How to save a life
4 Um antigo conhecido
– Demoraram hein? — Gabriel falou com a boca cheia de pizza
– Desculpa, pelo o que eu to percebendo se demorássemos mais um pouquinho íamos ficar com fome né? — Disse Nathy olhando para Gabriel e Daniel que estavam quase brigando por um pedaço de pizza
– Muito engraçadinha você — Disse Daniel
– Engraçada é pouco, e oi Matheus? tava onde? — Nathália disse, eu quase matei ela quando ela disse aquilo, o menino franziu a testa mas logo depois voltou ao normal e falou:
– Eu tava na casa de um amigo fa...
– Fazendo o que? — Disse Nathália o interrompendo
– Eu ia falar isso agora... eu tava fazendo um trabalho
– Interessante, e qu... aaaai Gabi por que você me bateu? — Disse ela
– Para com o interrogatório e come coisinha — Eu disse praticamente enfiando um pedaço de pizza em sua boca
– Continuando... Eu tava na casa dele, aí a Gabriela me mandou uma mensagem falando que vocês estavam aqui, e aí eu vim pra cá — Matheus disse
– Mandei? — Eu perguntei, e logo depois recebi um olhar de desespero do menino — Aah mandei, desculpa, to meio lerda hoje — Legal... virei cúmplice agora
– Como você tem o número do Matheus? — Jéssica perguntou pra mim
– É ... O Daniel me passou — Eu respondi no desespero
– Passei? Não lembro — Daniel respondeu com a boca cheia e com uma expressão confusa no rosto
– Passou... Você não lembra?
– Nossa — Ele disse ainda com a mesma expressão — Acho que preciso dormir, porque eu REALMENTE não lembro
– Tem que dormir mesmo colega — Disse Matheus entrando na conversa
– Eu tava com saudade amor... Por que não atendeu minhas ligações? — Jess disse
– Você ligou bebê? Eu não recebi ligação sua — Ele disse se explicando, como ele consegue ser tão frio? Ele tava beijando uma outra pessoa a poucos minutos e agora tá todo carinhoso com ela
– Liguei... que estranho — Disse a menina com um rostinho inocente
– É... Operadora de merda , mas já passou. Vamo comer?
– Bora — Disse Daniel pegando outro pedaço de pizza.
Nós comemos pra caramba, Daniel e Gabriel pareciam estar competindo pra ver quem comia mais... Daniel ganhou, Gabriel parou no 6º pedaço, e eu parei de contar os do Daniel quando ele pegou o 8º. Quando íamos embora Matheus fez um sinal para que eu e Nathália ficássemos.
– Então gente, pode ir, eu vou ficar aqui pra pegar alguma coisa pros meus pais — Eu disse
– Ah, eu te espero — Disse Daniel
– Não precisa, eu vou ver se dou uma passada no shopping quando sair daqui pra ver uma roupa que a Nathália falou que viu — Eu dei uma desculpa muuuito esfarrapada
– Ah então tá bom — Ele disse, me deu um beijo na bochecha e me abraçou forte — Tchau Ma, até amanhã.
– Ok Dani, até amanhã na escola
– Dani — Ele disse rindo — Que bonitinho — eu então senti minhas bochechas ficarem vermelhas. — Iiih, ficou vermelha, tá parecendo um duende — Ele disse rindo
– Não to nada — Eu disse fazendo biquinho
– Ah não faz essa cara — Ele respondeu passando a mão em meu rosto
– Vamo Daniel!!!! — gritou Yasmin já na porta
– Já to indo!!!
– Tchau, antes que me enforquem — Ele disse e foi embora
Eu fiquei sonhando ali até que Matheus chega do meu lado
– Brigada pela ajuda
– Brigada nada! Como você foi capaz de fazer aquilo com a Jéssica? — Eu disse praticamente gritando.
– Ai, eu não sei, eu não vou fazer mais — O menino disse
– Aah não vai mesmo! Ou se não eu vou contar pessoalmente pra ela — Disse Nathy, bem falado...
