Hunters
2 Capítulo 2. "Fantasmas" Pessoais
Eva já havia chegado do mercado tinha umas duas horas. Depois dela contar para Kevin como foi a caçada da noite anterior, já que tiveram pouco tempo para conversarem, pois quando chegaram, ela e Lisa apenas tomaram um banho e foram dormir, resolveu ir para seu quarto ler alguma coisa. Ela nem chegou a tirar os tênis e logo a dor de cabeça começou. Eva já estava consciente do que aconteceria em seguida. “Outra maldita premonição” Ela pensou dando um longo suspiro antes de entrar em transe e escrever sem parar, sem ter controle do próprio corpo. A única coisa da qual tinha noção era a “Voz” Falando insistentemente. Provavelmente sobre eles, os irmãos Simons.
No hospital nacional de Temperance, Joe e Adam haviam acabado de sair do leito quinze, onde Kate estava, graças á eles, sã e salva.
—Vamos tentar de novo? — Joseph perguntou, o irmão fez um movimento leve com a cabeça e logo em seguida, o mais novo já discava pela décima vez, o numero que Kate havia lhe dado. Só haviam conseguido falar com o delegado Milers, e esse já tinha mandado um policial pegar a mãe de Kate em casa, já que ninguém conseguia encontrar Ronald.
—Qual é, onde esse cara se meteu. Que diabos de policia é essa que perder seus próprios empregados com carros equipados com rádios
—Shii, acho que ele vai atender — Joe sussurrou enquanto mantinha os olhos esverdeados no irmão, como um avisa claro para que ele ficasse calado.
—Oi, Ronald Olsen falando
—Senhor Olsen, sua filha Kate...
—O que tem ela?
—Ela está no hospital de Temperance — O rapaz mordeu os lábios, pensando apenas que deveria ter dado o telefone para o irmão. Joe definitivamente odiava ser portador de más noticias.
—Mas o que houve, como ela está, e quem é você?
—Calma, sou Joe Simons e... Eu e meu irmão a encontramos e bom... Acho melhor o senhor vir logo pra cá
—Estou indo — O homem desligou e eles voltaram para o quarto, na esperança de ver Kate ainda acordada, já que era comum darem calmantes para pacientes recém saídos de um cárcere. Entraram e sorriram ao verem a garota de olhos bem abertos. Mesmo não sabendo como começar um interrogatório, Adam resolveu tentar. Puxou uma das cadeiras e sentou ao lado da maca que a garota estava, sendo imitado pelo irmão mais novo.
—Então Kate, quantos anos você tem?
—Onze... Mas semana que vem é meu aniversário
—Adoro festas, convida a gente — O loiro piscou e sorriu. Joseph revirou os olhos e gesticulou com as mãos para que ele continuasse. Adam forçou um sorriso e voltou a olhar para a menina.
—Bom, conseguimos falar com seu pai, e ele deve estar chegando com alguém para te interrogar... Mas nos diga, o que aconteceu? — Joe lançou um olhar de desaprovação para o irmão, que apenas o ignorou, ele realmente estava curioso e queria saber tudo que havia acontecido, e alias, a menina teria que responder para um bando de policiais mesmo. Kate deu um longo suspiro, ela não queria ter que falar sobre aquilo, não ali, sem ninguém conhecido, mas ela era muito agradecida á eles e resolveu atender o pedido.
—Uns oito dias atrás, eu estava andando de bicicleta, ia comprar ovos para mamãe, e... Ele me pegou e me levou para uma casa horrível, e me trancou no porão
—Espera, mais de uma semana... Ninguém sentiu sua falta?
—Devem ter, eu estava trancada! — A garota respondeu á pergunta idiota do loiro apertando os olhos. Ele apenas olhou confuso para o irmão.
—É que quando ligamos para a policia e para seu pai, não nos pareceu que sabiam do seu sumiço, nem agiram como se soubessem que você tinha sido sequestrada — Joe falou mais para ele mesmo, tentando entender a reação completamente estranha do delegado e do pai da garota. Adam pensava a mesma coisa. Agora mais do que nunca os dois queriam saber daquela história em detalhes.
—Droga — Lisa gritou ao entrar no quarto de Eva. A Morena estava caída no chão, com papéis espalhados á sua volta e segurando uma caneta entre os dedos. Lis se ajoelhou perto da amiga e tocou em seu ombro.
—Eva, Eva... Acorda! — Aos pouco o corpo, antes imóvel no chão, deu sinal de vida. Eva piscou várias vezes antes de abrir os olhos lentamente e ter certeza que era somente Lisa na sua frente. Ela olhou em volta, ainda atordoada, notou a bagunça que havia feito, praguejou em pensamentos aquela maldita entidade, ou qualquer merda que fosse por usá-la daquele jeito.
