Human World Observation

3 Capítulo 02: A nova vida se inicia


Notas iniciais
Essa história é uma obra de ficção sem quaisquer relação com fatos, acontecimentos ou pessoas da vida real.

_Bem, como presente especial por ser o primeiro ser humano a me ver e ter coragem de me afrontar com palavras, deixarei que ela tenha o privilégio de me hospedar em sua casa! –virou-se para trás e encarou Eileen-

_HEEEIIINN?!!

_Sinta-se grata, agora terá que ser uma anfitriã para o ser que decidirá o futuro da sua raça, não é esplêndido me servir? –riu-

_... Como assim te servir? Na minha casa? Por quê?!

Ele andou até perto da mulher, abaixou-se para dizer algo no ouvido dela.

_Sua vida foi salva, humana ingrata... É melhor que me trate com o devido respeito... –sorriu-

O comandante Gilbert encarou a mulher, sem palavras e sem reação, aquilo já estava longe demais da sua alçada. Não podia contestar um alienígena.

_Agora, estou cansado de lidar com vocês, estou indo para meu novo lar~-acenou com a mão-

_H-hã? –a mulher olhou confusa-

Ele a olhou diretamente nos olhos por alguns segundos, parado em frente à ela, deixando-a nervosa.

_Certo~ -sorriso- Acabei de ver a imagem da casa nas suas memórias. Está na hora de ir~

Que tipo de habilidade monstruosa é essa?! Como assim nas minhas memórias?! Então além de ler pensamentos essa coisa consegue ver memórias?!Isso está além do entendimento humano!

_Você termine de acertar os detalhes do que pedi com seus superiores, me procurem depois~

Então, a criatura puxou a mulher pela gola do blazer, e arrastou-a até o fim do corredor, abriu um buraco na parede, e saiu, literalmente, voando. Deixando todos presentes boquiabertos.

...

_Cof... Cof... –a mulher tossia sentada no chão- O que f-foi aquilo?

_Hum? –o alien a encarou- Então essa viagem tem efeitos colaterais no corpo humano? Nunca imaginei que isso aconteceria... Vou anotar depois... –disse com um sorriso-

_N-não me use como cobaia para seus experimentos, seu alien maldito! Ghu...-tapou a boca com a mão, enjoada-

_Eeeh... –olhou em volta- As casas deste planeta são muito mal elaboradas... -deu tapinhas na parede- Que material fraco é este e que tipo de arquitetura é essa? Nada agradável.

_Se não gosta então vá logo embora da minha casa! –disse irritada-

_Humph. Odeio dizer, contudo eu não tenho escolha a não ser me alojar nestas casas imperfeitas do seu mundo pelo bem da minha observação.

_... –levantou-se- Mas o que é você afinal? Um super-homem?

_Está se referindo ao voo? Apenas uma de minhas habilidades. –se gabou- Eu poderia até vir correndo e chegaríamos em questão de minutos, mas seria trabalhoso e eu seria indiscreto se o fizesse, voar foi bom o suficiente.

Impossível. Uma de suas habilidades? Que tipo de monstro é ele? Como isso existia aí fora na galáxia a NASA nunca descobriu sobre ele?

_Isso graças a minhas habilidades de mimetização, vê? –apontou para o próprio rosto- Minha raça é capaz de copiar e reproduzir traços de uma espécie, por isso posso modificar aparência para lembrar a de qualquer outra raça a meu bel prazer. –sorriu cínico- E é claro que graças a minha capacidade de leitura mental e decodificação, pude aprender a linguagem de vocês~

Ele está se vangloriando. Que cretino. Mas continue assim, logo saberei todas as suas habilidades e fraquezas... Ele é muito convencido!

_Eu não serei derrotado por um bando de seres inferiores. Suas armas não podem me ferir.

Isso beira o ridículo. Mas é justamente por ser tão surreal que é ainda mais apavorante. Uma criatura sem precedentes que a humanidade não estava preparada para encontrar, algo além do que os humanos podem compreender.

_Mas é claro~ Eu disse que sou um ser superior!

_Pare de ler meus pensamentos, seu monstro!! –quase gritou irritada-

Correu até o andar de cima para o seu quarto e se jogou na cama, para espernear e choramingar, espremendo os lençóis entre os dedos.

