Notas iniciais
Gente... Mil desculpas!! Como presente de Natal, me computador resolver corromper o arquivo que eu tenho com toda a história.... E capítulos adiantados. Tive que escrever tudo de novo *putarevolts*. Mas enfim, segue mais um capítulo e espero que gostem. Ahh, para quem tem curiosidade de saber como é realmente o estilo da Gaele e tal, vou adicionar um link no texto para vocês darem uma olhada. No meu Polyvore vocês vão encontrar também outras montagens que possam lembrar algumas descrições que fiz na história, pois geralmente antes dos capítulos eu monto a roupa da Gaele de acordo com o momento - ahahah. Como seu totalmente avessa a simplesmente linkar o estilo dela ao invés de explicar e detalhar, acabo não colocando isso. Mas para quem tem curiosidade, aqui vai: http://www.polyvore.com/cgi/set?id=186217516 Vou adicionar no texto também. Nos falamos lá embaixo! ;*

Os dias que se seguiram pareceram uma tortura para mim. A cada hora que passava eu sentia que tinha menos tempo, pois a vinda de Naomi se aproximava. O Ano Novo estava chegando, o que também me deixava angustiada com a volta das aulas. E a volta das aulas significava outra preocupação: minhas admissões nas faculdades.

Duas cartas já haviam chego, mas não consegui abrir nenhuma. As escondi de minha família e de mim mesma, sem coragem nenhuma para pensar em um futuro tão próximo e tão confuso.

Parecia algo tão bobo e sem sentido agora: ir à faculdade. Como se esse detalhe tão simples e corriqueiro não fizesse mais parte da minha vida. Como eu poderia cursar Biologia sabendo do que sabia? Era insano. Como eu estudaria os mais diversos animais, plantas e habitantes da natureza se sabia que algo muito mais mítico, complexo estava rondando por La Push e, quem sabe, pelo mundo?

Era como se meus sonhos fossem aos poucos destruídos.

Novamente o peso de saber a verdade estava me atormentando.

Além de tudo isso, havia a ausência de Jacob. Era como se não o visse me machucasse fisicamente. Havia momentos em que eu trazia sua feição para meus pensamentos, buscando lembrar dele, de seu sorriso, de seus olhos misteriosos, do seu cheiro... Eu passava horas andando pela praia para poder ocupar minha mente e não imaginar nos riscos que Jacob estava correndo ao fazer rondas. Passava horas imaginando onde Farad estaria, o que estaria fazendo, se tinha morrido por causa do ferimento – nunca fui de desejar a morte de ninguém, mas Farad era uma exceção na minha vida. Eu também passava horas tentando não me sentir paranoica ao me lembrar das famílias.

Eu tinha tudo o que precisava: o mapa, o parceiro e roupas resistentes. Contudo, meu parceiro andava extremamente ocupado.

Para não levantar suspeitas, combinamos que Brady não pediria para reduzir suas rondas, isso seria uma atitude muito estranha. Então eu tinha que esperar até que ele encontrasse uma brecha, ou estivesse me vigiando, para podermos sair. O que parecia que não ia acontecer tão cedo.

Estava quase indo sozinha mesmo, na cara dura.

A minha coragem sempre esmaecia quando me imaginava entrando em cantos que nunca entrei da floresta. Podendo encontrar algo muito pior do que Farad: a Fria que rondava Forks e La Push.

Meu coração sempre fazia uma breve pausa ao pensar nela. No ser que havia matado meu melhor amigo e saído impune.

Estava chutando algumas pedras para dentro do mar quando senti meu corpo relaxar de imediato. Um breve sorriso surgiu em meus lábios preocupados quando notei o motivo de uma ação tão inesperada de meu corpo. Olhei para trás e encontrei Jacob vindo em minha direção. Meu coração acelerou, eu não o via desde o Natal.

Parecia que eu nunca ia me acostumar com Jacob e as reações que ele provocava só por sua presença. Seu andar era cadenciado, descontraído e relaxado. O porte sempre presunçoso, altivo e perigoso só parecia me atrair mais. Deixei o melhor para o final, pois sabia que ia ficar sem folego. O rosto de Jacob estava estendido em um sorriso feliz. A pele marrom avermelhada, os olhos negros profundos e intensos, as sobrancelhas grossas, bochechas altas, queixo quadrado. Era um rosto maduro, de uma beleza nada clássica.

Eu tinha sentindo mais falta dele do que percebera.

Sem notar, meus pés se moveram em sua direção, não conseguindo esperar que ele me alcançasse. E então eu estava correndo para ele, me jogando em seus braços enquanto ele me pegava no ar e ria. Eu o abracei com força, mergulhando meu rosto em seu pescoço, sentindo seu cheiro amadeirado e terroso. Minhas memórias não fizeram jus a ele.

– Acho que sentiu minha falta. – ele disse em meu ouvido, depois senti seus lábios quente beijando minha cabeça.

Jacob me colocou no chão, mas me manteve em seus braços quentes. Eu deitei minha cabeça em seu peito, me limitando apenas a assentir. Será que ele havia sentindo toda as minhas angústias durante esses dias? Será que ele sabia que a grande maioria delas era voltada para ele?

– Você sumiu. – assinalei depois de um tempo, feliz por estar com ele.

Jacob acariciava levemente meus cabeços, o queixo pousado no topo da minha cabeça. Eu abraçava sua cintura. Como sempre, ele não usava jaqueta de frio, apenas uma camiseta leve bege que lhe moldava perfeitamente.

– Eu sei, sinto muito. – beijou novamente meus cabelos. – Vou compensar você.

Levantei meu rosto para ele.

– Como assim?

A neve atrapalhava um pouco minha visão, pois estava mais forte nesses últimos dias, congelando os lagos, prendendo carros em suas garagens, fazendo com que os moradores de La Push tivessem que limpar a frente de suas casas pelo acúmulo de neve.

– Jantar. Estou te devendo um encontro. – ele sorriu e acariciou meu rosto. – Hoje à noite, na minha casa.

Meu coração acelerou com isso. Eu quase vi o sorriso discreto de Jacob ao ouvir meus batimentos – isso ainda era embaraçoso para mim. Jacob e eu sozinhos? Isso era perfeito... Um tanto perigoso, mas perfeito.

– Que horas?

– Passo para te pegar as oito, pode ser?

Abri um sorriso largo.

– Claro.

