcão. Eu tinha certeza de que vira pessoas entrando aqui e, devido ao tempo em que estávamos ali e nenhuma criatura havia surgido para nos matar, a possibilidade de serem Retalhadores tornava-se cada vez mais impossível. Só me restava encontrar humanos que não pertencessem a nenhuma outra gangue. Com a exaustão que eu, Quirina e Hans nos encontrávamos, era pouco provável que pudéssemos lidar com qualquer um ao ponto de vencer em uma briga.
Quirina caminhava agora junto a mim, os passos hesitantes, mas sempre procurando acompanhar os meus. Hans caminhava a nossa frente, o fuzil preparado para disparar quando necessário. Enquanto eu o observava caminhar, notei que algo nele mudara. Parecia que algumas horas haviam mudado a postura dele. Seus passos eram confiantes, sua voz não assumia mais tom de medo ou nervosismo; estava mais clara e objetiva quando havíamos discutido. Se aquilo era apenas uma fachada, eu tinha que admitir que ele estava indo muito bem no disfarce.
Chegamos à praça de alimentação do shopping – ou o que um dia fora uma praça – e instintivamente, meu estômago roncou. Fazia muito tempo desde a última “refeição” que eu tivera e, embora estivéssemos passando por uma antiga praça com alguns cadáveres estirados no chão, sangue e miolos, meu estômago denunciava o meu estado.
Infelizmente, o ronco foi alto o bastante para Hans escutar.
–- Qual das duas está com fome? – ele se virou para nós.
–- Eu não estou – entregou-me Quirina.
Hans me encarou com os olhos divertidos.
–- Não é nada demais – falei, começando a caminhar. – Anda, vamos sair daqui.
–- Espera, Luna – ele se prostrou em minha frente. – Vamos comer alguma coisa. Não conseguiremos lutar se estivermos fracos e você sabe disso.
–- Mas não temos tempo para isso – retruquei. – Bom, pelo menos eu não tenho. Não sei se meu irmão ainda está vivo, não sei onde ele está e...
–- Por isso, Quirina vai levar você para uma mesa e deixem que prepararei algo para nós. Não estou fazendo isso apenas por você, mas pela equipe.
Hans nos deu as costas e caminhou até uma lanchonete que tinha uma mínima luminosidade por trás de uma porta de madeira. Ele pulou por cima do balcão e retirou algo de seu bolso e forçou contra a fechadura, que se rompeu e ele sumiu porta adentro.
Quirina pegou minha mão e me puxou até uma mesa que tinha alguns cacos de vidro sobre ela. Quirina sentou-se e fiz o mesmo, depositando o machado ao lado de minha cadeira e a mochila sobre uma outra.
–- Então, -- comecei a dizer – você obedece ao Hans?
Ela deu uma risada.
–- Se está se referindo ao pedido que ele fez para que o aguardássemos aqui enquanto ele faz algo, não acho que “obedecer” é uma palavra adequada. Também estou com um pouco de fome, Luna, e creio que ele também. Além do mais, você parece exausta, nem deve fazer ideia de como aparenta cansaço.
Naquele momento, desejei ter um espelho. Eu nunca me ligara muito para beleza, estética e tals, isso eu puxara à minha mãe. Ela sempre dizia que todos nascem com nossas próprias belezas, mas a sociedade parece discordar disso e tenta criar “cópias” de uns dos outros. Mas naquele momento, eu queria ter um espelho em mãos para ver se o que Quirina havia dito era verdade. Queria saber se era extremamente notável o cansaço que eu sentia interiormente mas tentava ocultar.
–- Ele se preocupa com você – ela disse e a encarei.
–- Ele?
–- Hans, é claro!
–- Não sei por que ele se dá o trabalho disso. Estou perfeitamente bem.
–- Luna, deixe disso. Acho que não temos motivos para condená-lo mais.
–- Ainda não temos motivos. Quando se confia cegamente em alguém, temos que levar em conta que esse alguém vai lhe decepcionar e muito um dia. E por mais que Hans tenha nos ajudado e tudo mais a escapar, claro que estarei grata por ele, mas sempre haverá uma parte em mim que vai desconfiar.
Ela assentiu e sorriu. Parecia que Quirina, apesar de tudo, levava em conta minhas opiniões, por mais contraditórias ou estúpidas que parecessem. Ela estendeu a mão e eu a peguei. Estava fria, mesmo ainda com minha jaqueta.
–- Antes de sairmos daqui, -- falei. -- Me lembre de passarmos em uma dessas lojas de roupas para pegarmos agasalhos para nós.
Quirina hesitou.
–- Mas isso não seria roubar?
–- Em um apocalipse, todas as regras mudam, e as que existiam antes seguem dois rumos: ou são reforçadas ou são aniquiladas.
–- Então, não haverá problema em roub... quer dizer, pegarmos agasalhos.
–- É isso aí.
Demos uma risada no mesmo tempo em que a porta se abriu novamente e Hans surgiu carregando uma bandeja de plástico cinzenta. Ele a apoiou sobre o balcão e o pulou novamente de forma ágil. Pegou a bandeja e veio caminhando até nós, com o fuzil pendendo sobre um dos ombros.
