Human World Observation

2 Capítulo 01: Ah! A vida diária!


Notas iniciais
Essa é uma obra de ficção sem qualquer relação com fatos, pessoas ou lugares da vida real.

Quando eu acordei, a primeira visão que meus olhos contemplaram foi um lindo céu estrelado. Por não ter luzes artificiais perto, eu podia ver muito mais estrelas do que normalmente.

Ah~ faz tempo que não parava para olhar um céu tão lindo. Sempre que volto do trabalho pelas ruas, as estrelas estão ofuscadas pelas luzes dos postes...

...

Tem algo errado... Hum... Eu estava voltando para casa, certo? Então porque posso ver o céu? Estou deitada, devia estar dormindo, então por que...

_AAaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaa! –gritou sentando-se impulsivamente-

Olhou em volta, viu a terra ao redor, o suposto caça, e as árvores ao longe.

_O que está havendo? –disse assustada-

Por que estou do lado de fora? Por que estou no sítio do vizinho? Por que tem um caça do exército aqui? Por que é tão enorme? O QUE ACONTECEU?!!

Saiu da cratera e correu imediatamente para sua casa, entrou nervosa e tentou ligar para a polícia. Infelizmente sua linha estava muda. A sua residência ficava afastada de outras casas, que também tinham divisa com o sítio, por isso seria difícil alguém notar se um objeto caísse e destruísse área de dentro do sítio. Os muros impediam uma visão clara do que acontecia dentro do território.

_Por que minha linha telefônica está muda? O q- humnfuf... –alguém tapou sua boca-

Olhando para trás um pouco, viu quem tapava sua boca com a mão. Um homem totalmente suspeito, usava óculos escuro, terno e luvas pretas. Fez um gesto com a mão, e pelo menos mais dez homens com coletes e armamento pesado passaram por sua casa, a caminho do quintal.

O que está acontecendo na minha casa?!O que eu fiz para merecer isto?! Porque tem tantos homens armados invadindo meu quintal? Eles vieram buscar o caça perdido? Mas pra quê tudo isso?!

Um homem voltou, e começou a falar:

_Senhor, o objeto voador está lá, mas não há ninguém dentro! Os outros soldados verificarão o perímetro, mas é possível que ele tenha escapado de nós! –dizia fazendo continência-

_Maldito! –grunhiu o homem que segurava a mulher- Ajude-os a procurar, quero que o encontrem e tragam-no até mim!

_Sim, Senhor!-correu novamente para o quintal-

_Desculpe Senhorita... –olhou a mulher- É indelicadeza da minha parte, fazer isso, mas se prometer que não gritará, a soltarei e quem sabe possa te explicar algo, ok?

A mulher confirmou com a cabeça. O homem tirou a mão da boca dela.

_AAAAAAAAAAAAA- humnufu...-teve a boca tapada-

_Senhorita... –tentou acalmá-la- Vou soltar agora, tudo bem? –tirou novamente a mão que tapava a boca da mulher-

_O que está havendo? Por que estão na minha casa? O que é aquilo? –dizia enquanto tentava respirar-

_Senhorita, isto é assunto do governo. É uma operação secreta, não posso lhe contar detalhes.

_Como assim assunto do governo?! É a minha casa! –quase gritou- E voc~e disse que me contaria!

_Acalme-se... –guiou a mulher até um sofá perto- Sente-se.

Ela sentou-se e tentou respirar fundo.

_Não posso lhe dizer nada, mas garanto que o governo lhe compensará pelo muro e lhe dará uma boa quantia, apenas para que fique em silêncio sobre isto. Se alguma informação vazar, isso afetaria a credibilidade desta operação e do governo, o que geraria um tumulto social, entende? –dizia com a voz séria e calma-

_Mas por que na minha casa? Será que não podiam mandar os seus caças pra outro lugar? –gesticulava-

O homem endureceu a postura ao ouvir a frase da mulher. Pena que não se podia ver os olhos dele por causa dos óculos escuros.

_Espere... Não me diga que algum fugitivo do governo roubou aquele caça enorme e... –a moça continuou com sua especulação ridícula-

_Não posso lhe contar detalhes, mas é primordial que quem estava pilotando aquele caça –usou uma entonação diferente- Seja preso, pois pode vir a se tornar uma ameaça para a sociedade...