Por quê? Por que tenho que abrigar um monstro em minha casa?!O que eu fiz de errado? Por que não posso ter uma vida comum?! Snif. Snif. O que vou dizer par meus pais quando descobrirem que tem um alien aqui? E pra Halley? E para meus outros amigos? Meus parentes?

Não posso simplesmente dizer: oi pai, mãe tem um alienígena morando na minha casa que pode destruir o mundo, mas não se preocupem porque o governo vai tomar providências e tudo vai dar certo.

Nem sei se o governo será capaz de tomar medidas contra esta criatura inumana. Eles nem puderam reagir quando ele saiu voando daquele prédio...

_Mas o que é que estou fazendo no meu quarto afinal? –apertou o travesseiro- Tem um alienígena no andar de baixo da casa e se ele estiver fazendo uma bagunça?

Desceu as escadas, hesitante e quase caiu dos últimos degraus quando teve o vislumbre da criatura em disfarce humano sentada no sofá calmamente tomando algo numa xícara.

_O que está fazendo?!! –aproximou-se-

_Hum... –cheira o vapor que saía da xícara- Esse líquido que vocês chamam café é mesmo bom, revigorante.

Espera, como assim ele está sentado tomando café? Que calmaria é essa? Como ele pode simplesmente mexer nos pertences dos outros e como ele conseguiu fazer café?

_Devo dizer que o método de produção disto é muito simples humana fêmea, até um animal consegue fazer... E eu li isso nas suas memórias também~

_Não, animais não conseguem! E meu nome é EILEEN, EILEEN! –respondeu irritada- Pare de tratar os outros como animais, seu disfarce vai por água abaixo se continuar agindo como se fosse diferente!

Oops, eu não devia ter dito isso, seria melhor se o disfarce dele fosse descoberto assim ele iria embora da terra logo!

_Entendo, isso é verdade humana Eileen. –concordou com a cabeça-

_Não coloque o “humana” na frente! Não sou uma espécie diferente dos outros, esse é meu nome! É só Eileen!

_Bem, eu acreditei que vocês humanos se chamassem assim, porque desde que cheguei tudo que têm feito é me chamar de “Monstro” ou “Alien” sem se quer perguntar meu nome... –bebericou um gole de café-

Então ele ficou magoado com isso? E como assim ele tem um nome? Sério mesmo que essa coisa tem um nome?

_Estava pensando por onde começar... –terminou o café- Gostaria de ir ao lugar chamado “centro”, onde diversos humanos se reúnem. Me leve ate lá.

_Você pode ir sozinho, não pode? Por que tenho que levá-lo?!

_Quero ser introduzido propriamente na sociedade.

_Não mesmo, o governo cuida de você! Te guiar não é meu problema! –deu as costas-

Cruzou os braços e tentou fingir que não havia mais ninguém ali, no entanto, algo mole e viscoso tocou seu ombro e se enroscou em seu braço.

_K-KAAAAAAAAAAAAAAAAAAAh! –gritou ao ver o tentáculo (?) segurando o braço dela e desmaiou-

BAM.

_Oh~, acho que minha outra forma ainda é realmente demais para que os humanos não entrem em colapso. –pôs a mão no queixo olhando o corpo caído da mulher-

...

Enquanto isso, no prédio do governo...

...

_Como “sumiu depois de fazer um buraco na parede e sair voando”?! –o presidente bateu as mãos na mesa, indignado- que tipo de relato é esse?!

_S-Sr. Foi exatamente isto que ocorreu... Não creio que uma explicação lógica seja possível... –o comandante das forças especiais falou-

_E ainda levou a mulher que viu tudo? –pôs as mãos na cabeça, beirando o desespero-

_S-Sim! A criatura alegou que irá utilizar a casa desta mulher como sede, e que devemos arcar com suas despesas das viagens que fará.

_Isso é demais! –o governante sentou-se em sua cadeira-

_O Sr. Prefeito deveria fazer algo! –o ministro da infraestrutura olhou com ar de reprovação-

_Isso está muito além da minha jurisdição! –o ministro da segurança se desesperou, pondo as mãos na cabeça-

_Temos que atraí-lo para nós e trancá-lo num laboratório para ser dissecado! –o Ministro da saúde disse nervoso-

_É mesmo possível ter controle sobre aquela aberração?- Ministro da defesa questionou-

_Podemos retirá-lo da casa daquela civil e colocá-lo em um lugar no qual possamos recolher amostras de estudo e criar um modo eficaz de combatê-lo.-O ministro da Educação sugeriu-

_Desculpe interromper, Sr. Ministro... –Gilbert falou- Mas ele foi bem claro quanto às exigências e não acho que cederá...

