How to Love

3 Capítulo 3


Notas iniciais
Olá gente, tudo bem? Bom, aqui está, mais um capítulo fresquinho para vocês! Obrigada a todos que comentaram/favoritaram e estão acompanhando a fic! Vocês não fazem ideia do quanto eu estou feliz por todo esse apoio! Em resposta para alguns comentários, não havia percebido que ela não falar italiano seria um problema, então tentei consertar aqui. A respeito do Polyvore… Não sei usar, então estou correndo atrás de aprender. Já criei uma conta, o que é um bom começo, certo? Espero que vocês gostem deste capítulo. Tem bastante Clace para vocês!!

Aperto a sua mão. Seu aperto é firme e sua mão é razoavelmente áspera. Seus longos dedos fazem eu corar violentamente. Respiro fundo, controlando o meu corpo e construindo muralhas em volta dos meus pensamentos. Sorrio para ele, olhando-o da mesma maneira que fez comigo. Dessa vez, não demonstro o meu desejo.

— Clarissa Fray, — respondo. Nossos olhos se encontram e, por um momento, sua boca se abre levemente, soltando um suspiro discreto. Ele tosse, tentando disfarçar a reação, mas seus olhos nunca deixam os meus.

— Espero que tenha feito uma boa viagem, — ele diz, com uma das mãos em seu bolso. Seu sorriso torto está de volta e, pela primeira vez, percebo que seu sotaque é britânico.

— Sim, foi boa. Apenas longa, — digo, sendo sincera. — Você sempre recebe as pessoas no hotel? — pergunto, minha sobrancelha arqueando levemente.

— Se essa pessoa vai me render um lucro adequado, sim. Na verdade, iria te receber no aeroporto, mas tive um imprevisto e decidi passar por aqui.

— Hm, — murmuro. Ouço uma leve tossida atrás de mim e me viro para a recepcionista.

— Aqui está, — diz ela, entregando-me um envelope com dois cartões. — Cobertura. Só apertar a estrela no elevador.

— Cobertura? — pergunto para ela. Ela olha o computador e depois acena, vermelha com a situação. Não poss culpá-la.

— Sim. Acha que meu pai vai deixar a filha de Valentim dormir em qualquer quarto? — diz Jace, com sua sobrancelha arqueada. — Vamos, eu te ajudo com as malas.

— Não precisa… — digo, mas ele já está indo em direção ao elevador.

Murmuro um agradecimento para a mulher e o acompanho. Entramos no elevador e eu aperto o botão que tem uma estrela desenhada. O prédio tem 14 andares. Me apoio na parede do fundo do elevador e espero enquanto as portas se fecham. Olho para ele de canto de olho e ele está encostado na parede lateral, me observando.

— Você já esteve na Itália? — ele pergunta.

— Não.

— Então você não fala o idioma ou conhece a cidade? — seu tom indica que isso é um problema e eu me viro para ele.

— Não e não. Isso é um problema? — pergunto, o encarando. Seus olhos me analisam enquanto eu arqueio uma das minhas sobrancelhas. Se isso fosse um problema, eu poderia pegar um avião de volta para casa agora mesmo.

— Na verdade, não, — responde ele, dando de ombros. Ele desvia seu olhar do meu e começa a cutucar as próprias unhas. — Claro que, se você falasse, as coisas seriam mais práticas. Ainda assim, conseguiremos um tradutor para você, para que você possa fazer compras e…

— Eu posso aprender, — digo rapidamente. Não queria alguém me seguindo para lá e para cá. — Alguém poderia me ensinar. O básico, pelo menos, — falo, envergonhada de repente. Algo no jeito como seus olhos encontraram os meus, como seus lábios se abriram levemente e como seus cabelos pareciam cair sobre sua testa.

— Sim, claro, — ele diz depois de um tempo. Sua voz rouca espalha arrepios pelo meu corpo. — O que você preferir.