–- Espero que ainda tenham apetite – Hans a colocou sobre a mesa e quase fiquei de queixo caído. Ele havia preparado batatas-fritas, sanduíches de alface, tomate e frango, e haviam três copos plásticos cheios até a borda de Coca-Cola. Olhei pasma para Hans e ele se surpreendeu:
–- O que foi?
–- Como conseguiu preparar isso tudo?
–- Sabe, a energia do prédio não acabou, por incrível que pareça. Atrás daquela porta – ele apontou para a porta na qual ele aparecera -- fica a cozinha e nela todos os eletrodomésticos estão funcionando perfeitamente. Creio que apenas as lâmpadas do shopping tenham estourado, o que é estranho se levarmos em conta que todas as lâmpadas parecem ter estourado.
–- E o que você acha que pode ter causado isso? – perguntei, pegando um dos sanduíches. Quirina já começava a devorar um.
–- Ainda não sei, mas, a meu ver, parece que as lâmpadas estourarem não é devido a nenhum oxigênio que entrou no bulbo; para mim, esses acontecimentos parecem intencionais.
Ele serviu-se de um sanduíche e fiz o mesmo. Enquanto eu me alimentava, ficava pensando nas possibilidades que haveriam sobre o estouro das lâmpadas. Se a energia não tinha nada a ver com isso, segundo Hans, então poderia significar que talvez alguém de fato havia provocado aquilo. Imediatamente, me lembrei do que Mark havia me dito, ou pelo menos o que escutei da voz dele me dizendo: Eles são poderosos, e muito perigosos. Ainda me intrigava e muito o fato de não saber a quem Mark se referia de fato. E a cada avanço que eu dava, parecia que iria descobrir em pouco tempo.
No final das contas, dos doze sanduíches que Hans havia preparado, não sobrou nenhuma migalha na bandeja. Eu me sentia realmente satisfeita, com a energia renovada. Agora, enquanto eu petiscava algumas batatas-fritas, Quirina bebericava o copo de refrigerante e Hans estava recostado na cadeira, pensativo. Enquanto eu o observava, ocorreu-me fazer uma pergunta que há muito eu queria ter feito a ele, mas não havia encontrado oportunidade. Agora talvez pudesse ser a hora.
–- Hans, posso lhe fazer uma pergunta? – falei.
–- Você acabou de fazer uma. Brincadeira – ele disse assim que viu minha expressão fechada. – Pode fazer.
–- Você parece ser um cara diferente de Marcos e Redlin...
–- Só pareço?
–- Tudo bem, você é um cara diferente deles. Bem, se você não tinha nada em comum com eles, aparentemente, por que trabalhava com os dois?
Se antes Hans mantinha uma expressão brincalhona, agora ela se tornara bem sombria após a minha pergunta. Colocou as mãos sobre a bandeja de plástico e começou a tamborilar os dedos sobre ela, como se pensasse se seria o certo ou não me responder. Imaginei que o motivo por ele hesitar tanto em responder fosse porque ele não queria me dizer algo. Talvez houvesse assuntos difíceis de serem explicados, e ele poderia apenas dizer que não queria me contar, mas parecia que Hans estava entre o querer contar e o ter medo das consequências caso contasse.
Hans abriu a boca para falar, mas foi interrompido por um estrondo próximo de onde estávamos. Levantei-me num ímpeto, agarrando o machado e me virei para a direção do barulho. Uma névoa branca começava a se espalhar, vinda da direção do estampido, e tornava-se mais densa a cada minuto.
–- O que é aquilo? – Quirina apontou para o centro da névoa.
Não dava para enxergar com muita nitidez, mas dava para perceber um vulto avançando em nossa direção por dentro da névoa. Aos poucos, percebi que era uma silhueta humana que começava a emergir. Assim que a pessoa havia ultrapassado mais a névoa, notei que era uma garota, provavelmente da mesma idade que eu. Seus cabelos eram longos e castanhos, e esvoaçavam um pouco. Em cada mão, ela tinha um objeto que não parecia ter ligação com o outro: na mão direita, um facão cuja lâmina reluzia ameaçadoramente; na mão esquerda, ela segurava um extintor de incêndio. Quando ela se aproximou mais de nós, e consegui visualizar bem seu rosto, tive que me controlar para não demonstrar surpresa diante de Quirina e Hans, que ainda se mantinham em alerta ao meu lado. Eu sempre reconheceria aqueles olhos cor de mel que possuíam um brilho astuto e arrogante neles, aquela expressão indagadora. Parecia que fazia séculos desde nosso último encontro, e pra mim, o último parecia ter sido o último, já que não imaginava na possibilidade daquele reencontro acontecer em meio ao caos que nos encontrávamos.
Ela parou há três metros de distância de nós e seus lábios formaram um sorriso sarcástico e em sua voz houve repulsa ao pronunciar meu nome:
–- Luna Yumiko.
–- Isabela Martins. – pronunciei seu nome com mesmo tom na voz.
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