Hunter's Instinct

11 Episódio 11 - Galway Girl


Notas iniciais
Aê, galera! Como eu falei, dois "episódios" de uma só vez! Neste, teremos POV do Daryl, como eu sei que vocês amam AHAHAHA! O capítulo pode não parecer muito importante, mas vai permitir um desenvolvimento interno muito forte do personagem, bem como servirá para apresentar dois novos personagens que terão função essencial no capítulo que vem. Dito isso, dedico o capítulo outra vez a Vivi, sua linda! Aguardo os comentários em ambos, por favor, e não seria nada mau ganhar mais uma recomendação, ou duas, ou três... =P Vocês que sabem! A fanfic conta atualmente com 29 leitores, e espero que o número continue a subir! Farei meu apelo de sempre para que os fantasminhas se manifestem, prometo não chamar os Ghostbusters! Recomendo de novo as fics da Claire! http://fanfiction.com.br/historia/571513/Not_ready_to_die/ http://fanfiction.com.br/historia/584028/Lost_in_hell/ Beijos a todos e uma ótima leitura!

Daryl tivera um dia no mínimo controverso.

Saíra de manhã bem cedo, acompanhado de Rick, Glenn, Dakota, Haywood, Buck e Billy Ray para conseguirem alguns materiais de construção necessários para reparar o problema de segurança em um dos altos e espessos muros do Aquário da Georgia. Fora o único de seu grupo agraciado com armamentos, no caso, sua balestra.

O grupo de Jed parecia não confiar ainda nos novos chegados, mas Dixon conquistara o respeito deles como um caçador eficiente e talentoso. Levando em conta que seriam dois homens do grupo de Rick desarmados, Daryl munido de sua balestra e quatro do grupo do idoso sardento armados, estavam novamente em desvantagem.

O propósito de Rick era ganhar deles na estratégia, e não na força física. Então, atitudes agressivas teriam de ser evitadas o máximo possível.

Logo, a viagem até correra bem até a loja de construção mais próxima, que ficava uns bons 170 km distante do Oceanário de Atlanta. Tiveram de pegar alguns contornos para esquivarem-se dos errantes que aglomeravam as ruas daquela cidade pestilenta, mas, fora isso, chegaram ao estabelecimento com facilidade.

Entrando na loja, encontraram-na vazia, estranhamente silenciosa. Era de se esperar que um local como aquele tivesse uma população grande de errantes, tendo em vista que não era protegido por cercas, muros ou algo do gênero. Ao enfim terminarem de buscar tudo o que precisavam, descobriram qual era o verdadeiro problema ali.

Dois homens solitários, com barbas que iam até seus ombros e cabelos que quase chegavam ao meio de suas costas, parecendo ter cerca de quarenta anos de idade, tentaram ataca-los na surdina.

Estavam munidos apenas de um cano quebrado e afiado e um pé de cabra, então foram facilmente subjugados. Conseguiram agarrar os ombros de Glenn por meio segundo, e socar o rosto de Buck, até serem ameaçados com cinco armas diferentes apontadas na direção de suas cabeças.

Depois de um curto diálogo atravancado, eles cederam aos apelos das pessoas do Aquário e se permitiram ser revistados. Se apresentaram, seus nomes eram Elliot e Orlando. Foram levados no grande caminhão cargueiro para o Oceanário, já desarmados, mas o arqueiro não engolia aquilo muito bem. A resistência fora pouca demais para dois sujeitos que sobreviviam a tanto tempo naquele mundo selvagem.

Desconfiado, ele não desviou o olhar de cada expressão promovida por aqueles dois novos sequestrados do Aquário. Estava atento para cada feição que pudesse denunciar uma má intenção escondida, cada palavra torta, ao menor indício que trouxesse estampado “problema” em si.

Retornaram ao Oceanário por volta das oito e tantas horas da noite. Daryl estava morrendo de fome, mas não seria algo que confessaria para ninguém. Viajaram com quase nenhum suprimento, apenas com um saco enorme de amendoim caso alguém se sentisse por demais esfomeado para não aguentar o jejum de algumas horas. E é claro que ele jamais admitiria ter sido o que lhe acontecera.