– Por favor não conta... Como vocês já perceberam eu sou bi, e eu gosto do Yan, mas faria qualquer coisa pela Jéssica, no momento que vocês chegaram eu tinha acabado de falar pra ele que não íamos nos encontrar mais... — O menino disse desesperado
– Ótima maneira de dizer isso... — Eu disse
– Foi um momento de fraqueza, me desculpa, não vai acontecer mais, vocês vão esquecer isso?
– Por hora sim... — Eu falei
– Não vão contar pra Jéssica?
– Se você não fizer merda, não. — Nathy disse
– Eu não sei, talvez, não prometo nada — eu disse.
– Ahn... Deixa eu colocar meu telefone no seu celular — Eu então dou meu celular pra ele e ele começa a digitar — Eu acho que esse é o começo de uma amizade
– Não, não é, eu não consigo ser amiga de alguém que trai a própria namorada e então me usa como cúmplice — Eu disse
– Olha Gabriela, eu vou te explicar uma coisa, foi um momento de fraqueza, mas se você contar é muita mancada viu?
– Mancada foi o que você fez com a Jessica — Eu respondi
– Olha, se você não quer calar a boca do jeito fácil, vai do jeito difícil. — Ele falou cruzando os braços — Se você ameaçar falar alguma coisa pra Jessica, eu falo pra Yasmin que você pegou o Daniel, e que você disse pra mim que ela era um pé no saco por estar se metendo entre vocês
– Mas o que? — Eu disse em um tom alto — Eu NUNCA disse nada disso, e eu não fiquei com o Daniel
– Não, mas quem vai garantir isso, você acha que a Yasmin vai acreditar em mim ou em você? Você já percebeu que ela não vai muito com a sua cara né? — Ele disse
– Cala a boca — Eu gritei
– Vai se fazer de difícil? Então vou explorar mais uma coisinha que eu descobri de você — Eu fiquei paralisada de medo, como eu queria que a Nathália falasse alguma coisa. E então ele segurou meu braço e o puxou com grosseria, então levantou a manga de minha blusa expondo os cortes da manhã anterior — Se você abrir a boca eu falo pra todo mundo que você se corta — Essas palavras me atingiram como uma lança, eu puxei meu braço com força e abaixei minha manga. Eu olhei pra Nathália que estava atrás de mim, e ela estava com os olhos cheios de lágrimas e tremendo, ela não sabia que eu tinha voltado com aquilo, não era pra ninguém saber.
– EU NÃO FAÇO MAIS ISSO — Eu gritei para ele — Foi um momento de fraque...
– Viu? Tá na mesma situação que eu — Ele disse, e então me pegou pelo braço e me puxou para o canto, Nathália tentou nos seguir mas ele a mandou ficar lá, ela me olhou com tristeza,e eu a pedi para esperar um pouco. Quando estávamos longe de lá o garoto começou a falar — Olha pra mim — Ele disse virando meu rosto para o seu com a mão em meu queixo — Você não se lembra de mim ? — Ao olhar nos olhos dele muitas coisas vieram em minha mente
~flashback on
Eu estava na escola, com uns 9 anos de idade, brincando com Ray, aquela menina tão sorridente não aparentava esconder tantos segredos, segredos que só eu sabia, aqueles olhos que pareciam sorrir escondiam um olhar triste de tudo que já falaram pra ela, eu era amiga dela desde que eu e minha família viemos para Chesire, a uns 6 anos mais ou menos, eu não trocaria a amizade dela por nada nesse mundo. Nesse momento um menino loiro de olhos claros chega perto de nós com uma feição assustadora
– E aí perdedora? — O menino diz para Ray — Alguém já te disse que você é estranha hoje? — Rayane ficou paralisada — Além de estranha é muda também?
– Para — Eu disse
– Não paro não, quem vai me obrigar? Você ? — Ele disse me olhando com desprezo, e então voltou a se virar pra Ray — E então ele riu — Aí Fernanda vem aqui — Ele gritou chamando alguém — Já viu essa menina aqui? — A menina se aproximou rindo, ela possuia os cabelos cacheados e negros, ela era meio gordinha e tinha um olhar profundo e dolorido apesar da pouca idade. Ambos eram um pouco mais altos que eu e Ray.