—Você está bem? — Lisa perguntou preocupada, ajudando a amiga a se levantar.
—Sim... Mas minha cabeça está doendo, e eu nunca tinha caído assim! — Eva reclamou enquanto era levada para sua cama. A outra caçadora rapidamente juntou todas as folhas soltas que encontrou, desde a mesinha de madeira no canto do quarto, até as do chão, alem de juntar porta retratos e outros objetos, os organizando em seus lugares novamente.
—Desculpe por isso Lis
—Acho que está na hora de comprar um caderno novo, folhas presas dão menos trabalho
Eva sorriu, sentido automaticamente uma pontada aguda de dor na área acima da orelha esquerda, achando que devia ter batido na hora da queda.
—O que escrevi dessa vez? Tomara que seja algo muito importante pra valer o esforço!
Lisa revirou os olhos e sentou ao lado da amiga, colocando o monte de papel em sua coxa. Eva se sentia confortável em dividir suas anotações com alguém, mas não era tão mal educada a ponto de expulsar a sua “colega de trabalho” Que tão gentilmente havia arrumado um pouco da bagunça feita por ela. Lisa entregou as folhas e ficou observando Eva separá-las e organizá-las em uma nova ordem, uma em cima da outra.
—Como sabe quais as primeiras? — Eva ergueu os ombros e voltou a colocar a “história” em ordem, tranquila, até ver as seis últimas folhas.
—Mas que caralho! — Lisa franziu os olhos confusa com a reação da amiga. Eva sacudiu os papeis e entregou as folhas que tanto haviam lhe irritado. Algum Deus brincalhão só podia estar por trás disso... As últimas folhas estavam cheias de “Adam e Joseph, Adam e Joseph” E mais nada!
—Não acredito que fiz isso
—Calma, tem as outras... Vamos, ânimo garota, leia — Lisa tentou parecer empolgada. Eva então começou, estava mesmo curiosa para saber o que os dois tinham aprontado dessa vez.
—Adam e Joseph pegaram seu armamento e... — E assim ela foi lendo, sendo absorvida por cada detalhe, cada detalhe, cada letra trêmula. Eva não entendia como era possível escrever tão detalhadamente sobre dois cara que ela nem sabia como eram direito, e nem se existiam de verdade. Só sabia que o mais velho era um pouco metido e se achava demais, apesar de ser engraçado e ter os cabelos claros, o outro, era mais como ela, cabelos escuros e mais moreno que o irmão, adorava ler e pesquisar bem... Ela senta saudade de quando se deparava com pequenos bilhetes, avisos curtos, sobre gente próxima, real. Agora eram páginas e páginas, histórias interias sobre os Simons, e era dever dela encontrá-los, para ter certeza que não estava louca, e ver se isso espantava seus “fantasmas” Afinal, tinha a impressão de que se não visse Adam e Joe na sua frente, seria assombrada por esses fenômenos por muito tempo, e estavam ficando cada vez piores, mais intensos e perigosos.
—Caramba... Esse Adam é tão forte, acabar com um lobisomem assim
—Mas se não fosse a inteligência de Joe, nem saberiam que o mendigo era um monstro disfarçado
—Joe? Nem conhece o cara e já chama ele assim, imagina se o conhecesse
—Sei que ele gosta de ser chamado assim, e alias, nem sei se eles existem mesmo, ou em que época aconteceu ou vai acontecer tudo isso... Eles podem ter morrido, ou nem nasceram
Aquelas hipóteses sempre passavam pela mente de Eva, e a deixavam angustiada, era frustrante não saber nada alem do que aquela maldita voz enfiava em sua cabeça... Talvez ela nunca visse os dois cara a cara.
—Bom, eles tem celulares e notebooks, alem de Adam adorar U2 e Rolling Stones, ou seja, não deve ser de um tempo tão distante. No mínimo eles são crianças, mas sei que existem
Eva mais do que ninguém tinha noção disso tudo, mas não queria ter esperança, nem fazer planos e idealizar uma imagem... Eles podiam ter qualquer idade e estar em qualquer lugar. Ela sabia que sempre escreveu sobre o futuro, então era mais fácil eles serem crianças do que velhos, e isso, lá no fundo lhe dava um conforto, pois teria tempo de conversar com eles caso se esbarrassem por ai. Lisa saiu e Eva ficou ali, novamente folheando aquelas páginas por um bom tempo, Kevin estava fora e ela sabia que seria vitima de um interrogatório enorme, então resolver deitar um pouco, mas antes guardou as folhas em cima do caderno totalmente usado, e voltou a olhar seu mural perto da sua cama, nele haviam recortes de jornal e fotos de casos, e ela gostava de ver, já que todos estavam resolvidos... Depois novamente releu suas “pistas” sobre Joe e Adam.
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