Humanidade

5 O Despertar Completo


Belle foi um dos dois grandes presentes que recebi de qualquer força superior que controle o universo e joguei fora. Ela se foi e não há nada que eu possa fazer a respeito.

Hoje é o primeiro dia desde a partida dela em que entro aqui, na biblioteca, o único lugar em todo o meu castelo que permanece exatamente como ela o deixou. Encontro alguns de seus pertences jogados pelo aposento e isso me enche com um sentimento que mistura ternura e tristeza e faz com que eu perceba o ser humano recém-despertado dentro de mim se mexer desconfortavelmente.

Ela se foi. Belle se foi, para sempre. Morta. Não devido a um suicídio, como disse Regina, mas assassinada pela criatura que existe dentro de mim e pela covardia.

Assim está melhor, – diz a criatura; e eu sabia do que ela estava falando: agora não há mais ninguém entre mim e o meu objetivo.

Mas isso não é um consolo: eu matei uma das pessoas preciosas que haviam sido colocadas em minha vida para que eu visse a luz. Eu a matei pelo mesmo motivo que deixei que Bae partisse: minha covardia. Os mesmos erros, sempre os mesmos erros, – esbraveja o ser humano dentro de mim, e eu sabia que concordava com ele.

De todo modo, a biblioteca é o lugar mais sujo e empoeirado do meu castelo. Observo que o chão e as janelas estão muito sujos, os livros estão empoeirados nas prateleiras e há folhas espalhadas por ali também – tanto em cima das prateleiras quanto dentro dos livros. Algumas fitas de Belle marcam certos livros, sua letra caprichada se encontra em alguma das folhas. Espere!

“Rumpelstiltskin quer que todos – inclusive eu – pensem que ele é um monstro, mas agora já sei que, ainda que diferente, ele é um homem.

Ele acredita que eu não veja isso nele e tenta me assustar às vezes, mas – mesmo nas pouquíssimas vezes em que ele consegue fazer eu me esquecer de que eu conheço o ser humano dentro dele – meu medo não dura muito tempo.

De todo modo, há algo mais perturbador que eu descobri – além da humanidade dele – nos últimos dias, eu adoro a companhia dele, adoro as nossas conversas ou os nossos silêncios. E amo ver o horror em seus olhos quando eu o toco, ver sua vulnerabilidade tão clara, vê-lo tão humano!

Algumas pessoas diriam que eu estou apaixonada por ele, mas isso não se parece com uma paixão: ele é meu amigo e companheiro, o meu senhor e o grande senhor das trevas. Não posso amá-lo. Não posso!

Não, isso não é verdade. Quando eu vejo o ser humano em seus olhos, tenho certeza, mesmo que por apenas alguns segundos, de que posso amá-lo!”

Essas palavras estavam jogadas em um papel dentro de um livro. Eu acho que só o vi porque a primeira palavra no topo da página, meu nome escrito naquela letra que tanto dizia a respeito de Belle, me chamou a atenção.

Já procurei outras folhas e, como disse anteriormente, há outras coisas que Belle escreveu – coisas de seu dia-a-dia em meu castelo –, mas há apenas isso sobre mim. Já li esse texto algumas vezes, a maior parte delas me fez chorar de modo muito vergonhoso.

O homem dentro de mim, totalmente desperto, ainda está chorando, desconsolável. Não creio que seu choro findará em pouco tempo – tal qual o vazio em meu coração –, mas agora só me resta ignorá-lo e seguir com o meu plano. Belle está morta, não posso tê-la de volta, mas talvez eu ainda possa me encontrar com a outra pessoa que é dona do que resta do meu coração: Baelfire.

Notas finais
Então, eis o último capítulo dessa história. Obrigada a todos que acompanharam, espero que tenha sido tão boa de ler quanto foi de escrever!

Outra fanfiction de Once Upon a Time, focada na pessoa da Belle, está sendo escrita. Ela terá uma estrutura um pouco diferente dessa aqui, embora seja algo parecido com uma seqüência.

Deixem seus comentários, negativos e positivos. Muito obrigada o todos que leram e comentaram!
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!