Ao chegar, encontraram logo de cara com Maggie, que parecia um pouco nervosa, algo compreensível devido os últimos acontecimentos fodidos naquele hospital de merda. Mas Daryl já convivera com aquela garota tempo o suficiente para perceber que não era uma expressão de luto que havia em seu rosto, mas uma consternação com algo diferente. Deixaria o marido dela cuidar disso, era o melhor a ser feito.

Assim que pôs os pés naquele lugar, como não podia deixar de ser, a maldita Esquila veio seguindo o encalço de Maggie, parecendo farejar Daryl, quase adivinhando que Dixon acabara de chegar. Essa garota não desgruda. Pensava ele, irritado, embora soubesse que boa parte da convivência frequente de ambos era devido às funções idênticas que desempenhavam no Aquário da Georgia: caçadores e patrulheiros.

Reparou de esguelha nas feições do rosto dela. Ela lhe dava um sorriso contido, parecendo aliviada de vê-lo de volta. Mais essa agora. Pensou ele, quase indignado.

Saudou-lhe boa noite da mesma forma como fez com Maggie, e seguiu caminho.

Depois de algum tempo, Jed interrogou os dois novatos do jeito que sempre fazia, e o grupo de Rick Grimes aguardou que eles saíssem do escritório do idoso sardento para que pudessem enfim ter a última refeição do dia. Billy Ray cozinhara um javali gordo que haviam conseguido caçar, então fora quase um banquete.

Ao fim do jantar, Daryl já estava sonolento, mantendo-se firme para não demonstrar o cansaço ao lado de Carol. Ela o olhava com cuidado, seus olhos azuis apresentando o brilho fraternal que já estava acostumado.

– Você fica uma graça quando está com sono – comentou ela, sussurrando ao seu lado, debochada.

– Yeah. Nem começa – respondeu ele, entre dentes, tão baixo quanto.

Logo depois, Jed se levantou para um último discurso, saudando as boas-vindas aos estranhos que foram carregados para lá, com o mesmo teatrinho e lenga-lenga que Daryl já estava farto de aguentar. Era por pouco que o caçador não atirava a faca sem serras na testa do idoso, apenas para que ele calasse aquela merda de boca.

Assim que o velho parecia terminar seu discurso, o arqueiro reparou nos olhares que um dos novatos esquisitos dava para Mavie, o chamado Elliot. Ela estava sentada em outra ponta da larga mesa do refeitório dos funcionários do Aquário. Ainda comia, animada, conversando sem parar com Maggie. O homem, sentado ao lado esquerdo de Dixon, quase lambia os beiços encarando o rosto da garota, e perdendo-se no volume na altura de seus seios, tão descarado que era impossível não reparar.

Aquilo trouxe uma sensação inoportuna para Daryl Dixon; por alguma razão imprevisível, sentira muita raiva ao perceber a clara cobiça nos olhos daquele sujeito. Soltou um grunhido rouco e deu-lhe uma cotovelada forte, entretanto discreta, para que nenhuma outra pessoa presente aferisse o gesto.

O homem de barba enorme o olhou como se pedisse desculpas, mas Dixon percebeu o brilho rancoroso em seus olhos escuros. Pretendia arranjar briga com ele, provavelmente, em alguma futura oportunidade.

Em seguida, Daryl olhou de esguelha para o lado direito, e reparou que Carol o encarava com afinco. Ah, não. O caçador arqueiro se controlou para não revirar os olhos. A última coisa de que precisava agora era que Carol Peletier tirasse alguma conclusão apressada do que acabara de fazer.

O jantar enfim terminou, e cada membro tanto do grupo de Rick quanto do Oceanário seguiu seu rumo. Alguns foram se deitar, outros, responsáveis pela ronda noturna daquele dia, patrulhar o perímetro.

Daryl Dixon pretendia seguir até sua cama em seus aposentos naquele lugar, mas reparou que o homem barbado decidira seguir Maggie, Glenn e Mavelle, que iam sozinhos para o salão de festas do segundo andar. Maggie e Glenn eram um casal, e talvez o novato filho da mãe pudesse tirar ideias a partir disso, já que a dentuça estaria, em tese, sobrando.

