Human Touch

8 Não Aconteceu Nada


Notas iniciais
Saudações a todos (as) leitores. Como estão? Espero que bem. Dedico esse capítulo a Elisa Medeiros e suelenpinheiro. E não percam as esperanças em nosso detetive preferido. Afinal, ele é o Mac Taylor, não é? Se houver algum erro, por favor me avise. Boa leitura.

=========

A chuva que banhou a cidade de Nova Orleans durante a noite insistiu em se estender pela manhã.

Mac analisou o último documento que recebeu e jogou em cima da mesa, furioso.

Conforme as análises das evidências recolhidas no local foram enviadas, ele as estudou e tentou captar algum detalhe ou pista que levasse ao paradeiro de Stella. Contudo, poucas informações lhe permitiram pensar em um plano para resgatá-la; e a única evidência que tinha, era a sua última posição conhecida, determinada pelo rastreamento de seu celular.

Frustrado e cansado, Mac sentiu a sede maltratar seu organismo e deixou a sala em direção ao bebedouro. No fundo do corredor, visualizou Robert, acompanhado de mais dois agentes, vindo em sua direção.

— Você vem com a gente, Taylor. – ordenou Robert.

Surpreso com o convite, ele tomou toda a sua água gelada enquanto caminhou depressa até a sala de reunião principal.

Os agentes se apresentaram como Steven Bryant, do FBI e superior de Robert, e Russell Baker, comandante da Polícia de Nova Orleans e superior de Stella.

— Bem, senhores Gyles e Taylor, o agente Bryant e eu conversamos sobre os próximos passos com relação a investigação e prisão desse assassino que nos perturba, e também sobre a busca pela detetive Bonasera. Não podemos, de forma alguma, deixar nenhum deles sem a devida atenção, então temos o seguinte plano para vocês dois. Gyles, você continua gerenciando a missão e executando as ações conforme planejado e, Taylor, você cria e lidera uma força tarefa para procurar Bonasera.

A atribuição de Taylor irritou Robert, e o fez reagir instantaneamente.

— Desculpe, senhor, mas eu gostaria de liderar e executar a busca pela Bonasera.

Prontamente, seu superior o repreendeu.

— Agente Gyles, devido ao seu envolvimento com a detetive Bonasera, você está proibido de se envolver nesse caso.

Robert cruzou os braços e bufou, contrariado.

— Detetive Taylor? – chamou Baker.

A chamada assustou Taylor, e o fez desviar a sua atenção de Robert.

— Sim, senhor.

— Você terá quatro detetives da força policial de Nova Orleans à sua disposição e os recursos que precisar do laboratório de criminalística. Se for preciso, esses detetives poderão solicitar apoio de outros policiais, e também, de forças policias de outras cidades. Seu superior em Nova Iorque, Sinclair, está ciente e de acordo com sua nova designação. Alguma pergunta?

— Não, senhor. – respondeu Taylor.

— Agente Gyles?

Robert fez questão de demorar a responder, para deixar claro a sua insatisfação.

— Não, senhor. – suspirou derrotado.

Sem comentários adicionais, Bryant e Baker deixaram a sala. Robert os seguiu e assim que eles se distanciaram, bloqueou a passagem de Taylor, apoiando o braço no batente da porta.

— Escuta aqui, Taylor. Você colocou a Stella nessa situação, então, traga ela de volta, sã e salva. Porque senão, eu acabo com a sua vida! Entendeu?

Mac não reagiu à inesperada ameaça de Robert e manteve-se quieto. Sua prioridade era encontrar Stella e não transformar aquela situação em uma briga de ciúmes entre os dois. Por outro lado, também compreendeu que Robert estava tão desesperado e nervoso quanto ele.

Antes de liberar a passagem, Robert o alertou mais uma vez.

— Ela é a minha noiva e futura esposa, caso você tenha se esquecido.

A passos duros, Robert seguiu para seu escritório temporário.

Taylor expirou fundo e se preparou para sua nova missão.

==========

Mac reuniu os detetives em uma sala improvisada e os instruiu sobre os planos para encontrar Stella. Assim que todos se estabeleceram em suas novas funções, ele deu a ordem para iniciarem as ações. A primeira, era averiguar ao último endereço visitado por ela.