_Hum... – o presidente ponderou- Gilbert, comande suas tropas para que localizem-no e matem-no, use o armamento necessário, se alguém vir, apague-o a imprensa cuidará do resto.

_Sr. Presidente...

_Não tínhamos o atacado ainda porque não havia ferido nenhum cidadão, mas não podemos deixá-lo andar livremente, ele é uma criatura perigosa... Não importa se é um Alienígena ou não, se estiver morto não será ameaça nenhuma... –sorriu vitorioso-

...

Horas mais tarde, na casa de Eileen Sanders...

...

Ah... Tanto aconteceu na minha vida desde ontem à noite... Eu fui levada para a sede do governo e fiquei lá até a manhã, nem tive tempo de dormir... Pensando bem é muito irreal para ser verdade, deve ter sido um sonho... Acho que dormi e estive sonhando tudo aquilo esse tempo todo, então quando eu abrir os olhos irei voltar ao mundo real...

Tenho que me arrumar e ir para meu emprego, se eu chegar atrasada o chefe vai brigar comigo... Acho que vou ligar para os meus pais, se tiver um tempo vou a casa deles esse fim de semana... Pff... Queria dormir só mais um pouquinho, mas...

Abriu os olhos lentamente, sonolenta. Ficou deitada de bruços, estranhou o fato de não estar coberta com seu lençol. E aquela cama parecia um pouco dura... Olhou para o alto, aquele não era o teto de seu quarto!

Sentou-se imediatamente, se viu em sua sala de estar, sobre o tapete vermelho. Era manhã, a sala estava clara, mas por que havera dormido ali...?

Arregalou os olhos quando encontrou certo indivíduo sentado de pernas cruzadas em seu sofá, com uma expressão de tédio.

_K-KYAAAAA! –gritou ao vê-lo-

_Oh~você acordou, mas que chato foi esperar e escuta, a primeira ação que vocês humanos fazem ao acordar é dar um grito? Só sabe gritar? –dizia chateado-

_Não toque em mim com aquele tentáculo nojento nunca mais! –choramingava-

_Aquilo era minha cauda. –respondeu sorridente-

Que nojo! Que nojo! Por que essa criatura asquerosa ainda está aqui? Eu não aguento mais! Não quero mais ficar nem um minuto no mesmo lugar que essa coisa!

_E além disso, o que está fazendo no meu sofá?! E por que ainda está aqui?! –passou as mãos pela cabeça- Então não era um sonho... Não era um sonho... Hahahaha... –riu forçado para não chorar-

_O sol está em seu ápice sabia? Humanos sempre dormem tanto? -encarava sem interesse a mulher sentada no chão-

_Por que está tão chateado? Eu sou quem deveria estar chateada! Não sei se percebeu, mas esta casa é minha, e você está sentado no sofá da minha casa, mas eu não o quero aqui! Vá embora, atazanar o governo, ou seja lá quem for! Melhor, suma da terra, não tem espaço aqui para você! -levantou-se enquanto quase gritava aquilo, explodindo revoltada-

_...

Ele se levantou e se aproximou, olhando a mulher que era mais baixa, do alto, como se encarasse um ser inferior. E começou a falar:

_Ficar aqui não é uma opção, é uma ordem. –falava sério- Não me importo se vocês humanos estão ou não satisfeitos com isto... –instantaneamente ele foi crescendo e mudando a forma até um ponto em que já não era mais um humano- É melhor não me provocarem, mesmo que sejam criaturas fracas, não terei piedade se atrapalharem minha missão. –a voz grossa e gutural cabia perfeitamente a um monstro como ele-

A mulher foi se encolhendo, tremeu, e deu um único passo para trás, no intuito de se defender, mas o resto de seus músculos ficou paralisado e os olhos dela puderam acompanhá-lo enquanto ele voltava a ser a figura do homem sorridente, pouco mais alto que ela.

_Entendeu? –sorriso- Agora será que poderia me levar ao centro? Quero começar a coletar informações desde já.

_...

