How to save a life

1 Vida monótona, ou talvez não...


-Ai meu Deus!!! Rafael vem aqui corre!!!

-Que foi Gabi? Cadê você?

-Aqui no banheiro. SOCORRO CORRE AQUI POR FAVOR

-Pra que tanto desesp... ai meu Deus o que aconteceu com a Rayane...

7 anos depois

"Aqui estou eu, nessa merda de escola, nessa merda de lugar onde minha vida teve uma reviravolta enorme. Fazem mais de 7 anos desde a ultima vez que estive nesta cidade, eu não queria voltar pra cá, não para ter de volta todas aquelas lembranças perturbadoras que me tiraram o sono por anos, mas minha mãe e o meu psicólogo acharam que seria bom para mim, para que eu pudesse enfrentar tudo... E eu não tive escolha. Mas o pior de tudo è saber que aqueles idiotas que causaram isso tudo estão aqui." Fui tirada de meus pensamentos pelo sinal, suspirei profundamente:

-É agora... — disse baixinho pra mim mesma.

A cada passo que eu dava mais lembranças tomavam conta de minha mente, enquanto as risadas das outras pessoas felizes por reencontrar os amigos entravam pelos meus ouvidos eu me lembrava de todas as risadas que dei na companhia dela... Mesmo depois de tanto tempo ela ainda me faz falta, e todos me garantiram que o tempo cuidaria de tudo, mas por enquanto de nada me adiantou.

Ao entrar na sala de aula me assegurei de sentar mais no fundo possível, abaixei minha cabeça e esperei.

Assim que a aula começou toda aquela bobagem do primeiro dia de aula começou, todos começaram a falar seus nomes, algumas daquelas pessoas eu reconheci, outras eu desejava que nunca tivesse sequer conhecido.

Aquela aula passou como um raio pra mim, quando me dei conta eu estava saindo pela porta a caminho da liberdade (dramático ne kkkk)

Fui em direção ao carro da minha mãe que já me esperava no estacionamento, assim que entrei no carro o interrogatório começou

-Como foi o primeiro dia de aula querida? — disse minha mãe com um sorriso enorme no rosto.

- Foi normal mãe — eu disse

Eu podia sentir que minha mãe havia sentido que aquilo havia me abalado um pouco, ela sabia que eu não ia esquecer o que aquelas meninas daquela escola fizeram com minha amiga... minha irmãzinha.

O trajeto para casa foi completamente silencioso, só barulho das buzinas de Londres.

Quando cheguei fui direto para o meu quarto, com a intenção de tocar alguma música , certos momentos só o meu violão me acalma.

Eu acabei pegando no sono enquanto tocava How to save a life, é uma das minhas músicas favoritas, e pelo jeito dormi demais, eu acordei quando já estava tudo escuro, meus pais já haviam dormido, a idiota da minha irmã ou já tinha caído no sono ou nem tinha chegado em casa ainda, aquela ali só sabe ficar na rua, tem dia que nem ver ela eu vejo, não que eu esteja reclamando disso...

Eu me levantei depois de várias tentativas sem sucesso de voltar a dormir, fui até a cozinha e vasculhei a geladeira atrás de comida, minha mãe sabe que as vezes eu troco o dia pela noite então já deixou comida pronta na geladeira, como eu amo ela kkkk

Enquanto eu esperava o micro-ondas esquentar a comida eu fui até o banheiro e comecei a me olhar no espelho, minha mente a mil por hora, com todas aquelas lembranças que aquele dia havia me trazido, olhei para os meus pulsos e passei a mão naquelas cicatrizes de cerca de 2 anos atrás, é... a vida não foi muito justa comigo, mas pelo menos eu estava limpa, era uma luta diária pra não me enfraquecer e voltar a fazer aquilo, mas eu estava conseguindo, então eu dei um sorriso e voltei pra cozinha. Depois de comer eu peguei meu notebook e pela primeira vez em uma semana eu entrei no facebook, quase morri de rir com as mensagens da minha amiga Nathalia, ela havia ficado em Chesire que era onde eu morava antes de voltar pra cá, mas só sei que tinha umas 70 mensagens dela perguntando se eu tinha morrido porque fazia muito tempo que não entrava no facebook, ou simplesmente me xingando por ter deixado o celular desligado, eu tinha que ligar pra ela antes que ela tivesse um ataque do coração rsrs, então eu peguei meu celular e liguei meu celular e liguei pra ela,

-Alo? – Disse Nathália com uma voz tão sonolenta que me deu vontade de rir.

