Notas iniciais
Só para constar, a fanfic está totalmente finalizada, ou seja, não vai ter risco de eu parar de postar. Mas talvez, algumas vezes, vou fazer um suspense :)

Somos cães a solta,

Fora de controle

Cheios de sonhos

Ninguém sabe.

Soltos,

Morrendo para fugir

Nós não vamos sufocar

Nós somos cães a solta, está noite.

(Dogs Unleashed – Tokio Hotel)

19 de Agosto de 2109

World Behind My Wall Corporation, térreo

03h35min AM

Continuei no meu devido lugar, apenas esperando a hora de meu pai ir embora. Olhando pelas janelas o movimento lá fora, que não era muito, afinal as pessoas não saíam tanto como antigamente. Era perigoso, por que a qualquer momento você poderia ser abordado por algum bandido em busca de dinheiro, comida ou até água, já que tudo andar escasso.

Milhares de pessoas morrem todos os dias e nem os noticiários aguentam mais falar sobre isso, virou algo tão monótono. Eles só falavam de certos problemas climáticos, sobre a nova proposta do World Behind My Wall Corporation ou de mais um ataque dos Dogs Unleashed. Por enquanto eram as únicas coisas que interessavam a mídia, afinal nada como uma nova guerra para animar – ou desanimar – as pessoas.

De repente meu Idiary começou a apitar e notei que havia alguém me chamando, era o meu pai. Logo uma janela se estendeu pela tela e pude ver meu pai do outro lado, sério como sempre e cansado, com olheiras enormes abaixo dos olhos azuis que só ficavam menos evidentes por causa dos óculos.

– Mine – ele disse me chamando pelo meu apelido – Pode descer, já estou indo em questão de minutos. Estou terminando aqui.

– Tudo bem, papai, vou ficar te esperando. Tome cuidado.

Ele logo desligou, nem esperou que eu dissesse um tchau mais carinhoso, ele era assim, quanto menos afeto, melhor. E eu nem me importava muito mesmo. Peguei o pote de batatas já acabado e joguei na lata de lixo mais próxima, será mais lixo inorgânico nesse mundo sujo. Guardei tudo que pertencia a mim em uma mochila e fui até o elevador que em menos de segundos já estava no térreo, era incrível como aquilo descia tão rápido a ponto de eu não bater minha cabeça no teto.

O térreo estava abandonado e ainda com várias partes queimadas do acidente da semana passada. O cheiro de madeira que virou carvão ainda permanecia no ar e deixava minhas narinas irritadas, não iria aguentar mais nenhum momento esperando meu pai naquele lugar, então preferi ficar do lado de fora.

O ar estava muito melhor agora, ele não era tão poluído quanto antes, por que as poucas pessoas que têm carro, moto ou outros meios de transporte, são tudo a base de uma espécie de combustível que não emite gases tóxicos ou são elétricos. Os tempos mudaram muito, é tudo imprevisível, um dia você pode estar vivo, no outro morrer levado por um furacão.

Mas talvez a situação em breve melhore – ou precisa piorar para finalmente melhorar – afinal não se emite tanta poluição quanto antes, já que o ser humano finalmente se tocou que a morte está te esperando na esquina se você não mudar. E coloque veracidade nisso, precisei que a morte batesse na minha porta para eu mudar.

Estava muito frio naquele momento, meu casaco parecia apenas um lençol sobre meu corpo, parecia que nada iria me aquecer. Havia apenas uma rua escura, com uma caçamba vazia, descansando naquele lugar sombrio e escuro, já que as ruas não tinham mais luzes. Poupar energia é uma prioridade.

Olhei para o horário novamente em meu relógio, meu pai estava demorando, talvez o “finalizar um trabalho” não era coisinha de minutos. Pensei em entrar novamente e ver se estava tudo bem quando ouvi um rugido que me arrepiou por inteira – pelo menos aonde era feito de pele real e não de pele sintética – e virei para o local de onde parecia vir aquele ruído.