Tudo que pôde fazer foi pensar em como manusearia aquela situação sem que acabasse com sua vida de uma vez por todas. E apavorada, não teve escolha se não atender ao “pedido” dele.

_Tudo bem, mas tem que vestir outra roupa, se sair por aí com um terno rasgado, vai chamar muita atenção...

_Eu não compreendo a utilidade destas vestes. Não servem para nada! –esticou o tecido, testando-o- No meu planeta todas as vestes tem um escudo sônico, mas estas do mundo humanos não tem função alguma.

Sinceramente, só o fato das roupas dele rasgarem por ele ter aumentado de tamanho já é algo extremamente horripilante...

_T-tem utilidade sim! Serve pra proteger do frio, e se cobrir. –tentava explicar-

_Algumas espécies alienígenas andam sem roupas.

_Não interessa se outras espécies fazem isso, se sair para a rua com roupas rasgadas, vão pensar que você ou é um mendigo ou um tarado!

_Humpft. Não entendo mesmo a lógica humana. Trajes que não servem para nada, que desperdício de matéria... –revirou os olhos falando num tom de desprezo-

...

No centro da cidade, as movimentadas ruas, os altos arranha-céus com telões onde se podiam ver comerciais, jornais com as últimas notícias; havia também alguns dirigíveis com anúncios.

Andando por estas ruas, Eileen Sander acompanhada do curioso alien que parecia analisar cada minúsculo detalhe do local à medida que passava os olhos. Fitava as pessoas andando, olhava os dirigíveis, prestava atenção a tudo.

_Por que esses humanos estão tão apressados? –olhava em volta-

_Porque estão indo trabalhar... –disse irritada-

Eu também tenho trabalho, mas infelizmente essa aberração está me prendendo aqui... Não, espera e se eu tentar fugir? Acho que ele não fará nada aqui no meio da multidão, então pode ser que...

_Tente e veremos se sobreviverá até amanhã em sua fuga. –disse sorrindo-

Monstro! Monstro! Pare de ler meus pensamentos!

_Aonde essas pessoas vão “trabalhar”?

_Não sei, depende da profissão, nem todo mundo tem o mesmo emprego, sabia...?

_Hum... Então a organização funciona assim, vocês divide tarefas, como uma colônia.

_Quase... –disse torcendo o rosto como se quisesse dizer que estava completamente errado- As tarefas são divididas, mas nem sempre é organizado e harmônico como nas colônias de abelhas.

O barulho das pessoas conversando nas cafeterias, dos aviões e dirigíveis nos céus, as inúmeras notícias e comerciais e dos carros causava certo desconforto.

[Homem assassina a esposa na província de ... e confessa o crime. O homem está sendo atualmente...] –a repórter anunciava no telão-

_Que terrível... –Eileen comentou em baixo tom-

_Então vocês humanos cometem canibalismo...

_Canibalismo?!Não isso é nojento!-disse com asco- Acho que já ouvi alguns casos, mas não é comum.

_Não foi isso que quis dizer. –fitou-a com um olhar de desesperança, como se fosse inútil explicar- O ato de matar seus semelhantes não pode ser considerado uma forma de “canibalismo”?

Esse Alien até que é inteligente. Ele diz palavras com nexo, realmente... Mas não quero continuar sendo babá. Alguém do governo, por favor, me tire daqui! Quero ir pra casa, quero trabalhar! Quero minha vidinha de volta!

_Traga-me algum alimento humana, preciso de nutrientes. –ordenou-

Não sou sua escrava! E eu devia trazer um bom suco envenenado para que morra de uma vez!

_As substâncias tóxicas do seu mundo não afetarão meu corpo. Provavelmente. –alargou o sorriso cínico-

Droga! E o que há com esse “provavelmente”?! Você não tem certeza disso não é?! Eu devia mesmo dá-lo algum veneno!

_P-podemos ir a uma cafeteria. –disse apontando um lugar com a mão trêmula-

_Humanos se reúnem para comer ali?

_S-sim...

...

_D-dois cafés, por favor. –pediu nervosa-

E ainda tenho que pagar! Por que tenho que pagar café pra um extraterrestre?! Ahhh!

_Pagar? Vocês pagam pela comida que consomem? –risos- Não ganham pelo trabalho que prestam a sociedade?

_Olha aqui, nem todo mundo tem o mesmo salário, não é bem assim você pega o que quiser, só pode comprar se tiver dinheiro para pagar. É o capitalismo, meu caro.