- OI PANDA TUDO BEM? — Disse eu gritando

- Gabriela? Você pirou garota??? sabe que horas são? — Disse ela quase me estrangulando pelo telefone

- Ah não precisa fingir eu sei que você ficou feliz por ouvir minha voz — eu disse

- Ai Gabi, sim eu fiquei feliz, mas não podia ter esperado mais umas ... CINCO horas não? coisa insignificante – Disse ela um pouco mais calma

- Eu também te amo troço, enfim cheguei bem estou aqui, cidade linda, escola chata, professores gordos, nenhum amigo, e é isso.

- Huuum — Disse ela, ou melhor, murmurou ela

- Você ta prestando atenção?

- Huumm — murmurou ela novamente

- NATHÁLIA ACORDA SUA COISA — gritei

- Aaaah, acordei, desculpa, fazem 2 dias que não durmo direito, pode falar — disse ela

E então eu ouvi alguém tentando abrir a porta, desliguei o celular na cara da Nathalia ( ela deve ter ficado puta da vida comigo, eu ligo pra ela de madrugada ai desligo na cara dela kk) e me escondi, fiquei olhando por um espacinho e me arrependi... Era minha irmã quase transando com um cara na porta, ele entrou com ela no colo (nem preciso comentar que deixaram a porta aberta ne?) e eles foram esbarrando em tudo que era móvel até acharem a escada e subirem, eu fiquei olhando pra escada com cara de WTF? tá bom não era nenhuma novidade minha irmã fazendo isso mas sei lá ne... ver isso é meio traumatizante kkk

Eu mandei uma mensagem pra Nathalia me desculpando, deitei no sofá e acabei ficando por lá mesmo.

Acordei umas três vezes com o barulho que vinha lá de cima (se é que vocês me entendem....) eu não sei como meu pai não acordou e não foi lá acabar com a festinha... eu já estava rezando pra que isso acontecesse.

Como era sábado eu fiquei lá deitada olhando pro teto, até que eu ouvi novamente a risadinha da minha irmã com a daquele menino, fechei o olho e fingi que estava dormindo pra ouvir a conversa (curiosa? nãaaaaao magina)

- Quem é ela ? — O menino falou, creio que estava se referindo a mim porque eu era a única naquele lugar...

- É a inútil da minha irmã.... — minha irmã falou, se eu não estivesse disfarçada juro que pulava no pescoço dela

- Até que ela é boni.. AI, PORRA POR QUE VOCE ME BATEU? — ele disse num tom alto

- Você ta comigo Pedro, para de dar em cima da minha irmã falou? Eu sou mais bonita que ela e não tenho problemas mentais — Depois dessa eu fiquei extremamente tentada em me levantar e deixar aquela piriguete no chão, mas impressionantemente nem consegui me mexer

E então eu só ouvi passos e a porta batendo, abri o olho devagar pra me assegurar que não tinha mais ninguém e corri pro banheiro, eu não sei o porquê mas aquilo tinha me abalado tanto, problemas mentais? problemas mentais tem ela, chega em casa com um garoto diferente todo dia, me impressiona o fato de eu não ter virado tia de umas 5 crianças ainda. Eu fechei a porta me olhei no espelho e comecei a chorar, acho que fiquei nessa por uns 10 minutos até me dar conta por quem eu estava chorando, já ouviu falar de ódio de irmãos? É.. O meu e o da minha irmã passa dos limites.

Eu lavei meus rosto e sai do banheiro, quando cheguei na cozinha eu vejo um menino lá sentado de boa tomando café, se eu conhecia? não... tentei sair de fininho sem que ele me percebesse mas falhou, mal tive tempo de dar um passo antes de ele começar a falar comigo.

-Oi — disse ele com um pedaço enorme de pão na boca

- Quem é você? — eu disse com cara de poucos amigos, qual é . tinha um cara sem camisa sentado na minha cozinha comendo e eu nem sequer sabia quem era.

- Oi.... — ele disse tentando fazer com que eu respondesse — enfim.... sou Pedro e você deve ser a irmã da Bruna, a que tava dormindo na sala certo?

- Aham... achei que tinha escutado o barulho da porta, você não tinha saído?

- Não... bom, na verdade eu sai mas aí sua irmã mudou de ideia e queria tomar café e aqui estou eu

- Huuum... e cadê ela?