_É alguém tão perigos-parou com um pensamento...

Pensando bem... Antes de eu acordar no quintal, eu tinha ido olhar o que havia caído lá... Tinha o caça e alguém saiu de dentro... Quem... Quem era...? ...Era...

_O que exatamente o governo está fazendo?- disse com o rosto torcido de pavor-

_Senhorita...? –o homem de terno ficou confuso-

_Que tipo de experimento bestial deixaram escapar? -levantou-se do sofá- Só pode ser isso, um monstro! O governo criou um monstro!

_Você o viu...? –o outro levantou-se num impulso-

_Como assim se o vi?! Aquela coisa é enorme e asquerosa! Impossível não ver!

_Senhorita, é essencial que colabore agora, onde o viu? Como ele era?-pegou nos ombros da mulher, pressionando-a-

_E-eu não sei explicar! Ele saiu do caça, grande, asqueroso, bem nojento, tinha cauda, era verde ou azul, sei lá, e-eu não me lembro bem! –tremia-

O homem de terno pegou o celular e discou rapidamente um número, começando uma conversa:

_Uma civil o viu. Sim, eu entendo, não há nada que possamos fazer além de pedir a colaboração. Sim, eu sei. Resolverei isto, Senhor. -desliga-

Olhou para a mulher à sua frente que lhe lançava um olhar confuso.

_Você virá conosco, há alguém que gostaria de conversar com a senhorita sobre o que viu... –habilmente algemou a mão à da mulher à mão dele-

_Hãaaaa? –olhou a mão algemada-

_Sinto muito por isto, devido ao seu nervosismo, presumo que tentaria fugir e isto não pode de modo algum acontecer. Nada pode vazar para outros cidadãos, entendeu?

_...

_Devo dizer que a Senhorita é uma pessoa com má sorte por se envolver em algo assim...

Esse homem não deveria estar tentando me confortar?! Ele não deveria estar tentando fazer as coisas parecerem melhores! Ei Sr. Eu também sou uma cidadã! Por favor, me trate como uma!

_S-Senhor! –um dos soldados regressou-

_Sim?

_Nós o encontramos! –dizia um pouco incerto-

_E o que estão esperando? Tragam-no aqui agora mesmo, mesmo que precisem usar a força!

_S-sim, mas... –ele olhou para trás, e outros soldados foram entrando na casa- Ele veio conosco por vontade própria...

Naquele momento, os soldados que haviam ido até o quintal voltaram, eles estavam organizados em um círculo, e no meio da formação circular, havia mais um homem, que não era um soldado e que por algum motivo estava enrolado numa cortina. Quando desfizeram a formação e ficaram de prontidão para atacar a qualquer movimento suspeito.

Espera, por que tem mais um além dos soldados? Desde quando minha casa se tornou um harém?! E porque ele está enrolado na MINHA cortina?! Quem em sã consciência faz isso?!Não- não me diga que ele está...?!

_Mas... O que...? –o comandante ficou perplexo ao ver a cena-

Tendo as miras das armas de soldados apontadas para sua cabeça, um homem sorrindo. Ele era pouco alto, devia ter no máximo 1,80; possuía cabelos castanhos curtos, e os olhos num tom castanho médio, sem pupilas.

_Q-quem é...?- o comandante olhou para os subordinados, confuso-

_S-senhor este é o piloto daquela nave, ele é quem procuramos. –explicou engolindo seco-

_Como assim ele? O que esta senhorita narrou foi total-foi interrompido-

_Ora, se não é a humana fêmea! –o home enrolados nas cortinas acenou-

_Ieeek, -a mulher se escondeu atrás do comandante- Quem é você?!

Por que estes homens estão se reunindo em minha casa? Eu não fiz nada de mal hoje e olha só como meu dia está, estou algemada a um cara do governo que diz que preciso cooperar... Snif... Quero minha vidinha pacata de volta...

_Oh! –disse um pouco surpreso com a reação da mulher- Então eu devia mesmo ter feito isso antes de sair da nave...