Rangendo os dentes, Daryl deu meia volta, abandonando o caminho que fazia junto a Carol, cada um rumando na direção de seu próprio quarto. Ela não falou nada, apenas lhe deu aquele sorriso compreensivo e troçador querendo dizer que já entendia o que o amigo pretendia fazer. Quando ele estava longe, grunhindo para si mesmo, irritado com sua própria idiotice, a mulher de cabelos grisalhos disse, à distância:

– Divirta-se! – brincou Carol, fechando a porta do quarto.

O arqueiro, enraivecido, sequer deu-lhe um olhar de volta. Ah, que bom que está achando isso muito engraçado. Pensou ele, irônico. Carol era uma das pessoas por quem Daryl mais tinha apreço e consideração, mas seus comentários sarcásticos por vezes o tiravam do sério.

Ainda mais quando eram tão apropriados assim.

Desceu as rampas até o segundo andar, indo até o tal salão de festas do maldito Oceanário de Atlanta. As portas estavam fechadas, mas não trancadas. Percebeu isso quando entrou, e achou conveniente deixa-las abertas.

A cena que vira fora um pouco inusitada. Todos os quatro presentes naquele recinto compartilhavam um maço de cigarros, exceto Glenn que, aparentemente, não fumava.

Maggie e Mavie cantavam baixinho, dando tragos em seus respectivos cigarros aqui e ali. O sujeito filho da mãe estava sentado ao lado de Mavie, parecendo muito satisfeito de estar perto de uma companhia feminina e bonita.

Já o descendente de coreanos tinha o violão de Mavelle Berry ao seu colo, tocando e cantando uma melodia conhecida por Daryl. Já a ouvira no rádio algumas vezes anos atrás.

It's something unpredictable, but in the end it's right, I hope you had the time of your life... – o rapaz cantava, parecendo concentrado na música, seus dedos agilmente delineando a bela melodia da música da banda Green Day. Daryl se aproximou silencioso, sendo saudado por um alto e agudo “Cupido!” da parte de Mavie. Maggie Greene sorriu-lhe, também, e jogou-lhe um cigarro e um isqueiro nas mãos.

Se não pode vencê-los, junte-se a eles. Refletiu o arqueiro, debochado.

Sentou-se o mais perto possível de Mavelle, entre ela e o sujeito esquisito, de forma que não parecesse nem inconveniente nem ridículo demais. Por sorte, o espaço que havia entre eles era justamente uma linha reta de distância da porta até o ponto do enorme salão vazio, onde estavam sentados no chão.

– Maggie, que tal você agora? – perguntou Mavie, animada.

– Não sou de cantar. Eu só acompanhava minha irmã, de vez em quando – ela lembrou, com um sorriso triste, de Beth. Daryl engoliu em seco.

Glenn passou a tocar e cantar mais uma música, enquanto as duas meninas o acompanhavam cantando baixo, e o sujeito filho da puta perto de Daryl estava quieto, parecendo claramente incomodado pela presença do arqueiro. Aquela cena em que todos cantavam, juntos, compartilhando um momento de tranquilidade e paz, provavelmente seria algo que agradaria muito a irmã Greene mais nova.

Mas ela não estaria nunca mais com eles, para ver. E para participar.

Daryl coçou incomodamente o queixo, tragando fundo o cigarro. Lidar com a presença de Mavelle já era difícil, sendo a garota tão parecida e ao mesmo tempo tão diferente da menina loira que se fora e deixara um vazio no peito de todo o grupo de Rick Grimes. Estar em um ambiente musical, harmonioso, ridiculamente feliz, era algo típico ao que Beth mais prezava, e ele quase podia sentir a presença invisível dela ali.

O que não daria para ver a garota cantando com Mavelle, Maggie e Glenn, sorrindo aquele sorriso imbecil e estupidamente doce que só ela sabia dar.

Só ela e Mavie sabiam dar.