Ele ainda passou mais um tempo comigo na praia, andando sem um rumo aparente. Eu mal senti o frio que caía em La Push, na verdade, estava com um pouco de calor. Esse era o bom ficar ao lado de Jacob, frio não era um problema. Nunca era.

– Então, nenhum rastro de Farad ou da... mulher? – perguntei, a palavra era sempre um problema para mim.

– Não. Nenhum dos rastros passou perto de La Push ou Forks. – ele apertou meu braço gentilmente enquanto caminhávamos, um reflexo de meus ombros tensos pelo rumo da conversa.

– Será que... Eles foram embora? – isso parecia muito improvável, mas eu me permiti ter esperanças.

– A Fria talvez, eles não se mantêm por muito tempo na mesma região. Mas duvido muito que Farad tenha desistido, seja lá qual for a motivação dele, acho que não é algo bobo. – a voz dele era séria. – Estamos pensando em mandar alguns meninos para fora dos perímetros, ver se conseguimos algo além. Não gosto de ficar sentado esperando Farad voltar.

– Mas é perigoso. – sussurrei. – Quero dizer... Eles estão preparados para isso?

– Esse é o problema. Não acho que estejam para Farad, mas não posso ir eu mesmo. Às vezes tenho a impressão de que é exatamente isso o que ele quer, que eu me afaste. – Jacob suspirou. – Sam obviamente também não pode, ele não se transforma há um bom tempo, está tentando parar para envelhecer. Não posso pedir isso para ele agora.

Lembrei-me da história da Terceira Esposa. Os lobos poderiam parar de envelhecer se parassem de se transformar, como Taha Aki fez. Eu não sabia que Sam estava tentando isso, mas tinha a impressão disso estar ligado à Emily.

– Embry não pode por causa de Lynn, Quil também não. Não deixaria Claire sozinha em um momento tão crítico, entendo ele. – seus dedos se entrelaçaram nos meus. Observei nossas mãos unidas enquanto andávamos. – Paul também não deixaria Rachel. Seth tem... Os próprios assuntos dele na cidade, não pode ir. A única seria Leah, mas não posso manda-la sozinha.

Fiquei pensando sobre o que ele disse de Seth. A forma... Evasiva como tratou, mesmo que não tenha percebido. Franzi o cenho para isso, mas eram assuntos do Seth e eu não ia insistir.

Não deixei de notar que Jacob também não aceitava a minha teoria de que talvez Farad e a mulher estivessem ligados de alguma forma. O peso pareceu mais forte em meus ombros, enquanto Jacob não analisasse esse ponto de vista, Farad poderia estar aproveitando esse ponto cego.

– Não quero que vá – sussurrei olhando as ondas do mar. Era difícil admitir essas coisas em voz alta, admitir que me preocupava com ele, que gostava dele mais do que dizia. Eu ainda era muito nova nisso tudo, mas, além disso, eu era uma pessoa introspectiva. – É perigoso.

Jacob parou de andar e me fez ficar de frente para ele. Ergueu meu rosto com os dedos em meu queixo. Os olhos negros pareciam acesos, cheios de um calor aconchegante e um carinho imenso. Contudo, se você olhasse mais fundo, se você buscasse por sentimentos que a superfície não mostrava, poderia ver o amor dele.

Eu estava hiperventilando ao olhá-lo assim.

– Não vou deixa-la sozinha.

– Não é com isso que estou preocupada – embora talvez fosse algo para se preocupar.

– Sei disso. – ele franziu o cenho. – Ficar andando sozinha por La Push não é muito certo.

Rolei os olhos.

– Não acho que ficar em casa impediria alguém de fazer qualquer coisa comigo. Farad foi até o serviço do meu pai, minha casa não seria problema.

Jacob ia argumentar, mas suspirou e balançou a cabeça. Murmurou algo baixo demais para que eu ouvisse com clareza, mas acho que era algo próximo de “teimosa”. Ergui minhas sobrancelhas para ele.

Levei minhas mãos para o seu rosto. Eu não queria discutir, parecia que todas as (poucas) vezes que nos encontrávamos estávamos sempre tentando provar nossos pontos de vistas, entrando em choque um com o outro. Jacob tinha um gênio difícil e eu também, não esperava nada menos do que isso.

Mas agora não era hora. Eu só queria ficar com ele, matar toda a saudade que estava sentindo.

Ele fechou os olhos, apreciando meu toque. Aproximei meu corpo mais dele, sentindo ondas de calor sair de seu corpo e se chocar com o meu, aumentando a minha temperatura. Antes fosse apenas o calor, mas havia também uma eletricidade que fazia meus pelos se arrepiarem, me fazia estremecer.

O beijei lentamente, provando seus lábios quentes, sem me aprofundar. Meu peito se encheu com alguma emoção que eu não soube classificar – isso estava acontecendo com mais frequência. Fez com que eu perdesse minha respiração e meu coração dobrasse os batimentos. Jacob entreabriu seus lábios e eu o beijei com mais vontade, sendo prontamente correspondida.

Não havia nada comparado a isso: beijar Jacob Black. Eu poderia fazer isso por horas e mesmo assim não seria suficiente para aplacar totalmente minha fome dele. Acho que nada seria o suficiente para me satisfazer. Jacob era um vicio que eu não me importava em manter.

Meus dedos entrelaçaram em seus cabelos curtos, puxando-o para mais perto. Suas mãos agarravam minha cintura, amassando minhas roupas de frio, apertando meu corpo. Eu era massa de modelar em suas mãos quentes.

E mesmo assim não era suficiente.

Eu estava ficando sem fôlego, sabia que tinha pouco tempo antes de nos afastarmos, então busquei aproveitar o máximo, tirar o que eu podia do momento. Mordisquei seu lábio inferior, feliz quando ele estremeceu e me segurou mais firme. Eu não era a única com problemas com reações corporais.

O beijo parou aos poucos e consegui voltar a respirar, saindo um arfadas quentes que formavam uma nuvem densa na nossa frente. Meu coração retumbava em meus ouvidos, ele nunca tinha batido tão forte e rápido assim.

– Eu... – ele começou, mas parou em seguida. Busquei seus olhos, tentando decifrar o que ele ia dizer. No entanto, ele sempre teve essa habilidade de esconder as coisas. Eu não consegui alcança-lo. Vi claramente o momento em que ele mudou de ideia. – Eu preciso ir.

Suspirei tristemente. Sabia que era necessária essa distância, que ele tinha maiores preocupações, mas uma parte de mim – a parte mais egoísta – não queria que ele fosse. Eu queria poder ficar um dia inteiro com meu namorado, mesmo que fosse um dia em quase nunca.