As portas se abrem e há um pequeno corredor e uma porta. O corredor é tão estreito e curto que acabamos pressionados contra uma das paredes por falta de espaço. Há uma pequena prateleira de vidro e um espelho na lateral, o que nos comprime ainda mais. Em cima da prateleira está um vaso com algumas flores e água. As malas fazem com que eu fique mais próxima da porta e Jace mais próximo do elevador. Pego a chave e abro a porta. Trago uma das malas para dentro e perco o fôlego com o que vejo.

O piso de pedra branca se espalhava da porta até a sacada. Uma parede cor de vinho marcava o fim da sala e o início de um corredor. De um lado da sala, perto da parede vermelha, havia um sofá cinza claro e uma televisão de plasma. Do outro lado, havia duas poltronas vermelhas ao lado de uma mesa de centro feita de madeira maciça. Um balcão, perto das poltronas, marca a divisão da sala para a cozinha. Armários claros formam um contraste com o mármore preto da pia da mesma. Ao fundo, há uma varanda. A porta para a parte externa era de vidro, que ia do chão ao teto. A vista para as ruas estava iluminada pelo sol da manhã. Nas paredes, quadros coloridos e de caráteres religiosos estavam em molduras douradas. Havia vasos com flores no balcão e na mesa de centro. As cortinas na janela eram grossas e azuis. O contraste de cores eram bem característicos e, pela primeira vez, me senti na Itália.

— Fico feliz que tenha gostado, — sussurra Jace, atrás de mim. Me viro para ele e vejo que o mesmo já trouxe a mala para dentro e já fechou a porta. Suas mãos estão em seus bolsos e ele parece despreocupado.

— Eu amei, — digo sorrindo. — Isso deve ter custado uma fortuna! Vocês realmente não precisavam ter pego a cobertura.

— Relaxa, meu pai é dono deste hotel, — ele diz, dando de ombro. Aparentemente ele fazia muito isso. — Não é como se estivessemos realmente pagando.

— Ainda assim, parece meio… Extravagante, — digo, sem ter certeza de que esta era a palavra certa.

— Bom, me avise se algo não estiver de seu gosto, — ele diz, olhando em volta. — Há um pequeno mercado descendo a rua. A sede fica nos limites da cidade e um carro virá buscá-la por volta de 8:30. Caso você precise de alguma coisa, a recepcionista tem os telefones da empresa, — conclui ele apressadamente. Ele dá um leve aceno com a cabeça e se vira, abrindo a porta para sair.

— Jace, — digo quando ele aperta o botão para chamar o elevador.

— Ah, e antes que eu me esqueça, vou tentar encontrar alguém para te ensinar italiano. Hoje é quinta-feira, e amanhã você conhecerá a empresa. Vou ver se encontro alguém que possa te levar para conhecer a cidade no fim de semana também, — ele diz. O elevador chega e as portas se abrem.

— Jace, obrigada, — digo, antes que as portas do elevador se fechem. Vejo seus lábios se partirem, como se estivesse prestes a dizer algo. E então, enquanto eu esperava, as portas se fecharam e ele se foi.

—-

Depois de arrastar as malas até o quarto, olho em volta. O corredor que levava ao ambiente era estreito e um grande quadro de uma praia estava pendurado na parede. O quarto em si tinha piso de madeira e uma grande cama de casal estava posicionada no centro do quarto. Uma escrivaninha de madeira está em um dos cantos, junto com uma cadeira de couro. As janelas são amplas e as cortinas são claras. Há uma porta para o banheiro e a primeira coisa que noto é uma banheira de hidromassagem enorme. Há um chuveiro ao lado da banheira e a pia, de mármore bege, se estende da parede ao vidro do box. Um espelho do mesmo comprimento mostra a minha aparência.

Meu cabelo ruivo claro está levemente despenteado e meus olhos verdes estão fundos e marcados por olheiras. As minhas sardas estão mais presentes do que nunca e minhas roupas estão levemente amarrotadas devido a viagem. Prendo o meu cabelo em um coque e volto ao quarto. Perto da janela há um grande armário e decido arrumar minhas roupas. Guardo todas as roupas e sapatos no armário e coloco as maquiagens, perfumes, desodorantes e absorventes no banheiro. Pego a pasta de dente e a escova e vou ao banheiro. Depois de usá-lo, escovo meus dentes e lavo o rosto. Era cerca de 8:30 da manhã em Nova Iorque, o que significava 14:30 em Roma. Decido descansar um pouco antes de fazer qualquer outra coisa. Mando uma mensagem para minha mãe dizendo que cheguei bem e outra para Simon.