- Ela foi no quarto pegar o celul...- ele parou de falar quando ouviu a voz da minha irmã na escada gritando por ele.

- Pedrooo, você lembra onde eu coloquei meu celulaar não to conseguin... — ela interrompeu a fala dela assim que me viu, ela me olhou com cara de nojo e falou — O que você ta fazendo aqui?

- Bom... se em 16 anos você ainda não percebeu EU MORO AQUI — Cara como eu odeio ela, ela é metida, piriguete, falsa ignorante... ta vou parar por aqui porque se não vou passar o resto da minha vida falando o que eu acho dela. Ela olhou pra mim com olhar de deboche e quando foi abrir a boca pra responder ela foi interrompida pelo som o Pedro tentando abafar uma risada, ela se virou pra ele e deu um tapa na cara dele, agora fui eu que quis rir.

- Vai se fuder Pedro, e você também sua problemática... você podia ser normal sópra variar — a Bruna disse estrangulando o garoto e eu com os olhos.

- Primeiramente, se “normal” pra você é ser parecida com... você, pode ter certeza que eu nunca vou ser e... amiguinha infelizmente não vai dar pra eu ir me fuder agora, você já deu pra esse estranho o suficiente pra essa casa por hoje, e eu não sou que nem você... eu não dou pra todo mundo que aparece na minha frente — Ela partiu pra cima de mim, ainda bem que meu pai chegou a tempo pra segurar o furacão Bruna porque eu não tava afim de bater em ninguém e era capaz de o tal do Pedro ajudar ela.

- Qual é o problema agora? — Disse meu pai num tom alto, eu fico impressionada que ele só tenha acordado agora depois de tanto barulho

- Ela me xingou papiiii — minha irmã disse com voz de criança

- Mentira pai, eu vim pra cozinha e esse garoto tava aqui ai ele falou comigo e ela desceu a escada e ficou put... brava por eu estar aqui e me chamou de problemática — Nessa hora eu admito que me senti um bebezinho chorão mas eu não queria levar bronca de graça. — Meu pai virou na direção do Pedro como se nem tivesse percebido a presença dele até o momento, fez uma cara feia e voltou a se virar pra minha irmã e eu.

- Silencio vocês duas... Vocês são irmãs não quero mais ver vocês brigando, e Bruna eu quero falar com você em particular.

- O que? Mas o que eu fiz papiii?- Ai como eu odiava quando ela fazia essa voz

- Falo com você depois, e Gabriela vai pro seu quarto que eu já vou lá — Eu gelei.... se eu ficar de castigo por causa dela eu vou virar filha única... E então meu pai se virou pro Pedro , ele devia estar se perguntando " o que eu faço com você? " — E você colega... qual é seu nome, quantos anos você tem e o que você ta fazendo aqui?

- Meu nome éPedro senhor, eu tenho 17 anos e eu vim pra cá ontem com a Bruna senhor — Dava pra sentir o nervosismo na voz dele, e aquela cara de medo me fez dar uma breve risada, eu não odiava ele mas sei lá acho que saber que ele era peguete da Bruna me fazia rir e eu não consegui segurar uma frase

- 17 ? Puxa Bruna virou pede fila agora é? — Eu falei rindo mais do que qualquer coisa, mas logo me arrependi quando meu pai me olhou com cara de morte, ah quer saber? — JÁ CHEGA GABRIELA, VAI PRO SEU QUARTO AGORA — Eu me assustei, mas então me virei e subi as escadas, faria qualquer coisa pra saber o que ia acontecer com o Pedro . Do jeito que ele tava era capaz de ele desmaiar com o próximo olhar do meu pai. Eu olhei pela janela e vi o garoto saindo todo desajeitado pela porta, ele tava sem camisa mas duvido que ele ia se atrever a voltar por ela. E então a gritaria começou, meu pai brigava com a Bruna por ela ter trazido o menino pra casa sem autorização dele, mas tipo... qual era a novidade... ela fazia isso sempre . Ela retrucava falando que ele era o homem da vida dela e que ele amava ela e vice versa, meu pai não respondeu, ou pelo menos não em um volume que desse pra eu ouvir, e então mais ou menos um minuto depois eu ouvi um VAI JÁ PRO SEU QUARTO e a Bruna subindo a escada batendo o pé , e aí ela bateu a porta do quarto e gritou " EU TE ODEIO GABRIELA" eu respondi " EU TAMBEM QUERIDA IRMÃZINHA" Ela tinha 20 anos mas agia como se fosse adolescente, então eu ouvi minha alguém batendo na minha porta e pensei " Fudeu "

- Entra... — Eu gritei, meu pai entrou com uma cara de desgosto sentou do meu lado na cama e falou num tom calmo

- Por que você faz isso com a sua irmã?