– Sinto muito. – ele acariciou meu rosto. – Mas nos vemos hoje a noite. Estarei na sua casa as oito horas.

– Certo – eu disse tentando sorrir.

Jacob suspirou e me beijou de leve uma última vez.

– Também não gosto disso. Mas logo vai acabar. – ele prometeu.

Assenti, mesmo que não concordasse com ele. Jacob caminhou de volta para a cidade, eu ia ficar um pouco mais pela praia, esfriar a cabeça. Quando ele sumiu, sentei-me no chão e observei as ondas.

Jacob não estava contando com algo muito importante, que estava logo no horizonte. Eu acreditava nele, um dia isso teria fim, mas quando? Eu iria embora de La Push em Julho. Teria até lá tudo terminado?

Eu achava muito difícil.

E então, o que faríamos? Um namoro a distância poderia dar certo... Mas eu não via como estar em um estado diferente de Jacob.

Deitei minha cabeça em minhas mãos, completamente devastada.

Era isso o que eu sempre temi, era isso o que eu sabia que aconteceria. Eu estava me importando demais com Jacob, o tinha, de certa forma, priorizado em minha vida. Os poucos momentos em que estávamos juntos nunca eram o suficiente, quando estávamos longe era sempre uma tortura. Pensava nele com mais frequência do que com qualquer outra coisa, até mesmo a faculdade – algo que eu sempre sonhara. Isso às vezes fazia eu me questionar se ir para a faculdade era uma escolha sensata, se, talvez, tudo o que eu precisasse não estava aqui, em La Push.

Naturalmente eu sempre busquei pela liberdade. A minha fome de conhecimento era grande demais para manter em somente uma cidade. Eu queria conhecer o mundo, queria estudar e fazer estudo de campo. Queria estar lá fora para saber como é realmente o mundo.

Como eu faria isso com Jacob em La Push? Deveria ser fácil ir. Era simples. Eu só precisava pegar minhas coisas e ir, manter um relacionamento a distância ao mesmo tempo em que vivia os meus sonhos. Porém, nenhum deles parecia completo agora. Não seriam sonhos completos sem Jacob comigo.

Ofeguei quando entendi o sentimento de momentos antes.

Então isso era amar?

Amar era querer viver com uma única pessoa o resto de sua vida? Era querer compartilhar seus sonhos, viver esses sonhos com ela? Viver os sonhos dela também? Era pensar no futuro? Ficar angustiada quando não a via, quando não via uma possibilidade de futuro?

Voltei a encarar o mar, um pouco menos confusa agora. Embora certamente desapontada.

Eu imaginava o amor de uma maneira totalmente diferente. Eu o imaginava leve, algo que sempre seria certo e exato. Como o sol que nasce todos os dias. Achei que ele sempre era assim.

Talvez fosse, mas não somente. Porque eu me sentia leve com Jacob, e, admitindo isso agora, eu não me via sem ele mais. No momento em que pensei sobre isso notei a verdade se concretizando em meu coração, o marcando. A minha vida ao lado de Jacob era certa, por que não haveria ninguém lá fora que servisse para mim como Jacob. Ele era certo e exato na minha vida. Acho que teríamos muito mais dúvidas no percurso, como eu tive no início, como ele mesmo teve. Mas não sobre nosso futuro. Não sobre estar juntos.

Eu via isso com tanta clareza no momento que era como se o sol tivesse conseguido romper as barreiras de nuvens e iluminasse toda a praia.

Eu o amava.

Da maneira mais profunda que alguém pode amar outra pessoa. Não havia parâmetros para isso, pelo menos não para mim. Eu não havia me permitido amar uma outra pessoa antes, e os poucos relacionamentos que tive não podem ser comparados a isso, seria injusto.

Se tudo isso era tão lindo, se eu estava me sentindo mais leve com essa revelação... Então por que ainda via de uma forma negativa?

* * *

Não era por que o encontro era na casa de Jacob que eu devia me vestir de qualquer forma, certo? Continuava sendo um encontro. Sendo assim, eu estava definitivamente ferrada.

– Não tenho nada para vestir! – desesperei no quarto.

Todas as minhas roupas estava jogadas em cima da minha cama e da de Austin, que me observava com um divertimento e solidariedade. A boca levemente torcida em um sorriso, enquanto os olhos me olhavam de forma carinhosa.

– Está brincando? Você tem um monte de roupas! – ela disse analisando as duas camas cheias. – Gaele, suas roupas ocupam o seu espaço e o meu espaço. John estava pensando em fazer um armário só para você.

– Isso seria de muita ajuda... Se eu ao menos tivesse algo para vestir! – falei e me sentei na única beirada da cama que não estava coberta de variados tecidos.

Eu estava tendo um ataque.

– Tudo bem, vamos separar tudo, ok? Não acho que você tenha prestado muita atenção. Começou a jogar tudo de uma vez na cama. – ela tentou ajudar.

Levantei-me e parei ao seu lado. Naomi saberia como lidar com uma situação dessas. Ela tiraria algumas peças essenciais de roupas que fariam toda uma diferença.

Pensando nisso, peguei meu celular com uma urgência de vida ou morte enquanto Austin separava as roupas. Ligações interurbanas não eram baratas, mas eu resolvia isso depois com John.

– Sabe que horas são aqui? – Naomi atendeu, sua voz sendo como um bálsamo para mim. Era exatamente como eu me lembrava, rouca e sexy.

– Estou desesperada, preciso da sua ajuda!

– O que eu não faço por você? – ela questionou e depois bocejou.

– Tenho um... Encontro hoje, e não tenho nada para vestir.

Escutei um alto barulho na linha, seguido de um grito. Naomi havia acabado de cair da cama, eu tinha certeza disso.

– Um encontro?! Como assim um encontro?! Como você me diz isso agora?! Quando pretendia me contar?! Como assim um encontro?! – gritou.

– É... Eu ia te contar quando você chegasse! – tentei me defender. – Pode, por favor, me matar depois? Preciso da sua ajuda, urgente!

Houve um silêncio mortal na linha, no qual eu tinha certeza que minha melhor amiga estava decidindo se me dava o sinal de misericórdia ou se se vingava de mim e deixava com que eu me virasse.

– Não é possível que você não tenha uma roupa para ir. Você é a pessoa com mais roupas que conheço... Com exceção de mim, é claro. – ela disse emburrada.

Sorri aliviada.

– Eu te amo!