Já cheguei no hotel, Lewis. Estou com saudades, XX

Abro as janelas e fecho as cortinas. Uma leve brisa entra no quarto enquanto eu me troco. Coloco uma camiseta regata branca e um shorts preto e vou deitar. A cama é macia e eu pego no sono rapidamente.

O céu está escuro e uma chuva torrencial cai do lado de fora. Um raio ilumina o ambiente e um trovão causa arrepios na minha pele.

— Você está tendo um caso com a Lilly? Como você pôde, pai? — pergunto. Lágrimas descem pelo meu rosto.

— Lilly é uma mulher maravilhosa, Clarissa. Você é egoísta por pensar apenas na felicidade da sua mãe. Eu faço tudo por você, e você não admite eu tendo um caso com uma mulher linda? Por que sua mãe pode casar com aquele cachorro do Lucian e eu não posso ficar com a Lilly?

— Você pode ficar com quem você quiser, pai! Esse não é o problema. O problema é eu descobrir sobre os seus casos através dos seus funcionários e não de você, — digo sem paciência. Os trovões ficam mais altos e a claridade me dá dor de cabeça.

— Você saberia se você me visse como um pai!

— Você teria me contado se você me visse como uma filha. Mas você só se importa com o Jonathan, — grito. Sinto o tapa antes de realmente ver sua mão. A dor atinge a lateral do meu rosto enquanto eu caio no chão. Minha cabeça lateja e eu fico tonta.

— Cale a sua boca, Clarissa. Não admitirei esse tom de voz comigo. As mulheres com quem eu transo não são da sua conta! Agora, levante-se e saia da porra do meu escritório, — ele diz, me puxando pelo braço e me colocando de pé. Ele me arrasta até a porta e fecha-a na minha cara.

Acordo assustada. Meu corpo inteiro está suado e a brisa que entra no quarto faz eu tremer de frio. Levanto e fecho a janela do quarto, indo até a cozinha pegar uma garrafa de água. Meu celular toca no quarto e corro para atender.

— Clarissa, — a voz do meu pai enche o telefone e um calafrio desce a minha espinha.

— Pai, — respondo, minha voz mais trêmula do que o esperado.

— Tudo bem?

— Sim, claro. Por que?

— Você não me avisou que chegou, — ele diz. Sua voz soava acusadora.

— Desculpa, estava cansada.

— Tudo bem, só queria saber se tinha dado tudo certo na viagem. Já são 18 horas aí, certo? — olho no relógio e vejo que são 18:33.

— Sim. Para ser sincera, estava saindo para comer alguma coisa, — digo percebendo a fome que estou.

— Ok, me mantenha informado Clarissa, — ele diz e desliga o telefone.

Coloco um vestido curto amarelo e uma sapatilha branca. Prendo meu cabelo em um rabo de cavalo e saio sem passar maquiagem. Checo meu celular e não há nenhuma mensagem de Simon ou da minha mãe. Vou até a recepção para ver o que eu posso comer. Uma senhora morena, de olhos gentis e sorriso amigável diz que há um restaurante há cerca de quatro quadras do hotel. Embora ela tenha indicado outros restaurantes mais próximos, esse foi o único que, segundo a mulher, servia a culinária tradicional da cidade, sem nenhuma influência americana. Decido ir até lá. Enquanto caminho, noto que embora Roma seja uma cidade enorme, é extremamente diferente de Nova Iorque. As pessoas são mais comunicativas, cumprimentando os donos dos comércios e os motoristas que passam. Os prédios são similares e tradicionais, sendo todos mais baixos do que os arranha-céus de Nova Iorque. As ruas são estreitas e o trânsito parece intenso, mas não se ouve tantas buzinas ou sirenes. Há algumas fontes naturais também, onde as pessoas param e bebem água. Me surpreendo como tudo funciona por aqui e me pego pensando na cidade durante o famoso Império Romano.

