Humanoid Chronicles
22 Capítulo 22
Notas iniciais
Você está em algum lugar lá fora
Fraca demais para chorar
Fugiu de todas as pessoas
Para tentar ser uma deles
Eu vejo você
Olhe através da noite
(Zoom – Tokio Hotel)
31 de Agosto de 2109
Preciso encontrar uma saída
01h07min AM
Corri para as escadas, passei pelas celas – e novamente não pensei em pegar Starkey, se a World Behind my Wall Corporation fosse a vilã, ele estaria no meio e eu não queria me envolver mais – e cozinha até chegar ao depósito. O lugar era gigante, havia dezenas de caixas ali, tanto de madeira quanto de metal e papelão. Desesperada, abri uma das caixas de madeira no fundo do local e encontrei um motor velho, entrei, fechei e tentei ficar o mais quieta possível.
Meus olhos começaram a lacrimejar, se eu não segurasse, logo poderia estar aos prantos e meus soluços iriam ecoar pelo depósito. Queria acordar em minha cama, queria ser uma Humanoid comum, que terminasse a escola e aceitasse o fato de que 60% do seu corpo fosse robótico. Não que essa última fosse difícil, nunca fiquei complexada por ser um Humanoid, na verdade, eu até gostei.
Não sei quanto tempo se passou, só sei que estava com medo de sair da caixa. Eu estava pensando em tentar sair amanhã de madrugada, quando a maioria estivesse dormindo e desistido de me achar. Mas logo eu ouvi alguém abrindo a porta e passos ecoaram pelas caixas, até chegar a mim. Segurei minha respiração, mas fiquei com medo de que os meus batimentos cardíacos denunciassem onde eu estava.
Eu não acreditei quando a pessoa parou exatamente na frente da minha caixa. Por um momento, eu tive esperança que me carregassem para fora daqui, quem sabe, para ajudar no ataque aos robôs.
– Eu sei que você está aí, Wilhelmine – Bill falou, fazendo um medo aterrador tomar conta de mim – Tem câmeras por todos os lugares, cedo ou tarde alguém ia descobrir para onde você foi.
Tudo bem, eu não contava com essa. Como eu fui burra! Hoje em dia, todos os lugares têm câmeras de segurança, por que aqui não teria? Não havia jeito de eu escapar, a não ser que eu nocauteasse Bill e tentasse subir até o primeiro andar, enfrentando ou não os Dogs Unleashed. Quando ele abriu a tampa da caixa, eu impulsionei meu pulso para trás e apontei a arma para ele.
– Se você não me deixar passar, vou estourar sua cabeça! – eu gritei, implorando por dentro que ele saísse da minha frente, não estava a fim de matar uma pessoa logo agora. Bill empalideceu totalmente.
– Você não faria isso – ele arriscou.
– Eu faria! – eu falei firmemente, colocando o cano mais para fora – Não sou sua inimiga, se você me deixar ir embora, não volto para a World Behind My Wall Corporation. Vou embora para longe, nunca mais vai ouvir falar de mim.
– Por que não vai voltar para seu papaizinho? – ele perguntou cinicamente – O que viu no computador? Os vídeos de dissecação dele?
– Que eu saiba, sua mãe também participava das dissecações. E ela morreu porque é uma traidora? O que diabos ela fez? Será que Starkey estava certo?
Ele ficou furioso, a palidez do seu rosto foi tingida por um vermelho, ele agarrou meu braço e o entortou até o cano entrar novamente no meu pulso. Bill me tirou de dentro da caixa e me colocou contra a parede, fiquei com medo que meu Idiary tivesse quebrado com o impacto.
– Você também é um Humanoid! – eu exclamei, tentando me soltar dele – Por isso é tão forte. Por isso se odeia e me odeia também.
– Minha mãe tentou me salvar de um destino pior do que eu já tenho – ele falou entrei os dentes, me segurando mais forte – Ela morreu por minha causa e também morreu porque tinha ética médica, coisa que seu pai não tem! Sabe os vídeos das cirurgias? Foi ela que roubou, ela que deu todas as informações que os Dogs Unleashed precisavam, só porque queria me manter seguro. E eles a acharam e a mataram. Seu pai e aquele filho da puta das celas mataram a minha mãe!
Uma lágrima escorreu do seu olho direito, várias lágrimas, mas nenhuma sequer saiu do seu olhos esquerdo. Ele me soltou e deu um soco na parede, a centímetros de mim, fazendo o metal amassar por causa de sua raiva. Eu estava extremamente assustada, mas toquei o seu rosto, um lado era quente, o outro não.
– Seu rosto é metade robô – eu disse temerosa – Quanto de você é robô?
– Quase completamente, metade do meu rosto não é e meus órgãos também não são – ele disse amargamente – Prazer, sou o Humanoid 482.
– Você não queria que eu me transformasse em um Humanoid, como sabia que eles fariam isso?
– Esse sempre foi o nosso destino, Mine – ele me chamou pelo meu apelido! Isso era completamente estranho, era a primeira vez que falava isso sem ser pelos vídeos – Desde pequenos, você, Tom e eu fomos criados para sermos cobaias para o Projeto Humanoid.
