Hunter - The Scape
11 Capítulo 10.
Notas iniciais
O Texas tinha um clima árido e fazia um tempo muito ensolarado e quente, toda aquela luminosidade me incomodou e pude perceber que Vincent estava visivelmente fraco.
Um Porsche preto de vidros foscos parou na nossa frente e Vincent abriu a porta para que eu passasse e logo se sentou do meu lado.
Olhei para quem dirigia, era um dos gêmeos DAQUELE dia, do lado dele estava o outro. Estava num carro com os assassinos dos meus pais, mas estranhamente não senti muita vontade de me vingar. Acho que agora estamos do mesmo lado, e não posso desperdiçar uma boa ajuda.
San Antonio era uma cidade grande, mas bem menos modernizada que cidades como Nova York, por exemplo.
Paramos na frente de um hotel de luxo, Vincent fez o check in e os gêmeos trouxeram a minha mala e foram embora.
-Para onde eles foram?
-Eles vão procurar a antiga fazenda dos seus avós, o Texas pode ser enorme, mas esses dois são os melhores no quesito investigação – Vincent explicou e pegou minha mala – vamos? – fez um gesto com a cabeça para que eu o acompanhasse e entramos no elevador.
Chegamos ao penúltimo andar, era um corredor enorme, mas havia apenas quatro portas, o que indicava que os quartos eram, no mínimo, grandes.
Entramos no último quarto do corredor, que era ironicamente o 1313, não que eu acredite nessas superstições, mas é uma coisa irônica.
Tinha uma pequena mesa de mogno com quatro cadeiras, um pouco depois um sofá para dois e uma poltrona, estavam virados para frente de uma televisão de plasma, a iluminação era meio fosca e amarelada dando um ar mais luxuoso ainda ao local. O Banheiro era feito de Mármore branco e havia dois quartos.
Ambos decorados com móveis caros e chiques e com uma cama king size no centro pedindo para que uma caçadora cansada se deite nela e durma todas as horas do sono perdidos.
-Pode ir dormir, ninguém vai te atacar enquanto eu estiver aqui – Vincent disse parado atrás de mim.
-Você não encosta nesse quarto – ordenei e entrei no quarto, tirei minhas botas e deitei na cama me deixando levar pelo conforto e pelo cansaço.
Quando abri meus olhos os senti pesados, como se pedissem para que eu continuasse dormindo, o meu corpo estava dormente e pelo jeito eu deveria ter dormido muito.
Virei o corpo e abracei um dos travesseiros para tentar dormir mais confortavelmente, porém senti um vazio enorme no meu estômago e uma vontade de comer qualquer coisa comestível que aparecesse na minha frente.
Decidi por me levantar, olhei o relógio ao lado da cama e ele marcava ser cinco da tarde, o que era muito estranho, pois posso jurar que quando eu fui dormir eram quatro da tarde, será que eu só dormi uma hora?
Saí do quarto e vi Vincent assistindo o canal de esportes, mas foi só eu dar um passo para fora do quarto que ele virou o rosto para me olhar com seu sorriso cínico.
-Até que enfim você acordou, Bela Adormecida – comentou com uma risadinha- dormiu bastante.
-Quanto tempo eu dormi? – minha voz saiu grogue e sonolenta.
-25 horas e 15 minutos – ele respondeu olhando no relógio.
Levei um susto, quer dizer que eu perdi um dia inteiro dormindo, acho que eu deveria estar mesmo cansada, e ainda estou, mas preciso comer algo senão não vou conseguir voltar a dormir.
-Onde posso comer? – perguntei.
-Lá na mesa tem o catálogo do serviço de quarto, pode pedir o que quiser.
Depois de pegar o telefone e pedir wafles com bacon, acompanhados com um sundae de chocolate e uma garrafa de vinho branco me sentei do lado de Vincent para esperar meu pedido chegar.
-Você sabe que se continuar comento porcarias dessa maneira você vai engordar – ele comentou rindo possivelmente com a visão de mim gorda.