– Sei disso. Vamos lá então. Como está o tempo ai?

Ergui as sobrancelhas ceticamente para a janela. Eu não havia dito com clareza como era o tempo de La Push para Naomi, não a queria fazer desistir de vir. Embora ela soubesse que aqui nevava no inverno... Não quis admitir que fazia frio todo o ano.

– Bom, está nevando.

– Isso é péssimo. Não tem como ser sexy a primeira vista coberta de roupas... A não ser que você use saltos.

– Não vou usar saltos. O encontro será... Na casa dele.

– UH – ela urrou de raiva. – Querida, isso não é um encontro: isso é uma armadilha para sexo. Espero que esteja preparada. Há quanto tempo estão namorando? – havia um tom crítico e perigoso em sua voz.

– Hm... Alguns meses?

– Vaca! – xingou então respirou fundo. – Tudo bem, vou te esganar quando chegar aí. Deixa eu ver... Como será na casa dele, é bom você estar vestindo algo muito bonito por baixo de tudo. Está com a sua melhor roupa íntima?

Mordi meu lábio, corando.

– Sim... – sussurrei. Não que eu esperasse que essa noite fosse... Bom, eu não estava esperando por isso... Mas equívocos acontecem, certo?

– Ótimo. Vamos lá, a primeira camada de roupa então... – ela pensou. – Como vai vestir um casaco, a roupa debaixo pode ser um pouco mais leve. Um pouco de decote ou barriga é sempre bom.

– Austin, me ajuda a procurar uma blusa com decote ou que mostre minha barriga. – pedi me juntando a ela.

Austin prontamente começou a revirar as roupas que estavam em sua cama, e eu as que estavam na minha.

– Austin? Sua meia-irmã está ai te ajudando? – Naomi perguntou. Será que ela poderia ser um pouco menos ciumenta?

– Hm, sim. – falei, fingindo que estava ocupada buscando as roupas.

– Legal. – ela disse, mas sem um pingo de verdade em sua voz. Não era de hoje que Naomi demonstrava ciúmes de Austin pelo fato dela ser minha meia-irmã e por eu, de fato, a considerar assim.

– Que tal essa? – Austin perguntou erguendo um top cropped branco, decote em coração e de alcinhas. Era soltinho o suficiente para, com uma calça de cintura alta, ficar levemente sexy.

– Legal. Naomi, vou te mandar a foto. – falei e tirei foto, mando por mensagem.

Um minuto de silêncio.

– Está me zoando?! Precisa de algo mais do que isso.

– Bom, eu estou em La Push. Não vi a necessidade de comprar roupas sexys quando vim para cá! – voltei a me desesperar.

– Tudo bem, tudo bem. Sem pânico. – falou na linha, suspirando. – Aquela sua saia listrada? Me diga que você a levou!

Eu joguei mais roupas no chão. Eu me lembrava de ter colocado na mala, mais por insistência de Naomi a ver necessidade em usá-la. A encontrei debaixo das calças jeans.

– Aqui está! – falei sorrindo. Ela pendia na altura dos joelhos, com listras horizontais, sua cintura era alta, geralmente cobrindo parte da minha barriga.

– Aleluia! – Naomi riu. – Tudo bem, agora pegue ou uma blusa levemente solta com um bom decote, ou um dos vários top cropedds que eu sei que você levou. Os seus brancos são os melhores.

Dei as instruções para Austin e ela sorriu ao buscar, parecia estar se divertindo muito. Contudo eu ainda estava entrando em pânico. O tempo estava acabando e Jacob costumava ser pontual.

– Aqui! – Austin disse, puxando três de uma vez.

Mandei as fotos para Naomi.

Mais um minuto de silêncio.

– O primeiro. Vai deixar uma faixa da sua barriga a mostra. E o decote é realmente sensacional. Bem cavado e vai deixar o seu busto lindo. – ela vibrou. – Ele tem renda também, o que é um ponto a mais.

– Agora só falta o casaco – gemi de frustração.

– Vamos fazer assim. Vamos guardando o resto das roupas e com certeza vamos encontrar algo. – Austin sugeriu.

– Brilhante – falei sorrindo.

– Humpf. – Naomi soltou. – Vê se acha logo, preciso dormir.

– Tenho sobretudo vermelho, um cinza, um marrom... – parei de contar, pois eu tinha muitos casacos longos.

– Qual o corte do cinza?

– Reto, com detalhes negros nas mangas.

– Ótimo, acrescente um gorro branco e dará um charme. Para os pés, como sei que não vai querer usar salto, use seus Adidas brancos, ou o All-Star de cano médio ou um de seus Vans, o tênis deve ser fino e sem atrativos.

– Naomi. Você acaba de salvar minha vida, sabe disso né?

– Sim, baby. Te vejo em duas semanas! – e desligou.

Eu estava um pouco mais tranquila agora, com a roupa escolhida. Terminamos de socar tudo de volta no armário e fui me vestir. Coloquei a saia com um sorriso no rosto. Ela realmente ficava muito bonita, possuía algumas pregas abaixo do cós, o que a deixava levemente rodada, mas nada muito fantasia. Coloquei o top cropped e fiquei surpresa em como ele ficou em mim. Nunca o usei muito, só algumas vezes em Los Angeles.

O corte da blusa descia pontudo nos seios, formando um triangulo, para depois se abrir em um decote profundo e quadrado, que terminava na altura da base de meus seios, por pouco não aparecendo o sutiã preto rendado que eu usava. As alças finas davam mais delicadeza, o contraste da alça também fina e preta do sutiã não deixou feio. Uma leve faixa do meu abdômen apareceu.

Calcei os Vans brancos e gostei do resultado final. Era elegante, sexy e esportivo. Nada muito ostentação e nem muito relaxado. Estava na medida certa. Agora o problema era outro: o que eu faria com meus cabelos.

– Eles estão lindos. – Austin disse passando de leve os dedos nos cachos.

– Mas vão armar. O tempo nessa cidade não é meu benfeitor. – reclamei.

– Podemos dar um jeito nisso. Venha, sente-se na cama. – ela disse sorrindo. Então correu até a porta. – Mamãe! Emergência!

Eu ri da forma como ela disse e Austin piscou para mim. Jane subiu correndo, secando as mãos em um pano de prato, pois estava lavando a louça.

– Onde é o fogo?

– Gaele precisa de ajuda. – Austin disse fechando a porta quando Jane passou. – Pensei naquelas tranças que você me fazia quando criança.