– Meus pais não fariam isso comigo, não pode ser! Sei que meu pai não é muito presente, mas... minha mãe também não permitiria.
– Você é... – ele parou, mas fiz sinal para que continuasse – Você é adotada, Wilhelmine. Tom e eu também.
– O... que? – eu exclamei – Não! Como isso? Como pode saber?
– Nós nascemos em Leipizig, você era minha vizinha e tinha dois anos enquanto Tom e eu tínhamos seis anos. Nós sobrevivemos ao terremoto de 2094, meus pais e sua mãe morreram e nos tornamos órfãos. Um bando de cientistas soube sobre o que aconteceu e viram isso como uma oportunidade de usar humanos como cobaias, então eles adotaram um total de doze crianças órfãs. Simone Kaulitz adotou meu irmão e eu, Hansen Langebahn adotou você. O problema é que minha mãe adotiva se apegou demais a nós para nos deixar ir para uma mesa de cirurgia.
– Meu pai também mudou – eu disse rapidamente, não conseguindo aceitar que eu era adotada e toda essa situação terrível que aparecera do nada – Ele quis me salvar quando me acidentei, não fez por mal...
– Sabe qual é a teoria deles? – Bill me cortou – Que um corpo aceita mais facilmente partes robóticas quando está lutando contra a morte. Quando sofremos um acidente, mesmo inconscientemente, não queremos morrer, por isso, nos agarramos a qualquer possibilidade de sobrevivência. Seu acidente de carro foi uma sabotagem, eles a queriam machucada o suficiente para que precisasse de uma cirurgia.
– Não pode ser verdade... não consigo acreditar...
Deixei-me cair no chão molemente. Senti as lágrimas finalmente saltarem dos meus olhos, era doloroso saber que tudo que eu acreditei a vida inteira era uma mentira. Bill se agachou a minha frente e ficou me encarando com uma expressão triste.
– Seria pedir demais para que fique? – ele perguntou, pela primeira vez, docemente – Quando você colocar os pés para fora dessa base, não importa para que lugar você for, eles vão tentar achá-la. Mine, você é a Humanoid 483, é o maior tesouro e vitórias que aqueles idiotas têm, eles não vão aceitar perdê-la.
– Por que você foi atrás de mim? Por que tentou me salvar?
– No dia do terremoto, eu tentei desesperadamente achar nossos pais nos escombros. Acabei localizando sua mãe primeiro e a última coisa que ela me disse foi: “Proteja Mine, ela é muito pequena para entender”. Você cresceu e continuou não entendendo muita coisa, por isso precisei protegê-la.
– Por causa de uma promessa? – eu perguntei sem muita credibilidade.
– Porque eu me importo com você – ele disse, fazendo meu coração disparar e meu rosto ficou quente o suficiente para que Bill percebesse o quanto fiquei sem-graça.
– Você nem me conhece direito.
– É, por isso que no começo foi difícil lidar com uma garota mimada que só porque era uma Humanoid, pensava que poderia ser forte o suficiente para me derrotar. Nada como choques-elétricos e alguns dias sozinha para que aprendesse um pouquinho – ele falou zombeteiramente, se levantando e estendendo a mão para que eu me levantasse também.
– Você é doente – eu disse, aceitando a ajuda e me pondo de pé, mesmo que parte de mim quisesse ficar no chão para sempre – Como minha mãe me deixava brincar com você?
– Nós éramos normais naquela época...
– Pena que eu não me lembro de nada.
Ontem, eu acreditava que meu principal inimigo era Bill, que eu precisava ficar aqui e coletar informações ou simplesmente fugir para ajudar o meu pai. Eu o odiava tanto, a ponto de quase querer matá-lo, sem saber, que quando eu mais precisei de ajuda, ele esteve do meu lado. Meu maior inimigo se tornara meu salvador e finalmente eu conseguira me infiltrar naquela fortaleza de aço aonde ele se instalara, não com enganações, mas com a verdade.
Há alguns minutos, quando eu fui descobrindo a verdade, senti-me a pessoa mais desamparada do mundo. Pensei em recomeçar a minha vida longe daqui, mas eu tinha um pouco de medo dessa nova vida, sendo que a única coisa que eu não sabia era que já recomeçara uma nova aqui. Quando Bill pedira para eu ficar, um alívio enorme tomou conta de mim. Esse lugar não era um lar, mas eu poderia chamar de casa, pelo menos, por um tempo.
– Vamos achar Tom – Bill falou, começando a subir as escadas – O que diabos você fez com ele?
– Eu... eu... eu o dopei – eu disse, arrependida – Mas ele está bem, só está apenas dormindo.
– Bom mesmo, se ele estiver em péssima condição, você irá descobrir o quanto sou doente – ele disse secamente.
Ótimo. Velho Bill de volta. Insuportavelmente de volta.
Notas finais
Mas antes, vou fazer uma pesquisa de campo. Se eu escrevesse, futuramente, uma fanfic original (parcialmente, porque vai ser mais uma adaptação mesmo) que não tenha o Tokio Hotel, vocês leriam? Sei que nunca me arrisquei antes dessa forma, mas me surgiu uma ideia que gostaria de colocar em prática, se der certo, primeiramente.
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