- Eu? Serio? Ela que só para em casa pra comer e a culpa é minha?

- É o jeito dela você tem que aceitar

- Eu vou respeitar ela, assim que ela aprender a me respeitar também, ela me chama de problemática, doente mental, estranha e depois sou EU que não respeito ela?

- SERÁ QUE DÁ PRA VOCÊ PARAR DE PENSAR NESSA SUA AMIGUINHA? TODOS OS NOSSOS PROBLEMAS COMEÇARAM POR CAUSA DELA E VOCÊ TEVE ESSES PROBLEMAS TODOS POR CAUSA DELA, SERÁ QUE DA PRA VOCE PARAR DE FALAR DELA? JÁ FAZEM MAIS DE 7 ANOS E ATÉ HOJE VOCÊ VAI NAQUELA MERDA DE PSICÓLOGO MAS SE RECUSA A FALAR O PORQUE DELA TER SE MATADO — depois de ouvir meu pai gritando isso eu comecei a chorar, eu sabia que ele preferia a minha irmã, eu não sabia o porquê mas ele preferia ela, sempre defendeu ela, e eu não entendia como ele conseguia ser tão insensível.

- QUER SABER DE UMA COISA A CULPA NAO E MINHA... EU SEI QUE VOCÊ PREFERIRIA QUE EU TIVESSE IDO JUNTO COM ELA, EU SEI QUE VOCÊ ME ODEIA MAS NÃO PRECISA ENFIAR A RAYANE NO MEIO DISSO DEIXA ELA EM PAZ — ele fez uma cara que eu entendi que ele tinha se arrependido de ter falado tudo aquilo, e então eu sai correndo e me tranquei no banheiro

- ABRE A PORTA GABRIELA, ME DEIXA ENTRAR — meu pai gritava

- NÃO, VAI EMBORA POR FAVOR, EU QUERO FICAR SOZINHA — ele parou de insistir e eu ouvi a porta do meu quarto batendo, eu fiquei lá sentada por uns minutos apenas chorando, eu não me importava com os outros falando aquilo, mas ouvir meu próprio pai falando isso acabou comigo, eu me levantei e vasculhei dentro da gaveta do meu armário, até que achei uma antiga companheira lá dentro, como fazia tempo que eu não via ela, não que fosse bom ter ela ali novamente, até aquele momento eu tinha tido forças pra não recorrer a ela, eu devia tê-la jogado fora, mas não joguei, não tive coragem, então eu olhei aquela pequena lâmina brilhante que estava em meus dedos, eu respirei fundo, fechei os olhos e aproximei o pequeno objeto do meu pulso, eu tentava parar mas eu simplesmente não conseguia, e então a primeira gota de sangue escorreu, pela primeira vez em 2 anos eu havia deixado a tentação me levar, eu me sentia fraca, então eu fechei meus olhos com mais força e deslizei a lâmina pelo meu braço pela segunda vez, pela terceira, quarta... até que eu soltei-a no chão e desabei em lágrimas, olhando aquele sangue vermelho escuro escorrer pelo meu braço, eu havia prometido a mim mesma que nunca mais faria aquilo, eu me sentia em dívida comigo mesma, então eu fiquei lá sentada com a cabeça encostada na parede até que eu acabei dormindo em meio ao choro. Quando eu acordei o sangue já havia estancado, mas rastros de tudo ainda estavam no chão e na minha roupa, eu precisava limpar aquilo antes que alguém visse, então eu limpei o chão e depois tomei um banho quente com a esperança de esquecer de tudo que tinha acontecido, olhei pros meus braços e falei pra mim mesma — Lá vamos nós de novo... — E então saí do banho, vesti uma roupa simples e uma camisa de manga comprida para esconder as cicatrizes recentes. Desci as escadas peguei meu celular e fui andar um pouco. Eu andava vendo todas as pessoas passando, conversando felizes, outras apressadas, crianças brincando, eu sinceramente amava crianças, elas eram tão puras e inocentes e isso me encantava, eu sempre quis ter um irmão ou irmã mais nova mas infelizmente meus pais achavam que já estava bom o bastante. Eu passei em frente a uma sorveteria e decidi entrar, o menino no balcão era MUITO lindo, cabelos loiros, meio bagunçados, olhos azuis tão lindos que eu quase morri ao olhar para eles, quando me dei conta o gatin... quer dizer, o garoto estava falando comigo