_Não compreendo, expliquem-se! –o comandante ordenou-

_Senhor, esta é a... Criatura que estava pilotando aquela nave. O mesmo que enviou a mensagem dizendo que viria e ele alega que deseja cooperar conosco! –tremeu um pouco-

_Sim, isto é verdade. Diferente de outras raças, não sou uma criatura violenta, sou alguém pacífico. Gostaria de conversar. –o homem sorriu e explicou-

_C-conversar? –o comandante engoliu seco- S-sente-se. –ofereceu o sofá-

_Ah. Obrigado.

A situação agora era: o comandante e a mulher estavam sentados num sofá, e a criatura com forma humana sentava-se num sofá em frente ao deles, apenas a uma mesa de distância, enquanto os outros homens miravam as armas na cabeça do alien.

_C-como pode nos entender?

_Hmn? É bem lógico estudar a linguagem do lugar para onde se vai antes de ir, não?

Todos na sala sentiram um calafrio perpassar toda a espinha dorsal ao ver o sorriso perfeito da criatura.

_O que deseja? –o líder da operação perguntou apreensivo-

_Bem, eu mandei-lhes uma mensagem explicando sobre minha visita. –mantinha o sorriso no rosto- Eu desejo estudar a raça humana.

_C-como? –repetiu a pergunta abismado-

_Quero estudar a sua raça. Pondo em termos simples, vim aqui como um observador da raça humana. –disse simplório- Gostaria de sua cooperação.

_Ve-veio “estudar”? Mas você veio mesmo de outro planeta?

_Sim... –a criatura pôs a mão no queixo- Quando eu desci aqui aquela fêmea me viu, certo? –encara-

Impossível, o que eu vi era um monstro, não uma pessoa normal! Se bem que, esse homem é muito estranho... Suspeito...

_Não! Não vi nada, por favor, me deixem ir. –choramingava-

_Entendo... Então não deve me reconhecer pela forma que me porto agora... –sorriso-

No próximo segundo a forma humana com que a criatura estava mudou drasticamente, e se tornou o mesmo monstro que Eileen Sanders havera visto naquela mesma noite, em seu quintal.

As dúvidas do comandante foram esclarecidas. Era mesmo um alienígena, sem dúvidas um monstro, ele tremeu só de ver aquela aparência intimidadora e desagradável. E a mulher algemada a ele, desmaiou.

_Ah... –arqueou o cenho voltando à forma humana- Eu sabia que isso iria acontecer... Mal cheguei aqui e já consegui aprender algo de vocês, humanos. Guiam-se por padrões de aparência e comportamento, se alguém foge deles, vocês “pifam”. –suspiro- Por isso considerei que seria mais educado e civilizado ficar nesta forma humana enquanto conversamos, minha verdadeira aparência parece afetá-los de uma forma negativa...

Todos os homens naquela sala ficaram absolutamente sem palavras, boquiabertos, sem reação diante da fala daquele alienígena educado.

_Então, será que podemos discutir de forma organizada sobre minha estadia pra estudo da sua espécie? –sorriso-

...

Passado algum tempo, a mulher acordou e lentamente se assustou ao tomar ciência do local onde estava: uma sala, que definitivamente não era a dela, toda cinza, com uma mesa no centro e duas cadeiras, sendo que ela já estava sentada em uma delas e algemada à cadeira.

Onde é esse lugar? Cadê minha casa? Mãe, Pai, porque o governo me quer? Eu faço tudo, tudo pra me deixarem em paz, só quero minha vidinha de volta, mesmo se me perguntarem juro que não direi nada!

Entrou então na sala o homem que comandava os soldados e que a havia algemado.

_Humrr. –pigarreou, sentando-se na cadeira- Desculpe a rudeza de ter que trazê-la assim... Eu sou o comandante Gilbert Lorran. Fui designado para a missão de capturar a criatura que veio naquela nave, como pôde testemunhar...

_... –a mulher torcia o rosto numa expressão de medo- Eileen Sanders...

_Acalme-se, Senhorita Sanders, não a trouxemos aqui para lhe fazer mal, como lhe disse, precisamos de sua cooperação. –continuou sério- Como viu, aquela criatura grotesca pode se tornar uma ameaça para a humanidade, mas se outros cidadãos souberem disto, o mundo virará um caos, por isso primeiramente gostaria de lhe pedir seu silêncio sobre o que viu.

_... –a mulher assentiu com a cabeça-

Se mais pessoas souberem, a sociedade vai ruir, as pessoas vão ficar loucas se descobrirem que aquele monstro está aqui...

