Horas depois Aurora acordou e soube da historia pela boca de Saga.

- Imaginei que tivesse desmaiado ou algo assim, porque a ultima coisa da que me lembro é de estar lutando com aquela coisa.

Mas parou de falar.

Saga estava longe, e seus olhos doces, aqueles olhos da cor do mar que Aurora tanto amava, estavam agora rancorosos e perdidos.

O fez se deitar e acariciou seus cabelos.

- Por que?

- Hã?

- Por que não confia naqueles que te amam?

Ele tentou se levantar mas ela jogou o corpo contra o dele.

- Seu irmão... Eu... Shaka... –sussurrou- Amamos você, queremos seu bem, mas não confia...

- Aurora...

- Diga-me sem pensar Saga, confiaria sua vida as minhas mãos?

- Bem, eu não...

- Resposta errada. Você perdeu.

Ela se levantou e foi embora. Saga sabia que não a veria por um bom tempo. Mas não podia negar sua parcela de culpa nisso. Continuou deitado, sem saber o que fazer, até tomar uma decisão.

Faria uma coisa que já não era tão difícil para ele quanto para seus companheiros, na tentativa de recuperar Aurora e remediar seus erros.

Se levantou.

Estranhou muito encontrar o sexto guardião aos pés da vestal, contudo não os interrompeu.

- Levante-se Virgo. –Vesta re-adotou o tom pacifico- Alguém precisa lhe dirigir a palavra. Vou deixá-los a sós.

Ela saiu e Shaka reassumiu a postura habitual.

- Fale Saga.

- Me perdoe...

- Saga...

- Por não confiar em você. Sempre soube o que fazer Shaka, devo-lhe minha vida e arrisco a dizer a vida de Aurora também. Mesmo assim...

- Espere Saga. Você está se humilhando inutilmente. Não há necessidade disso. Você é mais velho e mais experiente do que eu...

- Discordo desta ultima parte...

- Me deixe terminar. Teve experiências mais terríveis, carrega um peso enorme e não deixa de ser uma pessoa admirável. Uma pessoa piedosa, diferente de mim.

- Ainda assim, não sou o que Aurora deseja... Não sou o que ela precisa.

- Vê? Você possui a capacidade de amar Saga. Se esforça para se adaptar as necessidades de quem ama. Acredite, a duvida é o menor dos pecados.

- Muito fácil para quem nunca a sentiu na pele.

- Já a senti. Não como você, porem as duas vezes em que ocorreu foi doloroso. Por isso digo que não precisa se desculpar comigo. Vá buscar Aurora.

Saga sorriu e esperou. Em pouco tempo conseguiria realizar o conselho sábio do seguidor de Astréia.

Ao amanhecer todos se reuniram novamente.

- As coisas estão se complicando, talvez não tenhamos tempo de esperar a resposta de Atena. –Shaka opinou.

- Sim, eles já sabem onde nos encontrar.

- E o que propõe?

- Voltarmos quanto antes. É mais seguro pra você senhorita. –Mascara da Morte se dirigiu a Túccia.

- O que quer dizer com isso?

- Que apesar de tudo, eles voltaram para buscá-la ontem. –Afrodite resumiu.

- Isso é verdade senhorita? –ele estava alterado e ela confirmou com a cabeça- Venha comigo, por favor.

Eles saíram e Mascara da Morte reclamou.

- O que ele pensa que está fazendo?! Ela é uma vestal...!

- Está só protegendo...

- Não gaste sua saliva Saga, faça como eu. CALE A BOCA MASCARA DA MORTE!

- Escute aqui Afrodite, você não tem o direito...

- Vocês dois tem que parar agora. Estamos em um momento delicado e discutir não vai ajudar. –Mu interferiu.

Shaka foi até o outro quarto e se dirigiu quase rispidamente a Vesta.

- Por que não me contou isso?

- Não te devo explicações Virgo.

- Não percebe? Isso está acima de seus caprichos Vesta, você é o elo restante da trindade, se confundirem seu cosmo com o de Atena...

- Provarão sua ignorância.

- Não! Por favor Vesta, nada de ironias, se confundirem seu cosmo com o de Atena eles vão te matar! –por um instante ela perdeu a fala- Me escute!

- Vamos embora.

- Posso informar isso ao conselho?

- Sim.

Porem quando Shaka abriu a porta, já havia um veredicto.

Com a ajuda financeira da fundação Graad, fretaram um pequeno avião, que faria a escala na Índia e seguiria para a Grécia.

Logo os cavaleiros se tornaram habitantes de Jamiel, tentando chamar o menos de atenção que sete homens e uma mulher pudessem chamar, com suas caixas douradas e portes altivos.

Planejavam chegar ao Santuário em dois dias. Mas no termino do primeiro os problemas começaram a surgir.

Não tinham vistos ou passaportes para apresentar, coisa resolvida rapidamente por Mascara da Morte, que subornou o fiscal com um dinheiro cuja origem ninguém queria sequer imaginar. Vesta conseguira arranjar problemas com o dono do fretado, um indiano de meia idade metido a galanteador.

Para o desespero de Shaka, Afrodite e Saga não fizeram nada quanto ao confronto da vestal com o homem, e se ele e Camus não chegassem a tempo aquilo teria tomado conseqüências desastrosas.

Enquanto levava Túccia para o avião, Camus abaixou a temperatura que se elevara subitamente.

Ao mesmo tempo, Shaka murmurava desculpas atropeladas para o outro, comentando em sua própria língua:

- Culturas diferentes...

E saindo atrás dos irresponsáveis que não vigiaram nem preservaram Túccia como deveriam.

Logo os encontrou. Saga tinha os olhos perdidos no horizonte e Afrodite despetalava distraidamente uma de suas rosas.

- VOCÊS DOIS! –Shaka perdeu a compostura- Por que não impediram aquilo?

- Aquilo o que? – Afrodite respondeu com outra pergunta, sem se alterar.

Um raio de eletricidade estática passou pelo corpo do indiano, que engoliu a raiva e se voltou para o outro.

- E você?

- Não era importante...

Outro choque e um tombo...

Notas finais
Um pouco de comédia nesse episódio, e tentando não fazer a coisa virar yaoi *me controlando*