Jane sorriu com carinho e veio até mim. Eu tinha meu rosto corado, pois de repente o ambiente parecia muito íntimo, era como se fazer o meu cabelo para um encontro fosse algo que Vahiné deveria fazer, e não Jane.

Ela se colocou atrás de mim e seus dedos suaves começaram a mexer em meus cabelos. Tentei reprimir o prazer que senti com isso, como se estivesse traindo minha mãe. Vahiné costumava fazer meu cabelo também, ela adorava penteá-lo antes de dormir, enquanto murmurava uma cantiga de ninar. Era um dos momentos mais tenros que eu tinha com ela.

Os dedos hábeis de Jane terminaram tudo muito rápido. Parte de meu cabelo estava solto, enquanto em cima ela havia trançado e prendido com um elástico fino no final. Fui até o espelho e fiquei chocada com o que vi. Estava lindo!

A traça era embutida em outras mechas que continuaram soltas de meu cabelo, dos dois lados, para no final terminar com uma única trança fina e simples. Não tiraria todo o volume do meu cabelo, mas o faria mais belo com a trança. Os cachos pareciam adornar a trança, a deixando clássica e de fantasias.

– Jane... Ual. – falei sorrindo pelo espelho.

– Que bom que gostou, querida. – ela disse e passou de leve a mão em meus cabelos. – Fico feliz que esteja feliz ao lado de Jacob.... Mesmo com tudo acontecendo. – ela disse a última parte sussurrando, mas atraiu a atenção de Austin.

– Obrigada. – falei.

Eu não usaria muita maquiagem, nada além de rímel e um leve gloss. Ficar tão produzida para La Push destruir tudo com umidade e neve não era muito bacana, fora que, no final das contas, eu ainda estaria indo para a casa de Jacob. Não precisava ser muito chique.

Passei perfume e enrolei o gorro branco no pescoço, colocando o casaco cinza. Abaixo de tudo aquilo havia algo que destacava de todas as roupas. A corrente bronze que estava por dentro de minha blusa, o lobo ficando exposto pelo longo decote. Abri um pequeno sorriso, ansiosa para ver a cara de Jacob.

A campainha tocou, pegando-me completamente desprevenida. Com um olhar apavorado, olhei para Jane e Austin.

– Nunca fui em um encontro antes. – sussurrei desesperada.

– Vocês estão namorando há meses, vai dar tudo certo! – Austin me garantiu sorrindo.

– Mesmo assim... Um encontro deve ser... Um encontro! – falei.

– Tudo bem, só respire. – Jane disse sorrindo, um calor materno cobrindo seus olhos castanhos. – Você só precisa ser você mesma, Gaele. Foi por essa Gaele quem Jacob se apaixonou, não vai estragar tudo hoje. Vai ficar tudo bem.

Assenti, grata.

Sai do quarto com meu coração acelerado. Eu havia comentado com John sobre o encontro com Jacob... Mas convenientemente me esqueci de avisá-lo que seria na casa dele. Acho que Jacob lhe deus as notícias, pois as feições de John estavam fechadas em uma carranca que me dizia claramente você-estará-em-problemas-quando-voltar-mocinha.

– Não voltem muito tarde. – ele avisou.

– Não se preocupe, John. Ela ficará segura. – Jacob disse solenemente, quase se passando por bom-garoto. Senti vontade de rir.

Era normal meu rosto estar tão corado?

– Tchau, pai. – falei e então sai com Jacob.

Estava frio lá fora, por isso me encolhi dentro do casaco. Graças a Deus Jacob não estava de moto. Seu carro preto reluzente e de clara potência estava estacionado no meio fio da minha casa. Ele passou os braços por mim por um tempo, aplacando meu frio de imediato.

– Você está linda. – sussurrou em meu ouvido.

Eu corei e o olhei com mais atenção. Obviamente Jacob não estava usando jaqueta de frio. Estava usando uma longa camiseta branca com gola V espaçada, que caia perfeitamente em seu corpo, calças jeans escuras e botas marrom escuro. Era uma tentação, para falar a verdade.

– Obrigada, você também está bonito. É claro que uma jaqueta de frio não faria mal – provoquei.

Jacob riu e abriu a porta do carona para mim.

– Ah bom, você sabe. Eu não posso perder uma oportunidade de mostrar meus músculos – piscou malicioso para mim enquanto fechava a porta.

Sufoquei a risada enquanto reparava que os músculos de seus braços realmente ficavam lindos de fora. Tentei fazer com que minha mente não trabalhasse para imaginar outras partes do corpo.

Jacob deu a partida no carro a manobrou em direção a sua casa. Eu estava um pouco inquieta. Depois de tudo o que tinha pensado nessa tarde, e agora com tempo de sobra para passarmos juntos... Jane podia dizer que tudo ficaria bem, mas e se essa conversa fosse decisiva?

– O que? Não tem milhares de perguntas, comentários ou teorias? – ele disse sorrindo de canto.

– Minhas perguntas, comentários e teorias incomodam você?

– Não, perguntas e comentários não. – ele sorriu mais uma vez. – Já as suas teorias... Você tem uma capacidade incrível de se manter firme nelas. Brady deixou escapar uma conversa que tiveram.

Senti gelo escorrer por minha espinha.

– Ah é?

– É. – ele estreitou os olhos. – Fiquei me perguntando o motivo por ele estar na sua casa tão tarde.

Então não era mais gelo e sim calor. Eu estava começando a suar por ser pega em uma mentira... Que eu nem havia contado ainda. Que irônico.

– Foi no Natal. – falei depressa, tentando manter minha voz estável. Funcionou, mas eu não podia fazer nada com meus batimentos cardíacos. – Ele passou para me desejar um bom Natal, já que não conseguiu ir antes por causa das rondas.

Jacob ficou em silêncio, fitando o caminho que agora era coberto pela floresta. Logo estaríamos na casa dele. Fiquei imaginando se ele havia caído nessa – para mim parecia bem plausível – ou se estava decidindo se me confrontava. Queria saber o que exatamente Brady deixou escapar.

– Ele anda estranho, o Brady. – Jacob falou depois do silêncio. – Acho que sua teoria mexeu com ele mais do que dei crédito.

– Então já sabia sobre isso?

Jacob riu.

– Não é conveniente termos segredos no bando, anjo. Não é possível. Soube no dia seguinte, mas não achei que fosse nada demais. No entanto, Brady tem tentado esconder algumas coisas de nós. Fica pensando em coisas alternativas e irrelevantes. Focando-se demais no que está fazendo, concentrando toda a sua vontade naquilo. Sei reconhecer quando alguém tem algo a esconder.