_Bom.

_O que é aquilo afinal?

_... –o homem ajeitou os óculos escuros-

_Eu juro que não direi nada, mas, por favor, me diga!

_Seria melhor se não soubesse.

_... –abaixou a cabeça-

_Tudo bem. Direi-lhe o geral, ainda também não sabemos ao certo o que ele é. –suspirou preocupado- Há algumas semanas atrás recebemos um sinal vindo de fora do planeta com uma mensagem dizendo claramente em nossa língua, que alguém viria nos visitar, e hoje, aquela nave apareceu nos radares... Aquela criatura nos disse que veio com o objetivo de “estudar” a raça humana. É uma raça alienígena inteligente e com capacidades além de nossa imaginação, sendo, portanto perigosa. Por isso é necessário que fique em silêncio sobre o assunto.

_C-como assim uma raça alienígena? Isso é ridículo! Não pensem que podem encobrir os experimentos secretos que fazem inventando algo extraordinário só para impressionar!-disse nervosa-

_... Viu com os próprios olhos, nós não temos nenhuma relação com a criatura, ela simplesmente apareceu, foi uma surpresa para o governo também...

_M-mesmo assim, não tem como ser verdade? Só porque sou uma cidadã qualquer acha que se me der uma desculpa esfarrapada eu vou sair e ficar quieta?

_Senhorita...

BAM. –a porta foi aberta-

A visão que se tinha era: a porta aberta à força, dois soldados apavorados olhando na direção do alienígena em disfarce humano que usava um terno enquanto sorria e adentrava a sala.

_...! –Gilbert se levantou puxando uma arma discretamente-

_Que violência! –reclamou o espécime inumano- Eu disse que gostaria de conversar pacificamente e vocês me algemam, todos os humanos são recebidos assim quando chegam a seu país? –balançava negativamente a cabeça- Só demonstra o quão irracional é sua espécie.

_Senhor –o comandante disse- Não pode entrar aqui, isto é uma sala reservada para interrogatório...

_Perfeito, gostaria de fazer perguntas também! –sorriso-

_Ainda não decidimos se pode ou não ficar aqui. –Gilbert apontou a pistola para o homem alien-

A criatura do espaço fez uma expressão séria. E olhou diretamente nos olhos do homem que lhe apontava uma arma, como se pudesse ver os olhos do outro por trás dos óculos escuros. Um clima de tensão tomou a sala inteira.

_Não deixei bem claro ainda, eu creio... –disse sério- Minha estadia aqui não é uma decisão sua, é uma ordem. Não estava lhes dando escolhas quando disse que iria ficar, estava apenas informando porque ouvi que eram uma sociedade organizada e particularmente não considero correto invadir o planeta de outros sem aviso prévio.

O comandante suava frio, os outros soldados também, principalmente depois de ouvir aquelas palavras.

_Minha missão aqui é estudar a raça humana e escrever relatórios para meus superiores que me incumbiram esta tarefa. –sorriu sarcástico- E é dependendo destes relatórios que minha espécie decidirá o que fazer com vocês...

Todos na sala estremeceram.

O que este homem está falando? Isso é insano? Ele estava falando sério sobre nos estudar?! Não somos ratos de laboratório!

_Se por algum acaso forem tidos como uma raça inútil, serão destruídos, porém se provarem que são merecedores de atenção, tenho certeza que acharemos uma utilidade e quem sabe até possamos fazer um acordo inter-racial, ou acabarão sendo cobaias em algum estudo. Entendem sua posição? –sorriu- Tudo depende de mim, então é bom começarem a me tratar bem, ou posso escrever algumas más palavras por engano...

Ele é um alien canalha! Um verdadeiro canalha podre e corrupto! Só está tentando nos chantagear! Ele está blefando! Não tem como destruir a humanidade!

_Ah! –olhou para a mulher- Isso dói, humana! Eu fui uma pessoa extremamente educada até agora, mas ainda assim vocês me trataram como um criminoso. A situação exigiu medidas ásperas. –fez um sinal de confirmação com a cabeça-

Os homens ficaram ainda mais confusos na situação. Sobre o que ele estava falando?