Durante o trajeto, ele recebeu uma importante mensagem em seu novo celular. Randy, um dos técnicos do laboratório, conseguiu identificar uma digital recolhida na casa supostamente visitada pela Stella, e para a felicidade dos detetives, havia um endereço associado ao dono da identificação.

Ele agradeceu o suporte e repassou a informação para os detetives que o acompanharam na segunda viatura. Com as sirenes ligadas, cruzaram as ruas da cidade com destino ao novo endereço recebido.

============

A chuva não deu trégua e banhou os detetives, enquanto se prepararam para invadir a casa no endereço especificado.

— Sabemos quem é o suspeito, Taylor. – explicou um dos detetives locais. – O Alan Reed já foi preso várias vezes por furto, perturbação da ordem e coisas menores. Nunca por sequestro, homicídio, ou ocorrências graves.

— Ok. Mas isso não o retira da casa onde Stella desapareceu. Vamos descobrir até onde ele está envolvido. – concluiu.

Eles arrombaram a porta e após vasculhar a casa, encontraram apenas um homem, dormindo num colchão em um dos quartos.

Taylor conversou com o detetive apenas com o olhar e ele confirmou a identificação do homem encontrado.

— Alan Reed, mãos para cima! Polícia de Nova Orleans!

O suspeito acordou assustado e se sentou, com as mãos para o alto.

— O que eu fiz agora?

Taylor se ajoelhou e lhe mostrou uma foto de Stella.

— Você viu essa mulher?

Reed negou.

— A sua digital foi encontrada em uma casa abandonada da Rua Johnson. O que você estava fazendo lá?

O suspeito deu de ombros, indiferente.

— Eu ando por muitos lugares, policial.

Um dos detetives entrou no cômodo onde estavam e passou uma bolsa para Mac.

— Detetive Taylor, encontramos isso escondido no outro quarto.

Mac despejou o conteúdo da bolsa sobre uma proteção plástica, no chão. Não havia nenhum documento ou item que pudesse identificar a proprietária. No fundo de um dos bolsos internos, ele achou um recibo de lavanderia, com um código de serviço.

Seu sangue ferveu e aqueceu sua face ao escutar o atendente da lavanderia descrever o item que foi higienizado e o proprietário: um avental branco, bordado com o símbolo do laboratório de criminalística de Nova Orleans de Bonasera, Stella.

Ele terminou a ligação e apontou a arma para o suspeito, furioso.

— Onde está a Stella? Quem a levou? – gritou.

O silêncio do suspeito o irritou ainda mais e Mac se exaltou na abordagem.

— Vamos! Fala! O que você fez com ela?

Um dos detetives puxou Taylor pelos ombros, antes que ele perdesse o controle.

— Reed, é melhor cooperar. Diga o que aconteceu com a mulher, senão vamos ter que prendê-lo por sequestro. E você nunca mais vai sair da cadeia. Vai, desembucha!

— Eu não fiz nada! Quando cheguei, a mulher já estava lá, amarrada.

Os detetives se entreolharam e Mac mostrou a foto novamente ao suspeito.

— Foi essa mulher que você viu na casa?

Ele confirmou.

— E quem está com ela?

Reed afinou os lábios, derrotado.

— Não sei o nome dele. Só sei que tem uma tatuagem de touro no braço. Por isso, o chamo de Big Bull.

— E de onde você o conhece? – insistiu Mac.

— Ele apareceu na casa e me ofereceu uma grana para se esconder lá.

— Então você é cúmplice dele? – provocou outro detetive.

Ele negou veemente.

— Eu não sabia que ele ia fazer isso.

O detetive retirou as algemas do bolso e o suspeito se desesperou.

— Não! Eu juro! Eu só peguei a bolsa porque ele deixou para trás, e achei que podia vender para pegar um dinheiro. Mas eu não fiz nada com a moça!

Taylor se aproximou e declarou.

— Reed, se você nos ajudar a encontrar o Big Bull e a Stella, facilitaremos um acordo com o promotor.