-Faz tempo que eu não como direito estou até bem magra, me deixa comer minhas porcarias em paz?
Antes dele responder a campainha tocou e eu fui atender, era o serviço de quarto, no carrinho tinha um prato muito suculento de wafles com fatias de bacon por cima, na frente deles um sundae espetacularmente colorido e de aparência deliciosa e a minha garrafa de vinho estava no gelo pedindo para ser bebida.
Coloquei tudo na mesa e comecei a comer e beber, e como estava bom. O gosto forte do bacon com a leveza do wafle acompanhados pelo doce gosto do vinho. Depois o gosto gelado e refrescante do sorvete, que eu saboreava a cada colherada.
Quando acabei de comer e tomei o último gole do vinho me senti muito satisfeita e até feliz, sabe aquela alegria que você sente depois de comer bem? Então era assim que eu me sentia.
Sentei no sofá e fiquei assistindo um jogo de futebol americano junto com Vincent, que parecia se divertir muito ao ver os humanos se empurrando e praticamente se matando por causa de uma bola oval.
-Para onde vai tanta comida? – ele me perguntou depois de um tempo.
-Tenho um buraco negro no lugar do estômago – respondi e logo depois tive que segurar um bocejo – acho que vou dormir mais, se tiver alguma notícia dos meus avós não hesite em me acordar – pedi e fui para meu quarto me jogando na cama para mais algumas horas de sono.
-Anabelle, acorda – senti alguém balançando meu ombro.
-Mais cinco minutinhos – eu não quero acordar, que coisa chata.
-Mas os gêmeos voltaram – o alguém respondeu e eu reconheci a voz imediatamente.
Abri os olhos de súbito e me sentei na cama e vi que o Vincent começou a rir assim que olhei para ele.
-Minha cara está tão péssima assim? – passei as mãos nos meus cabelos para assentá-los.
-Vamos eles estão esperando na sala, disse que seria melhor você ouvir junto –ele falou já andando até a porta, me levantei e o acompanhei.
Os gêmeos estavam sentados no sofá, mas assim que chegamos eles se levantaram e deram passagem para que eu e Vincent nos sentássemos.
-Podem começar a contar o que descobriram – Vincent pediu sério e um tanto autoritário.
-Descobrimos que eles moravam numa grande fazenda ao sul, mas que se mudaram há dezessete anos para Oklahoma, mas não ficaram muito tempo por lá também – o primeiro dos gêmeos informou – então nos separamos para procurar os rastros deles.
-Eles moraram em diversos lugares desde então, o mais recente foi em Seattle de onde eles se mudaram faz um ano – o outro continuou calmo – mas eles simplesmente sumiram do mapa depois disso, por isso achamos que eles encontraram um lugar fixo.
-Depois de analisar a rota que eles tomaram e de procurar muito, descobrimos que terá em Great Falls o Baile Anual e achamos que eles devem aparecer por lá, pois soubemos por Joshua que eles estiveram em todos os Bailes desde que começaram – finalizaram juntos, com as vozes se mesclando tão sincronizadamente que pareciam uma.
-Pelo visto teremos um baile para ir, preparem nossas roupas e pertences, e acertem nossa estadia no melhor hotel da cidade – Vincent ordenou.
Os gêmeos assentiram e com uma leve mesura, e saíram da sala, apareceram um tempo depois carregando minha mala e foram embora.
-Hora de fazer o check out – Vincent anunciou se levantando – não se preocupe, eles vão levar suas coisas para o hotel, talvez eles peguem algumas roupas para levar para a costureira, mas eles não vão estragar nada.
-Certo – concordei e fui para meu quarto, vi que apenas minha bota estava lá, a vesti e saí, Vincent já me esperava na porta – obrigada por me ajudar.
-É o mínimo que eu poderia fazer por você – ele me respondeu com um sorriso culpado.
-Por que você sempre parece tão culpado?
-Dê tempo ao tempo, ainda irei lhe contar essa história.
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