H-hã? Eu disse alguma coisa ainda agora? Não me lembro de ter dito em voz alta o que estava pensando, será que eu deixei escapar sem querer?

_Ahahaha. –riu- Eu havia me esquecido de mencionar isso... Mas eu posso ler isto que chamam de “pensamento” por isso é bom não pensar rudezas porque eu posso ouvi-los.

Um choque passou pela coluna espinhal dos ali presentes, mesmo que ele tenha dito aquilo na maior tranquilidade e com um sorriso estampado na face, se tornavam palavras assustadoras vindas de um Alien de mais de dois metros que pode mimetizar aparências e escutar pensamentos.

_... –o comandante tremia ao apontar uma pistola para alguém tão perigoso-

_Podemos nos sentar e ter um diálogo pacífico, sim? –o alienígena perguntou com a maior naturalidade possível-

...

E aquela sala de interrogatório foi deixada para trás, todos se dirigiram à sala de reuniões do prédio que era do governo, inclusive a pobre mortal Eileen Sanders, que por ter ouvido uma conversa que não deveria foi envolvida ainda mais nisto.

Na outra localidade, estavam presentes o presidente e os demais líderes nacionais, incluindo a presença do Comandante Gilbert, encarregado do comando das operações especiais do país.

Todos ali estavam com certo pânico correndo pelas veias, apreensivos, pois ainda não conseguiam acreditar que uma situação tão séria teria tomado como palco sua nação.

_Primeiro, quero que me devolvam minha nave, preciso saber onde a puseram, caso contrário utilizarei um comando para que ela venha até mim, e acredito eu, será uma experiência desagradável de se testemunhar. –dizia sorrindo-

_S-sim! –o presidente respondeu- Mas sua nave foi danificada durante a queda...

_Bem, eu cuidarei disto, não esperava que coisa que chamam de “atmosfera” fosse afetar meu veículo de tal forma. Preciso fazer alguns ajustes, no entanto, a tecnologia deste planeta talvez não seja capaz de me ajudar a consertar, por isso preciso que me deem a nave, há ferramentas utilizáveis lá. E gostaria que não bisbilhotassem, não é algo que a compreensão minúscula de vocês possa assimilar.

Ele está nos contando que tem ferramentas que não temos e espera que não fiquem curiosos?! Ele é burro? E olha só quem fala pra não ser rude! É você quem esta sendo rude seu ET maldito!

Automaticamente, o rosto sorridente da criatura direcionou-se para a mulher que esquecera de que sua mente estava sendo sondada. Um clima de terror tomou o coração dos homens presentes na sala.

_B-bem, -o presidente cortou a situação- Continue, por favor...

_Eu quero que me enquadrem no meio desta sociedade, que eu pareça um humano de verdade, foi com este propósito que fiz este disfarce~ Quero observá-los de perto.

_Mas... Como poderemos garantir o bem estar e segurança dos cidadãos? Não podemos apenas deixá-lo em meio a pessoas inocentes!-O ministro da Segurança contestou-

_Estaria sugerindo que eu sou uma ameaça? –varreu o sorriso do rosto- Não já lhes expliquei que sou apenas um observador? Quantas vezes terei que repetir até os seus cérebros entenderem?

_M-mesmo assim, não sabemos o que você é ainda, e se algum dos cidadãos descobrirem e causar tumulto? E se tiver alguma arma ou infecção desconhecida? Há muitas possibilidades que tornam esta opção inviável. –O ministro da Saúde comentou-

_Não sou um germe. –disse seco- Estou bem disfarçado como humano e não pretendo interferir nas situações de suas vidas insignificantes, como cumpridor da missão que me foi designada, não posso machucá-los tampouco intervir em seus hábitos, e é necessário que eu esteja próximo da sua espécie para ter uma análise mais completa, por isso minha identidade deve ser mantida em segredo.

_Se quer tanto analisar humanos, podemos lhe conceder as mais recentes pesquisas. –o Ministro da educação se pronunciou-

_Não me interessa ver pesquisas que foram feitas sob suas perspectivas inferiores, tenho que analisar sob a perspectiva de minha raça e não conseguirei isto lendo livros humanos, é preciso observação. –completou com um ar arrogante-

A pressão que ele exercia nos maiores líderes nacionais era extrema, não importava o quanto questionassem seus objetivos, ele simplesmente respondia como se todos os humanos fossem cães submissos, que não tinham poder algum para questionar seus donos.