– Deve ser por experiência – murmurei.

Jacob riu. Fez a virada para a trilha quase coberta de sua casa.

– Espero que suas ideias não o influencie a fazer nada de estúpido. – sua voz estava séria agora, eu sentia a repreenda por trás dela. – Brady ainda está se recuperando da morte de Collin, Gaele. Foi errado de sua parte.

Eu sabia que tinha sido errado, golpe baixo. Porém Brady também queria saber, fora que ele ia poder fazer algo sobre a morte de nosso melhor amigo. Não via como o plano de Jacob (ficar parado e esperar que Farad apareça) estivesse funcionando para Brady.

Não estava funcionando nem para mim!

Fiquei quieta, como se minha atenção agora estivesse totalmente voltada para a floresta. Eu não queria mentir, nem brigar. Fora que do jeito que eu era, extremamente impulsiva, ia acabar jogando na cara de Jacob que estava prestes a sair em expedições pelas cavernas.

– Chegamos. – ele disse estacionando o carro.

A casa não tinha mudado absolutamente nada desde a última vez que estive aqui. Continuava simples, mas com acabamentos modernos. As janelas estavam com as cortinas totalmente abertas, dando uma ampla visão de dentro.

Jacob pegou na minha mão enquanto abria a porta, que não estava trancada. Ele rolou os olhos quando fechei a cara para ele.

– Não acho que uma porta trancada impediria alguém de entrar. – murmurou.

– Não precisa facilitar também.

A sala e a cozinha tinham suas luzes apagadas. Eu estaria completamente no escuro se não fosse por pelo deck de Jacob. A parede de vidro parecia duplicar parte da sala. Mas ela também duplicava as luzes que vinham lá de fora. Eram velas, pequenas velas no chão do deck de madeira, como pequenas estrelas que caíram do céu.

O chão estava coberto por mantas, almofadas e algo no centro que eu ainda não sabia o que era. A neve caia em volta, pois acima de tudo estava o teto do deck, também de madeira escura. Era o cenário perfeito.

Os dedos de Jacob se fecharam na gola de meu casaco. Eu quase sorri com a satisfação que veria em seu rosto. Desabotoei o casaco e deixei que ele o retirasse. Escutei um leve ofegar, pois o top cropped também tinha um decote quadrado nas costas, se transformando em apenas uma faixa de tecido branco.

Retirei o gorro também e me virei para entregar a Jacob.

Meu corpo aqueceu e minha respiração entrou mais rápida. O olhar dele era faminto, focando no decote e seguindo pela parte exposta do abdômen, para depois descer pela saia. Eu não estava imune a ele, a esse olhar. Quase desejei não estar vestida assim, pois não conseguia pensar em ter uma conversa racional com ele.

– Sempre uma caixinha de surpresas. – ele disse baixo, íntimo e rouco, apenas para mim.

Meu rosto corou e abaixei os olhos. Eu já havia recebido olhares assim antes, principalmente em Los Angeles, onde pouca roupa era sempre bem-vinda. Mas nada como Jacob, parecia que tudo o que ele fazia era simplesmente maior e melhor do que qualquer experiência que eu tenha tido.

Sua mão tocou a base de meu pescoço, roçando na corrente que ele me dera – e que eu não tinha tirado desde o Natal. A ponta de seu indicador desceu pela corrente, tocando minha pele no processo, e indo até o início do vão de meus seios.

Comecei a hiperventilar.

Procurei seus olhos, mas não os encontrei. Eles estavam focalizados na corrente, ou melhor, no decote da blusa. O dedo seguiu seu caminho sem obstáculos. Meu peito subia e descia com rapidez enquanto ele se aproximava do pingente, que jazia pendurado na linha final de meus seios. Sentir seu toque quente ali, naquele vão, fez com que minhas pernas tremessem.

Jacob pegou delicadamente o pingente e sorriu para mim. Era um sorriso travesso, cheio de malícia, mas também muito feliz.

– Preciso de água. – falei bobamente. Eu precisava era ficar longe dele por um tempo.

– Claro. Vamos lá para fora. – ele disse e pegou na minha mão, entrelaçando seus dedos nos meus.

Será que eu conseguia andar?

Pelo visto sim, meio trêmula, mas estava fazendo alguns progressos. O deck estaria gelado se eu não estivesse tão quente e ao lado de Jacob. De qualquer forma, ele pegou uma das grossas mantas – que pareciam estar ali para isso mesmo – e as passou pelos meus ombros, com o cenho franzido.

Era como se estar me cobrindo não o tivesse agradado. Eu quase ri.

Sentei em uma das almofadas e Jacob se sentou ao meu lado. No centro das almofadas e mantas estava uma bandeja com água, vinho e petiscos. Isso era bom, por que eu não estava com muita fome mesmo.

Ele me serviu água e eu tomei em grandes goles. Rindo, ele me serviu mais.

– Você me parece... Quente. – ele disse, sim, havia um duplo sentido nas palavras.

– Estou sempre quente perto de você. – murmurei e então corei. – Quero dizer... Por causa da sua temperatura e tal.

Jacob riu, jogando a cabeça para trás. Eu corei mais forte, mas também ri. Essa noite ia ser embaraçosa. Ficar tão próxima dele não me deixava com tanto frio, então joguei a manta mais para baixo. Eu precisava sentir frio agora. Pelo menos por um tempo.

Peguei uma uva e coloquei na boca. A situação parecia muito diferente de tudo. Eu já estive sozinha com Jacob antes, eu conseguia conversar normalmente com ele – na maioria das vezes -, mas hoje tudo parecia diferente. Minha língua estava travada, ainda mais por causa das minhas revelações de tarde.

– Está tudo muito lindo – falei sorrindo e olhando em volta. As diversas velas tremeluziam ao nosso redor. Nem estava tão frio.

– Que bom que gostou. Fiquei pensando que talvez fosse demais – ele balançou a mão para abranger tudo.

– Está perfeito. Bom, não que eu tenha muita experiência nisso, mas a primeira impressão está muito boa.

Jacob abriu seu sorriso de sol, tornando as velas ao nosso redor fracas e ridículas. O efeito sob mim foi imediato, eu havia relaxado, meus ombros ficando menos tensos e minha respiração se acalmando.

Ele riu.

– Você parece tensa, anjo.

– Um pouco. – admiti e peguei outra fruta. – Ah, bom, você sabe. Essa coisa de encontros e tal é meio novo para mim.

