Howsoever
1 Cap. 1 - São os olhos dele.
Notas iniciais
Diário,
eu te amo tanto.
Há quanto tempo você tem estado comigo? Hoje eu tenho 18 anos... E depois de passar na faculdade, isso me dá o direito de sair com as garotas. Estou ansiosa e me desculpe. Me desculpe se não posso escrever muito hoje, in(felizmente) já vou... boa noite.
* * * *
– Alice! –pensei ter escutado de longe, no caminho para a boate.
Estava no estacionamento e, uau, a "vida noturna" era emocionante: garotas de saia, fitas no cabelo e música alta. Por esses encantos, culpa deles, não prestei atenção no primeiro chamado de Evanna, e que bom que não deixei escapar o segundo.
– Alice! –ela gritou num tom mais alto que o anterior– Aqui, Alice!
– Evanna, senti saudades... –respondi acenando discretamente para ela que estava à alguns metros de mim, mostrando que a vi, e, recebi um sorriso em troca.
Os sorrisos de Evanna eram os melhores. Hei de arriscar que, 9 em cada 10 dentistas a amavam. Eu já não sei bem o por quê de gostar tanto deles, mas o fazia. Na verdade, adorava-a por inteiro, ela era linda: olhos azuis, boca e rosto suaves, cachos loiro-escuros e sempre usava seus scarpins para deixá-la mais alta já que não passava dos seus um-e-sessenta-e-cinco. Aliás, o que usava hoje era azul, e contrastava muito bem com seu vestido preto de taxinhas. Evanna era definitivamente encantadora.
– Você está linda –ela disse, não era muito de elogios, tampouco embromação, então entendi rapidamente como verdade, enquanto ela se aproximava e me beijava a bochecha.
E de fato eu estava. Me preparei o dia todo, desde unhas e roupas até o último toque de máscara para olhos. Fora os caprichos, mais cedo havia me olhado no espelho e me vi uma garota crescida e bonita: via meus 1,69 de altura, boa postura, olhos claros azulados e cabelo castanho e liso caído aos ombros, e até então emaranhados depois de um longo banho.
– Você é encantadora –foi o que eu consegui responder.
Depois disso, ela tomou minha cintura com as duas mãos, e ajeitou o meu cinto que mal apertado, deixava meu short cair. Eu usava shorts, meias com rendas pretas, coturno café e uma blusa clara e larguinha. Também usava uma fita vermelha no cabelo.
Andamos até a porta da boate Air Shout Air, pegamos uma fila enorme e, no entanto, rápida. Até passarmos por uma porta preta, seguida de um corredor com luzes vermelhas e uma área grande, muito grande, com muitas pessoas e música ensurdecedora. Jurava que morreria ali se não conseguisse um tampão de ouvidos até que Evanna me segredou uma dica.
– Fica mais fácil de suportar se você beber alguma coisa. –e tomou minha mão rumo ao bar– A nossa garota está lá, vem.
Nossa garota, é claro que ela se referia à Marie. E como eu sentia falta dela. Não nos víamos desde o segundo ano, e isso seria mais ou menos 3 anos atrás, entretanto mantinha contato. Avistei-a, e me apressei a falar primeiro.
– Ei, me dê algo para beber porque hoje tenho que comemorar um reencontro! –disse olhando para o homem no balcão como quem não queria nada, e para Marie como quem queria um abraço.
Marie era um protótipo de simpatia, e era adorável. Usava vestido com flores e um coturno, que combinavam com seu cabelo escuro e curto e seu jeito de boneca.
Depois de um tempo, alguns copos de bebida e risadas, Evanna saiu para longe com um garoto bonito e simpático e Marie, bem, ela acabou dormindo no balcão. Eu fiz amizade com o garçom, nos intervalos entre servir as pessoas e ajeitar as bebidas ele sorria pra mim... Até que me perguntou.
– Por que você não faz companhia para aquele rapaz? –e olhou para um garoto com seus lá 25 anos, no canto do bar.
Sorri para Jame, o garçom, e lhe respondi que sim, tentaria. Me aproximei, sentei na cadeira ao lado e só então percebi a razão de Jame ter me sugerido aquilo, ele estava triste. Queria ajudar mas, fiquei sem reação. Até que uma música mais lenta soou e eu percebi o quanto ele era lindo, e o quanto poderia ser ainda mais se estivesse sorrindo. Eu costumava reparar no sorriso das pessoas.
– Quer dançar? –eu perguntei, tentando parecer curiosa e firme.
Ele apenas desviou o olhar. Quatro segundos de silêncio são o suficiente para tornar uma conversa constrangedora, lembrei. Então contei três, e perguntei de novo.
– Você... não quer dançar? –ele levantou a cabeça e olhou para mim.
Eu vi o seus olhos, e me senti tonta por um instante, talvez tenha sido culpa dos dois ou três copos que tomei; ou... dos olhos dele. São os olhos dele, pensei.
– Sim, eu danço. –falou do modo mais concordatário que já ouvi de alguém, e depois de uma pausinha sem cumprir os quatro segundos me fez, conscientemente, concordar com a sua única pergunta– Mas, eu posso te chamar pelo nome dela?
– Você pode me chamar do que quiser. – Sussurrei, e puxei suas mãos colocando-as na minha cintura de costas enquanto nos afastávamos do bar.
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