Aquele último pensamento o irritou ainda mais. Jogou o cigarro longe, tragando-o com tanta agressividade que acabara com ele rápido demais. Pediu a Maggie Greene mais um, e dessa vez tentou aproveitá-lo melhor, se controlando. Evitava olhar para a Esquila, mas volta e meia conferia se o sujeitinho atrevido não tentava criar alguma intimidade indevida com a garota dentuça.

Glenn enfim se declarou cansado de tanto tocar e cantar. A essa altura, Annie, a médica do Oceanário, havia se juntado a eles, sentando-se na rodinha.

Depois dela, vieram Jed, trazendo seu tamborim, sorrindo com o máximo de honestidade que podia, e Billy Ray, saindo de uma ronda noturna. O sulista do Alabama pareceu fuzilar Daryl com o olhar ao vê-lo sentado ao lado de Mavie, mas o arqueiro ignorou aquilo.

Estava mais preocupado com possíveis movimentos indesejados por parte do novato escroto sentado perto dele.

Por fim, a médica enfim falou para o grupo:

– Mavie, querida, toque e cante aquela que eu gosto – solicitou sua avó.

– 'Vó, mas você gosta de muitas músicas – brincou ela, rindo. Parecia não querer se destacar, ou atrapalhar de alguma forma o momento de união entre os grupos.

– Você sabe de qual ela está falando. Seu maior "hit" – retrucou Jed, também divertido. Balançou seu tamborim de leve, tocando-o com destreza. Velho macumbeiro de merda.

– Ah, mas ninguém aqui é irlandês, não devem conhecer... – Mavelle tentou evitar cantar, mas Maggie, ao seu lado, insistiu:

– O que eu falei hoje de tarde? É Galway Girl que eles querem, não é? Eu adoro música irlandesa – disse a Greene.

O grupo pediu a música, sorridentes e abestalhados, e Daryl Dixon se sentia perdido em meio a um bando de idiotas. Mantinha-se em silêncio, concentrando-se em fumar. Aquela cena o trazia um desgosto profundo, e ele sabia perfeitamente as razões daquilo.

Lembrava-lhe do primeiro dia de chegada na prisão, quando Beth cantara para o grupo a canção do país do qual vieram seus antepassados. "The Parting Glass", a pedido de Hershel. Ela e Maggie a cantaram juntas, na verdade, mas a garota loira começara primeiro sozinha.

Naquela época, Daryl a considerava apenas uma menina fútil, burra e fraca. Uma menininha riquinha de fazenda, mimada, incapaz de sobreviver. É claro que tinha apreço por ela, afinal, era membra do mesmo grupo que estava disposto a proteger com a própria vida.

Mas não se comparava ao vínculo que veio a criar com ela tempos depois.

"Você vai sentir tanto a minha falta quando eu partir, Daryl Dixon."

– Está bem, então! – desistiu Mavie, olhando para os lados, fingindo recato. Acordara Daryl de seus pensamentos melancólicos, e ele se sentiu internamente grato por isso.

– Ok, me passe essa arma aí, Glenn – brincou ela, se referindo ao violão. – Foram vocês que pediram, hein? Se eu estourar seus tímpanos não me culpem – a garota de dentes grandes fingiu modéstia, e começou a cantar.

Daryl não queria dar a menor atenção para aquilo, mas foi inevitável.

A melodia era animada, tão diferente de todas as músicas que escutara desde que a infecção começara.

Só tivera oportunidades mais “musicais” na companhia da tão saudosa Beth Greene e, vez ou outra, das músicas que Glenn costumava tocar. Nenhuma delas era alegre, vibrante, divertida. Até mesmo naquele dia, em que tudo estava aparentemente bem como nunca desde que tudo começara, há tanto tempo sem perdas, sem mortes... O asiático apenas tocara músicas tristes.

Já Mavelle cantava, incontroversamente, com uma beleza única. Sua voz era mais adulta que a de Beth, porém tão meiga quanto. Era realmente uma voz linda de se ouvir cantando, com vibratos, potência vocálica e muito afinada. Daryl Dixon não pôde negar para si mesmo que ela assim, de olhos fechados, concentrada no violão e na melodia que trazia aos ouvidos dele... Também tinha certo encanto inegável.