_Bem, isto é basicamente o que eu gostaria. Que me permitam ir à sociedade e que todos me vejam como um humano normal para que assim eu possa observá-los e escrever os relatórios, o resto do julgamento se vocês são ou não algo que valha a pena, ficará a critério de meus superiores. –sorriu- E é bom que façam valer meu tempo aqui.

_Humrr. –o presidente pigarreou- Sr. Alienígena, poderia por favor sair da sala por um instante...?

_Claro~ com pensamentos tão desordenados como os que estou ouvindo agora, este lugar está uma bagunça... –levantou-se do assento e retirou-se seguido por uma dúzia de soldados que miravam suas armas nele-

...

_Gilbert, foi o primeiro a encontrar a criatura, certo? –O ministro da Defesa encarou o comandante das forças especiais-

_Na verdade, a primeira a vê-lo foi esta civil! –tocou nos ombros da mulher-

_O quê?! –os homens ali presentes disseram em uníssono e se assustaram-

_O que ela está fazendo aqui?! –somente agora haviam notado a presença da mulher na sala-

_Como pode trazer uma civil para uma reunião tão importante?!

Uma algazarra começou pelo fato da mulher estar li, parada escutando toda a conversa.

_Silêncio, Senhores! –o presidente disse com voz forte- Ela é uma importante peça para a situação. –franziu o cenho e encarou a mulher-Desculpe, Senhorita, nos diga o que viu, por favor.

_Gulp –engoliu seco-

No momento, os maiores líderes do país a encaravam com expectativas além do que ela poderia suprir, a deixando nervosa.

_A-a nave dele caiu perto do meu quintal. –iniciou gaguejando um pouco- E q-quando saiu, era u-um monstro enorme.

_Ouviram?! Ela testemunhou tudo! Não há mais volta. –um ministro se desesperou-

_Calma. –o presidente voltou a falar com voz forte- Senhorita creio que entenda a gravidade da situação, não há necessidade de enganação, apenas diga de quanto precisa para manter-se calada.

_Q-quanto? –se surpreendeu- Não... Senhor Presidente, não preciso de nada...

Não posso pensar em dinheiro numa situação assim. Ah~Eu quero muito mesmo algum dinheiro, ainda mais vindo de alguém tão importante, mas não é certo conseguir desta forma... Além disso, não me importo com grana, comparado com a minha vida pacata, se eu apenas puder viver como uma cidadã normal, continuar em meu emprego e tiver minha vidinha, não preciso de tanto dinheiro.

_N-nada? –os homens ficaram abismados-

_Sinto muito, não é correto extrair dinheiro do governo quando algo tão sério assim pode afetar o país inteiro, quem dirá o mundo... –disse olhando para o chão- Se eu apenas puder retornar a minha vida cotidiana sem mais problemas, nunca mais mencionarei este assunto, o apagarei completamente da minha memória.

_Peço que retire essa Senhorita da sala, Gilbert. –o presidente ordenou-

Assim foi feito, retiraram a mulher da sala e continuaram para discutir mais sobre o grande problema iminente.

_Não confio no que ela disse, provavelmente ela usará isso para nos chantagear mais tarde. –o ministro da infraestrutura disse-

_Sim, além do mais, ela foi a única civil que testemunhou tudo, de acordo com os relatórios seus vizinhos estavam fora de casa quando aconteceu e os donos do terreno onde o objeto caiu moram em outra área residencial. –o ministro da defesa comentou-

_Seria melhor eliminá-la e apagar as possíveis chances de alguma informação vazar para a sociedade. -disse com um tom sombrio o Ministro da segurança-

_Hum... –o presidente ponderou- Mas “apagar” um cidadão é um tanto cruel...

_Ela só teve o azar de estar na hora errada no lugar errado, se não tivesse visto nada poderia ter uma vida normal, e mais, o que é uma única pessoa pelo bem de um país inteiro? –o Ministro da Educação firmou a ideia-

_... –o presidente suspirou enquanto pensava-

...

Do lado de fora da sala,

...

A mulher foi retirada da sala de reuniões e estava sendo levada à sala de interrogatório novamente, e lá estava o alien em forma humana, sendo alvejado por vários lasers vermelhos dentro da sala para a qual ela iria.