– Feinha não? — A menina disse, as lágrimas já haviam começado a rolar pelo rosto de Ray
– Cala a boca — Eu gritei
– Ai que legal, a estranha tem uma amiguinha? — Ela disse olhando pra mim e rindo — Vai fazer alguma coisa Matheus?
– Por enquanto não — Ele disse com um sorriso assustador no rosto. E então ele empurrou a Rayane — Aí, não pensa que acabou não viu?
– Idiotas — Fernanda disse rindo
E então o menino pegou o chiclete que estava em sua boca e jogou em nós — Lugar de lixo, é no lixo — E se afastou junto com Fernanda rindo. Eu não havia entendido nada, não havíamos feito nada com eles, Rayane estava chorando, por que eles haviam feito aquilo com ela? Ela era tão legal, e eles nem a conheciam. Eu a abracei e ela começou a chorar mais alto, eu fiquei lá abraçada com ela no banco do pátio até ela se acalmar.
~flashback off
–Ma- Matheus? — Eu disse tremendo e chorando depois de todas aquelas lembranças
– Surpresa — Ele disse com o mesmo sorriso assustador, como eu não havia percebido que era a mesma pessoa? Então eu o olhei com raiva e o empurrei.
– Como você pôde? Você foi o motivo de tudo que aconteceu com a Rayane — Eu gritei
– Ah, para de drama ok? Eu não atirei nela nem nada parecido, então eu não matei ela — Ele disse com cara de deboche
– Como você consegue dormir à noite?
– Apenas deitando, durmo muito bem por sinal, não carrego culpa NENHUMA — Quando ele falou isso foi como se eu tivesse engolido algo afiado, minha garganta doeu, eu esperei tanto pra vê-lo em minha frente e me vingar por tudo que ele fez com minha amiga, mas agora que ele estava ali, eu não tive reação alguma — Então, já sacou que é melhor você calar a boca né? Sei de muita coisa de você que faria com que seu amorzinho te deixasse de lado num segundo, ou melhor, que faria com que qualquer um te deixasse de lado. — Eu abaixei a cabeça e ele sorriu — Isso mesmo, boa menina, agora limpa essa porra dessa cara e volta pra lá como se nada tivesse acontecido falou? Não é pra contar pra sua amiguinha — Eu balancei a cabeça em afirmação. E então ele cuspiu o chiclete que estava em sua boca na minha frente — Lugar de lixo, é no lixo, isso te lembra alguma coisa? — Ele disse rindo, e foi embora, assim que ele saiu de minha frente eu corri pro banheiro para lavar o rosto, Nathália apareceu do meu lado.
– Gabi? — Ela disse num tom de preocupação — Aconteceu alguma coisa? O que aquele idiota fez com você?
– Nada, Nathália, eu juro- eu disse sorrindo, ou pelo menos tentando
– Eu te conheço garota, o que aconteceu?
– Nada bebê, pode acreditar em mim — Eu disse a abraçando, me doía ter que mentir pra ela, mas eu simplesmente não podia falar nada.
–Fica bem bebê- Ela disse se afastando e olhando em meus olhos — Você é muito importante pra mim, você não pode ficar triste, seu sorriso é muito bonito pra ficar escondido — Essas palavras me fizeram sorrir, Nathália era uma amiga surpreendente, ela era a única capaz de me fazer feliz independente da situação.
– Brigada Nathy, eu te amo — Eu disse a abraçando novamente
– Também te amo — Ela disse segurando em meu braço e me guiando pra fora da pizzaria.
Nós fomos pra casa, de vez em quando Nathália olhava pra mim, ela sabia que alguma coisa tinha acontecido, e também sabia que eu precisava de alguém do meu lado, mas também precisava de silêncio, ela ficou lá no meu quarto comigo sentada na minha cama, eu deitei em seu colo e ela começou a mexer no meu cabelo, eu fiquei lá viajando em meus pensamentos até cair no sono.
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