As mãos de Mavie Berry se moviam rápidas e empolgadas pelas cordas do violão, trazendo vida e jovialidade aquela música festiva. Ela sorria, seus dentes salientes ficando mais harmônicos em seu sorriso aberto, enquanto cantava com meiguice:

– Well, I took a stroll on the old long walk of a day-I-ay-I-ay! – cantava ela, empolgada, enquanto ninguém acompanhava, nem mesmo Maggie, que sabia a letra. Todos apenas a encaravam, como se enfeitiçados pela beleza de sua voz e música. Nem mesmo Daryl, se esforçando muito, conseguiria ficar indiferente.

– I met a little girl and we stopped to talk of a fine soft day-I-ay-I-ay. And I ask you, friend, what's a fella to do?! 'Cause her hair was black and her eyes were blue! – ela entoava a melodia com empolgação, no tom certo, tudo tão harmonioso que, por segundos, o grupo podia fingir que a vida era boa e ainda existiam motivos para sorrir.

Ele só se sentira assim, esperançoso, depois que a infecção se alastrara por tudo e todos... Quando na companhia de Beth.

– And I knew right then, I'd be takin' a whirl! 'Round the Salthill Prom with a Galway girl! – Mavie não parava de sorrir enquanto cantava, o que deixava a canção ainda mais alegre.

– We were halfway there when the rain came down. – Começou ela. – Of a day -I-ay-I-ay! – Maggie continuou, e Glenn, ao lado dela, a segurou pelos braços, carinhoso e feliz de ver a esposa tão a vontade.

– And she asked me up to her flat downtown – cantou Mavelle, olhando para Maggie, sorrindo ainda mais, esperando que ela continuasse. – Of a fine soft day -I-ay-I-ay! – foi o que fez a Greene.

– And I ask you, friend, what's a fella to do, 'cause her hair was black and her eyes were blue! – cantaram ambas em uníssono, juntas, rindo em meio a música.

Até mesmo Annie, sempre tão séria, sorria de orelha a orelha, olhando a neta com olhos incrivelmente amorosos. Jed, parecendo mais desinibido naturalmente do que Dixon jamais o vira, tocava seu tamborim no ritmo, sorrindo com os lábios fechados, assim como seus olhos, concentrado naquele momento feliz.

– So I took her hand, and I gave her a twirl! And I lost my heart to a Galway girl! – Mavie e Maggie agora quase faziam um dueto. O sujeito nojento ao lado de Daryl não ousava demonstrar nada, mas percebia a admiração dele apenas aumentar pela beleza de Mavelle, que ficou ainda mais evidente com a demonstração de tamanho talento.

– When I woke up I was all alone... With a broken heart and a ticket home. – Mavie e Maggie fingiram uma voz mais triste, e Maggie Greene parou de cantar, deixando a garota morena sozinha no vocal e no violão.

– And I ask you now, tell me what would you do? If her hair was black and her eyes were blue? – Mavelle se divertia, tão genuinamente feliz e entregue aquele momento que seu rosto parecia hipnotizar os olhares de todos. Era impossível desviar os olhos dela.

– I've traveled around, I've been all over this world! Boys! – Mavie cantava feliz, satisfeita, encantando a todos.

– But I never seen nothin' like a Galway girl... – terminou ela, com um sorriso tão meigo que Daryl se sentiu leve. Como se tivesse menos preocupações para lhe importunar. Não sabia explicar a razão daquilo, mas ouvi-la cantando, daquele jeitinho dela, exatamente como ela era... Fizera-o se sentir melhor. Com menos raiva.

Feliz, quase.

– É, eu não conhecia mesmo nenhuma garota de Galway – comentou Billy Ray, sorrindo afetuoso para Mavelle, um tanto longe dela. Ela apenas sorriu de volta, acariciando seu violão, dando-o um curto olhar e voltando os olhos para as cordas. Daryl sentiu uma fisgada de raiva ao ouvir o comentário daquele caipira.

– Minha garota de Galway – disse Annie, sorrindo com afeição de avó “coruja” para a neta.