Não havia nada em nenhum lugar, mas o som aumentava a cada momento enquanto meu coração robótico batia incessantemente, sentindo a tensão que meu cérebro emanava. Então percebi que o barulho vinha de cima, olhei para o céu esperando algum ataque aéreo e quase acertei, mas não se tratava de aviões ou helicópteros. Eram motos. Motos que andavam sem medo nenhum acima dos prédios como se brincasse com a gravidade.

Engoli seco, eu precisava avisar meu pai do que estava acontecendo. Quando pensei em correr de volta para o prédio para avisar os poucos seguranças que tinham lá, uma das motos pulou de uma altura gigantesca em direção ao chão. “Ele poderia morrer, ele poderia morrer!” eu pensei desejando que a moto colidisse com tudo no chão, matando seu piloto com a queda.

Mas meu desejo não se realizou. A moto pousou em uma das pilhas de neve tão cuidadosamente que por um momento pensei que ali havia algum tipo de colchão. Várias motos fizeram o mesmo, me cercando em todas as direções possíveis onde a única saída era voltar para o prédio, mas agora eu achava que não era uma boa ideia. As motos voavam, eu sei, mas que eu saiba elas não eram nada capaz de pular de alturas enormes e saírem vivas. Elas só ficam certa distância do solo.

– Ora, ora, ora – uma voz disse surgindo da escuridão, notava o sarcasmo nela – O que temos aqui?

A moto andou um pouco e finalmente saiu da sombra daquele prédio, a luz que emanava da lua mostrou quem era o dono daquela voz arrogante. O cara usava uns óculos de sol – sol? Estamos de noite, hello! – que eu já havia visto em alguma boutique nada barata, mas para me enxergar melhor, precisou tirá-los. Ele tinha os cabelos pretos levantado em um moicano enorme, era magro, mas podiam-se ver alguns músculos em seus braços que seguravam firmemente o guidão da moto. Eu perto dele parecia uma formiga, mesmo sentado, dava para ver que tinha uma altura acentuada. Usava um blazer de couro, calças de ganga pretas e desfiadas e coturnos pretos. Sem contar as correntes de pratas que pendiam em seu pescoço e os anéis enormes que com um soco causariam um belo de um estrago na cara de alguém.

Percebi que os outros também não tinham uma aparência nada delicada, todos se vestiam de preto e se ocultavam na escuridão junto com suas motos enormes. Mas a mais terrível parecia ser do cara de blazer de couro, era toda estilizada com prata em forma de crânios. Eu não tinha chance perto dos Dogs Unleasheds, principalmente quando estão em um número maior.

– O que vocês querem? – eu perguntei com uma voz rouca, ficando em posição de ataque, se precisasse eu iria usar força bruta.

O cara da moto de crânio apenas riu de mim e desceu da moto calmamente, vindo em minha direção aos poucos. Não era nada legal o que estava acontecendo e a todo o momento eu olhava para o elevador, com medo de que meu pai descesse e eles o pegassem. Eu precisava distraí-los de alguma forma.

– Não preciso responder, não é mesmo? – ele disse secamente – Você deve saber a resposta certa, afinal não lê os noticiários?

– Caiam fora daqui – eu disse com a voz mais ameaçadora que eu podia fazer, mas não funcionou – Ou...

– Ou? – ele perguntou rindo de novo, isso fez com que os outros rissem de mim também.

– Ou eu acabo com vocês com minhas próprias mãos.

– Ah, OK... Então pode começar, não vou sair daqui – ele disse fazendo sinal para eu ir até ele.

Tudo bem, é claro que eu estava brincando e eu realmente esperava que eles acreditassem no que eu disse e caíssem fora. Mas fui estúpida em acreditar nisso. Só que eu ia cumprir com minha palavra. Claro que eu não estava tão ameaçadora como eles, por que eu apenas usava calças de moletom preta, uma camiseta escrita “I Love the World” abaixo de um suéter e de uma blusa bem quente – que pelo menos, devia estar me esquentando . E por fim botas de camurça sintética, nada de couro – que espero ser sintético também. Ou seja, uma adolescente contra um cara de quase um metro e noventa. Parece fácil.