Após andar pelas quadras, noto que está razoavelmente cedo para jantar. Decido dar uma volta pela cidade enquanto isso. Depois de comprar um suco de morango em uma barraca, acabo comprando o ticket para um passeio no ônibus turístico da cidade. Subo até o segundo andar e sento em uma das primeiras poltronas. O tour demora cerca de uma hora, mas por causa do trânsito, chego de volta ao ponto às 19:50. A cidade é belíssima, mas a quantidade de pessoas faz com que eu não consiga ver muito dos pontos de parada. Decido fazer o mesmo tour no final de semana, descendo nas paradas para realmente conhecê-las. Quando chego no ponto final, ando até o restaurante e peço uma mesa para um. O homem que me atende é baixo e tem uma barba comprida. Seus cabelos são ralos e seu rosto contém uma expressão severa. O restaurante em si é pequeno, reservado, e aconchegante. Ele olha um computador, procurando uma mesa para mim, quando um arrepio desce pela minha coluna.

— Mesa para dois, Francesco, — diz uma voz rouca atrás de mim. Reconheço-a imediatamente. O homem parece surpreso, mas concorda e começa a digitar em um computador.

— Jace Herondale, — digo, me virando para ele. Ele está usando uma camisa preta e uma calça jeans. Seu cabelo está desgrenhado e seu sorriso torto faz com que eu tenha que segurar um suspiro. Seus olhos dourados descem pelo meu corpo, espalhando uma onda de calor que faz com que eu reprima um gemido também.

— Clarissa Fray, — seus olhos se encontram com os meus. Por um minuto, me perco na imensidão de ouro deles.

— Por aqui, Sr. Herondale, — diz Francesco. Ele não parecia tão amigável enquanto falava comigo, mas aparentemente, Jace fazia com que o homem se tornasse a simpatia em pessoa.

— Obrigado, — responde Jace. O homem nos guia até um local mais ao fundo do restaurante e um grande calor corre pelas minhas veias quando Jace encosta sua mão na base de minhas costas. Agradeço quando Francesco empurra a cadeira para mim e olho novamente para Jace.

— Você vem sempre aqui? — pergunto, revelando a minha curiosidade.

— Na verdade, sim. Janto aqui de vez em quando. Sempre que estou sozinho, para ser sincero, — ele sorri timidamente. Decido que esse é o sorriso do qual eu mais gosto.

— Parece aconchegante, — sorrio de volta.

— E reservado.

— Ah, sim. Homens como você devem sofrer com a atenção.

— Você não sofre? — seus olhos parecem sérios. Coro com o jeito que ele olha para mim.

— Não, na verdade não. Ninguém sabe quem eu sou. Sim, eu fecho alguns contratos legais para o meu pai, mas ele é o dono da empresa e Jonathan é o herdeiro. Eu sou, no máximo, a garota bonitinha que trabalha com Valentim, — digo. Me surpreendo com a minha própria sinceridade. Seus olhos parecem maravilhados.

— Você sabe que sem você o seu pai não seria nada além de um cara tentando a sorte grande, né? — ele diz.

— Claro que não. Meu pai é bem esperto e calculista, tenho certeza de que…

— Ele não teria fechado metade dos contratos que você fechou, — ele completa categoricamente. — Traga a sua melhor garrafa de vinho, por favor. E uma salada caprese de entrada, — ele diz para o garçom que, até este momento, eu não havia notado.

— Não temos como saber disso, — falo, voltando ao assunto.

— Tudo bem, tudo bem, Clarissa. Não temos como saber se…

— Clary. Me chame de Clary, — interrompo-o. Seus olhos ficam ligeiramente mais abertos e suas pupilas se dilatam um pouco, escurecendo o dourado de seus olhos.

— Clary, — ele diz, cada letra como uma carícia em minha pele. Sinto que minhas bochechas esquentam e um aperto contrai o meu baixo ventre. Deus, o que esse homem está fazendo comigo? Sinto uma vontade absurda de beijá-lo e de morder um de seus lábios. Seus olhos escurecem ainda mais e ele arregaça as mangas de sua camisa.