E você está desperdiçando o meu dinheiro, seu infeliz!

_Ora, mas que modo injusto... Em minha sociedade nós dividimos as tarefas e os alimentos, assim a espécie se mantém em equilíbrio. Afinal, alimentação é apenas necessária para obter nutrientes que mantenham o organismo em funcionamento... –olhou com desdém- Não se preocupe quanto ao “pagamento”, pode pôr na conta do governo, eu não disse que eles iriam arcar com minhas despesas? –deu um risinho abafado, como se zombasse-

Que irritante! Além de ameaçar ainda é debochado de brincar dizendo que vai fazer o governo pagar por ele, parasita! Parece até algum terrorista tentando afrontar os governantes dizendo que eles têm que pagar por seus atos!

_Que cruel. -disse como se estivesse ofendido- Eu posso ter copiado diversas espécies, mas nunca me sujeitei a ser um parasita. O que estou fazendo é um estudo apenas.

_Pode, parar de ler meus pensamentos? –bebericou um pouco do café com a mão tremendo- Me sinto sem privacidade alguma... Pode, por favor, parar? Sério mesmo.

_... –fitou-a- Eu gostaria, mas o comportamento altamente ácido que todos vocês têm demonstrado para comigo não me permite. Preciso vigiar antes que maquinem algo contra mim, embora não ache que a capacidade mental de sua raça lhes permita me enfrentar. –deu um sorriso de deboche-

A mulher ficou furiosa com as palavras ofensivas, a ponto de esmagar o copo de café com uma das mãos, irritada. Ele riu e continuou prestando atenção às atitudes dos demais, no mundo ao redor, sempre com um leve sorriso maldoso e impecável no rosto.

...

Ao final da tarde

...

Voltando para casa, acompanhada da criatura extraterrestre que lhe sugava o humor, Eileen se preparava para correr até a cozinha e tentar cometer uma atrocidade contra aquele pseudo-humano de terno.

Ele em sua forma humana portava uma aparência comum, cabelos castanhos bem curtos e repicados, olhos de mesma cor, uma pele queimada do sol, e um sorriso cínico. Nada se destacava, o que o fazia um perfeito espião em meio a humanos desavisados. Mas Eileen não, tanto ela quanto todos aqueles governantes sabiam a ameaça que ele representava.

Assim que chegou ao portão de sua casa, um soldado escondido por trás muro apareceu e a puxou pelo braço, jogando-a no chão. Fez um sinal com a mão, em seguida, outros vinte soldados apareceram, alguns no telhado e outros pelos lados e iniciaram uma sequência de tiros contra o alienígena que ainda estava longe da casa.

A mulher se encolheu ali no chão mesmo, com medo. Fechou os olhos e pode ouvir o ensurdecedor barulho de dezenas de balas metralhando. Não queria ver o desfecho daquilo, porém, imaginava em seu íntimo uma imagem terrível que sabia que veria quando abrisse os olhos.

O soldado fez outro gesto, indicando para que parassem o extermínio. E esperando para que a fumaça gerada pelos disparos que atingiram o asfalto dissipasse. Um clima de tensão tomou o local, e apesar de serem segundos, o tempo pareceu passar de forma longa.

_Ah... –uma voz veio de dentro da nuvem de poeira- Sabia que iriam tentar isso... –suspiro-

À medida que a poeira se dissipava, todos ficavam boquiabertos, a mulher até então deitada e encolhida no chão, sentou-se e teve a mesma reação que os soldados quando viu o mesmo que eles.

Após ser metralhado por aproximadamente vinte soldados com armamentos pesados, a criatura bizarra continuava ali, de pé, como se nada houvesse acontecido, com a roupa cheia de buracos, mas sem nenhum arranhão na pele.

_Quanta violência. –disse calmo- Eu não já disse que suas armas não podem me ferir?

O pensamento que cruzou pela mente dos ali presentes foi unânime:

Monstro!

E com isto, um toque amargo desespero começou a se alastrar pelos cérebros dos homens, ao se deparar com uma situação nunca antes vista.

