Humanos dramáticos.
2 A culpa não é das estrelas.
Notas iniciais
–De novo não! Que droga. -suspirou. Deu um pulo pra frente quando sentiu a presença fria da sua velha amiga.
–Ah, fala sério! Não cansa de morrer não? -perguntou o ser do manto negro.
–Fazer o que né. Mas acho que agora é a hora mesmo, pode me levar. -estendeu os braços em direção da Morte, que apenas ignorou e deu um passo para trás.
–Sei não. Da última vez você também disse isso. Vamos esperar mais um pouco. Não quero ter que te levar pra depois Deus dizer que não era a hora e blá blá blá, se não era a hora por que mandou, né? Mó babacão. -disse chutando uma pedra. Dessa vez eles estavam em uma montanha, com uma visão maravilhosa. É sempre assim, quando uma pessoa morre a alma dela é teleportada imediatamente para algum lugar bonito.
–Pois é. Mas e aí? Como andam as coisas, Sra. Morte? -perguntou, apenas para passar o tempo. Sabia como era chato ter esses ataques, assustava todo mundo, sem contar que roubava muito do tempo de outros seres.
Nem sabia ao certo o que tinha, só que entrava em coma às vezes. Já era a 5 vez que havia ''morrido''. Nunca ninguém acreditava nele quando dizia que havia batido um papo com a morte, e que ela era bem ''gente boa.''
–Ér... Como anda seu gato? Aquele um que parece o Sr. Satan depois de sair do banho. -riu ao lembrar da figura estranha sem pelos. Um monte de pele e pelanca.
–Nem sei, eu morri. -sorriu cinicamente. -Acho que dessa vez eu não volto. -suspirou.
–Não era o que você queria, Charlie? Sair daquele mundo ''porque sofria demais''? Puff...
–Era sim, é só que... Eu havia conhecido uma menina com o mesmo problema do que eu, e... -Morte o corta.
–Nem vem com história de ''a culpa é das estrelas''. Dessa vez você não volta mesmo, vem. -chamou estendendo sua mão ossuda em direção do menino cabeludo sentado um pouco mais distante.
–Estrelas são legais, elas não tem culpa de nada. Na próxima reencarnação eu quero ser uma estrela! Sra. Morte, avisa o barbudo lá de cima, ok? -sorriu antes de pegar na mão estendida em sua direção. A última coisa que viu antes de mergulhar na branquidão, foi a face ossuda tentando dar um sorriso. Um pouco estranho, mas um sorriso.
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