— Você não falou em italiano, — digo, mudando de assunto. Olho em volta e vejo o garçom trazendo o nosso pedido. Ele mostra a garrafa para o Jace, que acena com a cabeça. Depois ele serve apenas um gole em sua taça, o qual Jace prova e sorri. O garçom, de pele escura e sorriso largo, serve a minha taça e depois completa a de Jace. Já estava acostumada com a maneira como a pessoa que pede o vinho tem que prová-lo antes dos outros serem servidos, aprovando a qualidade do vinho.

— Congratulazioni, la tua ragazza è bellissima signore Herondale, — ele diz para Jace enquanto coloca um prato grande de salada caprese no centro da mesa.

— Grazie, Leonardo, — ele acena com a cabeça, sério de repente. O garçom, Leonardo, parece inabalado e sorri para mim enquanto sai. Olho para ele, curiosa pelo que falaram.

— O que ele disse? — pergunto com expectativa. — Consegui entender o belíssima e o “Signore Herondale”, mas nada mais…

— Ele disse que você é linda, — ele responde. Minha surpresa transparece quando minha boca se abre levemente. Seus olhos estão nos meus e ele está extremamente sério enquanto fala.

— Por que ele disse isso para você e não para mim? — pergunto perplexa. Será que era claro para todos que eu não falava italiano?

— Não sei, acho que ele deve ter ficado tímido, — Jace diz. Mesmo duvidando que esse fosse o motivo, sorrio e olho para o meu prato. Noto que estou envergonhada. Não pelo garçom ter me elogiado para Jace, mas pela maneira como ele traduziu o que foi dito. Por um momento, tive a impressão de que aquela era sua opinião, e não a do garçom.

Sem ter uma resposta para Jace, decido provar a salada. A caprese italiana é composta de rúcula, tomate e mussarela de búfala. A mistura de sabores, junto com o orégano e o azeite, explodem em minha boca fazendo eu revirar os olhos com o prazer. Vejo que Jace está me observando enquanto eu experimento a salada e noto um pequeno sorriso de satisfação em seu rosto. Ele chama o garçom de volta e pede um capelete com molho de tomate caseiro. Sorrio com a escolha e logo Leonardo traz nosso pedido. Mantemos uma conversa sobre assuntos banais. Ele me conta sobre seus pais e como eles são apaixonados um pelo outro. Ele diz que seu pai tinha 21 anos quando conheceu sua mãe e que ele se apaixonou imediatamente. Então, com um dinheiro guardado, seu pai comprou seu primeiro negócio. Com 25 anos ele já era dono de um pequeno império e hoje, aos 55, ele era um dos homens mais influentes da Europa. Sorrio com a maneira como Jace fala de seus pais. Ele parece admirado e apaixonado pela história deles.

— A história dos meus pais não é tão bonita. Meu pai tinha 19 anos quando conheceu minha mãe e, segundo ele, ambos sabiam que eles se casariam. Daí, quando ele tinha 22 anos e minha mãe, 21, houve o tão esperado casamento. Ele entrou no mundo dos negócios e decidiu abrir sua própria empresa. Com 25 anos, ele já era o dono de um império e minha mãe estava grávida de um menino. Eles não poderiam estar mais felizes. Mas as coisas começaram a mudar quando minha mãe descobriu que ele fez com que um casal perdesse tudo só para aumentar o seu próprio império. Aparentemente, ele ameaçou a família e fechou o negócio deles. E essa não era a primeira vez que ele fazia algo assim. Então, minha mãe decidiu largá-lo. Mas ela já estava grávida de mim e meu pai ficou furioso, principalmente quando ela assumiu um relacionamento com Luke, seu amigo de infância. Claro, eles já não eram tão próximos, mas meu pai considerou isso um absurdo. De qualquer jeito, meu pai acabou ficando com a guarda do meu irmão e minha mãe, com a minha. Eu só o via de finais de semanas e, ainda assim, meu pai fazia questão de mostrar que eu não era a favorita, — paro de falar quando percebo que estou tagarelando. Jace tem seus olhos cravados em mim. Sinto-me corar.