Reed bufou e se preparou para ser preso e conduzido à delegacia.

— Eu só me lembro que ele cheirava a óleo queimado e dirigia um caminhão laranja, bem esquisito. É claro que ele não comentou onde ia.

Dois detetives algemaram Reed e o conduziram ao distrito policial, juntamente com os itens encontrados na casa dele, para perícia.

Mac conversou com os outros dois detetives sobre as características descritas por Reed. Um dos detetives se lembrou de que uma empresa, de reciclagem e coletora de resíduos químicos e óleos, usava a cor laranja em seus caminhões.

— Você está falando da Bang Oil? Mas eles encerraram as atividades há mais de cinco anos. – comentou um detetive.

— Onde era essa empresa? – interrompeu Mac.

— Bem, o galpão deles ficava em Bourg, uma pequena cidade a sudoeste.

Os detetives entraram na viatura e dirigiram até Bourg. Ao se afastarem do centro de Nova Orleans, a vista pelas janelas se transformou, de inúmeros prédios em grandes áreas verdes e muitas delas, inundadas. A chuva não deu trégua e eles perceberam o alto nível do canal Terreboune ao atravessarem a ponte sobre ele.

— É melhor nos apressarmos. Se o nível do canal subir mais, ficaremos presos. Esse é o único acesso de entrada e saída da cidade. – explicou o detetive.

==========

Um dos detetives viu um caminhão laranja por uma fresta no portão, parado próximo a um dos galpões. Eles analisaram as plantas do local enviadas pelo Ryan e traçaram uma estratégia.

Mac os instruiu para ficarem alertas, pois o lugar era grande e eles, eram somente três. Além de que, não sabiam se havia mais gente escondida lá dentro.

Eles entraram no galpão principal e se esconderam entre os maquinários da refinaria. O cheiro de óleo queimado lhe indicou o caminho certo. Os detetives caminharam devagar, analisando e checando local.

Ao chegarem a uma área livre do galpão, o coração de Mac bateu apertado.

Uma mulher estava amarrada a uma tubulação, desacordada. E ao seu lado, estava Stella, na mesma condição.

Mac resistiu a tentação de correr até ela, pois ainda não tinham checado um último local, e o que parecia ser um escritório.

O time não conseguiu prosseguir pois um homem apareceu, e em seu braço, havia uma tatuagem de touro.

Uma gota de suor deslizou sobre a face de Mac ao ver o homem desamarrar Stella e a levantar com violência do chão.

— Vamos, levanta!

Ela despertou atordoada com a movimentação brusca.

— Me deixa em paz, seu imbecil! – reclamou.

Um alívio atingiu Mac, ao verificar que ela estava viva.

— Cala essa boca e vamos!

Mac empenhou sua arma na direção do suspeito e anunciou.

— É a polícia! Solta e ela e deita no chão!

O suspeito puxou uma faca e encostou no pescoço dela.

— Se afasta ou eu corto ela!

Os outros dois detetives se apresentaram e o suspeito se desesperou. Ela gemeu quando o homem apertou a lâmina da faca contra sua pele.

— Larga a faca e deita no chão! Anda! – mandou Taylor.

A lâmina cortou a pele de Stella e uma gota de sangue escorreu por seu pescoço.

— Mac. – suspirou.

Mac a olhou fixamente e ela logo entendeu o que deveria fazer. Ele esperou o homem mover um pouco a faca do pescoço dela, e agiu.

— Stella! – gritou.

Ela se desviou alguns milímetros do seu agressor e Mac o atingiu com dois tiros.

Stella se ajoelhou e levou a mão ao pescoço, desesperada com o ferimento.

Mac correu em sua direção e a abraçou.

— Deixa eu ver. É superficial, Stella. Está tudo bem.

Aliviada, Stella se agarrou nele, em um forte abraço.

Os detetives acionaram reforço policial e resgate. O bandido estava vivo e infelizmente, a outra mulher já estava sem vida.

==========

Conforme previsto, o nível da água do canal havia subido e interrompido a passagem de volta à Nova Orleans. E isso dificultou a chegada das equipes principais. Somente a polícia e o resgate locais conseguiram atender a ocorrência.