– Bem, eu não tenho os olhos azuis, mas ao menos meu cabelo é moreno como na canção, e eu nasci em Galway mesmo – falou ela, dando um sorriso enviesado. – E, como boa irlandesa, tinha mesmo que gostar de música – debochou.

Irlandesa. Isso explica o sotaque. Reconheceu Daryl Dixon, finalmente.

Mavie passou o violão para Maggie Greene, que agora queria se arriscar a tocar alguma música. Daryl já estava um pouco de saco cheio de tudo aquilo, mas não deixaria de vigiar Elliot. Não daria espaço para o sujeito estranho “se criar”.

Já bastava ter de lidar com Jed e levar o plano de Carol adiante como Rick decidira. Não ficaria de braços cruzados esperando que mais um problema se criasse bem na sua frente.

Então, ficaria ali enquanto o filho da mãe também estivesse.

Sem querer, acabou por cruzar o olhar com Mavelle Berry, que passava o violão para Maggie, sentada do outro lado da Esquila. Ela o encarou por um tempo, e Daryl achou ter visto uma centelha de interesse sensível passar pelos seus olhos de avelã esverdeado.

– E aí, o que achou? Você está com cara de que está odiando tudo isso – ela comentou, baixinho, lhe dando um sorriso travesso. Sua avó está aqui, garota, se comporte. Pensou ele, inevitavelmente levando aquelas feições para um sentido malicioso.

– Você canta bem, Esquila – o arqueiro disse baixo, para quebrar o gelo, enquanto a irmã mais velha de Beth tentava tocar e cantar uma música simples de Don Mclean, um cantor country que Dixon gostava. – Mas essa porra toda é um saco. Não sou um maconheiro hippie para gostar de ficar em rodinha de violão – afirmou o caçador, sua voz acobertada pela voz da Greene cantando.

Mavie deu uma risadinha baixa, achando graça da comparação que Daryl Dixon fez. Aquela reação dela trouxe uma sensação agradável para ele, embora o arqueiro de imediato se considerasse um idiota por isso.

– Sabe, de vez em quando, você podia tentar relaxar. Sei lá, dar um sorriso – ela implicou, sorrindo largamente para ele. – Se você souber fazê-lo, é claro – Mavelle brincou, debochada. Ela abaixou ainda mais o tom de voz e falou:

– Mas sempre pode ter alguém para tentar te ensinar – a garota irlandesa disse, seus olhos encarando os de Daryl por uma fração de segundo. Naquele momento, dera-lhe um sorriso tão bonito quanto o que os agraciara enquanto cantava "Galway Girl".

Passou-se um milésimo de segundo, e Mavie já tinha se voltado para Maggie, ainda sorridente, batendo palma no ritmo da música que a esposa de Glenn cantava.

É, realmente. Essa garota é mesmo uma figura. Pensou Daryl, querendo sentir raiva ou desprezo pela menina, mesmo sabendo que aquela era uma tarefa cada vez mais difícil.

Daryl Dixon tinha de reconhecer: ele realmente jamais vira algo como a garota de Galway.

Notas finais
Aê, e finalmente o arqueiro caipira mais charmoso de todo o apocalipse zumbi descobriu a origem de Mavie! E se permite pensar nela, pela primeira vez, de uma forma mais carinhosa... É uma questão de tempo até que ele separe a imagem de Mavelle da de Beth e passe a vê-la com apreço por quem ela realmente é. =) Esqueci de avisar a vocês! A fic agora tem um tumblr: www.hunters-instinct-fanfic.tumblr.com. Dêem uma passada lá, e me digam o que acham a respeito. Se quiserem, me falem nos comentários se querem ver a ficha de algum personagem específico que ainda não foi feita. E se prepara, meu povo querido, que no próximo "episódio" vem chumbo grosso por aí! Sim, estou falando de mortes, porque afinal de contas isso daqui é uma fic de TWD! Aleatório: eu imagino a Mavie Berry cantando Galway Girl igualzinho a essa moça aqui: https://www.youtube.com/watch?v=G2JNBiF1vCE Versão mais conhecida da música: https://www.youtube.com/watch?v=_Lcnvd8BNFE Beijos! Ansiosa pelos comentários!