- Oi posso te ajudar? — Ele disse com um sorriso lindo e simpático, eu quase falei

" Então eu quero você embalado numa caixinha pra presentes pode ser?", eu fiz meu pedido e ele trouxe, eu sentei em uma mesa e comecei a atacar o sorvete, um tempo depois o garoto do balcão apareceu do meu lado

- Se incomoda se eu sentar com você? Não tem ninguém pra atender e eu não quero ficar sozinho- disse ele com aquele sorriso, meu Deus ele queria me matar só pode

- Claro que não, quer dizer não me incomodo... é... pode sentar — eu falei me confundindo toda, ele deu uma risadinha e se sentou.

- E então qual é seu nome? — ele perguntou

- Gabriela, e o seu?

- Eu sou o Daniel... eu já te vi antes?

- Eu acho que não – até porque eu lembraria daquele sorriso

- Onde você estuda?

- Eu estudo no Bending Oaks High School, comecei ontem

- Aaah agora já sei de onde te conheço, eu também estudo lá, eu estou no terceiro ano e você?

- Eu to no segundo

- Que legal... Você já conhece alguém lá da escola? Tipo... já tem algum amigo?

- Não — falei fazendo biquinho, ele deu uma risada tão gostosa, eu não sabia que tinha como ele ficar mais perfeito

- Se você quiser pode ficar comigo lá na escola, a maioria dos meus amigos mudaram de escola, só tenho alguns poucos que ainda continuam lá, você vai gostar de conhecer eles.

- Ok, obrigada — eu disse dando um sorriso e ele devolveu

- De nada Ma, posso te chamar assim?

- Claro que sim — Ele deu outro sorriso fofo, nós ficamos conversando por mais um tempo que eu não sei definir direito, mas com certeza foram os momentos mais perfeitos da minha semana.

- Bom, eu preciso voltar a trabalhar antes que a chefe chegue, não ia ser legal se eu perdesse o emprego ia?

- Acho que não — disse dando uma risadinha de leve

- Então até segunda Ma — ele se levantou pegou a minha mão deu um beijo nela e saiu andando. Eu fiquei observando ele se afastar, depois de um dia tão ruim como aquele eu havia encontrado uma pessoa tão doce como ele, eu estava nas nuvens, ele percebeu que eu estava olhando pra ele se virou deu um sorrisinho e uma piscadinha, eu devo ter ficado vermelha porque eu senti minhas bochechas queimando, eu peguei meu celular pra olhar se a Nathalia ainda estava desesperada atrás de mim, e pra minha surpresa (ou não) além de ter umas 500 mensagens da senhorita minha amiga eu também percebi que eram quase 8 horas da noite, ou seja eu havia passado mais de 3 horas naquela sorveteria, eu me levantei da mesa correndo acenei pra ele e fui embora.

No caminho pra casa eu havia percebido que meu estado de espirito tinha mudado completamente desde aquela manhã/ tarde "sombria", será que um menino que eu nem sequer conhecia a poucas horas atrás teve a capacidade de mudar minhas emoções em tão pouco tempo? Isso eu não sei mas a única coisa da qual eu tinha certeza era que eu não era a mesma daquela manhã.

Quando eu cheguei em casa as coisas pareciam completamente normais meu pai estava sentado assistindo TV, minha mãe do lado dele, minha irmã provavelmente sumida, mas o melhor de tudo era que o clima tenso havia ido embora. Quando meus pais me viram eles correram na minha direção, meu pai não parava de me pedir desculpas

- Minha filha eu fui um burro me desculpa por ter sido tão insensível a ponto de gritar com você daquele jeito, me perdoa filha — ele chorava, eu estava morrendo de dó dele, ele normalmente não demonstra o que ta sentindo

- Não foi nada pai calma, eu to bem — eu sorri pra ele, ele me abraçou forte, minha mãe veio atrás dele

- Filha hoje de manhã eu não estava aqui porque estava preparando uma surpresa pra você, vai lá no seu quarto olhar — ela disse sorrindo, eu sorri de volta dei um abraço nela e subi correndo as escadas, chegando lá em cima eu abro a porta e não encontro nada, saio procurando pelo quarto até que uma coisa/pessoa pula detrás da porta gritando