No pequeno hospital de Bourg, Stella foi atendida e prestou seu depoimento a um dos detetives. Mac redigiu, junto com o outro detetive, o relatório da ação executada.

Os dois detetives revezaram a vigília do suspeito ferido até que outras equipes pudessem rendê-los. Mac se responsabilizou pela proteção e condução de Stella de volta à base.

Liberada pelo médico, Stella aguardou Mac na sala de espera do hospital.

— A ponte está bloqueada. Vamos procurar um lugar para passar a noite e voltaremos para casa amanhã de manhã.

Abatida e cansada, nada comentou e apenas confiou na instrução dele.

==========

Mac visualizou um motel na beira da estrada e decidiu que era hora de parar.

— Boa noite, precisamos de dois quartos, por favor. – solicitou na recepção.

O atendente digitou no sistema de hóspedes e retrucou.

— Não tenho dois quartos. Só tenho um quarto disponível.

Antes que Mac comentasse, Stella interveio.

— Moço, precisamos de dois quartos. Não podemos ficar no mesmo quarto.

— Eu já disse, senhora. Por causa da chuva, está tudo lotado. Só tenho um quarto disponível.

Stella bufou e se virou para sair, entretanto, Mac tinha outros planos.

— Vamos ficar com o quarto.

Nervosa, ela o esperou terminar o registro da hospedagem.

— Você está louco, Mac? Não podemos ficar nesse quarto.

— Stella...

— Temos que ir para outro lugar. Não posso ficar aqui.

— Stella!

Ele interrompeu seu discurso descontrolado, com um toque gentil em sua face.

— Você está ferida, e estamos exaustos. Pode ser que não encontremos outro lugar para ficar. Precisamos descansar um pouco.

Stella notou o cansaço no semblante dele, provavelmente, ocasionado por um noite em claro, procurando por ela.

— Está bem. – suspirou.

No quarto havia uma cama de casal, uma poltrona, um micro ondas e um frigobar, posicionados em uma pequena mesa.

— Fica a vontade para usar o banheiro ou tomar um banho. Enquanto você faz isso, vou procurar alguma coisa para comer.

Mac remexeu na bolsa que carregou até o quarto e a ofereceu uma camiseta limpa.

— Se você quiser, pode vestir essa camiseta. Pelo menos, para dormir mais confortável.

— Obrigada.

Ele se retirou do quarto e ela seguiu para o banheiro.

==========

Para seu alívio, a água limpou seu corpo e sua alma, lhe proporcionando um pouco de paz após a terrível noite no cativeiro do Big Bull.

Stella aceitou a oferta dele e vestiu a camiseta. O perfume do dono invadiu seu nariz e a confortou mais.

Alguns itens para comer estavam sobre a pequena mesa do quarto, e um ruído vindo do lado de fora, a indicou onde ele a aguardava.

Sentado junto a porta do quarto, Mac tomou um gole de sua garrafa de água, sem tirar a sua atenção do infinito, e nem percebeu que ela o observava.

— Mac? Já usei o banheiro. Pode ir, se você quiser.

Mac se levantou e sorriu ao vê-la com sua camiseta. A noite estava gelada por causa da chuva, e ele também precisava sua tirar sua roupa molhada e se aquecer.

— A única coisa que encontrei para comermos foi sopa e alguns biscoitos, pois todas as máquinas de comida estão praticamente vazias. Já coloquei a sua para esquentar no micro ondas. Deve estar pronta. Também tem água no frigobar. Acabei de colocar, portanto, não está gelada.

— Está ótimo, Mac. – agradeceu.

— Eu pedi cobertores e travesseiros extras e vou fazer uma cama para mim no chão. Assim, você pode dormir sossegada.

— Mas, o chão está frio. Podemos dar um jeito de revezar.

— Não, não. Você fica na cama. – concluiu antes de fechar a porta do banheiro.

A sopa, mesmo enlatada e esquentada no micro ondas, tinha um aroma delicioso e devido a sua fome, o sabor também. Sem hesitar, ela devorou a sopa e depois, matou a sua sede.