O soldado empurrou Eileen para dentro do local e outro soldado veio para falar com o comandante.

_Senhor, ela é uma civil, não estará em perigo perto de uma criatura assim? -cochichou enquanto a mulher andava para sentar numa cadeira, perto do alienígena-

_... Soldado isto é algo triste de se dizer, mas não creio que ela viverá por muito mais tempo... Não faz mais diferença deixá-la perto ou longe de um monstro, de um jeito ou de outro, a vida dela está acabada... Que mulher mais azarada... –sussurrou com certa pena do destino da civil-

Como comandante das forças especiais, ele também entendia que ela não teria um bom futuro por ter se envolvido em algo perigoso.

...

Eileen estava sentada numa das cadeiras da sala de interrogatório, e na outra, de frente para ela, o alien. Ela não o encarava, estava de cabeça baixa, passara o caminho todo assim.

_Que pensamentos sujos... –disse o não-humano sentado à sua frente-

_...? –levantou a cabeça rapidamente para encará-lo, e os soldados em volta ficaram apreensivos-

_Não estava falando dos seus. –completou sem muito interesse-

O que há com ele? Será que sabe que estão pensando em como matá-lo dentro daquelas paredes da sala de reuniões? Haa~ Agora que penso nisso, será que foi estranho recusar dinheiro? Provavelmente. Qualquer um ficaria ganancioso em meu lugar, mas não eu. Imagino o que farão comigo... Porque eu sei sobre toda essa história de invasão alienígena será que eu poderei mesmo sair livremente por aquela porta e voltar à minha vida normal? Acho que não...

_Sua situação é bem difícil. –comentou o alien tentando esconder o sorriso com uma das mãos-

_Quieto! –quase gritou- Isso é culpa sua, seu monstro maldito! –tentou voar por cima da mesa para esganá-lo, mas foi contida por dois soldados que a sentaram na cadeira forçadamente-

_Oh! Que violência! –disse sorrindo sarcástico- Não se importa com o que eu posso escrever sobre esta tendência agressiva? –olhou em volta- Veja bem, eu estive aqui apenas por um curto espaço de tempo e não fiz nada de mal, mas tem humanos com instrumentos nocivos apontados para mim e ao que parece não só os humanos machos como também as fêmeas tem surtos de agressividade.

_Não importa, eu não vou estar aqui para ver esses seus superiores, ou seja lá quem for descer até a terra pra acabar com a humanidade. –disse irritada-

Os soldados trocaram olhares de confusão perante a conversa, sem deslocar as miras da cabeça da criatura perigosa na sala.

_Oh~ -sorriu- Um traço de inteligência? –pôs a mão no queixo-

_Isso é lógico, acha mesmo que vão me deixar ficar viva depois de ser uma testemunha do que aconteceu? Sendo por alienígenas ou por mãos humanas, eu não irei sair por aquela porta. Então realmente não importa mais. –sussurrou cética-

Os soldados não ouviram afala da mulher e o alien continuou sorrindo, como se nada tivesse acontecido.

Morrer pelo bem do governo e do país? Isso não me parece um peso muito justo para eu carregar. Ah~ Quando vai ser? Será que ao menos me deixarão escrever uma carta de despedida? Não espera... Para isso eles teriam de fazer parecer suicídio. Como vão me matar? Uma arma de fogo? Me jogar num lago? Me jogar de um precipício? Me drogar? São tantas possibilidades... Talvez eles sumam comigo e não deixem ninguém saber, assim todos pensarão que foi um desaparecimento...

_A primeira opção. –disse a criatura sorrindo-

_Pare de ler meus pensamentos! –disse histérica se levantando da cadeira e sendo novamente forçada a sentar-se- E eu não precisava saber disso!

_Senhorita, comporte-se! –um soldado disse brusco, sacudindo a mulher por um dos ombros-

_Hum... –pôs a mão no queixo analisando os soldados- Como eu suspeitava... Uma tendência agressiva, tanto que até tratam os seus semelhantes desta forma...

Os homens na sala lançaram um olhar de asco e ao mesmo tempo, certo medo do que a criatura de alta periculosidade poderia fazer. Felizmente, o comentário foi a única reação que teve.