Uma coisa digna de nota: ele não esperava que eu realmente reagisse. Então com todo impulso que eu tinha, corri até ele e levantei minha perna com toda força que eu tinha para atingir a sua cabeça, mas como ele é alto o mínimo que eu conseguiria era uma pancada na clavícula ou braço dele. Percebi que o peguei de surpresa por que sua expressão mudara rapidamente, quando pensei que ia atingi-lo, ele pegou a minha perna no ar e me lançou com tudo na direção da caçamba. Bati minha cabeça na parede e senti uma tontura me atingir.

– Ela é arisca – disse uma das sombras – Eu gosto de garotas desse tipo.

Olhei para o maldito que havia dito e isso e pude visualizá-lo bem de onde eu estava, o cara também era alto, tinha trancinhas pretas parecendo um rapper das antigas com uma faixa por cima, usava uma jaqueta de couro grande, calças jeans largas e um lenço acinzentado no pescoço. Podia-se ver um piercing brilhando em seu lábio e ele sorria maliciosamente para mim, o que me deu vontade de mudar o meu alvo.

Levantei-me molemente, sentindo um galo enorme na minha cabeça e um pouco de sangramento. Olhei furiosa para o cara de moicano que ainda estava no mesmo lugar. Corri novamente para onde ele estava, pronta para dar um soco nele com meu braço mecânico, mas de novo ele conseguiu segurar o meu punho e o torceu para trás, me fazendo ceder e cair de joelhos.

– Não brinque comigo, garota – ele disse torcendo meu braço cada vez mais – Isso é sério.

– Seu imbecil! Larga a porra do meu braço! – eu disse não sentindo quase dor nenhuma, na verdade eu só queria me livrar dele.

Ele não me soltou, na verdade queria me machucar seriamente. Então tentei me levantar e conseguir me apoiar em uma das pernas e com a outra dei um chute com toda a força que eu tinha no quadril dele. O golpe fez efeito por que ele bambeou para um lado e a respiração dele ficou difícil de repente.

Consegui me livrar do aperto dele e dei um soco com tudo no seu ombro fazendo-o dar dois passos para trás. Ele levantou a cabeça e me olhou assustado, então apenas mexeu o pescoço de um lado para o outro o estralando.

– Interessante – ele disse levantando a sobrancelha – Mas não apanho de garotas.

Ele correu em minha direção tão rápido que apenas vi um vulto, só percebi o que acontecera quando um punho atingiu meu peito me fazendo rolar metros de distância. Tentei me levantar, mas meus pulmões que ainda eram órgãos humanos, sentiram um impacto maior que meu coração e minha respiração praticamente parara.

– O certo seria não bater em garotas – eu disse tossindo, tentando respirar o máximo de oxigênio possível. Senti os passos dele se aproximando, tentei levantar, mas era impossível, então ele apenas se ajoelhou ao meu lado.

– Você não é uma garota – então ele sacou algo do bolso, aquele dispositivo tinha um brilho azul que eu já vira uma vez. Era choque-elétrico. Senti o medo tomar conta de mim – Durma com os anjos, pequena Humanoid.

Só senti uma dor insuportável percorrer todo meu corpo, o choque parecia se instalar em cada célula as torturando cruelmente. Não era só a dor carnal, ele estava atingindo o meu corpo robótico também. Talvez eu não morresse, mas ia entrar em pane. Escuridão, lá vou eu.

Notas finais
FAQ: Como se fala Wilhelmine?

Segundo meu amigo Google, já que não entendo nada de alemão, Wilhelmine se fala Vihaiminê. O sobrenome dela, se fala normalmente como se lê.