Tenho andado distraída, impaciente e indecisa

E ainda estou confusa só que agora é diferente

To tão tranqüila e tão contente

— Ensinou muito bem seu discípulo, Astréia.

- Está sendo irônica?

- Shaka tinha razão. Podemos mudar nosso destino, mudar de idéia.

- Eu... –Astréia engoliu o seco- Eu sinto muito por tudo.

- Eu sinto por você. –Vesta correu os dedos pelo rosto de Astréia.

- Está com pena de mim?

- Talvez. –ela beijou a face da outra que se retraiu- Mas não de uma forma ruim.

Quantas chances desperdicei quando o que eu mais queria

Era provar pra todo mundo que eu não precisava provar nada pra ninguém

Me fiz em mil pedaços pra você juntar e queria sempre achar explicação pro que eu sentia

Como um anjo caído fiz questão de esquecer que mentir para si mesmo é sempre a pior mentira

- Ora...

- Astréia... –ela passou a mão pela ferida de Astréia, a fechando, sem deixar marcas.

- Não preciso que me ajude!

- Precisa ser menos orgulhosa.

- Meu orgulho é o seu orgulho.

- Não, não é. Meu orgulho é de uma deusa caída, cuja época passou. Essa é sua Era Astréia, aproveite.

- O que está sugerindo?

- Pergunte a sua mãe. Quando ela surgiu, eu já estava aqui.

- No principio...

- E até o fim.

Mas não sou mais tão criança a ponto de saber tudo

Já nem me preocupo se eu não sei porque as vezes o que eu vejo quase ninguém vê

E eu sei que você sabe quase sem querer que eu vejo o mesmo que você

Sei que as vezes uso palavras repetidas mas quais são as palavras que nunca são ditas?

- E até o fim.

Astréia sorriu.

Sinceramente, dessa vez, e estendeu a mão para a pisciana, que a apertou.

- Fim da inimizade?

- Por que não sermos gananciosas? Amigas?

- É. Nunca pensei...

- Eu também não.

Me disseram que você estava chorando e foi então que eu percebi como te quero tanto.

O silencio se instaurou e Vesta partiu, deixando para trás uma Astréia com os olhos brilhantes.

Chegou a Fonte tranqüila. Aquele lugar lhe trazia ótimas lembranças.

Ouviu uma voz conhecida.

- Senhora da Eterna Chama!

- Me chame por meu nome, Mu.

- Meu pecado foi maior do que imaginava. Me perdoe.

- Cresci com o que me ensinou. Não ouviu?

- Violei sua regra, quebrei a trindade...

- Fique tranqüilo. –ela se aproximou, correndo os dedos pelas mechas lavanda.

- O que acha, essa é a hora?

- Agora!

Eros disparou e, sibilando, a flecha trespassou dois corações.

- Eu não me importo mais.

- Senhora...

- Por favor...

- Vesta, quando disse que um cavaleiro não morreria sem ver a luz, não imaginei ver a sua luz. Agora não posso viver sem ela.

Ele lhe deu um beijo tímido.

- F... Fico lisonjeada.

- Quer casar comigo?

- Eu...

- Ah, por Zeus! Depois do trabalho que tive, ela tem que dizer sim!

- Sim.