_O quê? Não me digam que estão com medo agora? –fitou-os- Escutem bem, eu sou alguém esplendidamente paciente, contudo não posso tolerar essas brincadeiras de mau gosto sempre. Isto é um aviso, da próxima vez, vou jogar elas de volta em vocês! –apontou para as balas amassadas no chão-

Simplesmente não havia palavras que conseguissem surgir na mente daqueles homens para serem ditas. O alienígena continuou com seu sermão sobre como ele tinha se comportado educadamente e não estava sendo bem retribuído, que isto o irritava, mas ainda não tomara medidas porque esperava isso de criaturas irracionais.

Um único soldado, tomado pela irracionalidade do que acontecia, pegou uma granada e almejou diretamente no Alienígena que ainda falava, enquanto tremia de medo.

BOOOOOOOOOOOOOOMMMMMM

A explosão atordoante, obrigando todos a fecharem os olhos, o som ensurdecedor deixou os homens tontos e desnorteados. E quem estava perto acabou voando direto nas paredes da casa, pelo impacto. Aquilo foi insano.

_Cof, cof... –novamente um barulho foi ouvido da recém-formada nuvem de fumaça- Cof, cof, cof... –tosse-

Os soldados ainda doloridos pelo choque com a parede, mal se equilibravam, com as feridas, a mulher que estava ali deitada, além de ter sido arrastada, ficou coberta de poeira e pedaços do que era a mureta da frente da casa dela.

Em meio ao caos restrito, novamente o ser de outro planeta continuava de pé. Sem sinais de ferimentos, só um pouco de sujeira preta, pela explosão.

_Francamente... Vocês não aprendem... –colocou a mão na testa, balançando a cabeça negativamente- Isso dói, sabia? Não me fere, mas dói no meu orgulho. Estão testando minha resistência por acaso? Se estiverem, vou adiantar a informação de que as armas que produzem não podem me aniquilar. –franziu o cenho, falando levemente revoltado-

Encarava os soldados mudos e acabados a sua frente. Não estavam mais em condições de lutar, machucados e abalados psicologicamente, toda a coragem havia sumido e tudo restava eram homens comuns que temiam por suas vidas.

_Agora podem parar? Não vou machucar ninguém, só quero que parem de tentar me matar. É incômodo! Não vão gostar se eu ficar irritado, então parem. Sério, parem de verdade! –falava calmo, mas rispidamente-

Não adiantava falar aquilo, não importa o que ele dissesse. Aqueles homens já não raciocinavam de forma regular, estavam perdidos, assustados.

_S-senhor! –o líder dos soldados falou por o comunicador- O alvo está intacto... N-nós não conseguimos acabar com ele... E-está intacto! –repetia aterrorizado-

_A-aah! –suspirou- E depois falam que eu sou o monstro. Perceberam os papéis invertidos aqui? –fitou os homens- Seu pessoal invade uma casa, prepara uma armadilha e tenta me metralhar, depois jogam aquela bomba em mim e EU sou o monstro vilão? Hilário o senso humorístico que vocês têm. –disse sarcástico, reprovando as ações dos militares-

Pouco depois, um helicóptero chegou ao local, e algumas ambulâncias. Os feridos foram levados para o centro hospitalar do governo, evitando serem vistos por cidadãos comuns. E Gilbert ficou perto da casa, para conversar com o Alien.

...

_Então, entenderam que eu não vou lhes fazer mal? Não sou alguém misericordioso? –sorria resplandecente e irônico-

_... Senhor... –Gilbert falava sério- Nós entendemos suas exigências...

_Ótimo! Tudo fica mais claro assim! Agora sejam bons humanos e me deixem fazer minha pesquisa em paz.

_Eu providenciarei os consertos da casa, se desejar, podemos lhe fornecer acomodações melhores. –olhava para a destruição-

_Não. Aqui está bom. Só limpem essa bagunça. –disse sem interesse-

_Sim...

Tenho que falar com o Sr. Presidente imediatamente. Esta criatura é uma ameaça. Teremos de usar outros métodos para eliminá-lo. Interrogarei aquela mulher mais tarde quando ela sair do hospital, ela estava com ele, pode ter alguma informação aproveitável. Por hora, teremos que ceder aos desejos dele, mas isto será temporário. Nós definitivamente o aniquilaremos da face da terra.

O Alienígena em forma humana encarou o comandante por alguns segundos com uma expressão séria, depois foi em direção a casa. Entrando calmamente pela porta, ignorando os pensamentos do humano.

E por mais um dia, aquela ameaça à humanidade continuava na terra.