Human Heart
1 Prólogo
Notas iniciais
Obrigada.
Às vezes, nós apenas precisamos de tempo para que tudo comece a dar certo... Mas, quando é que Deus vai pôr o homem certo na minha vida?! Estou cansada de homens que brincam com o meu psicológico! Cansada demais de sempre me apaixonar por aquele tipo de homem. Sabe aquele tipo que te trata como uma princesa, é um cavalheiro na sua frente, mas que mente nas suas costas?! Esse tipo de homem, eu quero esquecer e apagar da minha vida!
Bom, por causa desse tipo de homem que eu me magoei e me machuquei. Mas, eu aprendi a viver com isso e sorrir aos poucos. O trauma de me apaixonar pelo homem errado, porém, ainda permanece.
Meu nome é Alana e eu sou uma mulher muito calculista, minha mãe diz que sou fria, mas a pessoa fria aqui já viveu uma história de amor intensa. Pelo menos no começo era uma história de amor, porque depois foi virando um pesadelo.
Eu conheci um homem, muitos anos mais velho para a minha idade, que na época eu tinha 18 anos e ele 34. Foi o melhor beijo que eu tive e a melhor química que eu poderia ter tido com um homem em uma balada! Pois é, eu conheci esse homem em uma balada e ele simplesmente não largou a minha mão naquele dia. Aquele dia eu também perdi o anel que meu falecido avô havia me dado, para ver como era um sinal. O sinal de que não era para eu criar um futuro com esse homem. Mas, eu estava pouco me importando e só queria um cara para me satisfazer e também para tirar minha curiosidade. Eu ainda era virgem aos 18 anos e não tinha conhecimento nenhum sobre sexo. Eu aprendi com ele praticamente tudo na cama. Eu aprendi também o quanto é bom dormir ao lado da pessoa que você gosta e o quanto você acaba confiando nessa pessoa. Mas, aprendi principalmente o quanto ele me fez mal e o quanto eu chorei por alguém que não merecia as minhas lágrimas e todo o amor que eu estava dando. Eu era apenas uma menina e ele soube brincar com os sentimentos dessa menina, a menina que agora o vê sentado na frente dela em seu consultório.
O homem de 8 anos atrás estava muito diferente, com rugas nos olhos cansados e alguns fios de cabelo branco.
—O que você está sentindo? — Perguntei no meu melhor tom, colocando a minha máscara de médica e sendo a profissional que sempre fui.
—Tenho dor no corpo e estou com muita enxaqueca, também tive febre ontem, Lana. — Isso me irritou.
—Pode me chamar de Dra. ALANA. — Sorri com desdém e voltei a anotar no papel. — Vou pedir alguns exames de sangue e daqui a algumas horas você pode voltar para eu analisar os resultados. — Entreguei o papel com tudo anotado e ele deu um sorriso frouxo.
—Obrigado, doutora. — Falou meio envergonhado.
—Estou apenas fazendo o meu trabalho.
—Obrigado mesmo assim. — Ele se levantou e foi embora.
Eu fiquei olhando para a porta aberta por um tempo, sem ninguém ali, e pensar que eu iria encontrar esse homem desse jeito... Como o tempo muda as pessoas heim. Apesar dele ainda estar em boa forma nos seus 42 anos.
—Toque, toque. Dra.Alana se encontra? — Nico apareceu na porta com aquele sorriso de covinhas maravilhoso. Ele sempre aparecia na hora do almoço, como agora. Olhei meu relógio que marcava 14:00 e peguei minha bolsa.
—Sempre pontual, Dr. Nicolas. — Sorri enquanto trancava a porta.
—Para não perder a minha menina de ouro para outro homem. — Ele me deu um beijo na testa enquanto passava as mãos envolta da minha cintura.
—Distância, doutor. — Empurrei o rosto dele para o lado e me desfiz do abraço. — Ou vai almoçar sozinho hoje.
—Sim, senhora. — Levantou as mãos para o alto e continuou sorrindo. — Quando vai ser minha heim, Lana?
—Quando eu reencarnar, quem sabe. — Sorri brincando.
—Você é muito difícil, mulher! — Ele pôs a mão na testa, parando de andar. — Assim eu vou ter que ser malvado, Dra. Alana. — Aquele sorriso de novo. Eu estava prestes a andar mais rápido quando Nico me pegou por trás e entrelaçou seus braços em mim. Sem saída, ele começou a beijar o meu pescoço. Beijos gentis, quente.
—Nicolas!! — Sussurrei baixo para não chamar a atenção de ninguém, porque ainda estávamos no corredor do hospital. Um corredor que se encontrava vazio no momento, graças a Deus! — Você vai almoçar sozinho hoje, doutor!
Ele me soltou.
—Não vou não, vamos — Pegou o meu braço e foi me arrastando. Esse homem só fazia o que queria, senhor! — Revirei os olhos para o homem alto, loiro e com seus olhos azuis como água olhando para mim, esperando que eu fizesse manha. Não fiz, óbvio.