Dei de ombros, conseguindo descontrair ainda mais.

– Imagino que não seja tão novo para você – brinquei.

O passado amoroso de Jacob nunca foi um problema para mim. Foi bem antes de tudo entre nós acontecer. É claro que receber olhares carrancudos enquanto andava pela rua não era o ponto mais alto do meu dia, mas sobre isso eu não podia fazer nada.

– Na verdade sim. – ele disse pegando duas taças e servindo vinho. Reprimi o sorriso, eu não era menor de idade, mas com certeza a última coisa que as pessoas me ofereceriam era bebida alcóolica. – Nunca trouxe ninguém aqui. Muito menos em um encontro.

Ergui as sobrancelhas, surpresa. Beberiquei um pouco do vinho, era bom e o gosto desceu ardendo um pouco em minha garganta. Não era fã de bebidas.

– Há uma primeira vez para tudo – ele continuou, sorrindo mais agora.

Nem me diga sobre primeiras vezes, pensei sombriamente.

Será que era hora para conversarmos sobre algo um pouco menos... Romântico? Não que a conversa tenha sido romântica até agora, mas não tinha sido desconfortável também – a não ser por minhas gafes constantes. Eu estava angustiada, em busca de algum conforto e um rumo certo. Agir no escuro não era muito a minha praia.

– Então... – falei, imaginando que não teria outra forma de dizer isso. Olhei para a minha taça, o líquido vinho parecia quase negro sob a pouca luz. – Recebi duas cartas de faculdades nas quais me inscrevi.

– Isso é ótimo! – ele disse sorrindo abertamente. Tentei buscar em seus olhos qualquer sinal de que ele realmente não se sentia assim, que estava tão angustiado quanto eu por um futuro que estava batendo na nossa porta. – Respostas positivas, espero.

Dei de ombros.

– Não sei, não as abri ainda. – tomei mais um gole, como se isso fosse soltar a minha língua.

– E por que não?

– Primeiro, por que realmente sou covarde o suficiente para temer o que as cartas dizem – e ri brevemente. – Insegurança, sabe. Segundo... Bom, fiquei imaginando, meio angustiada na verdade, em como... A gente fica.

Jacob franziu o cenho, tentando entender onde eu queria chegar. Acho que não tinha sido clara o suficiente. Procurei por outras alternativas para conseguir me explicar melhor.

– Você sabe, nenhuma das faculdades que me inscrevi são pertos daqui. O que significa que eu vou ter que ir... – deixei a frase vagar enquanto observava seus olhos compreenderem onde eu queria chegar. De repente, ele parecia triste.

Estava triste por que eu teria que ir? Ou por que minhas teorias estavam corretas e não conseguiríamos manter um relacionamento à distancia? Eu estava me remoendo por dentro, mas não disse mais nada. Esperei por ele, observando suas feições enquanto ele também me olhava.

– Se você quiser viver toda a experiência da faculdade... Não vou pará-la. – ele disse depois de um longo período em silêncio. Sua voz era baixa e tensa. – Sei que essas semanas têm sido complicadas para você, não me admiraria se você quisesse fugir um pouco disso.

O que? Do que é que ele estava falando?

Foi a minha vez de olhá-lo confusa.

A luz se fez em minha cabeça e eu me peguei rindo. Ele não acreditava, honestamente, que eu estava sugerindo um tempo para poder ficar com outras pessoas, não é mesmo? Em que mundo ele vivia?

– Não é nada disso! – avisei ao parar de rir. Embora sua boca estivesse tensa de frustração, os olhos negros se iluminavam com diversão e alívio. – Eu quis dizer que um relacionamento à distância é complicado. E você não pode sair de La Push por tudo o que tem acontecido. E... – eu parei.

Minha garganta automaticamente travou ao pensar nas próximas palavras. Era sempre assim quando eu tentava me expressar por palavras, eu nunca tinha muito tato com essas coisas.

Jacob me olhou curioso, mas não pressionou.

Olhei para a minha taça e tomei um novo fôlego cheio de coragem.

– Seria estranho não ter você lá. – murmurei. – Então não abri as cartas, por que tenho medo da minha saída de La Push ser mais certa. O que significa que não vou vê-lo mais.

Seguiu-se um momento de silêncio incômodo. Eu queria saber o que ele estava pensando, mas não me atrevi a levantar os olhos, embaraçada demais para encará-lo. Continuei a fitar a minha bebida até que os dedos quentes de Jacob ergueram meu rosto.

Seus olhos eram dois buracos negros cheios de sentimentos indescritíveis. Ele estava me sugando para dentro, sem chance de misericórdia.

– Nós vamos dar um jeito. – ele disse sorrindo tranquilo, a voz baixa e próxima. – Não me importo de acompanha-la para onde quer que você for. Você tem razão, a situação em La Push não é a mais propícia para a minha saída, mas um dia será... E estarei logo atrás de você.

As palavras escaparam antes que eu pudesse refrea-las.

– Eu amo você.

Isso pegou nós dois de surpresa. Coloquei as mãos na boca, como se tivesse acabado de falar um palavrão. Meu rosto não podia ficar mais vermelho, no entanto ele ficou. Jacob piscou atônito duas vezes, como se tentasse assimilar o que eu tinha acabado de dizer.

– Diga novamente. – ele sussurrou.

Um sorriso tímido apareceu em meus lábios, meu peito parecia que ia explodir de tanta emoção.

– Eu amo você. – repeti.

E então eu estava deitada no chão. Jacob por cima me beijando como nunca beijara antes. Dessa vez não havia desejo, não havia malícia e nem luxuria. Era um beijo de amor, uma correspondência de minhas palavras. Era calmo, certo e suave. Não havia pressa e nem hora para acabar.

Não sei por quanto tempo ele me beijou, não deve ter demorado muito, já que eu tinha a tendência de perder o folego com ele. Logo eu estava arquejando por ar, e fiquei surpresa por notar que não era a única. A respiração de Jacob estava mais forte do que eu jamais tinha visto.

– Eu amo você – ele sussurrou em meu ouvido.

Nunca imaginei que poucas palavras, essas palavras mais especificamente, pudessem produzir um efeito tão prazeroso em mim. Eram palavras simples, mas que possuíam uma conotação muito maior do que eu algum dia já dei crédito.

Eu lhe dei o meu melhor sorriso, olhando em seus olhos. Havia uma enorme brecha neles, uma brecha que eu tinha conquistado por mérito próprio. Eram sentimentos que dançavam na escuridão, vindo para a superfície e me atingindo em cheio, transformando-se em meus próprios sentimentos.