— E seu irmão?

— Ah, ele é um amor. Nós somos consideravelmente próximos para termos crescidos separados. Ele é super simpático e gentil, mas ele foi criado para liderar um império. O que significa que ele sabe… Convencer… Uma pessoa quando ele quer algo. Eu amo-o, mais do que tudo, mas somos bem distantes, — coro novamente. O jeito como ele me olhava fazia com que eu ficasse totalmente à vontade para falar de tudo que eu quisesse. — Faz pelo menos seis meses desde a última vez que o vi, — digo com saudades.

— Espera aí, porque vocês cresceram separados? Qualquer juiz teria colocado vocês juntos, — ele diz, seu rosto marcado pela confusão. Uma ruga se forma entre suas sobrancelhas e seu nariz franze levemente.

— Bom, minha mãe diz que meu pai comprou o juiz, mas eu acho que um acordo foi feito entre eles, — digo dando de ombros.

Após alguns segundos em silêncio, seguimos com a refeição. O capelete está excelente e, assim que terminamos, Jace me oferece uma sobremesa. Nego, sentindo meu estômago estufado com a massa. Quando a conta chega, pego o papel antes do que ele e entrego meu cartão.

— Você vai me dar uma carona, Herondale. Deixa que eu pago a conta, — digo sorrindo. Dou uma leve piscadela para ele e agradeço Leonardo pelo atendimento. Seus lábios se abrem em um largo sorriso e ele ri.

— Ah, Fray, — Jace suspira. — Cuidado para eu não acostumar, — ele diz enquanto se levanta. — Ou eu sou capaz de cobrar a gasolina também, — dessa vez ele pisca para mim, me guiando para fora do restaurante. A maioria dos funcionários do restaurante nos observam enquanto caminhamos até a entrada. Do lado de fora, o céu é iluminado por um intenso pôr do sol. Olho em volta, confusa pelo fuso-horário.

— Que horas são?

— São 22:20, mais ou menos, — ele diz. Uma de suas mãos encosta na base da minha coluna, me guiando para um pequeno estacionamento ao lado do restaurante. Meu corpo inteiro treme com o toque. — O sol deve se pôr em alguns minutos, — ele completa.

— Não sabia que era assim tão tarde, — digo.

Paramos em frente à uma lamborghini preta e percebo que este é seu carro. Sorrio e reviro meus olhos enquanto ele dá de ombros. O carro tem cheiro de novo e uma música suave toca. Jace se ajeita no banco e sai com o carro. O trajeto é rápido e o silêncio é confortável. Ele estaciona o carro em frente ao hotel. Seus olhos encontram os meus e ele sorri torto. Um arrepio desce pelo meu pescoço e eu aperto as minhas coxas. Deus, o homem me fez ficar molhada com um único sorriso! Isso não deveria ser possível. Recupero o controle da minha respiração e olho em seus olhos. O dourado me atrai, como uma piscina de ouro líquido. Sorrio, timidamente, e me inclino em sua direção. Seus olhos escurecem e, quando ele se inclina em minha direção, sei que atingi meu objetivo. Dou um beijo suave em sua bochecha e me afasto, abrindo a porta do carro.

— Obrigada, Jace, — digo sem olhá-lo. Desço e fecho a porta, indo para as portas do prédio.

Sorrio com a minha vitória. Ele sabia que mexia comigo e eu me sentia orgulhosa por ter mexido com ele. Dois podiam jogar esse jogo e eu, com certeza, havia ganhado essa rodada. Entro no quarto do hotel e, só quando eu sento no sofá, percebo que estou tremendo. Por um momento, imagino como seria se eu tivesse beijado-o de fato.

Notas finais
Bom, e aí? O que acharam? A tradução para a fala do Jace é: “Parabéns, a sua namorada é linda, Sr. Herondale. ” Me falem o que acharam nos comentários e, se acharem que a fic merece uma recomendação, sintam-se a vontade hahaha :) Espero que tenham gostado e daqui a pouco tem mais! Beijos, beijos