Com o corpo dolorido, ela se deitou e se alongou na cama, tentando minimizar a dor. O cobertor a aqueceu deliciosamente e sua mente não conseguiu se manter desperta para espera-lo sair do banho.

==========

Mac piscou os olhos em uma fração de segundos e viu uma sombra na janela do quarto, iluminada pela luz de um relâmpago. Seu coração disparou com o susto e ele se sentou no chão, assustado.

Stella estava imóvel e olhava fixamente através da janela, mesmo com a espessa camada de água que escorria pelo vidro, provinda da intensa e incessante chuva.

— Stella?

A voz rouca a despertou do transe.

— Ela morreu me pedindo ajuda, Mac. E eu não pude fazer nada.

Os soluços de choro machucaram o ouvido dele e ele chegou perto dela.

— Você nos levou até o assassino e ele ficará preso para o resto da vida. Nunca mais vai machucar ninguém. Acredito que isso seria um alívio para ela.

— Isso não parece o suficiente.

Ela esfregou as mãos nos braços, para aquecê-los do frio. O choro dominou sua mente e sua atenção voltou para a janela e a chuva.

Ele a tocou nos braços cuidadosamente e sentiu a baixa temperatura de sua pele.

— Você está gelada. Vem para cama. Você se precisa se aquecer.

Mac a deitou na cama e a cobriu. Todavia, ela continuou tremendo.

— Está frio aqui.

Sem hesitar, Mac se deitou junto dela e a trouxe para o seu abraço.

— Se encosta em mim. Vou esquentar você.

Stella enterrou seu rosto no peito dele e deixou suas lágrimas caírem livremente.

— Vi as coisas horríveis que ele fez com ela, Mac. E não pude evitar. Eu sabia que era a próxima e que morreria nas mãos dele.

Ele beijou e acariciou os cachos, acalmando-a.

— Calma, Stella. Acabou. Você está salva. Tenta descansar um pouco.

Aos poucos, o pranto dela diminuiu, os soluços cessaram e o sono finalmente a dominou.

Mac zelou o sono dela por alguns minutos, e depois, retornou a sua cama improvisada no chão.

==========

Stella sentiu seus cabelos se remexerem em sua cabeça e despertou. Seus olhos interceptaram a luz do dia que invadia o quarto pela janela e a presença de Mac, sentado na beirada da cama.

— Bom dia.

Sonolenta, ela se sentou na cama e tentou ajeitar o cabelo.

— Bom dia. – disse desajeitada.

— Trouxe um café.

Ela agradeceu e pegou o copo com café e o pacote de rosquinhas oferecidos. A bebida quente com cafeína aliviou o mal estar de seu organismo, e a despertou, para observá-lo juntar os cobertores e travesseiros do chão.

— A ponte já está liberada e podemos ir embora a hora que você quiser. Não precisa se apressar.

Stella devorou o café trazido por ele e se moveu na cama, se preparando para deixar o local.

Mac percebeu a movimentação dela e a informou.

— Não precisa se apressar, Stella. Eu já falei com o escritório, com o Robert também. Todos estão te esperando.

Um movimento positivo de cabeça concordou com a informação, antes dela se trancar no banheiro.

==========

Enquanto a esperava se aprontar, sentando na poltrona do quarto, sua mente lhe alertou sobre a condição de seus sentimentos. Uma ação definitiva precisaria ser tomada, pois não poderia deixar a cidade de Nova Orleans com a angústia que maltratava seu coração. E então, Mac entendeu que deveria endereçá-la ali mesmo, antes deles voltarem ao mundo real.

Quando ela se apresentou novamente, ele se levantou e se posicionou na frente da porta do quarto. Entretanto, se virou para encará-la, antes de saírem.

— Stella, antes de sairmos, quero esclarecer uma coisa.

— Você dormiu com a Jocelyn? – interrogou friamente.

Ele franziu a testa, surpreso com a interrupção inesperada.

— Não era bem isso que queria esclarecer.

Ela lhe lançou um olhar fulminante.

— Vamos, responda a minha pergunta.

— Não. – respondeu prontamente.

— Então o que ela fazia em seu quarto no hotel?

Uma risada curta e nervosa saiu dos lábios dele.

