O despertador me acordou as seis em ponto da manhã, que droga as férias tinham acabado de vez e a agonia do segundo semestre estaria de volta. Sentei na cama esfregando os olhos, era hora de voltar a realidade e a minha não era assim tão legal, afinal metade da escola me odiaria mesmo.

Tomei um banho e desci para o café, minha mãe me olhava com um ar preocupado, eu sabia que ela estava pensando no que aconteceria comigo no colégio,eu não estava com vontade de fazer isso, não estava com vontade de falar com ninguém sobre o que certamente enfrentaria na escola naquele dia.

-Você não quer... – antes que ela terminasse eu fiquei de pé e joguei a mochila nas costas.

-Não mãe, deixa que eu supero.

Segui na direção da garagem, peguei meu carro e dirigi até a escola. Quando cheguei até lá e estacionei, nem precisei sair do carro para que os olhares se voltassem para mim. Droga!

-Oi amiga. – escutei uma voz doce e só então me virei para ver quem falava comigo, era a Rafaella, sempre tinha que ser a Rafaella, ela nunca ligara para tudo o que havia acontecido no semestre anterior, não que ela apoiasse a minha atitude, mas ela também nunca criticou, resumindo era o tipo de pessoa que eu amava ter por perto.

-Oi Rafa. – falei batendo a porta da caminhonete e acionando o alarme na chave.

-Como você está?

Eu a encarei vi que ela estava preocupada, mas sorria doce como sempre tentando disfarçar.

-Estou ótima, quer dizer.. Ah, você me conhece.

Ela sorriu com a minha resposta e não perguntou mais nada, eu olhei ao redor.

-É sempre bom ser alvo de olhares, não é? – brinquei para quebrar um pouco o clima ruim.

-Se você está falando...

-OI GATA! – juro que o susto que eu levei quase fez com que eu derrubasse minha mochila no chão, tinha que ser ele, tinha que ser.

Foi tudo muito rápido, mas quando dei por mim ele já estava sentado em cima do capo da minha caminhonete, segurando um dos joelhos com o braço direito e um skate com a outra mão.

-Onde está seu juízo, garoto? – Rafa falou séria o encarando enquanto Bam sorria na nossa direção.

-Em casa. – ele falou pulando de cima da caminhonete. – eu não ando com ele, tenho medo de perder.

Eu comecei a rir, pela primeira vez desde o fim do semestre passado que eu ria com vontade.

-Você nunca vai ser normal. – Rafa falou tentando esconder um sorriso.

-Ser normal para que? – ele perguntou passando o braço ao redor do meu ombro. – não preciso disso, já existem pessoas normais demais no mundo.

Começamos a andar na direção da entrada do colégio, os olhares em mim eram insistentes e irritantes.

-Não liga não. – Bam falou quando percebeu que eu estava incomodada com aquilo. – não precisa ligar para eles, são um bando de imbecis.

-Você fala isso porque não é com você.

Ele sorriu alto.

-Não é comigo agora, mas não sei se esqueceu que desde que entrei nessa escola que esses imbecis me olham, esculacham, falam mal, dizem que sou louco...

-Você é! – Rafa interrompeu rápido.

-Eu sei disso, mas quer saber? Nunca liguei para os comentários e nunca vou ligar, é a lei dessa cidadezinha de merda minha linda, eles sempre têm que ter alguém para ser alvo de falatório, desde que cheguei eu era essa pessoa, agora é sua vez.

Eu o encarei, eu lembrava exatamente do dia em que o Bam, quer dizer, Brandon Cole Margera chegara à escola, todos pararam para encará-lo ao mesmo tempo, não vou ser sínica e dizer que também não o fiz, vamos dizer que o Bam não é uma pessoa que passe despercebida em meio a uma multidão, começando pelas várias tatuagens que tem espalhadas pelo corpo, nunca tentei contar, mas sei que são mais de quinze; também tem o fato de ele quase nunca chegar a tempo para uma aula, ser expulso no meio delas, ter vindo já expulso de outras escolas, fazer algumas brincadeiras de mal gosto e também o fato de ser o mais incrível skatista que eu já vi e fazer questão de mostrar isso todo dia na escola quase derrubando todo mundo que passe por ele.

O inicio dele na escola foi conturbado, ninguém queria falar com o garoto novo tatuado que fora expulso de várias escolas, mas eu não, nos esbarramos uma vez no corredor e aquilo serviu para ser o inicio de uma enorme amizade, na verdade éramos um casal meio excêntrico, mas eu o adorava e esse sentimento era recíproco.

-Não acho que agüento tanto quanto você Bam. – falei forçando um sorriso enquanto nos aproximávamos mais e mais da entrada da escola.

-É claro que agüenta, você é minha amiga no fim das contas, não é? Tem que ser forte caramba e qualquer coisa é só me chamar sabe disso.

Até já perdi as contas de quantas vezes o Bam já arranjara briga para me defender de algum folgado, até na época que eu namorava o Ian era o Bam quem estava lá para comprar todas as minhas brigas, o Ian sempre fora tão... Ausente.

-Você é meu anjo, sabe disso, não sabe? – falei puxando o rosto dele e lhe dando um beijo demorado na bochecha.

-É sei sim. – ele falou me soltando rápido e de repente eu até me assustei com a reação dele. – a gente se vê por ai gata, até mais Rafa.

E assim jogando o skate no chão ele se mandou escola adentro.

-Está bem, só eu que não entendi isso? – perguntei encarando a Rafa.

Ela deu de ombros visivelmente tão confusa quanto eu.

-Ei dupla! – escutei uma voz e me virei para olhar quem vinha em nossa direção.

-Debby! – Rafa falou animada abrindo um largo sorriso, Debby me encarou.

-Não está feliz em me ver?

-Não sei se você está em me ver.

-Claro que estou não seja tonta. – ela falou sorrindo. – ia vim falar com você desde que saiu do carro mas...

-Eu sei, o Bam chegou primeiro.

A Debby sempre tivera um pé atrás com o Bam e não escondia isso, na verdade eu sabia que ele também não gostava muito dela.

-Pois é, preferi evitar.

-Não sei por que vocês não se dão bem.

-Vamos ver, porque ele odeia o que eu faço, ele faz brincadeiras imbecis, é mal educado... Quer que continue?

-Na verdade não, você sabe que eu odeio quando você fala mal dele, não é?

-Sei sim, o que me lembra de perguntar... Alguém já fez algum comentário imbecil?

-Ainda não, mas é questão de tempo até que alguém faça.

-Fiquei sabendo que o Ian foi te procurar ontem.

Claro que ela ficou sabendo, todo mundo naquela cidade sabia de tudo.

-Pois é.

-E o que você respondeu?

-Mandei ele ir se ferrar e lhe mostrei o dedo no meio da rua, isso é resposta?

Ela sorriu.

-Está andando muito com o Brandon.

-Bam! – não apenas corrigi a forma que ela o chamou, como simulei um revólver com a mão.

Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.