Se Nico não fosse meu amigo, ele já teria levado uns tapas há muito tempo. Ele tem sorte de ser o cara que me salvou na faculdade de repetir no 4°ano, meu salvador quando eu também estava perdida nos corredores da faculdade sem nenhum amigo no meu primeiro ano e meu herói quando eu tive que lidar com umas meninas metidas pegando no meu pé durante o segundo ano. Devo isso tudo a ele. Bom, acabou virando meu melhor amigo depois de anos de convivência na faculdade e nossos dias longos no hospital. Meu veterano em ambas as coisas e o único cara que consigo confiar.
—Você está quieta hoje. — Disse com a boca suja de molho ao sugo. Instintivamente peguei o guardanapo e limpei. — Obrigado. — Sorriu sem jeito.
—Você parece uma criança comendo esse macarrão. — Não pude evitar de achar um pouco fofo. Ele tinha aquele carisma de criança, mesmo tendo 28 anos e o corpo musculoso de um homem, ainda parecia uma criança para mim. — Como vai se virar quando eu for para a Alemanha, heim Nico? — Minha cabeça caiu sobre as minhas mãos, apoiadas no cotovelo em cima da mesa. Eu sempre me preocupava com ele, algo como um instinto de mãe. Ele parecia ser um irmão mais novo para mim, alguém que eu precisava cuidar sempre. Bufei. O homem loiro na minha frente poderia ter sido meu irmão mais novo em outra vida, mesmo eu já tendo irmãos o suficiente para isso. Aliás, eu tinha 3 irmãos mais velhos que se preocupavam demais comigo. Meu prato continuava intocado. — Você deveria ir comigo. — Sussurrei baixinho imperceptivelmente para mim mesma, tocando no fettcuccine parisiense que eu havia pedido. Eu estava sem fome.
—Talvez eu vá. — Ele respondeu, ouvindo o que eu disse e minha boca simplesmente caiu. A ideia parecia absurda e ele não estava ligando para isso.
—Você não pode, tem que cuidar do hospital! — Surtei na hora. Era ridículo ele largar o cargo de diretor para ir para a Alemanha comigo. Onde já se viu isso?!
—Eu sei, Lana. — Olhava concentrado para o macarrão. — Estava brincando. — Aquele sorriso meio triste e o olhar caído, ele não estava brincando. Ele realmente queria ir e sabia que não podia. Eu apenas não falei nada.
—Não vou ficar por muito tempo, só alguns anos Nico. Até eu terminar a minha especialização.
—Vou sentir saudades de você. — Falou vago, desviando o seu olhar do prato para a janela com a rua movimentada de Nova Iorque em seu dia mais ensolarado. Ele estava pensativo e parecia uma escultura grega, era muito bonito, sempre foi e sempre chamou a atenção das mulheres quando caminhava comigo. Eu via uma mulher ou outra olhar para ele de canto ou comentar baixinho com uma amiga em uma das mesas ao lado. Ele chamava a atenção, ainda mais com o jaleco e a camisa social por baixo. Agora entendo porque as meninas da faculdade implicavam tanto comigo por ser amiga dele. Elas tinham ciúmes e inveja, dois sentimentos desnecessários. Mas um sorriso descontraído apareceu em meus lábios, o que poderia ser chamado de orgulho. Meu melhor amigo é de matar, isso eu tinha certeza. — Por que você está rindo? — O olhar dele de surpresa passou de confuso a curioso e eu achei ainda mais engraçado. Agora nós dois estávamos rindo sem nenhum motivo.
—Você é muito bonito, Dr. Nicolas. — Meu sorriso estava todo orgulhoso. — Já te falei isso?
—O que foi agora, Alana? — Aquele sorriso de canto, ele sabia que eu estava mudando de assunto e deixou eu fazer isso. Não era hora para despedidas. Não agora.
—Eu só te acho bonito, aliás, nós achamos. — Fiz um movimento giratório no ar com meu dedo indicador, dando uma boa dica para ele, que pegou rapidamente. — Você está parecendo algum famoso de Hollywood com tantos olhares te secando, bonitão. — Dei alguns tapinhas no ombro dele, mas minha mão não parou ali. Ele a pegou com delicadeza e me fitava com um sorriso matador. Minhas bochechas coraram. Isso era novo, eu corar por causa do Nicolas?! Ata!
—Ciúmes, Dra.Alana? — Ele estava entrelaçando os dedos nos meus, ainda sorrindo com aquelas covinhas e uma expressão de "você não vai sair dessa".
—Nem um pouco, Dr.Nico. — Limpei a garganta e puxei minha mão de volta para o meu colo. Sorte que eu não engasguei. Muita sorte, porque o meu rosto queimava e eu não conseguia encará-lo.
Quando eu menos esperava, ele estava inclinado para a frente, a boca perto do meu ouvido e a respiração quente abafada que me arrepiou toda.
—Eu só tenho olhos para você, Lana. — Sussurrou para mim, acrescentando um beijo muuuuito demorado na minha bochecha e voltando para a sua cadeira como se nada tivesse acontecido.
—Você é mesmo um Don Juan, seu idiota. — Eu estava com a mão na bochecha, limpando-a, corada de vergonha por causa dessa cena, ainda mais porque as mulheres da mesa ao lado cochichavam me encarando com um olhar mortal. Que cena ele fez... — Meus irmãos te matariam se vissem isso, Nico.
—Eu sei, saudades deles também. — Deu um sorriso sarcástico e pediu a conta.
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