Hunters
2 A Triste História de "Ninguém" - Parte 2
Notas iniciais
Inferno.
Este é o lugar onde a bíblia define como o local da punição consciente dos espíritos após a morte.
O meu inferno era ali, em minha própria casa, talvez o lugar onde vivera os momentos mais felizes de minha vida, junto com as pessoas que mais amava.
Não conseguia compreender o que havia acontecido, nada fazia sentido, não importa as lágrimas que caiam e os gritos que eu emitia, nada iria mudar o que havia acontecido.
Dor.
Foi o primeiro sentimento que tomou conta de meu corpo, um sentimento de dor inexplicável, incompreensível e inimaginável.
Raiva.
A dor resulta basicamente em dois sentimentos, no desejo de não sentir dor e na raiva.
Minha raiva não era uma raiva qualquer, ela era descontrolada, contra tudo e contra todos, baseada na incompreensão de minha situação.
Eu estava ali parado enquanto os passos dos policias adentrando minha casa se aproximavam e chegavam próximos ao banheiro.
Abracei fortemente o corpo de Becky, quando ouvi ao longe e lentamente uma voz que dizia afaste-se.
Tomado de um descontrole, saltei sobre o homem que pediu para me afastar e comecei a agredi-lo, até quando senti algo queimar em meu abdômen.
Fui baleado três vezes, em meu abdômen, em minha perna e meu ombro.
A única coisa que deseja naquele momento era morrer, ter a liberdade de minha dor.
Mas os policias que me balearam, me levaram as presas para o hospital e infelizmente acabei sobrevivendo.
Como não havia explicação para o ocorrido, a promotoria me acusou pelo assassinato de minha filha e esposa, não apresentei defesa e fui sentenciado à prisão perpetua.
Nada mais importava, nada mais fazia a diferença, meu corpo estava vivo, mas meu espírito estava morto.
Nos primeiros dias da prisão tentei me suicidar diversas vezes, todas falharam, sou tão ruim que não consigo nem me matar.
Após alguns dias arrumei briga com alguns presos para ver se conseguia morrer, fui esfaqueado duas vezes, sobrevivi em ambas e fui mandado para a solitária.
Na solitária tirei o lençol de minha cama, amarrei-o em uma barra de ferro da entrada de ar que ficava sobre o vaso sanitário, coloquei em volta do pescoço, quando ouvi um barulho na fechadura da porta e lentamente ela foi se abrindo.
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