Não parecia existir noite melhor do que essa. Jacob agora estava ao meu lado, o braço em volta de meus ombros, protegendo-me do frio. O vinho tinha sido esquecido, assim como as frutas. Nós conversávamos. Sobre tudo. Sobre mim, sobre ele, sobre a Reserva, sobre minha faculdade, sobre nós.

Parecia até ridículo de minha parte ter me sentido tão tensa com esse momento. Era apenas eu e Jacob. Não havia como dar errado, nada do que eu dissesse poderia estragar permanentemente nossa relação. Era como se eu pudesse sentir o laço se apertando em volta de nós.

Eu nunca tinha visto Jacob rir tanto. Descobri uma faceta dele que eu sempre desconfiei que estava por baixo de todo o mistério que era Jacob Black: ele era a melhor pessoa desse mundo.

Jacob tinha um campo gravitacional exclusivo, no qual atraia ou repelia as pessoas ao seu redor. Aquelas poucas pessoas privilegiadas que podiam fazer parte desse campo não se arrependiam. Eu tinha sorte de ser uma delas. Não havia tempo ruim, nem uma tempestade iminente. Também não havia passado ou futuro. Apenas o presente.

Ele tinha esse dom de fazer com que eu me esquecesse de qualquer problema, angústia ou dúvida. Jacob me fazia viver os momentos da forma mais intensa que poderia me fornecer. E, incrivelmente, eu não me importava em deixar o controle em suas mãos. Era reconfortante poder confiar em alguém como eu confiava nele.

Não sei como isso aconteceu, mas de repente eu estava dançando lentamente com ele. Dois para cá e dois para lá, nada muito elaborado. Mas ele me tinha em seus braços quentes e protetores, o que era mais do que eu poderia pedir. Seus lábios, vezes e outras, alcançavam meu pescoço dando pequenos beijos, mas que conseguiam arrepiar minha pele.

Por mim a noite não acabaria naquilo. Por mim eu a prolongaria até de madrugada, então na manhã do dia seguinte e depois para a tarde, voltando para a noite, só para poder seguir o mesmo rumo no dia seguinte.

Acho que o sentimento era compartilhado. O modo como Jacob estava não era nem um pouco preocupado com o horário que eu iria voltar para casa.

Mas eu precisava voltar. E, por mais perfeita que essa noite tinha sido, eu tinha dúvidas sobre o momento. Não que fosse ser errado com Jacob, não era isso. Mas eu não podia ignorar que Jacob tinha muito mais experiência nesse quesito do que eu, então como poderia ser bom para ele também? Era o tipo de insegurança que sempre me fazia travar.

Mesmo assim, não pude deixar de desfrutar de meu momento a sós com ele. De alguma forma eu estava no sofá, o beijando enquanto também tentava lutar por ar. Eu mal sentia o peso de Jacob em cima de mim, seus braços apoiando seu peso ao lado de meu corpo. As minhas mãos estavam livres, então deixei que elas vagassem por debaixo de sua camiseta fina. Sentindo os músculos das costas bem definidos, ou a forma como eles retesavam sempre que eu o tocava. Apreciando a respiração ofegante dele agora em meu pescoço.

A mão de Jacob passou pela lateral de meu corpo, apertando minha cintura – eu sentia como se sua mão quente estivesse marcando minha pele a fogo. Então ela deslizou pela minha coxa, a saia caindo para trás quando dobrei a perna. Eu estava tendo uma síncope com o seu toque diretamente em minha pele. Delicado, mas de forma presente, Jacob deslizou a mão pela parte detrás de meu joelho, descendo em direção a minha coxa enquanto apertava.

Minha respiração estava artificial demais, estava entrando muito rápido. Logo minha cabeça estava girando e eu estava tonta, mas não era como se pudesse parar.

Jacob segurou com firmeza na lateral de meu quadril, sua boca agora descendo por meu pescoço, em direção ao meu decote. Eu não conseguia escutar direito, meu coração retumbava em meus ouvidos e minha respiração estava alta demais, chegava a ser constrangedora.

Os lábios quente dele continuaram a fazer o percurso no qual o colar de bronze estava. Jacob segurou gentilmente minha cintura no sofá quando meu corpo se arqueou, mantendo-me parada. Quando chegou na altura de meus seios, ele mordiscou a pele enquanto continuava o seu caminho.

Isso estava se tornando demais para mim.

– Jacob. – chamei. Era metade um alerta e metade um gemido. Eu queria que ele parasse por ali, mas também queria que ele continuasse com qualquer que fosse o plano dele.

– Eu sei, não se preocupe – ele sussurrou em meu ouvido.

Senti meu corpo relaxar um pouco mais no sofá, feliz por ele saber como eu estava sem que eu precisasse parar para explicar meus motivos. Embora eu tivesse a plena certeza que Jacob não sabia de minhas motivações para não continuar, era reconfortante saber que ele sentia a minha hesitação.

Ficamos mais um tempo no sofá dele, dessa vez sendo a minha vez de explorar. Eu ficava tímida ao mesmo tempo que deliciada em poder tocá-lo dessa forma, em ver a nítida satisfação que ele tinha ao meu toque. No entanto, eu precisava voltar.

E hoje pareceu ter sido um dia cheio de surpresas e descobertas. Era um dia fatídico para mim, e eu não parecia ser a mesma Gaele de ontem, embora também não fosse completamente diferente. Havia toda uma mudança em meu comportamento.

Talvez isso fosse parte do mistério que era amar. As mudanças, as descobertas, os sentimentos. Tudo uma única bola de neve que atingia aquelas pessoas destinadas ao amor.

Tudo bem, eu não me importava. Que o amor me mudasse, me transformasse. Contanto que Jacob continuasse ao meu lado, qualquer mudança era bem-vinda.

Notas finais
Entao... SIm, por mais P da vida que eu estivesse por ter perdido meus capítulos adiantados, estou extremamente romântica, hahaha, por que não levar um pouco de carinho para a Gaele, né? O que acharam?? Lilian Blackwell e Amando, super obrigada por seus comentários em plena semana de Natal, hahahaha. Me animou muito! Super presente. Os que não puderam comentar, mas leram, tudo bem gente, entendo vocês! Semana de festas é complicado para todos. Feliz Ano Novo antecipado para todoooos! Nos vemos ano que vem, gente! Beijooos ;*