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2 Redescobrindo os dogmas
Notas iniciais
Desde que nasci tive grande influência do catolicismo.
Nunca fui um devoto cego, mas também sempre me liguei muito na religião. E conforme eu ficava mais velho, começava a tentar interpretar a Bíblia de um jeito diferente.
Sempre soube que ela era um livro de fábulas para explicar os mandamentos de Deus, e o que estava nela não era necessariamente verdade, mas sim histórias que tentavam ilustrar como as coisas tinham que ser.
E desde sempre achei curioso a entidade que representava a Escuridão: Lúcifer.
Lúcifer era um dos anjos mais belos do céu, mas, ao desafiar Deus, foi derrubado e perdeu seu brilho. Nas histórias, ele sempre tentava persuadir as pessoas a fazerem algo ruim. Mas será que as coisas eram realmente ruins?
Ao tentar Eva a comer o fruto proibido, o conhecimento e a inteligência foram alcançados, e essas duas coisas prevalecem até hoje e são consideradas virtudes. Ou até mesmo atualmente, quando padres e pastores dizem que o Diabo pode realizar desejos, que mesmo que bons na vida carnal, comprometerão toda uma vida espiritual.
Talvez o Diabo só estivesse tentando fazer sua própria religião. Sem fogo, sem sofrimento e sem castigos que duram uma eternidade. Talvez esses agrados sejam mesmo de "coração", e ele só estava tentando atrair seguidores.
Lúcifer pode até ser um cara legal e com boas intenções, mas por ter uma opinião diferente, Deus manipulou uma religião inteira taxando-o como algo ruim.
Esse questionamento sempre me corroeu por dentro, mas meus amigos e família sempre acharam uma pergunta boba e alguns até ficavam irritados por contrariar a Bíblia.
Então finalmente criei coragem de tirar essa terrível dúvida: Me matei para tentar fazer contato, mas até hoje não consegui. Talvez Deus estivesse correto.
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