Hunter - The Scape
1 Prefácio
Notas iniciais
Sabe aquela frase: “Um dia é do caçador e outro da caça”? Então, eu acabei de descobrir a veracidade desta frase, e da pior maneira que você conseguir imaginar.
Neste momento eu estou correndo pelas animadas ruas de Nova York, desviando das pessoas, evitando bêbados e fugindo do que um dia já foi minha caça.
Certo, minha vida já foi melhor. E minhas pernas já correram mais rápido, mas eu vou fazer o que? Ser caçada por ELES não estava, por mais incrível que possa parecer, nos meus planos. Nem nos mais malucos.
Está certo que se eu ainda estivesse com meus “objetos de trabalho” eu poderia estar tomando uma cerveja em um dos movimentados bares da cidade, mas adivinhem a coisa mágica: fui despedida! Sim! Finalmente aqueles velhos ranzinzas conseguiram se livrar de mim.
Digo finalmente, pois eles precisaram de 18 anos para se livrar da minha encantadora pessoa, e só conseguiram esta façanha, pois meus pais morreram e assim deixaram de me proteger.
Como se eu precisasse de proteção, na verdade, de todos daquele lugar eu era a única que conseguia completar todas as missões que me eram designadas.
Um segredo cá entre nós, eu tenho habilidades especiais. Se sua reação foi perguntar-se ‘Como assim?’, eu lhe admiro muito, pois quando eles descobriram isso foi quando a lutar por me expulsar da Associação começou.
Irei lhe explicar este “poder”. Eu tenho uma visão absurdamente boa, e eu não digo um boa normal, eu consigo enxergar por distâncias enormes sem problema algum e com perfeita clareza, o meu senso de profundidade também é bem melhor que o de uma pessoa normal. Chamaram então essa minha habilidade de mira perfeita, pois graças a ela eu nunca na minha vida errei meus alvos.
A razão dessa habilidade é que eu consigo utilizar praticamente 100% das funções do meu cérebro e o efeito colateral desse super uso é esta habilidade extra, engraçado, não?
Cheguei numa parte da cidade estranhamente vazia. Nenhuma pessoa na rua. Isso não me cheirava bem. Como que algum canto da ‘Cidade Que Nunca Dorme’ pode estar vazio?
Meus passos ecoavam por onde eu passava. Droga! Vão me denunciar se meus perseguidores estiverem perto. E eu não posso deixá-los me achar, principalmente agora que consegui uma boa dianteira.
A algumas quadras vi a estação de metrô, minha salvadora. Desci as escadas correndo, o lugar também estava vazio, passei o bilhete na catraca e entrei, não tinha tempo. Desci pelas escadas rolantes para a linha que descia no terminal rodoviário, era um lugar óbvio, mas se chegasse lá antes deles, eu estaria salva, ou pelo menos por aquele dia.
Peguei o trem quando as portas estavam quase fechando, foi um golpe de sorte, talvez eu não estivesse completamente perdida quanto achava.
O trem estava relativamente vazio, no meu vagão, por exemplo, havia mais umas cinco pessoas.
Passei por umas quatro estações até chegar à estação do terminal, saí do metrô correndo, sem ligar para quem passava por mim ou para a paisagem ao meu redor, me preocupei apenas em ir até onde vendiam as passagens dos ônibus que sairiam o mais rápido possível.
-Uma passagem para qualquer ônibus que esteja saindo nos próximos dez minutos – pedi no guichê.
-Me desculpe, mas compras de passagem tem de ser feitas com no mínimo uma hora de antecedência – o vendedor me informou.
-Sério, eu preciso sair daqui! – exclamei, mas então tive uma brilhante idéia, abaixei a voz e num tom assustado e choroso completei – eu fui raptada, e agora meus seqüestradores querem me pegar, por favor, me ajude!
-. – ele estava hesitando, me forcei a chorar e lancei o olhar mais melancólico e assustado que pude – tudo bem, tem esse ônibus que vai sair daqui sete minutos, a passagem custa vinte dólares – ele falou com uma voz bondosa.
-Obrigada! – lancei um sorriso grato e paguei, ele me passou a passagem – você acabou de salvar minha vida! – completei.
-De nada – ele falou enquanto eu corria para o portão de embarque.
Portão dezessete. Tenho que admitir, ele era perto levando em consideração todos os portões desta estação.
Passei pelo portão: 4, 5, 6. 15, 16 até que lá estava a minha salvação! O portão dezessete, quase fechando, corri o mais rápido que minhas pernas permitiam até chegar lá.
O guarda olhou bravo para mim, mas não liguei, fiz uma cara de “desculpe-me o atraso” e ele me deixou entrar.
Sentei no meu banco, o último do ônibus, sabe aquele bem do lado do banheiro? Mas não ligava, agora estou indo para Washington, e por ter sido uma coisa aleatória os despistei mais ainda.
Fazia dois meses que eu estou nesta fuga alucinante, sem tempo para respirar e usando todas as táticas de fuga imagináveis e inimagináveis, pois para fugir da minha caça precisava-se, não de força, e sim de inteligência, pois, afinal, não se pode vencer o que é mais forte que você sem que se use de táticas e estratégias elaboradas.
Tenho agora umas doze horas de viajem pela frente. O melhor é dormir.
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