— Está bem. Naquela noite, eu fugi para tomar uma bebida num bar fora do distrito e, coincidentemente, a Jocelyn estava lá. Ela veio conversar comigo, mas estava tão bêbada que mal conseguia falar. Eu não podia deixá-la daquele jeito e ela nem conseguiu dizer onde morava. Também não quis pedir o endereço dela para outras pessoas, para não gerar fofocas, então eu a levei comigo. Depois de passar mal por meia hora no meu banheiro, e conseguir me falar seu endereço, ela pediu mil desculpas e eu chamei um táxi para levá-la para casa. Foi só isso.

Ela baixou o olhar e mordeu seu lábio inferior.

— Foi só isso mesmo?

— Sim. Eu não tenho interesse nenhum naquela mulher.

— E a Christine?

Ele suspirou.

— Eu namorei a Christine por alguns meses. Nos separamos antes de eu vir para cá. Não temos mais nada.

— Ah não? E por que vocês estavam de namorico pelo telefone?

— Não estávamos de namorico. Eu conheço a Christine há muito tempo. Conheço a família dela, e o irmão dela foi meu parceiro de polícia e marinha. Depois que a Jocelyn finalmente saiu, conversamos por um tempo e decidimos que é melhor desse jeito. Não vamos voltar.

Stella respirou tranquila com o esclarecimento.

— Então lhe devo desculpas. – desabafou.

— Por que?

— Porque cheguei a acreditar que você era um grande cafajeste.

Mac deu uma curta gargalhada, porém de nervoso.

— Ufa! Ainda bem que você mudou de ideia.

O comentário tirou uma pequena risada dela.

— Estranhei esse seu comportamento. Não era o Mac Taylor que conheço. Apesar de que, você fez coisas bastante reprováveis.

— Eu é que lhe devo desculpas. Devia ter te procurado ontem de manhã e não apenas ficar esperando seu contato. Não percebi o problema no celular e no fim, coloquei você em perigo.

Ele pegou a mão dela delicadamente e levou a seu peito.

— Preciso esclarecer meus sentimentos...e essa angústia está afetando o meu julgamento.

A respiração dela se intensificou, em antecipação ao relato dele.

— Eu te amo, Stella.

Os olhos dela se encheram de lágrimas e seu coração bateu acelerado.

— E eu sempre te amei, só fui estúpido o suficiente para deixar o passado, o trabalho e o ciúmes prejudicarem esse sentimento. Eu vim a Nova Orleans com a esperança de me redimir do que fiz e também, para me declarar. Sei que está comprometida com outra pessoa, e desejo que vocês sejam muito felizes. Eu só queria que você soubesse a verdade, antes da minha partida.

Ela limpou a garganta para evitar a voz chorosa.

— E quando você parte?

— Amanhã, às três da tarde.

— Olha, Mac, eu... – gaguejou.

Ele elevou a mão dela de seu peito a seus lábios, e a beijou carinhosamente.

— Não precisa dizer nada. Apenas não esqueça que eu te amo, e amarei para sempre.

Stella enxugou as lágrimas de seu rosto e gesticulou positivamente.

Em silêncio, o casal deixou o motel, de volta ao distrito policial de Nova Orleans.

=========

Ao aparecerem no hall do elevador, os agentes os receberam com assobios e aplausos.

Eles sorriram envergonhados e cumprimentaram os outros agentes, conforme avançaram pelo ambiente.

Mac recebeu inúmeros elogios e parabéns pelo feito, e apenas respondeu que os méritos pertenciam a todos.

Stella recebeu inúmeros abraços e demonstrações de carinho, de seus colegas de trabalho.

Robert se aproximou e a tomou nos braços. Por cima do ombro dela, ele enviou um olhar cínico para Taylor, que os assistiu à distância.

Mac viu Stella sair abraçada com seu futuro marido e olhou o relógio pendurado na parede. A contagem regressiva para o resto de sua vida, havia começado.

Notas finais
Vcs acharam que a Stella não ia pedir explicações? E será que ela vai...deixar o Mac ir? A situação deles está prestes a se resolver...para um lado, ou para o outro. Comentem! Ate+!