_Ah! Como são criaturas lerdas... Disse isto tantas e tantas vezes hoje... Não vou machucá-los. –suspirou- Estou falando sério, se me fizerem dizer isto mais uma vez, vou por no relatório que tem um raciocínio tão lento que não vale nem a pena usar como cobaia de laboratório.

Os soldados estremeceram diante da declaração nada amistosa da criatura que se apresentava com um disfarce humano, e ainda assim não podia esconder o interior perigoso que possuía.

_Eu me decidi! –levantou-se da cadeira sem importar-se com as armas que o alvejavam-

Andou até a porta, e os soldados, com pernas tremendo se puseram na frente dele, mas bastou um olhar para que saíssem de seu caminho. A mulher levantou-se e o seguiu lentamente, até a porta e de lá o viu caminhar mais adiante no corredor.

Gilbert que vinha na direção contrária notou o outro andando livremente, e se assustou.

_Ah, que bom! Te achei! Queria realmente falar com você, humano. –parou em frente ao comandante-

_C-comigo?

Tomou cuidado para não deixar escapar os pensamentos sobre o plano para eliminar o Alienígena, que acabara de lhe ser relatado na sala de reuniões, no entanto era difícil não se lembrar dos detalhes.

_A Propósito, esse tipo de método não funcionaria comigo pela composição biológica do meu corpo... –respondeu aos pensamentos nocivos do outro- Estava ficando cansado de esperar, e pensei em um ótimo plano para que me incluam na sociedade...

_Espere... Nós não... –recebeu um olhar intimidador do homem à sua frente e calou-se-

_Não importa como planejem me matar, é inútil, vocês humanos do modo como estão agora não são capazes sequer de me arranhar. –exagerou e riu- Peço que sabiamente escute minhas instruções sobre como farei meu estudo, se eu me cansar de vocês, posso facilmente relatar que são uma raça inútil até mesmo para que seja pesquisada.

_...!

_Ótimo, irei lhe explicar o plano agora: Eu irei viver em uma casa, e irei viajar ao redor disto que chamam de “terra”, vou analisar os humanos e ficarei um período de tempo observando um grupo de pessoas, já que minha nave caiu neste país, então eles serão o grupo que observarei permanentemente. E preciso de uma “identidade falsa” de humano. Vocês, claro terão que bancar todos os custos de minhas viagens e dos instrumentos necessário à pesquisa.

_Isso é insano! –disse com certo desespero na voz-

_Insano? Insano? –a voz engrossou de forma que não parecia mais humana- Eu lhes mostrarei o que é insanidade quando arrancar o que tem dentro de você junto com sua ousadia por recusar minha oferta!

O comandante suou frio, tremeu ao ouvir aquela voz direcionada a ele.

_V-você disse que não iria nos machucar! –foi tomado ainda mais pelo desespero-

_Opa, opa~-disse com uma voz normal, colocando um sorriso no rosto e tapando a boca- Acho que me enfureci um pouquinho~ -suspiro- Certamente eu disse que não os machucaria, e fiz vista grossa de todas as atitudes rudes e descortesia que me ofereceram... Porém, acabei de mudar de opinião, se continuarem a me tratar como um ser inferior eu farei questão de lhes retribuir da forma mais detalhista possível quem está sob ordem de quem aqui. E porei isto no meu relatório~

_...!-o comandante engoliu seco-

_Não fique tão nervoso, ainda não desci ao ponto de usar violência física contra criaturas mais fracas, fique feliz por isto~ Estou com um humor excepcional hoje~

_N-nós providenciaremos uma casa e dinheiro, irei relatar isso ao presidente imediatamente!

_Quanto a casa, não precisa... –suspiro- Vocês humanos são criaturas tão facilmente convencidas...

_Como assim não precisa?

_Bem, como presente especial por ser o primeiro ser humano a me ver e ter coragem de me afrontar com palavras, deixarei que ela tenha o privilégio de me hospedar em sua casa! –virou-se para trás e encarou Eileen-

_HeeeeINN?!!-a mulher gritou-

E mais uma vez, quando eu achava que não poderia piorar, a situação simplesmente desabou sobre mim. E soterrada naqueles escombros, eu agradecia por ter minha vida salva e me amaldiçoava por aquilo ser o fim de minha vida calma...